Archives For December 2013

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Apesar do Cashmere Cat permanecer desconhecido aqui no Brasil por enquanto (fizemos o primeiro post brasileiro do cara mês passado aqui no blog), o estilo único do produtor – que mistura de forma sexy elementos etéreos com batidas downtempo/chill/trap/o que quer que seja – tem inspirado uma série de produtores a saírem da zona de conforto em seus trabalhos. E é dessa “escola” que saiu a “versão-cachorro” do Cashmere Cat. Diretamente de Sydney, Australia, conheça o Basenji.

Ouvir a nova produção do australiano e não se sentir eufórico é praticamente impossível. Apesar da clara influência do Cashmere Cat, em “Dawn”, seu novo single, Basenji entope seus três minutos com tantos sons diferentes e inusitados que a inspiração acaba virando homenagem. Começando com uma batida militar, a produção te convida a embarcar numa montanha-russa sonora que abusa de drops, recortes vocais e uma percussão tropical para criar o que é absolutamente uma das coisas mais criativas e inovadoras que 2013 nos trouxe. É ouvir para crer.

Basenji – Dawn

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Quando a Australia se junta com a California, a gente sabe que o resultado vai ser, no mínimo, interessante. A dupla Wunder Wunder é formada por nomes conhecidos, os produtores Aaron Shanahan e Benjamin Plant (do Miami Horror), que saíram de Melbourne para se instalar na ensolarada Los Angeles, dispostos a fazer música pra quem gosta de música. Os sintetizadores do Miami Horror ganharam os ouvidos de muita gente, e o Wunder Wunder (antes conhecido como Honeymoon) agora promete dominar as playlists dos fãs do pop psicodélico dos anos 60 e 70. Para quem não cansa do som do Tame Impala e do Splashh, o primeiro single da dupla, “Sure Stuck”, é uma ótima pedida.

A faixa começa com uma batida fácil de grudar na cabeça, e, graças a sintetizadores epidêmicos, em menos de um minuto já mostra a que veio. Os quase 7 minutos de música te levam numa viagem deliciosa, que tem cara de verão californiano e tardes caleidoscópicas. A vibe retrô do single faz jus à proposta da dupla de homenagear o pop psicodélico de décadas atrás, mas ao mesmo tempo é inegável que os sintetizadores do Wunder Wunder também podem te fazer pensar em como seria um pop psicodélico do futuro.

Wunder Wunder – Sure Stuck

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Depois de anos e anos lançando mixtapes, remixes e produções para outros artistas, finalmente a banda inglesa de synth-pop Fear Of Tigers prepara o lançamento do seu primeiro disco, anunciado com o primeiro single, “Christmas In Kaohsiung”, que é exatamente o que você pode esperar do que produtores com uma enorme bagagem adquirida quanto eles é capaz de fazer.

Ao contrário do que você possa pensar, “Christmas In Kaohsiung” não tem nada a ver com uma canção de Natal além da vibe celestial que a produção traz consigo. Soando como um encontro do The Sound Of Arrows com o Madeon numa rave, a canção não abre espaço para respirar com seus inúmeros efeitos, samples e surpresas escondidas em cada canto da mirabolante produção, que enaltece grudentas melodias dos vocais. Para acompanhar o caleidoscópio de sons da canção, o clipe da faixa, gravado em Kaohsiung  e dirgido pelo chinês Chia-Yi Lin, não fica pra trás da produção e necessita ser visto para que a experiência se torne completa.

Fear of Tigers – Christmas In Kaohsiung

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Apesar do nome não soar muito familiar por aqui, os produtores Yellow Claw já tem um público bastante significativo espalhado pelo mundo. Formados inicialmente em 2010 em Amsterdam, Holanda, o trio criou uma festa num dos clubes mais badalados da cidade na época, o Jimmy Woo. Com uma trajetória bastante peculiar, lançaram alguns singles que atingiram o topo das listas na Holanda e na Bélgica durante os anos de 2012 e 2013. Também já estiveram associados ao selo do renomadíssimo Diplo, Mad Decent, o que os deu visibilidade. Atualmente fecharam contrato com o selo Spinnin’ Records, que tem artistas como Avicii e Digitalism, coisa que os alça para uma carreira ainda mais promissora.

