Yeasayer – Henrietta

2009 foi um bom ano. Além dos lançamentos de gente como Grizzly Bear, Dirty Projectors e Animal Collective, lá no finzinho, também tivemos o segundo disco do Yeasayer, Odd Blood, que na verdade bebia diretamente da fonte de Panda Bear e sua trupe. Pouco mais de dois anos depois, para nossa alegria, a mesma turma de 2009 está de volta e o Yeasayer, pra contribuir, acaba de soltar uma prévia do seu próximo trabalho. O novo single, “Henrietta”, está sendo distribuído via correio para os fãs cadastrados em sua mailing list e, apesar de ter vazado na segunda-feira em uma péssima qualidade, apresentamos agora a versão em alta-definição, uma necessidade para quem quiser julgar a música com propriedade.
“Henrietta” é tipicamente Yeasayer, mas totalmente surpreendente. Se você já ouviu, já sabe o segredo, visto que o começo mal te prepara para o que está por vir. Riffs de sintetizadores e uma batida groove permeam os primeiros dois minutos da faixa, que, sem mais nem menos, acaba por aí, se desconstruindo no mais puro silêncio. A partir dos dois minutos, “Henrietta” vira uma besta completamente diferente, ditada por uma produção pop-ambiente e sintetizadores psicodélicos que nos lembram de uma mistura da própria banda com gente como Active Child e Aphex Twin. E eu já disse que o refrão é maravilhoso? O gigantesco outro, que vai dos dois minutos até o último segundo, usa apenas uma linha para nos deixar em transe (“Oh Henrietta/we can lay around forever”), o suficiente, entretanto, para fazer da música não só uma das mais belas da banda, mas como uma das mais belas do ano.
Pra ser sincero nunca esperávamos que o Yeasayer iria voltar desse jeito, mas se “Henrietta” foi só o primeiro pedaço, esperamos que a banda continue nos supreendendo com canções mais maduras e desenvolvidas como esta.
Gabriel Bruce – Sleep Paralysis

Com uma voz atmosférica e original, Gabriel Bruce é o tesouro mais macabro a sair da concentrada cena musical de Londres. O cantor, também vocalista da banda inglesa Loverman, está preparando para 2012 sua estreia solo oficial, cujo primeiro single, “Sleep Paralysis”, traça com confiança o começo do que pode vir a ser um dos debuts mais originais e inesperados de 2012.
Como dito no começo do post, a primeira coisa que você irá perceber são os vocais aterrorizantes do vocalista, que impressionam logo nos primeiros segundos. A canção, “Sleep Paralysis”, fala do fenômeno de mesmo nome em que o cérebro acorda antes mesmo do corpo, enquanto a pessoa ainda está dormindo, e é essa sensação desesperadora que permeia os tensos quatro minutos de duração do single. Com um começo acústico que conta apenas com um órgão fúnebre acompanhados pelos vocais graves de Bruce, a canção pega velocidade na casa dos dois minutos graças a uma percussão industrial crescente, eventualmente mudando o ritmo de novo na casa dos 2:50, quando uma bateria pesada e uma guitarra entram em jogo para deixar as coisas ainda mais catárticas, no melhor estilo TV On The Radio. O vídeo, filmado em preto e branco e surpreendentemente repleto de dança, acentua o tom macabro da música e eleva o cantor como um dos maiores nomes a se ficar de olho em 2012.
Gabriel Bruce – Sleep Paralysis
O single, lançado no começo do ano, ainda chega acompanhado de um livreto de 50 páginas que retrata com fotos e textos as experiências de quem sofre da doença. Sem outras canções originais no momento, aguardamos ansiosamente pelos próximos lançamentos do cara.
Animal Collective – Honeycomb / Gotham

Nunca lance seu novo single num domingo a noite… a não ser, é claro, que você seja o Animal Collective. Depois de um dos melhores discos da década passada (o Merriweather Post Pavillion), um EP brilhante (Fall Be Kind) e de um literalmente estranho projeto de “álbum-visual” (ODDSAC), o experimentais do Animal Collective estão prontos para mostrar ao mundo seu próximo lançamento oficial a sair pela Domino Records, o single-duplo “Honeycomb” e “Gotham”. As canções chegam com uma produção menos eletrônica, mais orgânica e lotadas de percussão, e, assim como no disco anterior, foram produzidas pela banda em parceria com o Ben Allen. As canções dão continuidade à fórmula da banda de intercalar versos experimentais com refrões deliciosamente pop, que simplesmente “clicam” em algum ponto de sua duração.
O lado A, “Honeycomb”, traz a banda no seu lado mais divertido e alto-astral, e já começa cheia de percussão e daquelas deliciosas harmonias vocais que sempre marcam suas composições. Com versos rápidos e uma batida a base de batuques e samples engraçados, a canção é um pop tropical de estrutura experimental que vai construindo sua melodia aos poucos, até formar seu refrão no último minuto e culminar num irresistível coro de “life“, que chega como uma lembrança de que a veia pop do grupo continua pulsando.
O lado B do single, “Gotham”, é uma maravilhosa canção de amor que reduz a velocidade em relação à anterior para chegar como uma grande balada psicodélica de cinco minutos, que mostra o lado mais delicado do grupo. Com vocais mais arrastados e uma batida a base de batuques e percussões tribais, a canção também vai construindo sua melodia aos poucos até explodir com a chegada do belo refrão na casa dos dois minutos, também cantado em coro pela banda.
Uma das maiores (e melhores) surpresas do ano, o single Honeycomb/Gotham chegam sem um anúncio de um álbum, mas deixam a esperança de que teremos notícias em breve. O lançamento do single físico será no dia 25 de Junho pelo selo Domino.
Squarepusher – Dark Steering

