15. Lykke Li – Wounded Rhymes

Lá em 2008, Lykke Li surgiu como um dos grandes novos rostos do pop, e esse ano, com seu segundo disco, Wounded Rhymes, o amadurecimento certamente é aparente. Mantendo parte dos ritmos e das batidas de percussão do seu álbum de estreia, em Wonded Rhymes vemos Lykke Li expandindo sua produção minimalista, como se ela resolvesse preencher os espaços vazios do disco anterior com guitarras, batuques e mais instrumentos, como se estivesse partindo para novos campos da fantasia e da realidade. Seus vocais também sofreram com a ação do tempo e das experiências vividas, aparecendo aqui mais fortes, cheios de confiança, mas ainda assim retendo o tom melancólico e vulnerável quando necessário.
Da arrogância-sexy de “Get Some”, do pop atemporal de “I Follow Rivers” e até mesmo da gigantesca balada retrô “Sadness Is A Blessing” (com toques de Springfield), o disco contém dez canções pop sabiamente escritas e ricas em melodias, que em sua maior parte tratam de como o amor pode ser usado como instrumento de persuassão e até mesmo de escravidão, e que apesar de doloroso, como a própria cantora diz (“sadness I’m you girl”), é uma etapa essencial para o crescimento de cada um.
Ouça: Lykke Li – I Follow Rivers
14. St. Vincent – Strange Mercy

Nós já sabíamos que a Annie Clark, cabeça do St. Vincent, era uma excelente guitarrista, compositora e cantora, mas suas qualidades nunca brilharam tanto quanto no terceiro disco do seu projeto, o Strange Mercy. Desde sua capa (onde Clark está sendo asfixiada) à sua sonoridade, temos aqui uma obra compromissadamente dark, sem medo de explorar o desconhecido, com composições que beiram o abrasivo e violento ao mesmo tempo em que soam acolhedoras e até mesmo sedutoras. Sua abertura, “Chloe In The Afternoon”, representa muito bem essas características díspares infiltradas em uma única canção, com os vocais disney de Annie sendo corroídos por riffs bizarros e sintetizadores mutantes, sendo a perfeita conciliação das várias camadas que a artista traz em suas músicas. Outros destaques ficam por conta do indie-rock “Northern Lights”, cujas guitarras febris correm para contar a história de um amor estragado (“eu acho que é, o que você diz que é, mas eu não sinto nada”); e de “Cheerleader”, um pop chiclete mas com consciência, em que Annie diz em seu refrão grudento “ter tentado demais ser inteligente” e pede para não ser mais uma líder de torcida.
No final, eis a obra mais visceral do St. Vincent, um álbum caótico mas repleto de beleza; experimental mas deliciosamente pop. Pra falar a verdade, todas as músicas aqui trazem momentos acessíveis e melodias prontas para serem cantaroladas no chuveiro – elas só não chegam lá do métedo mais convencional.
Ouça: St. Vicent – Chloe In The Afternoon
13. Penguin Prison – Penguin Prison

Penguin Prison, o projeto de Chris Glover, veio nos fascinando desde 2009 graças às suas canções que misturam elementos do funk e da disco-music a uma produção moderna, electro e detalhada. Chame de funky-pop se quiser, e apesar das comparações com todo mundo do Prince ao Michael Jackson serem inevitáveis e verdadeiras, no final, só os pés mais ranzinzas ficarão parados após as 12 faixas do seu disco de estreia, que consegue ainda assim soar jovial e contemporâneo. A faixa de abertura, “Don’t Fuck With My Money”, que com seu baixo funkeado, teclados anos 80 e um carista sem igual, parece mais uma placa de neon apontando que traços do Prince e seu disco-funk seguirão por alí. Já em ‘The Worse It Gets” e “Golden Train”, temos sintetizadores analógicos aos montes, percussões hipnóticas que lembram do Hot Chip e refrões irresistíveis, prontos para invadirem sua cabeça.
E o disco segue nessa mesma proporção, alteranendo entre momentos clássicos e outros mais experimentais e que até se aproximam do indie rock, mas nunca deixando a qualidade cair. Uma coleção de maravilhosas canções pop que descem naturalmente pelos ouvidos e contagiam todo o resto do corpo, o álbum é uma prova de que, se há alguém para liderar todo esse revival do disco-funk que veio acontecendo durante o ano, o Penguin Prison certamente é a melhor opção para isso.
Ouça: Penguin Prison – A Funny Thing
12. Neon Indian – Era Extraña

