Archives For June 2012

Pessoalmente acho que Azealia Banks funciona sempre a base de um acerto e um erro. Seu primeiro EP, 1991, lançado esse ano, trouxe quatro canções que flertavam com o house dos anos 90, enquanto outras músicas lançadas por fora, como “Jumanji”, “Bambi” e a infame “212”, possuem uma produção mais interessante, que vai se desdobrando aos poucos e virando uma besta completamente diferente a medida que os versos de Azealia vão ficando cada vez mais furiosos. Fato é, as músicas de Azealia Banks são totalmente dependentes de sua produção, e em seu mais novo lançamento, “Nathan”, o badalado produtor Drums of Death não faz nem um pouco feio.

O começo inofensivo, com uma batida abafada servindo de fundo para Azealia espantar as outras pretendentes de um tal de Nathan, a canção logo ganha uma linha ameaçadora de sintetizadores meio trance que vão guiando suas batidas por uma produção mutante que cresce e decresce de forma explosiva durante seus três minutos. É sem dúvidas uma das melhores músicas de Azealia junto com “212” e, para complementar a excelente produção, ainda conta com um dos refrões mais grudentos da rapper – se era disso que você sentia falta até então.

Azealia Banks – Nathan (Feat. Styles P)

A música aparentemente faz parte da nova mixtape de Azealia, Aquababe, que será lançada semana que vem.

ATUALIZAÇÃO: Ouça também uma outra mixtape que fizemos, para o Pick Up The Headphones.

Se você perdeu nossa primeira festa em São Paulo, na Funhouse, no início do mês, então pode se preparar pois na próxima sexta feira estaremos realizando a segunda edição da nossa festa OH MY ROCK em conjunto com a tradicional INDIEOTEQUE, que, como o flyer acima representa muito bem, busca resgatar aquelas músicas escondidas – e indies – do seu iPod (e as mais legais do blog) para a pista de dança.

Para demonstrar o que foi nosso set anterior (três horas de duração), bolamos essa mixtape com alguns dos destaques da festa, que incluiu Lana Del Rey, Miike Snow, Icona Pop e Foster The People – e aviso, você não querer querer perder o que estamos guardando para essa segunda edição. Outra surpresa é que, para os 20 primeiros que nos procurarem durante o nosso set, estaremos distribuindo 20 mixtapes “exclusivas” e recheadas de coisas novas que não vamos postar aqui por um bom tempo.

Outra mudança, dessa vez da casa, é que não teremos mais entrada VIP até meia-noite, mas em compensação, teremos rodada dupla de Budweiser. Com nome na lista o preço é o mesmo,  R$30 consumíveis ou R$15 de entrada. Confirme a presença no Facebook e até sexta feira!

Detalhes da Festa || Colocar nome na Lista Vip

Tracklist da Mixtape >>

O hip-hop já não é mais o mesmo. Depois do aparecimento de trocentos subgênros, o estilo vem passando por tantas mudanças e inovações que está se tornando quase que irreconhecível. Dot Rotten por exemplo, mistura o hip-hop tradicional com o grime (que é uma denominação especificamente de Londres para o gênero que utiliza batidas aceleradas semelhantes ao breakbeat, com pitadas de dancehall e garage). Difícil entender né? Para facilitar um pouco, tente imaginar um hip-hop meio sinfônico, com batidas eletrônicas e abarrotado de efeitos sonoros. Essa coisa linda carrega consigo o estigma dos subúrbios Londrinos, da vida e do cotidiano desses jovens. Dot Rotten até agora passou meio despercebido pelo crivo da internet, mas é por pouco tempo. O artista está engatilhado para o sucesso.

O artista saiu na lista da BBC para prestar atenção em 2012, junto com Frank Ocean e Azealia Banks, que se encaixam um pouquinho no mesmo gênero, e “Overload”, o mais novo single do artista, é capaz de convencer até quem não ouve hip-hop do potencial do rapaz. A música é nostálgica, cheia de sentimento e traz um sample da antêmica “Children”, do Robert Miles, que fez sucesso nos anos 90. Compõem a produção primorosa pianos, violão acústico, uma bateria eletrônica acelerada, coral de vozes, efeitos eletrônicos e batidas dubstep. O single foi lançado no começo do mês e um álbum é esperado para até o final do ano.

Dot Rotten – Overload (Feat. TMS)

Marina & The Diamonds voltou com uma sonoridade diferente mas ainda assim conseguiu agradar a muitos com seu novo disco, Electra Heart, que já comentamos exaustivamente por aqui. Do euro-dance de “Radioactive” ao radiofônico primeiro single do álbum, “Primadonna”, Marina cativou nossos ouvidos novamente, apesar de ainda guardar algumas cartas na manga. Com o lançamento iminente do disco nos Estados Unidos, a britânica incluiu na nova listagem uma música que ficou de fora na versão original, “How To Be A Heartbreaker”, que continua sua saga como a personagem Electra Heart.

