
20. The Vaccines – What Did You Expect From The Vaccines?

Pegue um copo da sua cerveja favorita e se prepare para festejar como se fosse 2001 – basicamente é essa a proposta dos The Vaccines e exatamente o que você deve esperar do seu disco de estreia. Os britânicos surgiram como uma das maiores promessas de 2011 no fim do ano passado, sendo chamados até de “novos Strokes” por algumas publicações de peso, culminando – adivinhem – num hype excessivo e no dito título do disco, que brinca justamente com essa questão da expectativa. Vá sem compromisso, entretanto, que o que irá encontrar serão 40 minutos que hora passeiam por alguns dos elementos mais energéticos da década passada e hora em momentos mais calmos em que a banda deixa o ar garagem de lado a favor de canções mais amplas, claramente feitas para grandes festivais. Para representar o lado mais energético estão as canções mais curtas, tais quais o indie-rock grudento de “If You Wanna”, a feliz “Under Your Thumb” e as apressadas “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)” e “Norgaard”, ambas com menos de 1:30. Apesar das canções melódicas não funcionarem na mesma proporção, as melhores representantes da safra são sem dúvidas “Post Break-Up Sex” e seu refrão que figura entre um dos melhores do disco, e a grandiosa “All In White”, que se expande por quase cinco minutos bem elaborados que culminam em um final bombástico.
Não vá esperando uma revolução no gênero ou nem mesmo elementos inéditos, mas se tem uma coisa que o disco de estreia dos The Vaccines provou é que a fórmula do indie-rock como conhecemos na década passada está tão viva quanto antes, agora o quanto a banda sobreviverá com a falta de ideias, taí uma pergunta pro título do próximo disco.
Ouça: The Vaccines – Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)
19. Jay-Z & Kanye West – Watch The Throne

O que esperar de dois dos maiores nomes do hip hop atual? Se você falou “excesso”, acertou em cheio. Watch the Throne é um disco de 12 faixas sólidas que transparecem o hip-hop magistral tanto do Jay-Z e do Kanye West, rima após rima e refrão após refrão, contendo o maior número de samples, convidados especiais e gingado que qualquer outro lançamento do gênero em memória recente, tudo graças à sintonia dos dois gigantes, que está em perfeito balanço aqui. O DNA de Kanye está por toda a parte aqui, visto as participações de vários convidados que estiveram em seu último disco (La Roux, Frank Ocean, Bon Iver) e os diversos samples que já infectaram suas músicas (Nina Simone, Otis Redding, e até um do Will Ferrel), culminando em uma produção grandiosa mas ao mesmo tempo comercial. Agora a parte mais gratificante do disco vem de Jay-Z e seu gingado old-school que veio bem antes do rap instrospectivo e das batidas insanas de Kanye – aquele tipo de hip-hop infectante e descompromissado presente em “Niggas In Paris” e “That’s My Bitch”. Até mesmo nas canções mais pesadas como “No Church In The Wild” e “Made In America”, claras obras da produção megalomaníaca de Kanye, é possível notar a “leveza” equilibrada pelas rimas de Jay-Z.
O disco pode não ser tão brilhante quanto um My Beautiful Dark Twisted Fantasy ou um Blueprint 2, mas é um belo testamento que a música pop não precisa ser rasa e simples pra ser comercial. Watch the Throne pode não reinventar a roda, mas certamente aumenta seus aros e manda pintá-la de ouro.
Ouça: Jay-Z & Kanye West – Niggas In Paris
18. Gotye – Making Mirrors

Depois de dois discos completamente ignorado por muitos, bastou uma das canções mais belas do ano (“Somebody That i Used To Know”) para que os holofotes se voltassem para Gotye e seu próximo trabalho, Making Mirrors. Obra de uma pessoa que compõe, canta, produz e toca todas as canções do seu disco, nota-se no resultado final o nível de obsessão e cuidado embutido em seu processo, com Gotye explorando o máximo de sons possíveis – tudo ao mesmo tempo. As músicas são tão diferentes entre si, que basta olhar para alguns exemplos para se ter certeza: “State of The Art” é um reggae que soa retro e futurístico ao mesmo tempo; em “In Your Light” temos o multi-instrumentalista brincando com toda a glória dos anos 80 e abusando de palminhas, sintetizadores e versos maníacos; no número soul “I Feel Better” temos Gotye em seu momento mais pegajoso e alto-astral; e na misteriosa “Smoke & Mirrors” temos uma selva de sons que passeiam entre o sombrio e o ensolarado só para contar a história de um homem que compromete seus próprios princípios a favor do sucesso.
Mesmo com tantos gêneros distintos e uma sonoridade em constante mudança, Gotye criou uma peça coesa com traços suficientes para mantê-lo como um todo, fazendo com que no final o Making Mirrors se pareça mais com uma trilha sonora de um blockbuster sem gênero definido do que com um álbum em si – a história está acontecendo perante nossos olhos, e como diretor, Gotye está simplesmente impaciente para mostrar todas as suas habilidades de uma única vez.
Ouça: Gotye – Somebody That I Used To Know (Feat. Kimbra)
17. Smith Westerns – Dye It Blonde

