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Nos dias 15, 16 e 17 de Junho aconteceu em Barcelona, Espanha, a 24ª edição de um dos festivais de música eletrônica mais esperados do ano, pelo quinto ano consecutivo o OhMyRock esteve presente para acompanhar de perto e resenhar os pontos altos do evento. Com crescimento exponencial, o festival cada ano supera o ano anterior em quantidade de espectadores. Na versão de 2017 atingiu seu recorde mais uma vez, foram 123.000 pessoas que passaram pelo local. Dividido em Sonar Dia e Sonar Noite, o evento aconteceu em dois locais diferentes. De acordo com a organização, passaram pelo evento pessoas de 100 nacionalidades diferentes, contando com 5500 profissionais, e mais de 2000 empresas de criatividade e tecnologia, que fizeram mais uma vez história.

Já renomado por sua veia tecnológica e de inovação, o festival trouxe centenas de artistas de todas as partes do mundo, para pincelar o futuro próximo da música. Electro e hiphop constam com os maiores nomes do festival, mas o trap teve grande destaque esse ano, além de uma variedade imensa de outros gêneros que desenhoaram os caminhos que a música deve tomar. A abertura do festival ficou por conta de um setlist de 4 horas da multifacetada e multitalentosa artista Björk.

O festival aconteceu durante 3 dias e 2 noites. Correndo sempre entre os palcos, era difícil controlar tudo o que acontecia ao mesmo tempo. Alguns nomes ainda flutuam no ar, mas os que ainda marcam em minha mente são, Tommy Cash, Princess Nokia, Bawrut, DAWN, Yung Beef, Prins Thomas, River Tiber, Elysia Crampton, a deusa do tecnho Suzanne Ciani, Evian Christ, a xôxas Bad Gyal, Jon Hopkins, Clams Casino, Fat Freddy’s Drop, o impressionante Soulwax, Daphni & Hunee, Cashmere Cat, De La Soul, Cerrone, Eric Prydz, Vitalic… a lista é interminável.

Mas os que merecem destaque e que foram os shows mais surpreendentes  foram Justice, com tal potência visual que o maior galpão/stage do festival estava em uma espécie de transe, Moderat transcendendo tempo e espaço, dada sua perfeição. Little Dragon com seu pop/eletrônico agudo e poderoso e Nicolas Jaar muito mais maduro e alucinante que anteriormente.

Arca pelo segundo ano consecutivo, trouxe Jesse Kanda para ser responsável pela parte audiovisual do show. Com um espetáculo extremamente sexy, o venezuelano Alejandro Ghersi usa o palco como passarela para atravessá-la desafiadoramente com seu andar poderoso. Seus gestos, suas poses, são uma mistura de sofrimento e sensualidade, sua voz sofrida tem uma expressividade e intensidade tão grande que deixa todo o público boquiaberto.

 

Anderson .Paak é quase o oposto. Com um show completamente descontraído e divertido leva o público ao delírio com seus hits. De uma energia contagiante coloca inclusive os mais desavisados que estão de passagem para dançar. Domina a bateria como se fosse um brinquedo de infância, e enquanto não o faz, passeia pelo palco com suas danças extremamente sexys, sempre sorrindo, dando a impressão que é a pessoa que mais está se divertindo em todo o show.

SOHN sem dúvida uma das maiores surpresas de todo o festival. O álbum é agradável, então esperava um show parecido. Ledo engano. Funciona muito melhor ao vivo, com seus graves que penetram a alma, as luzes hipnóticas e uma voz tão afinada e poderosa que nem parecia o mesmo frágil som do álbum. O show é intimista, mas muito envolvente, prende do inicio ao fim.

The Black Madonna foi a responsável pelo encerramento do festival, quando toda a multidão da última noite se dirigia para o gran finale. Black Madonna, que de Black ou de Madonna não tem nada, com seus 15 anos de carreira não decepcionou, colocou todo mundo para gastar os últimos restos de energia que sobravam depois de 3 dias de festival. A artista é considerada uma das melhores DJs da atualidade, consolidada internacionalmente e presente nos maiores festivais ou eventos musicais.

O festival recém terminou mas está de olho na edição seguinte, que completa 25 anos, então promete ser ainda mais especial que as versões anteriores. Os primeiros ingressos já foram postos a venda e vendidos instantaneamente. A ansiedade é sempre grande pelo lineup, que sempre surpreende. O festival ainda conta com edições em várias outras cidades pelo mundo.

Nos vemos em 2018!