Archives For February 2011

Por mais estranho que pareça combinar o garage-rock do PS I Love You com o electro-pop do Diamond Rings, os dois novos artistas vindo do Canadá são amigos por um bom tempo, tanto que entrarão em uma turnê conjunta esse ano, à-la Best Coast e Wavves. E para comemorar, os dois irão lançar um EP, que chega embalado por esse novo single, que traz o melhor dos dois mundos. “Leftover”, como o nome pode sugerir, não é um “resto”. Com guitarras lo-fi, harmonias vocais e um refrão duplo que é a cara do debut Diamond Rings, a música também é cantada pelo cara e traz todos os seus trejeitos de glam-rocker que nos conquistou ano passado. A princípio pode parecer estranho ouvir a voz de O’Regan sob riffs de guitarra e uma percussão de verdade, ao invés de sintetizadores e batidas eletrônicas, mas basta ouvir uma única vez que fica difícil não ceder à faixa e sua charmosa melodia. No final, “Leftover” é muito acima de uma pequena sobra, e mesmo que fosse, não foi a incrível “Show Me Your Stuff” que acabou ficando de fora do disco? Ouça e comprove o que estou dizendo logo abaixo.

Diamond Rings & PS I Love You – Leftovers

 

Algumas bandas  fazem música de uma forma tão inspirada que parece alquimia, e quando você ouve uma faixa que começa misturando xilofones com trompetes, você já sabe que essa é uma delas. Vindos de Winnipeg, do Canadá, e formando o coração do Imaginary Cities, estão os instrumentalistas Rusty Matyas e Martu Sarbit, que acabam de lançar seu debut, o Temporary Resident, que conta como primeiro single a última faixa do disco, o que às vezes pode dizer muito sobre uma banda. Se espera por uma canção grandiosa e bem trabalhada, acertou em cheio. Soando como um mini-Arcade Fire liderado por uma mulher,  “That’s Where It’s At, Sam” é aquela típica faixa meticulosamente orquestrada, que poderia muito bem estar no segundo disco da banda canadense favorita de todos. Com um começo lento e um desenvolvimento rápido, quando você menos esperar já vai estar preso no meio da tempestade, e garanto que não vai querer sair dela. Se “No Cars Go” te dá arrepios até hoje, não deixe essa música passar batido.

Imaginary Cities – That’s Where It’s At, Sam

Se gostou do que ouviu, corra atrás do Temporary Resident, lançado agora dia 22 de Fevereiro.

Prometo moderar nos hits mainstreams como comentaram aqui da vez passada, então aqui está, o Friday Mixes XV, com muito indie, pop, rock e electro, é claro! E como disse no outro post, o SoundCloud já era (duas das três melhores da semana não entraram no player vermelho). Pra ouvir as músicas, tem que apertar o play de uma em uma por enquanto, ou então baixar o set completo logo abaixo e ouvir na ordem.

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The Killers – When You Were Young (The Soundmen Remix)

Eu deixo a palavra com os próprios DJs dessa vez:

“Nós amamos essa música e sempre quisemos  fazer algo diferente com ela, então quando escutamos sua versão acapella, surgiu a ideia. Mergulhada em sintetizadores coloridos e uma bateria bem pesada, nós queríamos dar uma nova sensação à versão original e brincar de modelar seu ritmo. Então aqui está o resultado, baixem e ouçam!” – The Soundmen

Eu só acrescento: baixem e pirem.

The Killers – When You Were Young (The Soundmen Remix)

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Bruno Mars – Grenade (Passion Pit remix)

E aí, algum queixo caiu agora? Se você ainda não está acreditando em quem fez um remix para o mega-hit “Grenade”, do Bruno Mars, pode ler de novo: PASSION-fucking-PIT! Sim, são os indies andando de mãos dadas com os amigos pop da escola, e não é que a amizade ficou bem colorida aqui? O remix prova que a banda é simplesmente tão boa em criar hits quanto em re-criar hits, e que com a ajuda de um novo coro de fundo, palminhas e um pouco de criatividade, é possível transformar uma canção mediana num hit de 6 minutos que poderia durar 10.