É a partir do que restou do seu primeiro disco – e daquele gênero mal-visto por muitos, chillwave – que Alan Palomo e seu projeto Neon Indian dão início ao seu segundo disco, Era Extraña. O álbum sabe de suas forças, e é por isso que ele traz a mesma sonoridade nostálgica e toda sua estética de video-game para aqui, mas ao invés de se contentar com apenas um lap-pop trancafiado em seu porão, Palomo busca os estúdios e a ajuda do produtores de peso Dave Fridmann (do último do MGMT e do Tame Impada), para ajudá-lo a criar composições grandiosas e extravagantes mas ao mesmo tempo mais receptivas e acessíveis que as de seu disco de estreia. E a mudança não poderia ter sido mais bem vinda. Com mais brinquedos à sua dispozição, Palomo nos traz uma atmosfera futurística mas como se fosse retratada por pixels de videogames, com camadas de sintetizadores afundando sua voz e muitas vezes formando um dueto com ela própria, com riffs eletrônicos grudentos que se tornam tão memoráveis quanto seus refrões de fácil melodia, que aliás estão espalhados em todas as faixas aqui. “Polish Girl” e “Hex Girlfriend” tem o artista em seu momento mais pop, enquanto composições mais eufóricas como “Halogen (I Could Be A Shadow)” e “Arcade Blues” brilham com sua produção crescente que vai te fazer vibrar a cada surpresa adicionada.
Mesmo que siga um caminho diferente e rejeite os próprios fundamentos criados pela chillwave, o Era Extraña nos apresenta uma coleção de faixas bem contruídas e criadas com cuidado, representando uma das melhores coletâneas de pop-psicodélico que ouvimos recentemente.
Ouça: Neon Indian – Arcade Blues
11. Other Lives – Tamer Animals

Capturando elementos do Fleet Foxes, do The National e do Bon Iver (este que teve a banda abrindo suas turnês recentemente), o Other Lives passou dois anos em processo de criação do seu segundo disco, Tamer Animals, nos apresentando esse ano um trabalho delicado porém grandioso, que fez jus ao seu tempo de produção. Com números solenes que tem sua realidade aumentada por uma produção luxuosa, repleta de violinos, pianos, orgãos de igreja e os vocais sombrios de Jesse Tabish, o que temos aqui é uma obra com pulso cinematográfico e sem medo de ser grande. A faixa de abertura, “Dark Horse”, começa com trompetes e traz uma percussão atmosférica reminescente do Grizzly Bear, com seu senso de suspense culminando em “As I Lay My Head Down”, um número tenso porém elegante, que só vai ficando melhor ao decorrer de sua duração. Mas é na canção título em que vemos o momento mais forte do álbum, carregada por riffs de pianos e os vocais expansivos de Tabish, que vão crescendo gradativamente para grandiosas alturas até sua melodia beirar o insistente, com versos melódicos e um refrão que parece querer ocupar o céu em instantes.
Se tivermos que colocar o disco em um único gênero, possivelmente o colocaríamos entre o soft-rock e o americana, mas isso não seria o mais correto. O resultado é uma obra multi-facetada que só fica mais bela com o passar do tempo, repleto de canções intrincadas que, graças à uma produção orquestrada e uma dinâmica em constante transição, uma vez escutadas irão querer ser tratadas da mesma forma mais e mais vezes.
Ouça: Other Lives – Tamer Animals
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[Menções Honrosas] • [20-16] • [15-11] • [10-06] • [05-01]
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De 20-16:
What Did You Expect From The Vaccines? é muito bom mesmo, só ouvi todo quase um dia desses por recomendação de uma amiga, mas segue tão bom quanto os singles.
Watch The Throne é ótimo, nem sei se é a primeira parceira de Kanye e Jay-Z, mas ficou muito bom pro padrão de ambos.
Confesso que só ouvi algumas do Making Mirrors, muito boas por sinal.
Dye It Blonde é um pouco estranho, mas é bom ainda assim, mas acho os outros que passaram melhores :/
Do Born This Way só ouvi Judas e pouquíssimas vezes na Tv ou no rádio, é boazinha, mas a capa me dá medo.
Minha maior surpresa até aqui ficou por conta do St. Vincent, que ainda não tinha ouvido nada, adorei os riffs e sintetizadores!