Arquivos para Experimental

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Quando apresentamos o SOHN aqui, o cantor austríaco chamou atenção com “The Wheel”, que tem um som bem mais experimental do que seus novos trabalhos. Porém, isso não significa que o artista perdeu sua qualidade peculiar. Aproximando-se de um pop que remete a BANKS e James Blake, o novo single do SOHN prova que o debut Tremors, previsto para 7 de abril, ajudará o cantor a conquistar novos admiradores. Depois do acelerado clipe de “Lessons” e do reflexivo “Bloodflowers”, o lançamento mais recente do artista é a música “Artifice”, que tem um vídeo dirigido por Thom Glunt. O destaque do clipe está na forma como a câmera lenta e a iluminação realçam a beleza dos movimentos das pessoas e dos pingos de chuva.

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O Badboxes cativa facilmente graças a um experimentalismo bastante acessível e que gruda na cabeça. Com uma sonoridade que deve agradar aos fãs de Daft Punk, AlunaGeorge e The Postal Service, o trio dos EUA já lançou o EP JSMN, que rendeu o inventivo clipe da delicada “JSMN”. O novo single do grupo é a sensual “The Mystery”, que possui um vídeo que investe em uma atmosfera que remete a filmes noir. O videoclipe dirigido por Thom Glunt mostra uma espécie de andróide marginalizado em uma realidade que mistura elementos retrôs e futuristas, o que combina com o mistério proporcionado pela música, que aposta em um saxofone sedutor para aumentar a sensação de imersão.

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A gente poderia começar esse post como todos os outros aqui do blog, explicando que não sabemos nada sobre o Saol Álainn além do que seu nome significa “bela vida” em gaélico. Mas uma pesquisa mais profunda revela que quem está por trás do projeto – supreendentemente – é o produtor californiano de 25 anos Isom Innis, um dos músicos por trás do Foster The People. Mas não confundam as coisas: há um claro motivo pro rapaz ter mantido sua identidade em sigilo, visto que a sonoridade do seu novo projeto passa longe da acessibilidade da banda californiana.

Apesar do nome experimental e do primeiro single difícil de digerir (apresentado logo abaixo), a mais nova produção de Innis, “Cis.Cism”, é um pop futurístico que encanta sem muito esforço, destacando a mente criativa do rapaz. Contando com versos rápidos que tem Innis cantando sobre um grave borbulhante, a impressão que fica é de se estar ouvindo uma produção do Diplo para uma festa no fundo do mar, sensação logo interrompida, entretanto, com a chega do refrão, onde o produtor derrama versos melancólicos sobre um fundo dream-pop. Difícil ficar melhor do que isso.

Saol Álainn – Cis.Cism

Já a primeira amostra do Saol Álainn chegou ano passado com o single “Nonstroke”. Um pop esquizofrênico de batidas fora de compasso, melodias fora de ritmo e efeitos tortos que parecem sufocantes a princípio, apesar de “Nonstroke” soar um tanto diferente e experimental em relação a “Cis.Cism”, a cada audição ela se revela uma genuína canção pop, ainda que bem diferente da maioria delas. Sob batidas downtempo e pianos ligeiramente etéreos, a produção espacial progride com cuidado, revelando novos elementos aos poucos sob pausas bem pontuadas junto aos vocais delicados de Innis, flertando no caminho com glitches e efeitos pouco usuais, mas que comprova, ao final, que o projeto não poderia ter outro nome.

Saol Álainn – Nostroke

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Quando a Australia se junta com a California, a gente sabe que o resultado vai ser, no mínimo, interessante. A dupla Wunder Wunder é formada por nomes conhecidos, os produtores Aaron Shanahan e Benjamin Plant (do Miami Horror), que saíram de Melbourne para se instalar na ensolarada Los Angeles, dispostos a fazer música pra quem gosta de música. Os sintetizadores do Miami Horror ganharam os ouvidos de muita gente, e o Wunder Wunder (antes conhecido como Honeymoon) agora promete dominar as playlists dos fãs do pop psicodélico dos anos 60 e 70. Para quem não cansa do som do Tame Impala e do Splashh, o primeiro single da dupla, “Sure Stuck”, é uma ótima pedida.