Bruno Mars – Grenade (Passion Pit remix)

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Two Door Cinema Club – Something Good Can Work (Ted & Francis Remix)

Se o Two Door Cinema Club resolvesse virar uma banda de electropop, eles soariam assim. Aqui, Ted & Francis resolvem passear com a banda na praia, com batidas praianas, sons de ondas, xilofones, e até mesmo – acreditem – um solo de saxofone. Se a original já estampa um sorriso no rosto, esse remix é tão feliz que deve curar até mesmo o mau humor dos comentários que recebi no post da Avril ontem.

Two Door Cinema Club – Something Good Can Work (Ted & Francis Remix)

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Gorillaz – Doncamatic (Lonsdale Boys Club Remix)

Por falar em saxofone e felicidade, olha esse remix de “Doncamatic” do Gorillaz aqui. A sexy canção ganha um remix menos sexy dessa vez, mas bem diferente da original, com novos arranjos, sintetizadores e o adorável refrão de sempre. E como Daley mesmo canta, “download me!”.

Gorillaz – Doncamatic (Lonsdale Boys Club Remix)

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Janelle Monáe – Tightrope (Organized Noize Remix)

E seguindo a mesma linha de “Doncamatic”,  “Tightrope” é remixada por ninguém menos que o time produtores responsável por boa parte das músicas do Outkast. O que isso significa? A futura fembot e embaixadora dos andróides Janelle Monáe ganha um tratamento funk, só que mais fino e sofisticado que a versão original. Melhor? Talvez não, mas é boa o suficiente para ter sido incluída como uma faixa bônus do disco oficial, então se ainda não ouviu, get your funk on!

Janelle Monáe – Tightrope (Organized Noize Remix)

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Sparkadia – Mary (Royal Palms Remix)

Me diz que você também ficou animado ao saber que a maravilhosa “Mary” do Sparkadia ganhou um remix! Se não conhece a original corre aqui e comece a imaginar como poderia soar um remix disso. Se você achou que isso nunca fosse funcionar, só aperte o play e descubra por si próprio.  Com batuques, uma guitarra nova e mais agitada e todo o coral de igreja retirado, o que sobra é uma canção repleta de gingado, com violinos, que vai te fazer ajoelhar na pista de dança e suplicar pelo amor perdido.

Sparkadia – Mary (Royal Palms Remix)

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Enrique Iglesias vs High Energy – Tonight I’m Fucking You… Dancing!

Quem não se apaixonou pelo remix total anos 80 e baile de formatura dos seus pais/avós de “Sexy Bitch” nesse post, faça me o favor… de ouvir esse remix aqui! O pseudo-hit de Enrique Iglesias (?) fica infinitamente mais divertido aqui, e preciso dizer como ele soa? O High Energy me mandou esse remix por email, e não hesitei em postar quando ouvi. Não chega a ser tão surpreendente quanto o outro, mas com a promessa de um EP completo de remixes, mal posso esperar para ouvir mais dessa mistura de DJs e banda que é o grupo.

Enrique Iglesias vs High Energy – Tonight I’m Fucking You… Dancing!

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White Stripes – Seven Nation Army (The Glitch Mob Remix)

Fazer headbanger ao som de eletrônico, pode? Embora o White Stripes tenha acabado, seu legado ainda permance, e o mais óbvio deles, “Seven Nation Army”, ganha uma versão absolutamente suja, agressiva e totalmente moderna aqui, sem esquecer de que em clássico não se mexe – muito. Tudo o que você ama na original está aqui, e ainda mais um pouco, e se um remix conta, esse é o melhor jeito de se despedir dessa ótima banda.

White Stripes – Seven Nation Army (The Glitch Mob Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes XV

Friday Mixes XV by OhMyRock

A primeira pessoa que lembrei quando terminei de ouvir “(All I Wanted Was) Danger” foi Amy Winehouse. O refrão, que canta aos gritos “tudo o que eu gostaria de sentir agora era perigo”, não pode lembrar ninguém menos do que o trem desgovernado que a cantora é. Mas as semelhanças não páram na letra. Os novatos The Milk, vindos direto da Inglaterra, parecem pegar o mesmo bonde que Cee-Lo Green e Janelle Monáe estão pegando, nessa renovação da soul-music que está conquistando cada vez mais o mainstream, tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. Se “Rehab” e agora “Fuck You” são sucessos, não há porquê “(All I Wanted Was) Danger” não ser. Cheios de energia, a banda presta uma homagem aos nomes do soul com estilo, e com gingado pra dar e vender, a música tem um ritmo tão contagiante que é bem capaz de colocar até sua avó para arriscar uns passos na pista de dança! Junte a letra com ritmo, que fica difícil não concordar com a banda: é difícil não querer surtar aqui, nem que por três minutos.

