Archives For November 2011

2011 definitivamente é o ano para as releituras de 1980, e dito isso, French Films é mais uma das lindas obras do gênero que este ano nos trouxe. Assim como os garotos do The New Division, eles foram buscar boas referências nos anos 80 para nos apresentar. Essa retrômania faz parte do zeitgeist (espírito do tempo), e transmite a aura nostálgica da busca de inspiração no passado. Pegue o Joy Division, adicione uma pitada dark do The Cure e um tempero pop dos Beach Boys que assim nasce o French Films, que curiosamente vem da Finlândia. Mas não ache que estes “filmes franceses” são feitos somente de passado, porque podemos detectar influência forte dos contemporâneos e ensolarados The Drums desde a primeira nota do single de estreia da banda.

Chamado de “Pretty In Decadence”, ele tem todos os ingredientes necessários para uma melodia brilhante: guitarras soando como ondas do oceano, bateria perfeitamente encaixada, vocal de timbre marcante e impecável – sem muitos floreios. A música é precisa, e pensando melhor, me lembra mais o The Drums do que qualquer outra banda citada acima. O refrão é delicioso e vem acompanhado por sintetizadores e elementos eletrônicos complementares. Também serve para dançar, de preferência num bar underground meio bagaceiro do subúrbio de cidades como Nova York ou Londres, mas se este não for seu caso, aperte o play e saia no mínimo cantarolando seu refrão e desejando por mais dessa incrível nova banda.

French Films – Pretty In Decadence

A canção faz parte do disco de estreia da banda, chamado de Imaginary Future, lançado em Outubro pelo selo GAEA.

A Califórnia está com tudo! Peguem seus moleskines e anotem esse nome: The New Division bebe direto da fonte, foi lá atrás nos primórdios do new wave e do synthpop pra se inspirar e nos trazer essa bela releitura. Como o próprio nome da banda já diz, The New (New Order) Division (Joy Division) são suas principais inspirações, mas podemos citar ainda Depeche Mode, Chameleons e os contemporâneos Cut Copy e Hot Chip. Eles soam meio atemporal, porque se não houvessem informações sobre a banda, a música pode parecer tanto que foi produzida lá em 1980 ou ter vindo de 2020 pra dar um gostinho de futuro para cada um de nós. O álbum Shadows foi lançado agora em 2011, e acreditem, muitas de suas músicas servem para ir diretamente para as pistas. Decidi apresentar duas músicas, dada a dificuldade de selecionar apenas uma para representar todo um álbum e sua essência.

“Opium” é a faixa de abertura e vem para representar o lado New Order da banda. Os sintetizadores te transportam para um transe logo no início, aproveite a viagem. A guitarra aparece tímida mas aos poucos ganha espaço. A música é repleta de camadas e texturas, se tornando ainda mais linda quando ouvida com fones de ouvido. Vejam só, até a voz nos remete aos anos 80, apresentada de forma abafada e com ecos propositais. Vemos aqui e ali alguns samples parecidos com Cut Copy e isso torna tudo ainda mais mágico.

The New Division – Opium

“Sense” é um oposto gritante. É como se Ian Curtis do Joy Division tivesse reaparecido, desmentido seu suicídio e formado uma nova banda. A bateria militar e agressiva está em perfeita sincronia com o restante dos instrumentos. De vocais nostálgicos e apressados, a banda se aproveita da onda meio down de 2011, misturada aos sintetizadores e bateria eletrônica para levar até o mais deprimido para as pistas. Embarque nesse bote e dance até o sol raiar.

The New Division – Sense

O debut da banda, Shadows, foi lançado em Outubro.

Não sejamos segregacionistas ou xenofóbicos. Pois sim, The Belle Brigade faz parte da trilha sonora de Breaking Down (Amanhecer, da Saga Crepúsculo), mas junto dela constam nomes de peso, como Iron & Wine, The Joy Formidable, Angus & Julia Stone, Theopilus London e ainda Noisettes. Ou seja, ruim a banda não é. Me rendi e dei uma chance para ouvir o que os irmãos Barbara e Ethan Gruska de Los Ângeles têm à oferecer, e que bela surpresa! Os irmãos vêm de uma família repleta de músicos, pais, tios, avôs e vários outros parentes, por isso têm uma veia musical e um pézinho na arte. A banda já viajou em turnê com os Blitzen Trapper e assume ter influências lá atrás nos Everly Brothers (mesma inspiração do The Kills) e no Simon & Garfunkel (que dispensa comentários).

