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Ryan Lott trabalha literalmente entre a música clássica e a eletrônica, e é daí que resulta o som denso e delicado do seu projeto Son Lux. O músico de Nova York já está no quarto álbum, Lanterns, lançado esses dias pela Joyful Noise, cujo primeiro single, “Lost It To Trying”, foi imediatamente considerado uma das melhores faixas do ano pela Pitchfork.

Deslizando entre instrumentos orgânicos e eletrônicos com uma delicadeza que os confunde, saxofones, flautas e pianos se unem a sintetizadores e recortes vocais para formar uma multidão de sons que te faz imergir na psicodelia futurista da produção. Adicionando uma nova surpresa a cada compasso, a faixa progride a um ritmo intenso e dinâmico, compondo flashes que pulam aos ouvidos de forma constante, sem negar a essência da música. Ao invés de soar cansativa, a produção maluca te estimula a ouví-la várias vezes, demonstrando na prática a junção do conhecimento de música clássica e contemporânea de Lott.

Son Lux – Lost It To Trying

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A faixa mais diferente do último álbum da Laura MarlingOnce I Was An Eagle, lançado em maio, foi a escolhida pra se tornar sua primeira super-produçãoa. O clipe de “Devil’s Resting Place” foi divulgado na semana passada e já está bem falado. O álbum também foi bem recebido, sendo um dos indicados a álbum do ano pela Mercury Prize, junto de nomes como David Bowie, Disclosure, Foals e Arctic Monkeys. A cantora, de 23 anos, amadureceu – e sua música também.

Esqueçam a menina Laura Marling que cantava folk com um violão ou dois. Sua última produção acrescenta elementos originais de múltiplas referências culturais, revela intenso conhecimento técnico e alcança, ainda, a delicadeza de manter a identidade da cantora, cheia de jogos e ambiguidades entre as palavras ácidas e irônicas e a voz suave e conquistadora de menina, mas que é, ao mesmo tempo, poderosamente aveludada e forte. Mas, se antes o sotaque britânico era o que contava pra chamá-la de inglesa, agora Laura conseguiu mostrar a complexidade das suas raízes em um álbum inteiro. Como exemplo, a cantora fugiu do óbvio em “Devil’s Resting Place”, e sua habitual produção minimalista virou uma super-produção repleta de instrumentos tradicionais das culturas antigas de sua terra. A produção chega a ser tão intensa que, junto dos elementos étnicos, lembra da Florence + The Machine justificando o investimento para se tornar um hit. A tensão cigana proporcionada nas cordas, que persiste na música inteira, aliada a percussão típicas de um ritual tribal, sinos e violino medievais compõe seu clima único, perfeitamente refletido no clipe, que promove uma caça às bruxas com direito a exorcismo e visuais macabros, que promovem Laura Marling de menina-de-moletom a uma ameaçadora feiticeira.

Laura Marling – Devil’s Resting Place

ASTR – Operate

Helena Bokos —  20/05/2013 — 2 Comments

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O duo ASTR, de Nova York, já tinha liberado anteriormente os singles “Goodnight” e “Razor”, mas é agora, com “Operate”, que temos até então a maior obra-prima da dupla. Saídos do Brooklyn, o duo demonstra bastante as influências do bairro em suas músicas, que, dentro de um contexto indie-pop, revelam todo o gingado que, como nenhum outro gênero, o R&B e o hip hop possuem. A brincadeira soa como um Purity Ring cantado pela Charli XCX, e traz um instrumental extremamente sutil e detalhado, como um resgate à música black-eletrônica dos anos 80 mas que flerta diretamente com as batidas modernas do chill e do trap. Apesar de sensuais, suas músicas são feitas pra dançar, para se deixar levar naquela mágica conexão som-corpo, e é basicamente assim que “Operate” te conquista.

