Archives For December 2011

Como falamos no nosso especial de “Músicas Favoritas de 2011”, há um motivo bem claro para chamarmos nosso post de “Discos Favoritos de 2011”. Não estaremos tratando dos “melhores discos de 2011”, basicamente pois houveram centenas de lançamentos por dia, e se tivéssemos escutado tudo o que foi lançado (um desejo mas fora da minha realidade), essa lista com certeza estaria diferente. Vale lembrar também que normalmente as listas de fim de ano são feitas a partir de decisões internas entre os (muitos) membros da equipe, então geralmente o que prevalece é o consenso, desfavorecendo portanto aquelas “favoritas individuais” de cada membro. Entretanto, não é isso o que acontece aqui.

Nosso blog é “jornalismo pessoal”, o que significa que preconceitos ou favoritismos a certos gêneros ou artistas estão permitidos de acontecer. Julgar dois discos de gêneros e propostas completamente diferentes também não é algo fácil ou simplesmente calculado, mas algo que sentimos nesse exato momento, que sofrem risco de mudar daqui há alguns anos ou até dias. Mas tenha certeza de que o que está nessa lista, pelo menos em 2011, foram os nossos discos favoritos. Não estamos pedindo para que concordem com eles, e para isso convido a todos que compartilhem seus próprios favoritos nos comentários. Mas por favor, não digam que estamos “errados”, afinal, estamos falando de uma lista pessoal.

[Desenho e Arte por Carlos R. A. Junior / Nuvem Design]

.

[Menções Honrosas][20-16][15-11][10-06] • [05-01]

Continue Lendo »

Se precisar de uma boa lembrança do quão enegético o indie-rock pode chegar, basta dar uma olhada no primeiro disco do Sleeper Agent, Celebrasion, lançado no começo do mês pelo selo Mom+Pop. Apesar de não redefinir o gênero, a banda faz uso de fórmulas consagradas e usadas por grandes bandas indies dos anos 2000 (leia-se Strokes) para criar onze canções divertidas que abusam de riffs frenéticos e refrões fáceis, cativando os ouvintes logo de primeira.

O primeiro single do registro, “Get Burned”, faz uso de guitarras cruas e uma bateria urgente para criar um número divertido de menos de 3 minutos que contagia logo nas primeiras linhas, provocando uma vontade incontrolável de sair por aí dançando sem nem conhecer sua letra. Com riffs grudentos, vocais cantados a plenos pulmões, um refrão rápido e sem firulas e até um final inesperado onde a banda desacelera um pouco as coisas só para cantá-lo em coro, se o que está procurando é um indie-rock sem compromissos e que não faz feio perante suas origens, recomendo que ouça “Get Burned” sem medo.

Sleeper Agent – Get Burned

Se gostou do que ouviu pode procurar o disco de estreia da banda, o Celebrasion, lançado no começo do mês.

Reclamações sobre o número de discos medianos que surgiram esse ano eu até entendo (apesar de não concordar – totalmente), mas em relação a singles, sinceramente não acho que podemos reclamar. Como a proposta do nosso blog é exatamente essa – resenhar novos singles e apresentar novas bandas (que geralmente contam nos dedos o número de músicas que têm), dá pra se imaginar que não foi uma tarefa nada fácil reunir todas as músicas que mais ouvimos esse ano e separar uma a uma quem entra e quem sai e suas devidas posições.

É importante ressaltar também o nome da nossa seção. Ao invés de apelidarmos de “Melhores Músicas de 2011”, estamos “humildemente” chamando de “Músicas Favoritas de 2011”, basicamente porque não somos nenhum mestre para classificarmos sabiamente qual música é melhor do que a outra – até porque estamos falando de algo subjetivo. Resolvemos expor nesse espaço, portanto, as músicas que pessoalmente mais nos marcaram, que mais ouvimos e que mais gostamos nesse ano, e assim como explicaremos também na lista dos discos, a única fórmula que foi usada foi nosso próprio crivo. Se você acompanha e gosta do nosso blog, sugiro que ouça cada uma das músicas a seguir, pois certamente figuraram entre “as melhores” que ouvimos no ano. Posições, explicações e download – logo abaixo.

[Desenho e Arte por Carlos R. A. Junior / Nuvem Design]

Continue Lendo »

Lar de alguns dos maiores prazeres que conhecemos, Amsterdam também é sede do Bastian, uma banda de electro-funk que parece incorporar rock, psicodelia e muitos sintetizadores em um som que deve tanto aos anos 70 quanto à música conteporânea. A banda consiste em sete amigos de longa data que estão tocando juntos há um bom tempo e que finalmente lançaram seu disco de estreia esse ano, o There’s No Such Place, que já ganhou dois singles até então.

Baixo elástico, guitarras felizes e sintetizadores vibrantes degladeiam por atenção no primeiro single, “Mixed Messages”, que já traz a vibe dançante e alto-astral do grupo logo em sua primeira nota. Carregada por vocais que lembram uma versão moderna do Prince, a canção chega como o melhor exemplo do electro-funk característico do grupo, e não vai demorar muito tempo até que te deixe com uma vontade incontrolável de sair correndo – ou dançando – sem rumo, quase como um Maroon 5 de um universo paralelo que não perdeu o pique no primeiro disco e resolveu trazer sintetizadores no segundo.