Com o lançamento de seu primeiro álbum, receberam uma enxurrada de elogios, ganhando oportunidade para inserir sua música na trilha sonora do filme supracitado. “I Didn’t Mean It” começa em seus primeiros segundos com um piano calmo que nos faz cometer um ledo engano. Atravessada por gritos explosivos e uma voz marcante a música ganha peso e começa a marcar território. De voz meio andrógina (semelhante aos próprios Everly Brothers e ao The Kills) a música é acompanhada o tempo todo por um piano divertido e bateria e guitarra que nos remetem quase à um hard-rock, mas extremamente grudento. A potência da música é a mesma da voz agressiva que grita e entoa o tempo todo “what I said, I didn’t dean it”, e nos fazem cantar junto logo na primeira audição.

The Belle Brigade – I Didn’t Mean It

O debut, auto-intitulado, foi lançado em Outubro.

Estamos chegando ao fim do ano mas nossas férias chegaram um pouco mais cedo. Enquanto nos preparamos para um Dezembro mais agitado do que o de costume aqui no blog, resolvemos preparar uma seleção de oito remixes imperdíveis que saíram nos últimos dias ou que estiveram em nossa cabeça por todo o mês de Novembro. Destaques ficam pro incrível remix do The Fat Rat para o explosivo single dos The Knocks, “Brightside”; pra versão do Alesso pra música do Guetta com a Sia (que foi lançada no SWU pelo Afrojack); e para quem não conhece, a versão do Avicii pra “Hang With Me”, da Sia, que também conheci em seu set do SWU. Bom final de semana a todos e aguardem por novidades quando voltarmos em Dezembro!

OBS.: No Friday Mixes passado tive alguns problemas e por isso tive que retirar mais da metade dos links para download. Se isso acontecer de novo, fica a dica: baixe o “pacote completo” no final do post, que como os gringos não entendem (rs), não pedem pra retirar.

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The Knocks – Brightside (The Fat Rat Remix)

Os The Knocks estão chamando nossa atenção desde o ano passado com suas canções festeiras e seus refrões grudentos, e “Brightside”, seu mais novo e melhor single até então, acaba de ganhar uma versão que vai deixar as coisas melhores do que já estão. Entra o novato The Fat Rat, que com um estilo à-la Madeon, nos presenteia com uma produção cheia de detalhes e sintetizadores eufóricos. A canção já começa dançante e ligeiramente diferente da original, mas seu trunfo chega logo após o refrão, onde o rapaz brilha sozinho com samples de videogame cortados e colados de formas maníacas, toques 8-bit e vários efeitos diferentes, criando uma perfeita bagunça-organizada que requer um fone de ouvido para ser apreciada por completo.

The Knocks – Brightside (The Fat Rat Remix)

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David Guetta Feat. Sia – Titanium (Alesso Remix)

E foi no meio do set do Afrojack, no SWU, que eu me convenci o quanto eu gostei da parceria do David Guetta com a Sia. “Titanium” já é single há um bom tempo, mas só agora está ganhando seu pacote de remixes oficiais, e apesar de manter a qualidade nas quatro versões que traz, como o próprio Afrojack confimou, a coroa da vitória fica para o jovem sueco Alesso, de apenas 20 anos. O remix começa lento mas vai subindo de forma progressiva, chegando no refrão em uma forma mais dançante mas ainda muito semelhante a versão original. A surpresa, entretanto, é logo depois que Sia termina a primeira parte da música, onde novos sintetizadores entram em ação com detalhes reminescentes dos trabalhos do Avicii, equilibrando na mesma dose suavidade com agressividade. Não se surpreenda se começar a assoviar o riff dos sintetizadores – foi bem assim que fiz na primeira vez que ouvi – visto que o riff é mais grudento que próprio o refrão. Se ficou de birra com a original, dê essa segunda chance a música.

David Guetta Feat. Sia – Titanium (Alesso Remix)

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Robyn – Hang With Me (Avicii Remix)

Aí está ele de novo. Avicii é sem dúvidas um dos maiores produtores e DJs do ano, e seu set no SWU foi simplesmente arrebatador. Como conheci o jovem de 22 anos somente esse ano, deixei passar batido alguns dos seus remixes, mas tudo bem, pois foi graças à essa falta de conhecimento que fiquei surpreso ao ouvir, em pleno sol da tarde em Paulínia, seu remix incrível  para “Hang With Me”, da Robyn. O resultado não podia ser outro. O remix incorpora tão bem a canção, casando os sintetizadores felizes do DJ com os vocais melódicos da Robyn com tamanha maestria que faz a original passar vergonha.

