Archives For March 2012

Jai Paul – Jasmine

Luis Felipe —  30/03/2012 — 1 Comment

Nenhuma música apareceu mais vezes aqui no blog que o brilhante primeiro single do Jai Paul, “BTSTU”. Descrevemos a faixa em 2010 como “uma verdadeira festa soul do futuro”, ou se preferir, uma “versão 2020 do FutureSex/LoveSounds, do Justin Timberlake“. O hit ainda figurou entre nossos “10 Posts Mais Injustiçados de 2010” e entrou na 24º posição da nossa lista de melhores singles de 2011, ano em que o artista firmou um contrato oficial com a XL Recordings (Vampire Weekend, Adele), e que aproveitou para relançar o single. De lá pra cá, a canção ganhou remixes, covers, e serviu até de sample pro Drake, mas Jai Paul manteve-se calado – até hoje, pra ser mais exato.

O homem por trás da música permanece um mistério, mas “Jasmine” nos dá esperança que o lançamento de um disco é iminente. Com vocais sussurrados e uma produção mais lenta e sombria, descrita pela Pitchfork como “uma versão echo-pop de “Something About Us”, do Daft Punk“, “Jasmine” é um sensual pedaço de R&B que soa como uma espécie de The Weeknd tentando ser mais funky, tudo isso graças a sintetizadores bem leves e a um baixo que parece cantar mais alto que o próprio Jai Paul. Interprete como quiser, só não deixe de ouvir essa pérola.

Jai Paul – Jasmine

Demorou três anos, mas finalmente podemos ouvir agora o primeiro gostinho do novo disco dos Dirty Projectors, “Gun Has No Trigger”. Donos do segundo melhor disco de 2009 (#TeamAnCo), a banda faz um som experimental mas que certamente não afasta os leitores mais pacientes, muito pelo contrário, pelo menos de acordo com o Bitte Orca, o último disco da banda, suas canções tendem a crescer mais e mais com o tempo.

O novo single segue esse padrão, mas usando uma nova fórmula. Com uma sonoridade mais crua e completamente oposta ao single que encabeçou o Bitte Orca, a paleta de cores vibrante do grupo está um tanto mais pálida aqui, mas não menos interessante. Com incessantes harmonais vocais cantadas por Amber e Angel Deradoorian, as mulheres do grupo, a canção é comandado pelos vocais dramáticos de David Longstreth, que juntos a uma bateria leve e um baixo suave, nos conta uma história sombria e um tanto desesperadora, tal como seu título supõe.

Dirty Projectors – Gun Has No Trigger

Novidades do novo disco do grupo devem sair a qualquer momento, mas sua previsão é para o primeiro semestre de 2012, pelo selo Domino Records.

Apesar de não ser nosso foco, o Friday Mixes sempre foi parte do nosso blog. Na coluna, músicas já conhecidas ganhavam uma segunda chance pra brilhar, e os ganhos foram tantos (tanto para o blog quanto para os leitores), que assim chegamos na 37ª edição. No caminho conquistamos novos leitores, convencemos que remixes não eram apenas “versões eletrônicas” e, principalmente, espalhamos a “boa música” na mão de diversos DJs e no som de várias pickups, mantendo o repertório sempre renovado.

E por falar em novidades, marque o número dessa edição. A partir do volume 37, você vai ouvir os Friday Mixes do jeito que deveria ter ouvido desde a primeira edição: completamente mixados – profissionalmente. A ideia foi culpa do nosso amigo e leitor de longa data, o DJ Amplis, e logo abaixo você pode conferir o resultado dessa parceria. O estilo continua o mesmo: temos abaixo oito das principais novidades que surgiram recentemente, e graças ao Amplis, os estilos diferentes, as mudanças de ritmo e tudo o que sempre inviabilizou essa mixagem na minha cabeça vira um simples quebra-cabeça nas mãos do cara, que juntos a uma seleção de faixas explosivas e completamente dançante, termina com 27 minutos de puro delírio musical. É o seu Friday Mixes de sempre – mas de um jeito extremamente mais agradável agora.