The Milk – (All I Wanted Was) Danger

E os ingleses do Metronomy estão de volta com um novo single. Na verdade, o novo álbum do grupo, The English Riviera, foi anunciado com a nova “She Wants”, mas que não conseguiu me prender por muito tempo. “The Look”, entretanto, se destaque como algo especial, a começar por sua letra, que fala sobre uma pessoa conformada em morar numa cidade “fim de mundo”. A música ainda tem toda uma evolução por trás de suas batidas, com variações nos instrumentos e até mesmo nos refrões, que ganham vocais em harmonia e versos diferentes, que além de se encaixarem perfeitamente com a melodia, ainda dão todo um ar experimental a essa suave canção de synth-pop. A base da faixa, entretanto, com um riff de teclado estridente e um baixo bem doce, forma um conjunto que encanta pela sua simplicidade e paciência na construção de batidas, culminando num solo de sintetizadores bem legal em seu último minuto, capaz de colocar um sorriso no rosto da galera indietronica. Confira logo abaixo.

Metronomy – The Look

O The English Riviera sai dia 11 de Abril, pelo selo Because Music.

E assim, numa quarta-feira, o TV On The Radio lança sua nova música, o primeiro single do Nine Types Of Light, disco que deve suceder o incrível Dear Science, de 2008. Sobre o single, ela não é agitada que nem “Golden Age” e nem uma mega-balada como “Family Tree”, mas sim uma mistura das duas, lembrando bastante a bela “DLZ”, só que sem o final apoteótico. Resumo da ópera: temos em mãos uma canção com menos de 4 minutos, breve para o católogo da banda, que prefere deixar o experimentalismo de lado a favor de um som mais acessível e melódico. Com um toque de soul e um refrão completamente cativante logo de primeira, até mesmo as fortes guitarras do grupo não aparecem bem aqui, mas apenas de uma forma bem suave, no fundo. Não vejo motivo para os fãs ficarem decepcionados, e para você que ainda não conhece o som do grupo, “Will Do” parece ser o perfeito primeiro passo para isso. Ouça logo abaixo.

TV on the Radio – Will Do

O aguardado novo álbum será lançado na primavera Norte-Americana (nosso Outono), e mal posso esperar para ouví-lo!

O trio de rock psicodélico Akron/Family acabou de lançar um novo disco semana passada, com essa capa aqui de cima. O vulcão da imagem não é a toa. Aparentemente, a banda gravou a maior parte das canções numa casa deserta perto de Hokkaido, no Japão, ao lado de um vulcão ativo. Influenciados por fitas cassetes lo-fi japoneses e baterias eletrônicas dos anos 70 tocadas por baquetas feitas por eles mesmos, assim se deu o início da gravação do novo álbum, incrivelmente intitulado de   Akron/Family II: The Cosmic Birth And Journey Of Shinju TNT. O primeiro single oficial do disco, “So It Goes”, que inclusive apareceu no último episódio do seriado britânico Skins, é bem menos complicado do que a introdução te faz acreditar. Com um agressivo tom de indie-rock que se transforma numa suave e curta faixa acústica em seu final, o vocal de Seth Olinksy parece oscilar da mesma forma que sua melodia (e o vulcão!): raivoso e experimental no início, mas aconchegante e sonolento no final. Agora se achou a música curta, e tem mais dois minutos sobrando para te fazer duplicar o amor pela canção, ouça antes “A AAA O A WAY”. A música, que precede “So It Goes” no álbum, é a perfeita mistura do experimentalismo com o folk-rock do grupo, sem contar que abre alas de uma maneira espetacular para o indie-rock mais imediato do primeiro single, tanto que até no vídeo oficial da música ela é usada como introdução. Assista e baixe as músicas logo abaixo:

Akron/Family – A AAA O A WAY

Akron/Family – So It Goes

Produzido por Chris Koltay, que já trabalhou com o Deerhunter e o Liars, o quinto disco do grupo, Akron/Family II: The Cosmic Birth And Journey Of Shinju TNT, foi lançado dia 15 de Fevereiro, pelo selo Dead Oceans.