Archives For August 2011

Ouvir uma única vez o novo EP do Reptar não é o suficiente. Já falamos disso quando resenhamos a música-chave do disco, “Stuck In My ID”, mas se tem uma faixa capaz de representar de forma melhor a história é “Rainbounce”, o mais novo single do grupo, que acabou de ganhar um clipe inclusive.

Os vocais, como sempre, estão no ponto, com um sotaque meio Jamaicano que só faz crescer a lista de influências desta aqui. Mas o mais divertido da música, entretanto, é sua estrutura inusitada. Com um início cheio de pianos e sintetizadores que vão lembrar a época de ouro do Motion City Soundtrack (alguém lembra?), a música logo ganha xilofones e steel drums, se transforma em um rock pesado na metade e no fim ainda vira um paraíso tropical, que não dura muito tempo, como todas as diversas partes da música. Descrever tudo o que se passa aqui é impossível, mas mesmo experimental e sem um refrão aparente, a criatividade da banda para juntar tudo e formar uma canção uníssona, viciante e competente do início ao fim é de impressionar. Podemos chamar de loucura pop?

Reptar – Rainbounce

O provável melhor EP do ano é o Oblangle Fizz Y’all (produzido pelo Ben Allen do Merriweather Post Pavillion, Animal Collective) com cinco faixas excelentes e o melhor de tudo, variadas (tanto entre quanto dentro delas). Se quiser sair um pouco do som convencional de sintetizadores sem perder a linha, já sabe o que procurar.

Kamp! – Cairo

Luis Felipe —  31/08/2011 — 2 Comments

Nos últimos meses o selo Discotexas vem se armando alguns bons lançamentos para sua safra de 2012, mas um deles em especial chamou nossa atenção. Direto da Polônia, conheça o trio indie de electropop Kamp!, que apesar de já lançarem alguns singles e um EP, prepararam o novo lançamento para o selo americano. E não foi só nossa atenção que foi despertada. Antes mesmo do seu lançamento (que só aconetece mês que vem), “Cairo” já vem acumulando elogios de muita gente (como o The Magician, Justin Faust e Mighty Mouse) e dominando blogs e mixtapes com seus vários remixes que estão sendo lançados aos poucos.

Mas não espere, antes que saia em vários lugares, “Cairo” já pode ser ouvida em toda sua glória original aqui abaixo, e se gosta o mínimo de Cut Copy e sintetizadores, não deixe para ouvir depois. Com um começo e uma estrutura pouco convencional (composta de apenas uma introdução, um verso e um refrão), “Cairo” começa de forma lenta e progressiva, com synths aquecidos que remetem inclusive o pôr do sol de sua capa. Apesar dos quase dois minutos de espera para entrada dos vocais, a introdução é luxuosa e necessária para os versos que seguem, com um vocal que lembra bastante o da banda australiana. A finalização, onde finalmente o maravilhoso refrão é empurrado a força para os nosso ouvidos, parece que foi calculado para que façamos o inevitável: ouçamos mais uma vez. O melhor remix da safra, o do Moullinex, deixa as coisas um pouco mais pop e convencionais, mantendo a beleza da original e adicionando um aspecto dançante. Todo o hype em cima desse aqui será justificado com as duas músicas abaixo. Ouçam e fiquem ansiosos.


O single será lançado dia 9 de Setembro via Discotexas.

O final de semana chegou mais cedo hoje! Curtam os oito (de muitos!) melhores remixes que saíram essa semana, especialmente a bela recriação do novo single de Marina & The Diamonds pelo Starsmith, a releitura country de “Yoü And I” da Lady Gaga, e o surpreendente remix do Moonlight Matters pro novo single do Mark Ronson com a MNDR. Tudo sem demora, aqui embaixo!

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Marina & The Diamonds – Radioactive (Starsmith Remix)

Ela está chegando aos poucos, mas não é exagero dizer que enquanto metade das pessoas gostaram do novo single da Marina & The Diamonds, “Radioactive”, metade certamente torceu o nariz. Mas a boa notícia: Marina escalou uma série de DJs famosos (Captain Cuts, Chuck, Starsmith) para remixar seu novo single, e o que vemos agora é a primeira prévia disso. Na versão do Starsmith, que fez a própria “Hollywood” da cantora e o álbum completo da Ellie Goulding, ficam de fora o baixo e as batidas electro, e após deixar a música crua, o produtor fica livre para criar seu próprio terreno em cima, cheio de sintetizadores, detalhes novos e uma produção luxuosa que por hora lembram o The Sound of Arrows, fazendo com que o remix se pareça mais como uma “versão alternativa” (e muito, muito melhor) do que um próprio remix. Seja o que for, apostamos que Marina está morrendo de raiva agora que  viu o resultado. Os fãs antigos, por outro lado, não poderiam estar mais felizes.