Dotada de um refrão R&B, de melodia suave, grudenta e pronta pra satisfazer todas as exigências de um futuro hit pop, o curto refrão logo dá espaço à atmosfera altamente sedutora dos versos, o maior atrativo da música. Os vocais metalizados demonstram sua imponência sob a produção minimalista e trazem toda a dramaticidade necessária que a produção sensual pode pedir, acompanhando perfeitamente a linha de baixo com groove descarado que torna tudo ainda mais sexy e acessível. Mas enquanto a canção poderia ficar apenas no dreamy, a adição de incríveis batidas temperamentais que levam o trap ao pop deixam tudo mais dançante e fazem todo o diferencial por aqui, culminando em uma perfeita mistura de hip-hop, R&B e synth-pop em que o ritmo é tudo.

ASTR – Operate

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Dale Earnhardt Jr. Jr. é o nome brincalhão do duo indie-pop de Detroit, formado por Daniel Zott e Joshua Epstein. Os meninos já lançaram um álbum, It’s a Corporate World, em 2011 e, depois de um tempo parados na produção, eis o single “If You Didn’t See Me (Then You Weren’t On The Dancefloor)”, primeiro do EP Patterns, lançado na semana passada. A banda tem uma sonoridade muito parecida com o Gold Fields, tanto na suavidade harmoniosa dos vocais, quanto na sábia inserção dos mesmos em um infinito de elementos eletrônicos e orgânicos, gerando uma produção complexa que, no entanto, resulta bem simples às nossas sensações (o que significa dizer que nos faz dançar facinho). Os meninos têm uma técnica realmente valorizável, mas são as emoções, claramente percebidas nesse novo single, que realmente nos tocam.

Imagine que essa música é um presente, daqueles que você vai abrindo aos poucos e se satisfazendo com cada frestinha rasgada da embalagem, só para no final você se surpreender ainda mais com o produto completo. Trazendo essa analogia para a produção e construção da música, “If You Didn’t See Me…” começa de forma atmosférica, com sintetizadores tranquilos, sem vocais, que ficam brincando por quase um minuto até cair nas diversas melodias que os rapazes escondem por trás dos vocais contagiantes e da produção que parece uma cria dos sintetizadores analógicos e distorcidos do Neon Indian com a acessibilidade do Passion Pit. Quando os versos aparecem, a produção se acalma por alguns instantes para trazer os vocais quase sussurrados, à-la Miike Snow, de Daniel Zott, que não demoram para explodir em um dos refrões mais bem construídos e gratificantes do ano. Se existe uma canção de synth-pop perfeita, com riqueza na melodia e habilidade na produção, não imaginamos algo muito distante dessa aqui. Aproveitem.

Dale Earnhardt Jr. Jr. – If You Didn’t See Me (Then You Weren’t On The Dancefloor)

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Julian Maverick é um artista de Melbourne, na Austrália, que ganhou notoriedade com seus remixes de “Ritual Union” (do Little Dragon) e de “Roxanne” (um cover do Strange Talk para a canção clássica do The Police), e promete ganhar ainda mais com seu mix 4LOVE e a música de nosso interesse, “Spaceships”. Sua sonoridade nu-disco é claramente influenciada pelos conterrâneos do Cut Copy e Van She, com potencial para deixá-los orgulhosos e nos dar mais uma prova da qualidade da música eletrônica australiana. Se lembrarmos ainda do resto do mundo, podemos dizer que ele ainda tem um ar de Goldroom, passando pelo experimentalismo do Neon Indian e quase alcançando a grandeza de produção de um M83 da terra do sol. O mundo todo, entretanto, terá que esperar para ver mais do artista, pois por enquanto só temos boatos do lançamento do seu primeiro EP.