Robyn – Hang With Me (Avicii Remix)

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Katy Perry – The One That Got Away (R3hab Club Mix)

O R3hab vem de uma vitoriosa coleção de remixes que passaram por Jennifer Lopez, Robyn e Rihanna, mas enquanto seus remixes se basearam primeiramente em canções agitadas e eletrônicas, em seu novo trabalho, pro novo single da Katy Perry, “The One That Got Away”, o DJ se depara com uma canção relativamente lenta, com guitarras e um clima pop-rock sem nenhum elemento eletrônico. O resultado é um tanto variado, com R3hab se aproveitando de algumas de suas ideias já apresentadas (como no remix da Robyn), criando uma atmosfera familiar para quem já conhece seu trabalho, mas ainda assim surpreendente, dançante e agressiva, dado o material de origem.

Katy Perry – The One That Got Away (R3hab Club Mix)

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VV Brown – Children (Twice As Nice Remix)

VV Brown está de volta com seu novo single, “Children”, mas convenhamos que sabemos que a cantora é capaz de muito mais. Para dar um fôlego a mais à canção original, entretanto, o Twice As Nice nos presenteia com uma produção mais interessante, repleta de batidas pop que flertam com o dubstep e efeitos chiptune variados que remetem à videogames, e assim, combinam perfeitamente com o título infantil da música. Retrô porém moderno na medida certa – se é que faz sentido.

VV Brown – Children (Twice As Nice Remix)

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Kelly Clarkson – Mr. Know It All (Lenno Remix)

Apesar de estar me sentindo em 2005 ao postar uma música da Kelly Clarkson, tenho que admitir que o querido Lenno, responsável pelo melhor remix de “Helena Beat” do Foster The People, fez um belo trabalho com o single em questão, escrita pela hit-make Ester Dean (“S&M”). Clarkson pode não se desviar muito do seu estilo pop-rock, mas aqui, sintetizadores e batidas electro-pop criam um ambiente inusitado, que aliados ao restante da produção de primeira do garoto de 16 anos, fazem de “Mr. Know It All” uma experiência única no repertório da cantora, comprovando que se ela quiser, ainda pode brincar com o gênero nos próximos trabalhos.

Kelly Clarkson – Mr. Know It All (Lenno Remix)

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Citizens! – True Romance (Gigamesh Remix)

Já entregamos a surpresa do Citizens! antes mesmo do seu lançamento oficial pela Kitsuné, selo que está por trás do duo, e a recepção não poderia ter sido melhor. O indie-rock de pianos que era a original se transforma num synth-pop magistral graças ao talentoso Gigamesh, que faz de “True Romance” sua própria música em um remix que da outra versão só aproveita os vocais. Prepare-se para dançar com esse aqui.

Citizens! – True Romance (Gigamesh Remix)

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Savoir Adore – Dreamers (Xaphoon Jones Space Horn Remix)

Savoir Adore e seu espetacular single “Dreamers” lançado pela Neon Gold é uma das canções pop mais bonitas do ano, e aqui, Xaphoon Jones do Chiddy Bang adiciona bleeps, sintetizadores, batuques e batidas R&B à mistura, capturando toda a essência da original mas adicionando seu próprio twist. O final, onde a coisa toda se acalma e dá espaço para batidas esparsas à-la drum & bass, aliadas a lasers espaciais, fazem jus ao título que o remix recebeu. Criatividade pura.