Friday Mixes (REMIXED) #37

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Miike Snow – The Wave (Style Of Eye Remix)

Honestamente eu não acho que as músicas novas do Miike Snow “precisem” de remix como andei lendo por aí. Mas isso não quer dizer que um remix não possa torná-las melhor. Aqui, o sueco Style Of Eye nos traz sua versão de “The Wave”, que apesar de não superar a original, provavelmente deve servir como uma luva a quem estava pedindo por remixes do disco. Com um começo de recortes vocais que cantam “bang bang”, a canção mantém pouco da bateria militar da original mas adiciona também batida ameaçadora e progressiva, mas completamente dançante, com direito a cowbells e até um pouco de gingado. No refrão, as coisas páram e a versão original chega a dar uma palhinha, só para suas batidas voltarem com tudo para um drop final que fará sua cabeça dar algumas voltas.

Miike Snow – The Wave (Style Of Eye Remix)

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Charli XCX – The End Of The World (Rise & Fool Remix)

Charli XCX tem que aproveitar o (pouco) número de canções que tem, e é exatamente por isso que já se apropriou (e já está cantando em todos os shows) a música “The End Of The World”, um single lançado em parceria com o Alex Metric. Se você não conhece a original, sem problemas, visto que os promissores DJs franceses Rise & Fool de deixarão com a melhor impressão da música. Na primeira metade você tem a chance de conhecer um pouco a versão original, só que num ritmo decididamente mais lento e um tanto gentil aos ouvidos. Mas não se acostume. Na casa dos 2:25 a música vira do nada um número completamente diferente, com sintetizadores, vocais robóticos e batidas electro se mesclando a efeitos de video game e samples disparados a todos os lados, tal qual uma daquelas bagunças organizadas (e completamente brilhantes) do Madeon. Até agora, certamente o melhor remix de 2012.

Charli XCX – The End Of The World (Rise & Fool Remix)

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Foster The People – Don’t Stop (Color On The Walls) (Kat Krazy Remix)

Na última edição eu apresentei o remix do St. Lucia para “Don’t Stop”, do Foster The People, e enquanto a outra versão servia perfeitamente como uma “alternativa melhorada” à original, certamente seu foco não era as pistas. Felizmente, a Kat Krazy tem o remédio pra isso, graças a um remix simplesmente bombático da música, também melhor que a original. Batidas electro e sintetizadores pulsantes culminam em drops e uma produção extremamente contagiante, que explode no refrão graças a um baixo que literalmente botará a pista pra tremer. Imperdível.

Foster The People – Don’t Stop (Color On The Walls) (Kat Krazy Remix)

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Martin Solveig – The Night Out (Madeon Remix)

Incrível como as produções do Madeon são inconfundíveis. Basta ouvir os primeiros 30 segundos do seu novo remix, pro novo single do Martin Solveig, pra saber na hora que é o rapaz de 17 anos que está à frente do projeto. Suas produções geralmente encaixam o maior número de samples possíveis por segundo quadrado, entrando na mistura de efeitos de videogame a lasers e batidas dubstep. O refrão fácil de “The Night Out”, cantado pelo próprio Solveig, segura as pontas e faz da música acessível em todos os aspectos – do refrão grudento à produção espetacular, que certamente chama a atenção de qualquer ouvinte.

Martin Solveig – The Night Out (Madeon Remix)

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Lana Del Rey – Summertime Sadness (Adrien Mezsi Remix)

“Summertime Sadness” é uma das minhas (muitas) preferidas do disco de estreia da Lana Del Rey, o Born To Die, e aqui ela acaba de ficar um pouquinho maior. Além da duração ligeiramente extendida, a balada melancólica de Lana ganha uma roupagem piano-house completamente diferente, com drops de sobra e um riff de sintetizadores que soa mais como obra do Avicii. O resultado é um monstro dançante de grandes proporções, daqueles que você nunca imaginou que fosse ouvir da música.