Como boa representante do ainda escasso repertório do rapaz, “Spaceships” nos leva direto ao verão australiano com sua atmosfera descontraída de festa na praia. Ouví-la seria a descrição perfeita para um daytime-disco, com toques de tropicalidade dados pelos sinos constantes, que lembram o Poolside. Ainda durante seus cinco minutos, o produtor acrescenta diversos elementos como barulhos espaciais que parecem sair de um videogame (ou de uma batalha de Jornada nas Estrelas), latas de refrigerantes sendo abertas e diversos samples de ondas do mar, que nos transportam paro o cenário da música e adicionam vivacidade à aventura do rapaz, que hora parece tanto um típico pop dos anos 80 quanto um indietrônico atual, passando pelo sonzinho de praia à la Toro y Moi e Les Sins. E, mesmo com tantos elementos para te distrair na produção, Julian nos cativa com seus vocais trazendo uma melodia que se evidencia dentre todo esse troca-troca de camadas e, ainda que improvável, consegue ser grudenta e colar na cabeça com facilidade. Portanto, aproveite que na nossa terra sempre temos sol e se jogue no verão australiano de “Spaceships”!

Julian Maverick – Spaceships

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Josef Salvat já tinha ganhado nossa atenção com seu marcante single de estréia, “This Life”, numa versão masculina da Lana del Rey, com merecido direito a receber as mesmas glórias da cantora que conquistou o coração de tantos. Prometemos ficar de olho no rapaz e valeu a pena. Em apenas quatro dias, sua nova música recém-lançada, “Hustler”, conseguiu alcançar a primeira posição do chart de músicas populares no Hype Machine, e vem pra consolidar Josef como uma das promessas deste ano.

Mudando da etnicidade de “This Life” para uma atmosfera mais mística, “Hustler” mostra um outro lado de Josef Salvat, um lado muito mais íntimo e clássico, que vai além das comparações com a Lana. A música cria expectativa com um início cheio de tensão, mas logo dá espaço para uma sonoridade mais leve, sóbria, e próxima a um James Blake. Despindo-se de todas as suas máscaras e chegando a um grau de sinceridade que o faz compartilhar seus maiores segredos, a composição altamente pessoal ganha força com uma produção minimalista que, alguns minutos depois, recupera a imponência do primeiro single. Se “This Life” já foi um sinal, então “Hustler” é a carta livre que Josef Salvat se deu para seguir seu próprio rumo. Um rumo brilhante, por sinal.

Josef Salvat – Hustler

O single será lançado no dia 10 de junho.

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O trio de electropop Little Daylight, de Nova York, começou cativando o mundo dos blogs com seus remixes cheios de personalidade, que abrangem de Passion Pit a Edward Sharpe & The Magnetic Zeroes, de The Temper Trap a Niki and The Dove, e todos com uma autenticidade e ousadia admiráveis. Há dois meses lançaram seu primeiro single, “Overdose”, e provaram que seu talento vai além do mundo dos remixes, fincando a estaca na posição de queridinhos pelos blogs. O sucesso, entretanto, vai além dessa esfera e, nesse mês de maio, o trio entrará em turnê com ninguém menos que a Charli XCX.

“Name In Lights”, o segundo single do trio promissor, corresponde às expectativas bem no jeito do Little Daylight: mudando de estilo em relação ao primeiro single imponente. Esse novo parece ter caído dos céus, num synth-pop tão angelical que está mais para um “synth-heaven”. Com um jogo delicado e muito natural de texturas downtempo que competem na suavidade, o ambiente é refrescante e relaxante, como os harmoniosos do Au Revoir Simone. Entretanto, ainda há espaço para uma percussão e uma linha de baixo bem animadinhas, que quebram um pouco do ar cândido da música e revelam uma maturidade meio escondida, mas, com certeza, presente – como se fosse uma mocinha que mantém a meiguice de sua infância, mas já tem toda a avidez de uma mulher. E essa mesma impressão aparece também na técnica: o ambiente etéreo domina a cena, mas a produção é de uma qualidade impressionável, que merece destaque. O final é outro detalhe que traz magia de seu esconderijo: parece comum, mas termina como deveria, nos tranquilizando depois de ter nos levado a essa viagem celestial. Então feche os olhos e deixe-se levar por ela!

Little Daylight – Name In Lights

O primeiro álbum do Little Daylight já está sendo planejado e incluirá os dois singles, além de vários remixes de “Overdose”, como os de Tippy Toes, Ghost Loft e Twice As Nice.