Se Marina precisa apostar em um novo single para entrar de vez no mercado americano, dentre as opções do disco não vemos nenhuma melhor do que “How To Be A Heartbreaker”, a nova música em questão. Com um começo de violões acústicos que logo se transformam em uma acelerada batida electro, Marina usa os versos para ditar as regras de como ser uma verdadeira destruidora de corações, eventualmente caindo no eufórico refrão, que rivaliza com o do primeiro single como o mais chiclete do disco.

Marina & The Diamonds – How To Be A Heartbreaker

O Electra Heart, segundo disco da Marina & The Diamonds, sai no mercado americano no dia 10 de Julho.

Achando uma brecha entre os vocais entrelaçados do Stars e a produção gigantesca da Sky Ferreira, se encontra os californianos do DWNTWN, casal que encabeçou mês passado a primeira coletânea americana da Kitsuné e que volta agora com seu primeiro EP. Com quatro faixas, o EP, que leva o título de Cowboys, traz quatro faixas pop grudentas e mascaradas como inofensivas canções indie.

Começando de forma tímida, “Believe Me”, a melhor do EP, traz uma produção etérea que abusa de camadas de sintetizadores para criar uma balada eletrônica reminescente de “One”, da Sky, que mantém o clima gélido de um final de relacionamento mas acende uma luz colorida no cinzento tema. Com um refrão que aponta diretamente para as estrelas e um grudento riff de sintetizadores que ocupa posições estratégicas na música, o duo se mostra profissional na elaboração de electro-pop de qualidade.

DWNTWN – Believe Me

Das outras três faixas, o segundo destaque fica para “Alamo Square”, que chega mais acelerada e com um refrão mais repetitivo, perfeito para as rádios, em que finalmente os vocais masculinos dão as caras. Sintetizadores retrôs e uma batida pulsante fazem da música mais dançante e melhor para as pistas, justificando sua posição como abertura do disco.

DWNTWN – Alamo Square

Os ingredientes necessários para o sucesso estão aqui, e, como se não fosse o bastante, o duo está oferecendo o EP gratuitamente antes mesmo de seu lançamento oficial, no dia 10 de Julho. Não perca tempo e baixe o EP Cowboys em troca de um email logo abaixo (ou clicando aqui).

Clique para baixar o EP completo >>

Depois de lançar um vídeo para “National Anthem” em que protagoniza Jackie O e contracena com o A$AP Rocky como JFK, Lana Del Rey está de volta com sua colaboração inédita com o rapaz, “Ridin'”, que seria lançada há um tempo atrás como parte da mixtape dos produtores Kickdrums, mas que foi retirada de última hora pois aparentemente A$AP iria ficar com a faixa para seu debut. Foi basicamente como tirar doce da mão de uma criança mas, para a nossa felicidade, a faixa acaba de cair na rede.

“Ridin'”, que já era conhecida antes mesmo de ser lançada com a música em que o A$AP chama a garota de “minha p*ta”, é ainda mais deliciosa do que seus trechos prometiam. Com uma batida hip hop relaxada, que conta com pianos e uma flauta de fundo, a canção tem surpreendentemente Lana comandando os versos com vocais rápidos à-la “Off To The Races”, deixando o refrão para A$AP brincar sozinho. Se também cai de amores pela lolita e quer vê-la sob uma produção mais suja e urbana, talvez essa seja uma oportunidade única.

A$AP Rocky – Ridin’ (Feat. Lana Del Rey)

A música faz parte do primeiro disco do A$AP, LiveLongA$AP, que sai em Julho.

Apresentamos o trio londrino Theme Park em Agosto do ano passado, e de lá pra cá a banda já lançou três excelentes singles que geraram comparação com nomes como Talking Heads, LCD Soundsystem e David Byrne. Acompanhando os Maccabees com um eletrizante show ao vivo, a banda ainda teve que arrumar tempo para polir e regravar suas demos em estúdio junto com o produtor Luke Smith (responsável pelo último dos Foals), que garantiu um encorpamento às excelentes canções, como podemos ver no novo single retirado do disco, “Jamaica”.

O título já entrega tudo, visto que o Theme Park entrega aqui um pop baleárico que não poderia ter outro nome senão da ilha caribenha. Com uma vibe mais tranquila e tropical, a canção chega com uma percussão pontuada, pianos e uma guitarra funky, que transitam por seus versos e culminam em um relaxante refrão, pronto para ser trilha de qualquer mixtape relacionada ao verão. As batidas rítmicas e a acessibilidade da faixa comprovam o compromisso da banda de fazer um pop inteligente e sem pretensão, e os leva para uma ilha distante, cada vez mais longe das comparações.

Theme Park – Jamaica

O Theme Park, formado pelos irmãos gêmeos Miles e Marcus Haughton e o amigo Oscar Manthrope, irá lançar o single Jamaica no dia 13 de Agosto, que contará com remixes do Gigamesh e Becoming Real. O álbum, que sai pelo selo Transgressive Records, chega até o fim do ano. Se perdeu, confira também os singles anteriores “Milk”, “Wax” e “Two Hours”.