RESENHA: Tame Impala – Innerspeaker

Luis Felipe —  09/06/2010 — 3 Comentários

Tame Impala já está em seu segundo CD, Innerspeaker, e é uma banda australiana de rock psicodélico que nunca pensei que fosse gostar. O primeiro CD passou despercebido por mim, mas este segundo me conquistou de certo. O interessante aqui é que cada música tem sua peculiaridade, e brinca com um estilo diferente. Temos as mais pops e pegajosas, as mais rockers, as épicas de 7 minutos, as mais viajantes pra os “stoners” e até uma instrumental para quem quer apenas ouvir os sons das guitarras. Guitarras, entretanto, estão presentes em todas as faixas, sejam diretas nas mais pops ou mais distorcidas nas mais psicodélicas. O vocal de Kevin Parker também chega a lembrar muitas vezes o de John Lennon, tanto no tom quanto na maneira de cantar. As canções têm o nível de maturidade que o MGMT mataria e desejaria ter, sem soar enfadonho ou inacessível.

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O primeiro single Solitude is Bliss é uma jóia do rock moderno, a típica música para levantar o astral de qualquer um, e soa como se tivesse sido feita lá no início de 70. Retratando aquele momento em que precisamos ficar sozinhos, sem nenhuma companhia., Kevin canta There’s a party in my head/ And no one is invited, logo antes do simples refrão, que assim como os efeitos, grudará na sua cabeça como um eco. It Is Not Meant To Be, a faixa de abertura do disco, soa como uma incrível canção psicodélica perdida dos Beatles. Os destaques entre as mais psicodélicas ficam com Expectations, que precisa de alguma ouvidas para se tornar sua favorita, e o épico de 7 minutos que citamos, Runway, Houses, City, Clouds, que apesar da duração, não soa cansativa em nenhum momento.

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Innerspeaker é um obra que merece ser ouvida por inteiro. As canções além de serem fortes (nenhuma é “chata”), formam uma obra extremamente coesa e condizente com o tema do álbum: o rock psicodélico. Assim como os melhores atos de 2009, como Grizzly Bear e Animal Collective, o CD pode soar estranho no começo, e embora não tão ousado ou inovador, ainda assim requer um nível de atenção à princípio. Apesar de seguir uma linha mais orgânica, sem sintetizadores pesados como os do Animal Collective, as duas bandas têm muito em comum, das melodias mais humanas, letras que falam com o ouvinte aos refrões irresistíveis. As canções aqui, assim como as do Merriweather Post Pavillion, pedem para você se perder dentro delas. Como já citado, o álbum é uma viagem pura. Uma viagem que vale a pena seguir, e mesmo se você nunca foi muito fã de rock psicodélico, essa vale a pena tentar.

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8,6 – Muito Bom

Tame Impala - Innerspeaker [Modular; 2010]

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♫ Tame Impala – Solitude Is Bliss

♫ Tame Impala – It Is Not Meant To Be

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3 respostas para RESENHA: Tame Impala – Innerspeaker

  1. Caio Guimaraes 09/06/2010 at 22:13

    Muito bom as materias do blog. Cada vez melhor.

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