Após firmar contrato com a nova gravadora, decidiram finalmente lançar seu primeiro single internacional, Shotgun, com participação especial da artista Rochelle, que dá um toque mais ousado à música. Os Yellow Claw se definem em algo entre dubstep, electro house e trap music (estilo originado do hiphop). O vocal sexy e poderoso da Rochelle dão um tom pop à faixa, nos remetendo em alguns momentos à Rihanna. A estética do vídeo e alguns momentos da música mostram uma influência da veia world-music da M.I.A. Fato curioso é que a música tem influências claras do estilo moombahton, criado em Washington em 2009, e que desde então mudou os rumos da música eletrônica. Trata-se de uma mistura bem sucedida entre dubstep e reggaeton, e sua principal característica é colocar até uma múmia para dançar. Tá aqui a prova desse fato.

Yellow Claw – Shotgun (Ft. Rochelle)

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“Crazy In Love”, da Beyoncé, é uma das raras canções pop que conseguem resistir sem esforço ao teste do tempo. E a música de mais de dez anos prova mais uma vez que consegue surpreender graças ao fantástico cover que o duo IYES (que já passou aqui pelo blog) acaba de lançar, reformulando a produção completamente e transformando-a em um número sexy e moderno.

Retirando o instrumental dançante da versão original e deixando o foco na composição romântica da faixa, a dupla nos seduz com um dueto a base de pianos, recortes vocais e batidas repletas de grave. Alterando ligeiramente o refrão original, a produção da dupla apresenta surpresa atrás de surpresa, e os afirma mais uma vez como um dos nomes mais promissores do próximo ano.

IYES – Crazy In Love (Beyoncé Cover)

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A repercussão do minimalismo na música pop vem aumentando desde o surgimento de nomes como The xx e James Blake, e se consumou, nesse ano, com artistas como Lorde e London Grammar mantendo as coisas simples e ainda assim fazendo um enorme sucesso. É nessa linha, portanto, que chega o produtor/multi-instrumentista Alex Kotz e seu projeto Elderbrook, que, com seu novo single, “Rewinding”, mostra que está ligado nessas tendências.

Resultado de um trabalho feito na sua própria casa, com computadores, instrumentos improvisados e muita criatividade, “Rewinding” é um pop minimalista que mescla palminhas, um instrumental com muito grave e pausas bem calculadas entre as batidas para dar vida a um número que soa como o perfeito casamento entre a produção orgânica do Alt-J com a eletrônica do Jai Paul. Temperada com os vocais tímidos e melódicos de Kotz (que, a propósito, foram gravados no banheiro da sua própria casa), a canção traça um futuro promissor para o rapaz, e prova aquela velha história de que as vezes menos realmente é mais.

Elderbrook – Rewinding

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Ninguém sabe direito quem o Cold Clinical Love é. Com menos de 50 likes no Facebook e uma presença online quase nula, o que temos pra apresentar do projeto é um divertido primeiro single que, ao contrário do que o nome possa sugerir, não tem nada a ver com o Bob Dylan ou sua sonoridade.

E é assim mesmo, “Bob Dylan”, que o Cold Clinical Love decidiu chamar sua primeira música de divulgação, um indie-pop tropical de refrão charmoso e vocais em falsete, que lembra na hora nomes como Foster The People e MGMT. Com uma percussão descontraída, sintetizadores brincalhões e solos de guitarras que entram na levada feel-good da produção, é quase impossível não imaginar quem quer se esteja por trás da música se divertindo pra caramba. E que venham as próximas.

Cold Clinical Love – Bob Dylan