Bastian – Mixed Messages

Para “Impress You”, segundo single da banda, os caras resolvem deixar de lado o falsetto e os agudos de “Mixed Messages” a favor de um vocal R&B, batidas um pouco mais lentas e um refrão dessa vez mais grudento, resultando em uma produção ao mesmo tempo funky e deliciosa de se ouvir, com até um solinho de guitarra e os mesmos synths característicos abarrotando cada canto dos seus três minutos.

Bastian – Impress You

Se gostou do que ouviu, já pode correr atrás do There’s No Such Place, que saiu em Setembro no mercado americano e contém mais nove faixas irresistíveis.

Eu sei, já tá meio tarde, provavelmente a essa hora todo mundo já comemorou a data e está apenas relaxando, mas não tinha como eu deixar passar em branco. Sempre torci o nariz para as infames “canções natalinas” gravadas nessa época do ano, mas tive que ouvir quando algumas das minhas bandas favoritas resolveram entrar na onda esse ano. E ainda bem que o fiz. Algumas das canções abaixo nem cara de Natal tem, enquanto outras aproveitam o clima de reflexão para criar composições sóbrias, bem orquestradas e delicadas. Abaixo, você confere as oito melhores canções natalinas lançadas neste ano e, mesmo que já esteja um pouco tarde, gostaria de desejar um Feliz Natal e a todos os leitores que visitaram nosso blog regularmente em 2011. E claro, boas festas!

Continue Lendo »

O que mais me deixa perplexo nesses ‘novos artistas’ é tentar entender de onde eles tiram dinheiro ou onde conseguem investimento para produzir videoclipes tão bem feitinhos e primorosos, numa era onde apenas os superhits são resultam em grandes produções. O Flight Facilities é um duo australiano com poucas produções próprias na bagagem, mas que já remixaram alguns artistas, incluindo o Bag Raiders. Aos poucos estão mostrando a cara e ganhando o mundo com suas musiquinhas dançantes, ensolaradas e agradáveis. Inicialmente, o duo havia colocado em seu Facebook que vinham de Trinidad & Tobago, mas logo depois foram desmascarados graças à sua repentina fama e parceria com cantoras (até então desconhecidas) da Australia, país de onde realmente vieram.

“Foreign Language” é o mais novo single do duo (apesar de ter sido lançada no meio do ano), e ganhou a primeira versão de videoclipe utilizando imagens de um filme underground de 1979 chamado Roller Boogie. Há uma semana atrás, entretanto, lançaram seu novo clipe, que mais parece o trailer de algum filme trash de ação ou abertura de algum seriado de época. Mesmo contando com uma tipografia incrível e imagens de qualidade excepcional, o vídeo não passa despercebido, e muito menos a música, que na voz de Jess Higgs traz um do refrões mais deliciosos do ano. Com uma melodia agradável, relaxante e uma atmosfera quente e pronta para embalar festinhas de verão, a canção se passa por um disco mas feito para ser escutado com o sol no rosto, contando ainda com uma série de arranjos e detalhes que deixam até alguns veteranos pra trás.

Flight Facilities – Foreign Language (Feat. Jess)

Emil & Friends é a cria de Emil Yves Hewitt e seus “amigos” (Alex, Steve e Dan), que lançaram o disco de estréia chamado de Lo & Behold esse ano, que como dizem, nasceu da paixão pelo “eletrônico francês, pelas produções do Timbaland e pelos clássicos do Queen“, resultando no que a banda mesmo chama de “pop estranho”. As canções do disco são tão variadas quanto suas inspirações, mas no fundo, é essa diversidade de sons e estruturas que representa o forte da banda, que com um misto de refrões pegajosos, produções excêntricas e uma vibe moderna, ganhou nossos ouvidos pouco antes do fim do ano.

Repare só na diferença entre as duas músicas que vamos apresentar. A primeira delas, “Crystal Ball”, é basicamente o que você poderia esperar do Phoenix se eles resolvessem fazer uma continuação do Wolfgang Amadeus Phoenix só que com mais sintetizadores, com uma estrutura a base de guiatarras e sons eletrônicos que lembra de cara o hit “1901”. Com um refrão fácil, marcante e pronto para as postas, a canção ainda traz um solo de keytar em seu bridge, roubando o destaque para si e tornando as coisas ainda mais dançantes.

Emil & Friends – Crystal Ball

Mas se tem outra música capaz de representar melhor as referências citadas pela banda, ela é “C.U.P.I.D.”, que como disse, é totalmente diferente de “Crystal Ball” e também das outras 10 faixas do disco. De primeira você irá sentir a vibe disco-francesa que os caras citaram, com direito a um baixo meloso e vocais processados, mas logo suas deliciosas influências R&B à-la anos 2000 aparecem da melhor maneira possível. Adicione ainda à produção sintetizadores estelares e um refrão ridiculamente pegajoso que soletra seu título (“C-U-P-I-D, king of all the ladies”), que não tem como ir errado com essa aqui.

Emil & Friends – C.U.P.I.D.

As músicas fazem parte do primeiro disco do Emil & Friends, Lo & Behold, lançado no dia 23 de Novembro. O disco foi pouco divulgado, mas recomendo que corram atrás pois cada uma de suas faixas merecia uma resenha à parte. Ouça-o na íntegra clicando aqui.