Marina & The Diamonds – Radioactive (Starsmith Remix)

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Lady Gaga – Yoü And I (Mark Taylor Extended Remix)

Mais uma prova de como uma música original pode ser melhorada, ouçam o que Mark Taylor fez com a nova da Lady Gaga, “Yoü And I”. O produtor cria uma sonoridade completamente country à-la Shania Twain, mas com um toque do electro das produções da cantora, e parece se agarrar de vez a esse lado caipira que a original só flertava. E se você acha que ficou “brega”, está completamente errado, a música está mais divertida do que nunca. Adicione ainda um break com violões, pianos e todo um clima americano (que só está disponível nessa versão extendedida que saiu hoje), que não terá erro se quiser surpreender uma pista.

Lady Gaga – Yoü And I (Mark Taylor Extended Remix)

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Mark Ronson & The Business – Record Collection (Moonlight Matters Remix)

Sinceramente, os remixes do Moonlight Matters nunca me convenceram. Mas o cara foi escalado para um EP de remixes da nova versão do single de Mark Ronson (“Record Collection” com vocais da MNDR!) e sua aparição roubou o destaque de muita gente “maior” por aí. Desde o primeiro segundo percebe-se que esse não é um remix convencional, mas sem dúvidas um muito intrigante. O motivo são os violinos que abrem a faixa, sampleando de forma brilhante o tema de Rocky, “Eye Of The Tiger”, e junto às guitarras que vêm logo a seguir (que permeam toda a música), a música fica com um clima totalmente diferente da original. Mais agressivo, meio anos 80 e meio disco-moderno, o remix cria uma tensão constante até o último segundo, liberado de forma esplendorosa pelo refrão com a MNDR.

Mark Ronson & The Business – Record Collection (Moonlight Matters Remix)

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Housse De Racket – Roman (Robotaki Remix)

Quando você é bem recebido por lasers, já sabe que o remix é bom. Na versão do Robotaki, “Roman”, o explosivo single do Housse De Racket, vira uma festa de sintetizadores, pianos e um clima completamente sonhador, lembrando uma espécie de remix perdido do M83 tocado numa festa intergaláctica A ótima versão, que será lançada pela própria Kitsuné semana que vem, parece ter sido produzida com muita atenção nos detalhes, e nos traz um take mais dançante e emplogante da faixa, inclusive mais do que o remix do Oliver.

Housse De Racket – Roman (Robotaki Remix)

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Alex Winston – Velvet Elvis (King Charles Remix)

Alex Winston eestá prestes a lançar um incrível debut, e “Velvet Elvis” já chegou como uma das melhores músicas pop do ano. Em seu remix oficial, que será lançado junto ao single no dia 19 de Setembro, o King Charles assume a bateria e cria um festival de batuques, utilizando ainda os belos trompetes e a percussão da original. Se o BPM é basicamente duplicado em seus versos, escutem só o incrível break desse remix, onde as batidas parecem triplicar, lembrando inclusive uma versão africana das baterias de Nicola Roberts.

Alex Winston – Velvet Elvis (King Charles Remix)

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Nicola Roberts – Lucky Day (Thin Red Men Remix)

Por falar nela, o novo single de Nicola Roberts, “Lucky Day”, apesar de ter sido produzida pelo Dragonette, perde e muito em questão de charme para o adorável primeiro single, “Beat Of My Drum”. Em um dos seus poucos remixes oficial, o segundo e o melhor a sair, feito pelo Thin Red Men, prefere não mexer muito na versão original mas adicionar batidas electro suficientes para deixá-la muito mais daçante, ainda que previsível e não muito original. Destaque para o break e o solo de sintetizadores, que dá um toque diferente e chega como uma certa surpresa na música de Nicola.

Nicola Roberts – Lucky Day (Thin Red Men Remix)

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Fixers – Swimmhaus Johannesburg (Star Slinger Remix)

Confesso que sou um grande fã da original dessa música, e que apesar de ainda achar os Fixers como um todo um tanto quanto underateds por aqui ainda, o que o Star Slinger fez com “Swimmhaus Johannesburg” foi espetacular. O clima “rock grandioso” da original dá espaço para batidas hip-hop e vocais auto-tunados, torcidos e distorcidos, que criam uma atmosfera totalmente diferente da outra versão, e graças ao belo refrão, a música nunca esteve mais acessível. Recomendo que ouçam e comparem ainda com a original.

Fixers – Swimmhaus Johannesburg (Star Slinger Remix)

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Foster The People – Helena Beat (Wheel Wells Remix)

Está rolando um concurso para saber quem traz o melhor remix de “Helena Beat”, do Foster The People, e apesar de me frustar com muita coisa do topo do pódio, foi lá pela posição 147 que se encontrava essa pérola. O Wheel Wells parece ser, assim como nós, um grande fã do RAC ou do Fred Falke, visto que traz batidas gostosas de se ouvir e que não agridem os ouvidos. Com um início italo-disco, desde a entrada dos vocais na casa do primeiro minuto o remix se mostra uma versão cheia de surpresas, suave, original e autoral, e porque não dançante, do ótimo single da banda. O break conta com um drop inesperado e também muito bonito.

