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Existe ainda uso para guitarras? As últimas promessas da música distanciam-se cada vez mais dos riffs e power chords, as seis cordas passaram de cool para dispensáveis. Mas felizmente, a sentença de morte ainda não está dada. Great Mountain Fire é uma típica banda que faz uso das cordas assim como aprendeu. Nada de peso, apenas algo semi acústico e interessante. O álbum de estréia dos romenos foi lançado ainda este ano, eles são novos, e portanto desconhecidos do público em geral. “Late Lights” acaba de ser divulgada como single e surpreende quando é executada. A simplicidade harmônica e a levada de rock moderninho são combinados a vocais alegres e contagiantes, que fazem da faixa absolutamente irresistível. O single vem acompanhado de um criativo vídeo com fotografia bem feita em cima do dia-a-dia.

Great Mountain Fire – Late Lights

O álbum Canopy foi lançado este ano pelo selo Konjin Music e conta com outros sons interessantes como “Cinderella”.

“Do the D.A.N.C.E.”! Não há como falar do Justice sem relembrar da transcendental “D.A.N.C.E.”. Após Cross, lançado em 2007, pouquíssimo sobre os franceses foi divulgado na grande mídia. Agora, depois de muita espera, o duo apresenta o novo álbum. E o que esperar da banda que lançou um dos melhores discos da década passada? É difícil dizer, mas algumas pistas já foram dadas. A primeira música lançada foi “Civilization”, em Março desse ano, que nasceu da mistura de eletrônico com um metal anos 80, porém, nesta semana, eis que o segundo single finalmente atinge nossos ouvidos.

A nova música é “Audio, Video, Disco”, e difere bastante da anterior. É mais leve e dance, mas não é aquele disco house que havíamos nos acostumado: o contrabaixo está mais limpo, as distorções mais comportadas e os vocais mais comuns. Alguns críticos de arte chamam este retrocesso típico de segundo álbum como amadurecimento da banda. Não sei o que é, porém é fato que a sonoridade é outra. “Audio, Video, Disco” não é revolucionária, mas contempla muito bem a espera de anos por novo material do Justice. O tema do single é a própria composição de novas músicas e trabalhos, é o Justice falando de si mesmo. O vídeo para a música é bem produzido, como todos os outros da banda.

Justice – Audio, Disco, Video

O single será lançado dia 19 deste mês e vem com remixes de Para One. O álbum completo de mesmo nome será lançado dia 25 de outubro.

A cada descoberta musical percebo que os anos oitenta estão presentes no século XXI. O uso de sintetizadores e vocais distorcidos combinados com linhas de contrabaixo dançantes é característico da década onde o rei era Micheal Jackson. Os revivals da new-wave estão inclusos em praticamente todos os lançamentos deste ano, incluindo o EP recém-lançado do Shale Aletti. O duo inglês tem nome desconhecido na grande mídia, mas no quesito qualidade eles são bem competentes. “Inside Out” é o segundo single da banda e desde os primeiros segundos deixa bem claro a influência oitentista. O bom uso do sintético permite a criação de sensações que embora sejam retrô, soam novas e joviais. Confira também o super-dançante vídeo do single.

Shake Aletti – Inside Out

Como se não fosse o bastante, junto com a versão original, o single é acompanhado de alguns remixes que te prometem suar um pouco mais. Há dois remixes completamente diferentes que chamaram muita atenção. O primeiro deles, feito pelo Toy Tigers, apresenta uma suavidade contrabalenceada por uma batida dance característica, enquanto o segundo, pelo His Majesty Andre, aproveita apenas alguns vocais da música pra criar um irresistível e novo número de disco-funk, com trompetes e tudo o que temos direito. Vale a pena ouvir os dois.

Shake Aletti – Inside Out (Toy Tigers Remix)

Shake Aletti – Inside Out (His Majesty Andre Remix)

O single “Inside Out” foi lançando no último 22 de agosto pela Moda Music.

Finalmente o (meu) álbum mais esperado do ano. Housse de Racket já não é tão novidade assim, há algum tempo atrás o single “Roman” foi apresentado aqui no blog. O duo francês, agora com o segundo disco nas prateleiras, faz pop com o que eu chamo de french touch. O debut tinha uma influência rock muito mais considerável já Alesia trás menos guitarras e mais sintetizadores. O resultado é o amadurecimento da sonoridade, deixando de ser aquele álbum high school e dance e migrando para algo mais experimental e pós-moderno.

