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O Cathedrals mostrou ao mundo no ano passado o tamanho da sua grandiosidade ao lançar a ótima “Unbound” como primeira amostra do seu trabalho, fazendo com que fôssemos um pouco a fundo na história deste misterioso duo. Uma surpresa foi descobrir que para Brodie Jenks e Johnny Huin dominar instrumentos não foi nenhum desafio, já que ambos vinham trabalhando com música antes mesmo de se conhecerem, colaborando de diversas formas em pequenas turnês de bandas que passavam por São Francisco, a cidade natal da dupla. Depois de nos apresentar uma essência delicada – fazendo jus ao pseudo nome – o duo retorna mostrando um lado um tanto contraditório de sua estreia. Trocando o instrumental mais orgânico acompanhado de vocais calmos de “Unbound” por batidas marcantes e vocais intimidadores, eis que surge a segunda amostra do EP da banda, “Harlem”.

O trabalho em “Harlem” pode ser descrito como “sigular”, graças à mistura inusitada de elementos do dreampop com o futurepop, chegando a soar como uma tentativa de encontro do Tennis com o AlunaGeroge. Os vocais e sussurros em segundo plano criam uma cacofonia maravilhosa de “oohs” e “aahs” acompanhados por instrumentos dedilhados que, por sua vez, tem um pé no dreampop apesar da agitação. A guitarra, entretanto, é o grande destaque da produção, progredindo durante a faixa à medida que o seu batimento cardíaco se acelera, entregando – finalmente – um break libertador, com direito a um solo que te leva às estrelas.

Cathedrals – Harlem

We-Are-Twin-The-Way-We-Touch-Single

É cada vez mais comum nos depararmos com novas descobertas que são inspiradas por ícones da música não tão distantes de nós assim, e este é o caso do We Are Twin, duo formado pelo multi-instrumentista Nicolas Balachandran e comandado pelos vocais de Gabi Christine. Vindos do Brooklyn, suas inspirações trilham o caminho entre o soul dos anos setenta, mas graças a uma produção repaginada, acabam caindo no mesmo campo que o talentoso Mark Ronson e suas saudosas produções para a Amy Winehouse. Novos na música, o duo possui apenas um EP lançado de forma independente, que contempla cinco faixas arejadas com muito groove, soul e refrões pop.

A faixa escolhida para divulgar o trabalho não poderia ter sido outra além de “The Way We Touch”, canção que traz uma produção repleta de saxofones, guitarras e baixos marcantes, e que confirma de vez as similaridades com os trabalhos de Ronson. Entretanto, o que poderia ser apenas mais uma balada romântica com influências do blues ou do jazz, graças à batidas aceleradas e ao vocal potente de Gabi, que entoa um refrão grandioso e marcante, a canção se transforma em um número otimista e ligeiramente dançante, que deve conquistar com facilidade.

We Are Twin – The Way We Touch

“The Way We Touch” é o primeiro single de We Are Twin EP, lançado no último dia 20 sob o selo A&M/Octone.

undiscovered

Quem acompanha o blog sabe da nossa queda pela sucessão de lançamentos sedutores que Laura Welsh vem apresentando. Seguindo os mesmos passos de cantoras como Jessie Ware, Aluna Francis e Solange, a inglesa vem se mostrando adepta de trabalhos caprichados, vide suas parcerias com o produtor Dev Hynes, que se estende após uma sessão de estúdio que resultou em produções ainda mais sensuais.

Marcando território para o lançamento de seu futuro EP, intitulado Cold Hands, Welsh apresenta “Undiscovered”, mais um bom trabalho extraído de seu portfólio. Embalada por uma atmosfera urbana e ao mesmo tempo intimista, um piano rítmico introduz sintetizadores progressivos sobre timbres calorosos, enquanto, sem esforços, Laura entoa seu vocal de maneira impecável. Desta vez, a parceria com Dev Hynes se deu apenas na composição, abrindo espaço para uma produção assinada por Emile Haynie, que apresenta um viés cinematográfico sobre efeitos drum’n’bass abafados e sussurros em segundo plano. No vídeo, o diretor Chris Sweeney apostou em uma estética corporal, que mistura momentos de dança contemporânea a uma iluminação a contraluz e coreografias envolventes, criando um efeito estonteante.

Laura Welsh – Undiscovered

chela

Não faz muito tempo que tivemos a oportunidade de apresentar o primeiro trabalho da cantora australiana Chela, que, depois de inúmeras colaborações e lançamentos de faixas avulsas, ganhou nossos corações pela descontração da adorável “Guts”. De lá pra cá a cantora vem trabalhando na sonoridade certa que deverá ser conferida em seu primeiro disco, junto ao recente contrato com o selo francês Kitsuné. Saindo de Melbourne, casa de grandes revelações australianas, Chela agora se encontra em ponte área Paris/New York para retocar seu novo material, que deve fazer parte do seu primeiro registro inédito.