Lana Del Rey – Summertime Sadness (Adrien Mezsi Remix)

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Marina & The Diamonds – Primadonna (Benny Benassi Radio Edit)

Sinceramente não sou muito fã do Benny Benassi. Suas produções são aquilo – o mais do mesmo, o “farofa” como dizem por aí. Seu remix de “Primadonna”, novo single da Marina & The Diamonds, segue a mesma história. Não que ele seja ruim, na verdade, mas é exatamente o que seus amigos pensam quando você fala a palavra “remix” pra eles: uma versão mais dançante, mais uniforme, com batidas agressivas que acabam trazendo alguns drops e aquela sensação de que funciona perfeitamente em qualquer pista. Mas pra ouvir em casa, fique com a original ou espere por outros remixes.

Marina & The Diamonds – Primadonna (Benny Benassi Radio Edit)

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Madonna – Girl Gone Wild (Dave Audé Radio Edit)

Madonna tentou fazer uma extravagante reunião da dance music moderna em seu novo disco, o MDNA, mas o resultado foi um fiasco (culpe os produtores por isso). Felizmente, nos tempos de hoje qualquer trabalho mediano consegue ser salvo graças a milagrosos DJs, como por exemplo aqui, no trabalho que o Dave Audé fez pra “Girl Gone Wild”. Versos mais melódicos chegam acompanhados de um violão acústico mas sem esquecer das batidas electro, que com a chegada do refrão, anunciado por sirenes, ficam ainda mais eufóricas, acrecentando ainda sintetizadores e um som mais pesado, que no geral servem como a faísca que ficou faltando na original.

Madonna – Girl Gone Wild (Dave Audé Radio Edit)

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Katy Perry – Part Of Me (RAC Club Mix)

Falem da Katy Perry, mas não falem que seus singles não rendem bons remixes. O mais novo da ex-pinup-lésbica é “Part Of Me”, propulsor do re-lançamento do seu Teenage Dream, que chega ainda com uma série de remixes para todos os gostos. Da safra, o remix do RAC pode não ser o mais dançante, mas seguindo a tradição dos americanos, certamente é o mais bonito e bem trabalhado, com uma produção suave, ligeiramente animada e com instrumentos pontuados com precisão. Mesmo que não seja pela música, deixe o RAC te convencer – novamente – de que qualquer coisa vira ouro em suas mãos.

Katy Perry – Part Of Me (RAC Club Mix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes #37 (D/L: Botão direito, Salvar como…)

O DJ Amplis toca nas melhores festas indies de BH, basicamente as que acontecem na Mary In Hell e na D-Duck. Se você gostou do que ouviu e quer que continuemos com essa ideia, vá lá, prestigie suas festas. E se não puder, tenho certeza qualquer comentário também seja bem vindo. Até a próxima!

Lianne La Havas é mais um nome para ficar de olho em 2012, de acordo com a BBC. Com dois singles já emplacados, a artista é uma mistura deliciosa de soul, jazz e folk, e sua voz delicadinha e extremamente afinada passeia entre Amy Winehouse, Regina Spektor e Corinne Bailey Rae. Seu álbum de estréia será lançado em Julho pelo selo Warner Bros, com o nome Your Love Big Enough, que teve seu segundo single lançado agora.

“Forget” é a faixa que consolida a cantora como uma grande promessa. Uma guitarra seca dá inicio à música, que logo em seguida é acompanhada pela voz angelical de Lianne. De tom meio nostálgico e de suspense, à-la St. Vincent, Lianne consegue prender logo no início, despertando nossa curiosidade. Os gritos viscerais em “Forget”, acompanhados de uma melodia minimalista, apontam que, apesar das diferenças, Lianne pode ser colocada ao lado de artistas como Alex Winston e Kyla La Grange como grandes candidatas a estourar em breve, e promete muita coisa boa para nos apresentar. Aguardemos o álbum.