Não demora muito até você se apaixonar pelo Dye It Blonde, o segundo disco dos Smith Westerns. Uma homenagem à rebeldia da juventude, feito por cinco garotos de Chicago que entendem bem do que estão falando e parecem carregar suas composições no pulso, o álbum nos apresenta uma coleção concisa de 10 irresistíveis canções indie-rock com apelo pop que parecem se conectar com qualquer um que está passando (ou já passou) pelos dramas da juventude, acrescentando à estética lo-fi do primeiro disco uma produção mais polida, reminescente do glam-rock, com direito a teclados, sintetizadores e guitarras vibrantes. Canções como “Smile” e “All Die Young”, as grandes baladas do disco, vão te fazer lembrar na hora de Bowie ou T-Rex graças aos seus pianos extendidos, solos de guitarras graciosos e os vocais ecléticos de Omori, que fazem do glam-rock uma base mas também se aventuram em novos territórios, prova disso sendo “Dance Away”, um indie-rock quase disco e tão dançante quanto “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, dos Arctic Monkeys.
Apesar de jovens (nenhum deles tem mais de 21 anos), o Dye It Blonde funciona tão bem exatamente por isso. São composições maduras, bem escritas e cantadas da forma mais honesta possível, revelando o potencial de uma banda que, apesar de quererem ser jovens pra sempre, só nos deixam ansiosos pelo seu futuro.
Ouça: Smith Westerns – Dance Away
16. Lady Gaga – Born This Way

Depois de um desequilibrado disco de estreia e um EP fenomenal, repleto de canções pop estranhas mas igualmente adoráveis, foi com muita expectativa que a Lady Gaga chegou com Born This Way, cujo resultado não poderia ser previsto nem mesmo pelo mais fiel dos little monsters. Se nos discos anteriores o que se via era uma artista mirando para o futuro do seu gênero, o que vemos em Born This Way é uma recompilação de clássicos das décadas passadas, com Gaga usando de uma produção moderna pra tentar alcançar uma sonoridade retrô. As canções de abertura e desfecho do disco, os respectivos singles “Marry The Night” e “The Edge of Glory”, soam como uma aposta de quantos clichês conseguem ser colocados por minutos quadrado, mas que mesmo assim acabam divertindo hora pela produção inusitada (saxofones) e hora pelas próprias composições de Gaga (como o break gritado de “Marry The Night”). Entretanto, são nos momentos em que Gaga deixa sua megalomania de lado e aposta em sonoridades diferente em que se encontram os maiores acertos do disco, tal como em “Americano”, uma balada-caberet repleta de gingado cigano e guitarras flamenco; “Scheiße”, um eletrônico moderno e sujo que soa como o futuro das produções do RedOne (apesar de bem anos 90); e a futurística “Heavy Metal Lover”, que com vocais sussurrados e sintetizadors melódicos soa mais como obra dos produtores da Britney ou da Kylie Minogue.
Sonicamente, Born This Way é um disco feito para as pistas, mas espiritualmente, ele é Born To Run. Apostando numa gama de sonoridades que funcionam muito bem quando criadas à partir de sua sonoridade base e característica, não podemos dar os devidos créditos, entretanto, que Gaga é uma popstar compromissada com sua arte e, assim como a excelente canção título fala, principalmente compromissada com sua causa, defendendo-a como uma verdadeira rockstar, mirando para canções ambiciosas que chegam a beirar a casa dos cinco minutos, com algumas, inclusive, tentando revelar um pouco mais de sua pessoa, como na biográfica “Highway Unicorn”. Como diz a música, concordamos que Gaga está nos levando para o futuro – ainda que com uma visão mais conservativa do pop.
Ouça: Lady Gaga – Heavy Metal Lover
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[Menções Honrosas] • [20-16] • [15-11] • [10-06] • [05-01]
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De 20-16:
What Did You Expect From The Vaccines? é muito bom mesmo, só ouvi todo quase um dia desses por recomendação de uma amiga, mas segue tão bom quanto os singles.
Watch The Throne é ótimo, nem sei se é a primeira parceira de Kanye e Jay-Z, mas ficou muito bom pro padrão de ambos.
Confesso que só ouvi algumas do Making Mirrors, muito boas por sinal.
Dye It Blonde é um pouco estranho, mas é bom ainda assim, mas acho os outros que passaram melhores :/
Do Born This Way só ouvi Judas e pouquíssimas vezes na Tv ou no rádio, é boazinha, mas a capa me dá medo.
Minha maior surpresa até aqui ficou por conta do St. Vincent, que ainda não tinha ouvido nada, adorei os riffs e sintetizadores!