A canção chamada “Romantiscise” é a primeira amostra do que podemos ouvir nesta nova fase. Em uma produção contagiante a faixa chega acompanhada por deliciosas batidas percussivas, riffs de guitarras melódicos e uma instrumentação totalmente voltada aos anos oitenta, contemplando um refrão mágico – com direito a vocais à-la La Roux – que ficará na sua cabeça pelos próximos dias. Os arranjos, que contam com breaks durante as pontes, dão todo um charme nostálgico no resultado final do trabalho, que culmina num electro-pop vibrante e voltado ao sucesso.

Chela – Romanticise

Romanticise EP conta com remixes de Gold Fields, Collarbones, Boys Get Hurt, Le Bruce and Fascinator.

BANKS-Waiting-Game

Este ano promete ser o ano de grandes lançamentos na música, dentre eles destacamos os trabalhos da norte americana Banks, cujo os lançamentos anteriores foram surpreendentes. Cortejando o trip-hop, R&B, e se aventurando em um experimentalismo minimalista, Banks não tem medido esforços para demonstrar sua versatilidade que agora conta com fortes parcerias para assinar produções cada vez mais sofisticadas.

Sem perder o clima atmosférica que assina seus trabalhos anteriores, a norte americana projeta o lançamento de um novo EP promocional sob os selos Harvest Records e Good Years Recordings. A primeira amostra desse trabalho chegou recentemente, intitulada “Waiting Game”, uma faixa que mais uma vez surpreende em seu papel persuasivo e orgânico. Marcada por um estilo híbrido de melodia e letras sobre amor, abandono e fim de relacionamento, a canção é daquelas de de tirar o fôlego, tendo em evidencia o arranjo que acompanha uma introdução da qual faz questão de enfatizar os vocais de Banks sob uma percussão de piano e sussurros fantasmagóricos. A produção avança e muda de circunstâncias quando revela uma camada de sintetizadores carregados que culminam de forma rítmica e caótica. O responsável da vez é o produtor e também músico conhecido como SOHN, do qual também citado aqui no blog. A faixa altamente sedutora explora suas camadas em vocais quase que sublimes, entregando ao ouvinte uma belíssima e emocionante balada.

Banks – Waiting Game

O novo EP homônimo de Banks conta com quatro faixas inéditas e deve ser lançado no próximo dia 10.

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Por mais que a aparência do oriente médio engane a verdadeira origem de YADi, a cantora com descendência italiana saiu da Inglaterra e não usa apenas o visual árabe para vender sua imagem, como também abusa dos mais diversos arranjos da sonoridade nativa. Tivemos o prazer de apresenta-la há um bom tempo atrás acompanhando o lançamento de faixas promocionais, vídeos deslumbrantes e pequenas performances de tirar o fôlego. Não nos resta mais dúvidas sobre a premissa da inglesa, que a cada lançamento mostra um jogo de referências extremamente versátil.

Dando continuidade no trabalho de seu futuro álbum de estreia, YADi apresenta um glow-pop despretensioso com “Creatures”. A receita borbulhante assinada pelo produtor Ariel Rechtshaid (também conhecido por seu trabalho com Haim, Vampire Weekend e Solange) faz alusão exata com o título e traz dentre outros efeitos uma agradável percussão homogênea junto a tambores e um momentâneo teclado rítmico. Densa e abafada, “Creatures” parece um tanto diferente de suas faixas anteriores, mesmo ostentando as mesmas ideologias, a canção soa um pouco mais crua marcando uma produção soft com um jogo de baixo e bateria delicioso. Provavelmente pela hype engenhosa que agrega uma leve sensualidade, YADi aparenta que talvez esteja aderindo uma sonoridade menos agressiva e investindo em um afinco mais suave, tornando tudo ainda mais agradável.

YADi – Creatures “Creatures” foi lançado no último dia 22 sob o selo Seven Brother Records.

London-Grammar

O primeiro disco do London Grammar, lançado no começo do mês, foi fruto de muitas expectativas. Tudo começou com o single “Hey Now”, que nos levou a jóias como “Wasting My Young Years” e mais recentemente o single “Strong”, faixa que exala o que há de melhor na essência minimalista da banda.

O que você pode deixar passado passa, entretanto, é o b-side de “Strong”, “Feelings”, uma faixa exuberante e cheia de referências sul-americanas. De forma mais descontraída e menos denso que as canções do trio, “Feelings” utiliza samples orgânicos e abusa de batuques sincronizados, acordes e outros instrumentos artesanais. A atmosfera surreal é dada pelos vocais de Hannah Reid, que alcançam tons massivos, e proporcionam um clima acústico extremamente agradável.

London Grammar – Feelings

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