Lianne La Havas – Forget

Lianne La Havas – Forget (Shlohmo Remix)

Seu aguardado álbum de estréia, o Your Love Big Enough, será lançado pela Warner, no dia 09 de julho.

A gente jura que é só coincidência, mas Los Angeles ataca pela quinta vez na semana com mais um lançamento cinco estrelas. Os californianos do Capital Cities, após lançaram um EP e o ótimo single “Safe And Sound”, chegam agora com mais uma novidade. Ainda não sabemos qual é o plano de divulgação do duo, mas com dois EPs nas costas e um show ao vivo que vem arrancando elogios por onde passa, não parece que a banda está muito longe de lançar o disco de estreia.

O novo single, “Kangaroo Court”, deixa a sonoridade dance de “Safe & Sound” de lado para se arriscar numa produção mais eclética. Samples e glitches que parecem sair de videogames são picotados e servem como base pra música, que juntos aos sintetizadores do refrão e um solo espetacular de saxofones na casa dos dois minutos, culminam em uma canção que soa bem diferente da maré de synth-pop que invadiu os últimos anos. O primeiro single chamou nossa atenção, mas “Kangaroo Court” ficará em nossa playlist por muito mais tempo.

Capital Cities – Kangaroo Court

Depois de alguns anos do seu álbum de estréia, o quarteto australiano de synth-pop Van She está de volta com um novo disco, que vem precedido por um single de mesmo nome. O álbum, Idea Of Happiness, foi todo gravado e produzido pela própria banda em Sidney, e mixado em Los Angeles com Tony Hoffer (Air, Phoenix, M83).

Se “Idea Of Happiness” dá alguma indicação para onde os rapazes irão agora, certamente é para um caminho mais maduro. A banda soa melhor do que nunca e chega com um single muitíssimo bem produzido, com um começo de guitarras viajantes que logo nos conduz para sintetizadores, cowbells e um dramático refrão, bem à moda dos australianos. No geral, é quase impossível não lembrar do Cut Copy, mas um toque tropical, tipo o do Friendly Fires, garante um ar mais leve e ligeiramente mais descontraído à música.

Van She – Idea Of Happiness

O segundo disco do Van She, o Idea Of Happiness, sai no dia 6 de Julho pelo selo australiano Modular (Cut Copy, Beni, The Presets).

A California está com todo gás esse ano, e o The Neighbourhood está aí para acrescentar mais uma unidade nesse número. Seu som é certamente intrigante: uma produção bonita, comandada pelo baixo e cheia de ritmo, ganham versos rápidos, quase falados, como uma espécie de hip-hop-indie. Não é a toa que chegaram a comentar, no Neon Gold, que “eram o tipo de coisa de se esperar se o Cold War Kids fizesse um disco no universo da Lana Del Rey“. E o novo single, “Sweater Wheater”, mostra bem isso.

A instrumentação é bonita, meio Foals, e se parece de fato como uma Lana Del Rey só que versão ao vivo, sem aquele tanto de samples do disco. Para constrastar com as melodias suaves, versos que alternam do cantado ao falado lembram da estrutura dinâmica de músicas como “Diet Mountain Dew”, principalmente graças a uma mudança na casa dos 2:40, quando ela se quebra só para voltar com um coro de “ohhh”s que culmina em um último refrão. O clipe é um conto de amor noir, que usa de uma tela dividida para mostrar dois takes da história de um casal em viagem pelas praias californianas. Na medida que a road trip dos dois passa da diversão para as “idas e vindas”, as imagens começam a ficar fora de foco – tudo isso numa estética meio episódio de Skins dirigido pelo David Lynch.

The Neighbourhood – Sweater Weather