Alesia pode ser dividida em duas partes: uma mais agitada e outra introvertida. Dois singles que compõe os agitados foram previamente lançados, “Romam” e “Château”, e ambas são as faixas que mais se aproximam de Forty Love. “Human Nature” destaca-se logo na primeira audiação. A faixa é simples, com vocais bem trabalhados em meio a uma harmonia contagiante:

Housse de Racket – Human Nature

Outra parte do disco é composta por músicas mais calmas, às vezes cantadas em francês e com melodias mais doces. A melhor representante deste lado mais melódico é “Les Hommes et Les Femmes”. Com ar mais requintado e europeu, a música é lapidada cuidadosamente em seus quase três minutos, o sintetizador difere pela delicadeza:

Housse de Racket – Les Hommes Et Les Femmes

Housse de Racket é uma das bandas que assinaram contrato com a Kitsuné neste verão, Alesia é o grande lançamento da gravadora neste mês. Nunca me decepcionei com o que vem dos franceses.

O punk modificou o rumo da música pop, nada mais foi o mesmo após a segunda metade da década de setenta. Após toda a revolução musical surgiu a new wave, também chamada de post-punk, que contrabalanceou o movimento com uma cena ora gótica, como Joy Division, ora despreocupada, como B-52’s. A influência destes estilos é tão grande que ainda ecoam em 2011, e esse é o caso de Hard-Fi. O quarteto inglês, juntos desde 2003, lança nesta sexta-feira o terceiro álbum de estúdio, Killers Sounds. O disco trás toda a roupagem new wave característica e apresenta dois singles principais.

 “Good for Nothing” é tipicamente punk, guitarra invocada com vocais igualmente revoltados. Energética e marrenta, empolga pela criatividade da melodia e pelo refrão bem feito

Hard-Fi – Good For Nothing

“Fire in the House” é diferente, construída com bases new wave. O contra-baixo distorcido é a porta de entrada do single que vem com backing vocals e sintetizadores. O vídeo do single é aquele cichê de imagens desconexas e da banda. A adaptação para a dancefloor foi feita pelo pop Tiësto. O remix, assim como o DJ, não é inovador:

Hard-Fi – Fire In The House

Hard-Fi – Fire In The House (Tiesto Remix)

O álbum foi lançado hoje pelo selo Necessary Records. Killer Sounds conta com 11 faixas e pode ser uma boa pedida para os que gostam de rock.

Está ficando cada vez mais atual o ar retrô. Este ano muitos dos meus artistas preferidos resolveram colocar os vinis antigos para tocar, instalar o globo de vitro no teto e trazer de volta toda a cena disco. Mayer Hawthorne é um destes que fazem questão de voltar aos anos sententa. O rapper com dois álbuns já lançados está às vésperas do terceiro lançamento para ainda este ano. O single carro-chefe do álbum é “A Long Time”, e o nome já diz tudo: o tempo retratado na música é o passado. Com um groove delicioso e um vocal suave a audição é tão fácil que não se nota a passagem do tempo. O vídeo do single faz aquilo que está cada vez mais comum, trás cenas antigas (e dançantes!) editadas com maestria para combinar com cada acorde da música.

Mayer Hawthorne – A Long Time

Para não decepcionar os fãs de eletrônico, o amável Chromeo remixou a música. A parceria não podia ser mais lógica. Unindo o útil ao agradável, o remix tira a faixa da brilhantina e leva para um eletrônico clássico porém moderno e bem mais empolgante. É simplesmente impossível ficar parado ao escutar.

Mayer Hawthrone – A Long Time (Chromeo Remix)

O novo álbum do Mayer Hawthorne, How do You Do, será lançado em Novembro pelo selo Universal Republic, e o remix acima é uma tentativa de lançar todas as Segundas um material novo do cantor, até o lançamento do disco.

De todas as cenas eletrônicas, minha preferida é a norueguesa. Grandes nomes como o respeitadíssimo Erlend Øye e o duo místico Röyksopp advém das terras geladas do norte. Além de nomes com símbolos não usuais, os noruegueses também compartilham o bom gosto na música. E Casiokids é mais um nome nesta lista. O quarteto formado em 2005 apresenta dois álbuns lançados e agora em 2011 vem o terceiro. “Det Haster!” (ou “Os Cavalos!”) é o single inicial de divulgação. A faixa é composta por sintetizadores alinhados e criativos, sobrepostos por um adorável vocal e cordas friccionadas. É experimental, mas não é do tipo que irrita, pelo contrário, a música nos empolga. Vale a pena ouvir:

Casiokids – Det Haster!

O album nomeado de Aabenbaringen Over Aaskamme (traduzido “Revelações Acima da Montanha”) será lançado em outubro pela Polyvinyl. Em se tratando de uma banda norueguesa e da gravadora (STRFCKR e of Montreal) podemos esperar um grande lançamento.

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