Savoir Adore – Dreamers (Xaphoon Jones Space Horn Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes #34 (D/L: Botão direito, Salvar como…)

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Dono do famoso Daytrotter Studios, compositor de trilha-sonoras, ator e agora cantor, apesar de Keegan DeWitt parecer querer ser de tudo um pouco, o resultado do seu primeiro single, “Colour”, é surpreendente até mesmo para os artistas mais dedicados. A canção é um assalto pop desde a primeira nota, com linhas de guitarras agitadas e baterias dançantes derretendo uma sobre as outras, com a ajuda de um baixo pulsante e sintetizadores pontuados. O recheio, entretanto, são os vocais de Keegan, que divertidos e muito animados para o assunto, dissertam em versos e em dois refrões sobre a “sombra negra no meio do amor”, basicamente a relação de ignorância que muitas vezes temos com aqueles que mais amamos. A melodia é infectante como muitas canções de indie-rock não foram esse ano, com um começo convencional mas que logo evolui para um refrão duplo feito para ser cantado em alto e bom tom, com sua sonoridade se aproximando bastante dos momentos mais agitados do Local Natives e dos Givers, com bastante gingado e um senso de urgência que vai botar todo mundo em pé, principalmente nos 40 segundos finais onde a coisa explode de vez. O vídeo é simples mas revela toda a energia da canção, que já nos fez ficar ansiosos para um debut do rapaz o mais cedo possível.

Depois de lançar alguns hits feitos para as pistas como “Blackout”, “Dancing With The DJ” e mais recentemente “Brightside”, o duo de produtores The Knocks estão prestes a lançar seu primeiro EP comercial, intitulado de Magic. O EP será lançado apenas mês que vem, mas BRoc e JPatt estão de volta com um novo gostinho do que podemos esperar, nos trazendo agora a faixa título do disco, a contagiante “Magic”.

Ao contrário dos lançamentos anteriores, “Magic” chega com modestos 110 bpms, com um ritmo mais relaxado e difícil de se dançar, mas ainda assim muito fácil de se empolgar e bater os pés com sua melodia. O começo, com sintetizadores, nos traz uma sensação de paz e tranquilidade, mas basta adicionar os tambores tribais à mistura que o som selvagem ganha toda uma aura “mágica” ao seu redor, não muito distante de uma trilha sonora moderna do Peter Pan. A melodia infectante tem os vocais do cantor e produtor britânico Gary Go, que nos presenteia com um belo refrão que mantém a tradição de qualidade do duo, que também não deixa barato e apresenta uma produção impecável. No break, a melodia pára e violinos entram em conjunto com cantos indígenas, só para cair em um drop final com direito a bis do refrão. Se as duas músicas são alguma indicação, podemos ter um dos melhores EPs do ano bem em Dezembro.

The Knocks – Magic (Feat. Gary Go)

Fique de olho no EP dos The Knocks, Magic, que sai dia 6 de Dezembro.

Se você é leitor de longa data, deve se lembrar de quando apresentamos o quinteto do The Milk aqui no blog com a contagiante “(All I Wanted Was) Danger”, que é basicamente um dos melhores pedaços de neo-soul desde o Back To Black da Amy Winehouse. Apesar da música estar em nossos ouvidos durante todo 2011 e nos fazer dançar mais do que “Tightrope” da Janele Monáe, só agora no final do ano que a banda acertou um contrato com a Sony Music, e está se preparando para lançar o primeiro EP, B-Roads And B-Sides, que reunirá um novo single e mais uma coleção de b-sides.

A banda já tem todos os ingredientes para o sucesso: já estão com o novo single sendo tocado constantemente pela BBC Radio 1 (uma das maiores rádios pop da Inglaterra), já foram indicadosa prêmios de “melhor show ao vivo” pela MTV e possuem um som clássico mas moderno o suficiente para abranger uma grande audiência. O novo single, “B-Roads”, está aí pra provar que a banda está em plena forma e justifica de vez o hype em sua volta. A canção de cara possui uma vibe retrô que flerta tanto com o indie-rock e com o soul, graças à riffs de guitarras, uma bateria à-la Mark Ronson e vocais peculiares e fortes até mesmo para um gênero repleto de Duffys e Amy Winehouses. O resultado exala positividade, com versos carismáticos e um refrão feliz e pegajoso que parece impagável desde a primeira ouvida. Apesar de não ser dançante como o de “(All I Wanted Was) Danger”, se existe um refrão “bonito”, certamente ele se assemelha com esse aqui. O single ainda ganhou uma versão pelo novato rapper inglês Byron, que adiciona suas rimas no lugar dos versos e uma produção ligeiramente alterada. Fique com as duas versões e sinta-se bem para o resto da semana.

The Milk – B-Roads

O The Milk, uma das maiores apostas para o estrelato em 2012, irá lançar o EP B-Roads And B-Sides no dia 19 de Dezembro. O debut sairá pela Sony Music na metade de 2012.