Foster The People – Helena Beat (Wheel Wells Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes #28 (D/L: Botão direito, Salvar como…)

A cada descoberta musical percebo que os anos oitenta estão presentes no século XXI. O uso de sintetizadores e vocais distorcidos combinados com linhas de contrabaixo dançantes é característico da década onde o rei era Micheal Jackson. Os revivals da new-wave estão inclusos em praticamente todos os lançamentos deste ano, incluindo o EP recém-lançado do Shale Aletti. O duo inglês tem nome desconhecido na grande mídia, mas no quesito qualidade eles são bem competentes. “Inside Out” é o segundo single da banda e desde os primeiros segundos deixa bem claro a influência oitentista. O bom uso do sintético permite a criação de sensações que embora sejam retrô, soam novas e joviais. Confira também o super-dançante vídeo do single.

Shake Aletti – Inside Out

Como se não fosse o bastante, junto com a versão original, o single é acompanhado de alguns remixes que te prometem suar um pouco mais. Há dois remixes completamente diferentes que chamaram muita atenção. O primeiro deles, feito pelo Toy Tigers, apresenta uma suavidade contrabalenceada por uma batida dance característica, enquanto o segundo, pelo His Majesty Andre, aproveita apenas alguns vocais da música pra criar um irresistível e novo número de disco-funk, com trompetes e tudo o que temos direito. Vale a pena ouvir os dois.

Shake Aletti – Inside Out (Toy Tigers Remix)

Shake Aletti – Inside Out (His Majesty Andre Remix)

O single “Inside Out” foi lançando no último 22 de agosto pela Moda Music.

Conheça mais uma aposta do pop suéco: o Air France. Após uma pequena pesquisa que se emperrou de diversos sites da companhia aérea, descobri que se trata de uma dupla de electro pop experimental formada por Joel Karlsson and Henrik Marksted, que chamam seu som de “pop tropical”. Já lançaram dois EPs (destaque para o No Way Down), mas estão ainda um pouco longe de lançarem seu primeiro LP.

Apesar disso, acabaram de lançar um novo single pela famosa gravadora Sincerely Yours (JJ, Mystery Tapes), e a faixa em questão é “Its Feels Good To Be Around You”, que aliás conta com a produção do excelente Star Slinger. É uma belissima obra que mescla elementos do electro, house e, é claro, do synth-pop, tudo em uma sonoridade mais lo-fi porém completamente radiofônica. Se inicia com uma pequena locução de rádio e vai se levando em meios a reverbs e à mistura de vocais que ajudam a criar a batida, que não demoram muito para infecctar nossos ouvidos em conjunto com o gracioso refrão. A música ganha também um belo clipe, com uma pegada meio verão oitentista.

Air France – It Feels Good To Be Around You

Lembra do Natalie Portman’s Shaved Head? Para quem não conhece, a banda é originária de Seattle, e responsável por uma explosiva mistura de estilos que passeiam entre o rock, funk e o disco, mas sempre com sintetizadores, uma mente dançante e uma boa dose de pop de sobremesa. Depois de ficarem sumidos por mais de um ano, a banda está de volta, dessa vez sem a pressão de grandes gravadoras (eles saíram da Warner) e sob um novo nome, Brite Futures.

Com um novo álbum a vista, o grupo acabou de soltar o gostinho do segundo trabalho, sob o nome de “Baby Rain”. De acordo com eles, a Warner queria que fizessem um “radio hit”, mas depois de ouvir o single, fiquei em dúvidas se realmente foi esse o motivo da briga. Grudenta, pop e com aquele quê de rebeldia que só mesmo uma banda independente é capaz, a música foi melhor descrita por eles mesmo como “um hit do Abba de serra-elétricas”. Com um começo de cowbells, a calmaria não leva mais do que três segundos para ser quebrada a toda força por guitarras, sintetizadores e harmonias vocais, acompanhados por um refrão em falsetto que parece que vai derreter na metade do caminho, de tão doce que é. Mas ele derrete. Em nossos cérebros eu quis dizer.

Brite Futures – Baby Rain

O novo álbum ainda sem título será lançado no dia primeiro de Novembro, e conta com a mixagem de Eliott James (Two Door Cinema Club, Kaiser Chiefs).

Theme Park – Wax

Luis Felipe —  25/08/2011 — 2 Comments

Já apresentamos os londrinos do Theme Park por aqui, com o divertido e empolgante single “Milk”, mas se você ainda não deu a devida atenção à banda, por favor, não deixe essa aqui escapar do seu radar. Formados no começo do ano, apesar do grupo ser novo, lançar uma música como “Wax” não é pra qualquer um. Dessa vez a diversão é deixada de lado a favor de conteúdo, e no lugar de batidas dançantes chega um som completamente diferente, intimista e pop ao mesmo tempo, com um vocal que chega a lembrar uma versão mais suave do Franz Ferdinand, sob uma base melosa mas extremamente clássica. E como se não bastasee, o refrão é completamente adorável. Nós mal podemos esperar para ouvir mais dos caras.

O single será lançado semana que vem pelo selo ParadYse, que também conta com a música “A Mountain We Love”.