A faixa começa com uma batida fácil de grudar na cabeça, e, graças a sintetizadores epidêmicos, em menos de um minuto já mostra a que veio. Os quase 7 minutos de música te levam numa viagem deliciosa, que tem cara de verão californiano e tardes caleidoscópicas. A vibe retrô do single faz jus à proposta da dupla de homenagear o pop psicodélico de décadas atrás, mas ao mesmo tempo é inegável que os sintetizadores do Wunder Wunder também podem te fazer pensar em como seria um pop psicodélico do futuro.

Wunder Wunder – Sure Stuck

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Enquanto a internet inteira está obcecada com o novo disco da Beyoncé, que surgiu de surpresa nessa última sexta, nós não conseguimos tirar do repeat a segunda faixa do disco, “Haunted”. Apesar de não ter ser produzida pelo Jamie xx (a inspiração é inegável), uma olhada nos créditos mostra um nome pouco conhecido até então: BOOTS. Como sua página do Facebook revela (com menos de 1000 likes até então), o rapaz é responsável por 85% da produção do álbum, escreveu quatro faixas, é recém assinado da Roc Nation e possui uma música até então, “Haunted”, que não, não é a mesma da Beyoncé.

De começo acústico, com vocais dream-pop lotados de reverb e um violão à-la Grizzly Bear, “Haunted” mostra a versatilidade do produtor, que canta e surpreende durante seus poucos mais de 5 minutos (atenção pra virada na casa dos três minutos). Ligeiramente mais experimental que suas produções para Beyoncé, BOOTS soa como uma espécie de Fleex Foxes eletrônico, misturando elementos orgânicos com recortes vocais, batidas esparsas e pianos, que compõem a vibe etérea do número.

BOOTS – Haunted

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Ryan Lott trabalha literalmente entre a música clássica e a eletrônica, e é daí que resulta o som denso e delicado do seu projeto Son Lux. O músico de Nova York já está no quarto álbum, Lanterns, lançado esses dias pela Joyful Noise, cujo primeiro single, “Lost It To Trying”, foi imediatamente considerado uma das melhores faixas do ano pela Pitchfork.

Deslizando entre instrumentos orgânicos e eletrônicos com uma delicadeza que os confunde, saxofones, flautas e pianos se unem a sintetizadores e recortes vocais para formar uma multidão de sons que te faz imergir na psicodelia futurista da produção. Adicionando uma nova surpresa a cada compasso, a faixa progride a um ritmo intenso e dinâmico, compondo flashes que pulam aos ouvidos de forma constante, sem negar a essência da música. Ao invés de soar cansativa, a produção maluca te estimula a ouví-la várias vezes, demonstrando na prática a junção do conhecimento de música clássica e contemporânea de Lott.

Son Lux – Lost It To Trying

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É quase inacreditável o fato de que ainda não fizemos um post do Cashmere Cat por aqui, visto que o norueguês Magnus August Hoiberg, nome por trás do projeto (e de outros como Trippy Turtle, YOLO Bear, etc), teve algumas das músicas mais inovadoras ouvidas por nós em 2013. Entretanto, após o lançamento do EP Mirror Maru, no começo do ano, e de um remix pro Miguel que certamente o catapultou a uma nova gama de ouvintes, nosso novo produtor favorito nos deixou sem desculpas com o lançamento do seu novo single, “With Me”, primeiro do seu novo EP, que sai agora em Janeiro.

Mesclando elementos orgânicos como harpas e pianos à sintetizadores, graves potentes e recortes vocais estranhamente adoráveis, a melhor dica pra ouvir uma música do produtor é simplesmente esquecer de regras ou estruturas, e se deixar levar pela viagem sonora que cada música apresenta. E a gente promete: é uma viagem que você provavelmente irá querer ter várias vezes, ainda que soe (para alguns) um pouco difícil de digerir a princípio. Em “With Me”, elementos etéreos como pianos e xilofones contrastam com sintetizadores industriais e vocais encharcados de autotune, que nos guiam por uma música aparentemente sem rumo, mas que na verdade não dá nenhum passo em falso.

Cashmere Cat – With Me

O single faz parte do EP Wedding Bells, que sai em Janeiro pelo selo Lucky Me.

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