Vamos começar o aquecimento para o Sónar? O festival idealizado inicialmente em Barcelona na Espanha começou a migrar para outros continentes, e veio desembarcar aqui mesmo no Brasil. Com a fama e status de festival mais tecnológico e visionário de todos os tempos, o Sónar é o que há de mais avançado no mundo da música e das artes visuais. Com sua primeira edição mês que vem no Brasil, artistas renomados e artistas novatos vão fazer São Paulo reverberar e ecoar para o resto do mundo com música eletrônica moderna.
Squarepusher é uma das principais atrações, ao lado dos ultra-moderninhos Modeselektor, James Blake, Jeff Mills e Justice (falando raso!). O som etéreo e sinestésico dos caras é tão detalhado que até o mais atento dos mortais vai perder vários elementos dessa viagem sonora. São tantas camadas, efeitos, texturas e domínio do equipamento, que ouvir Squarepusher é quase um teste de audição para quem quer aprimorar o tal “ouvido absoluto”. O drum’n'bass e acid, ganham nova roupagem e fazem um passeio leve no IDM, industrial, jazz, e até mesmo no gênero que está em voga, o dubstep. A banda é quase que um filhote do Kraftwerk, e faz jus ao título.
“Dark Steering” ganhou vídeo essa semana, e conta com um espetáculo de luzes que é um caso a parte. A máscara nos remete aos Daft Punk, mas o Squarepusher vai mais longe. Esmiuça cada segundo da música preenchendo cada vazio de silêncio com sua psicodelia meio ambient meio drone. Skrillex é um menininho imaturo perto do Squarepusher, visto que esse utiliza tão bem e tantas ferramentas diferentes, que têm-se a impressão que você foi jogado dentro de uma fábrica de máquinas e robôs e viaja pelo futuro alguns anos luz à frente do que temos hoje na música eletrônica. O clipe é um espetáculo hipnotizante de luzes e efeitos em perfeita sincronia com a melodia progressiva da faixa, com novos efeitos entrando em cena a medida que novos sons vão surgindo. Ao final dos seus seis minutos, a avalanche de sons que terá passado por sua cabeça será tanta que um replay será inevitável.
O single “Dark Steering” foi retirado do disco Ufabulum, que sai no dia 14 de Maio.
Major Lazer – Get Free (Feat. Amber of Dirty Projectors)

O trabalho do bombástico duo Major Lazer, composto pelo Diplo e Switch, é um daqueles que acabou ficando maior do que esperado. Tendo em vista a grande repercussão do primeiro disco dos caras, para gravar o segundo disco, que sai em Julho, eles resolveram cair nos estúdios da Tuff Gong (fundado pelo Bob Marley, na Jamaica), cujos efeitos podem ser vistos no seu primeiro single, liberado ontem pela banda.
Se você sempre associou o trabalho do Major Lazer como uma versão mais elétrica e dançante do Diplo, prepare-se para ter um novo conceito do duo. As batidas pesadas ficam de fora dessa vez, e em seu lugar entra um dub calmo e viajante, quase como um daqueles electro-reggaes da Santigold. Nos vocais, entretanto, está Amber Coffman, do Dirty Projectors, que traz da sua banda suas típicas harmonias vocais e cantos tribais, que se unem a um refrão doce e melódico, onde expressa seus desejos pela liberdade. Se você não acreditar que o Major Lazer fez uma das canções mais bonitas do ano, ouça e comprove por si mesmo logo abaixo.
Major Lazer – Get Free (Ft. Amber of Dirty Projectors)
Major Lazer – Get Free (Ft. Amber of Dirty Projectors) (Bonde Do Rolê Remix)
Dirty Projectors – Gun Has No Trigger

Demorou três anos, mas finalmente podemos ouvir agora o primeiro gostinho do novo disco dos Dirty Projectors, “Gun Has No Trigger”. Donos do segundo melhor disco de 2009 (#TeamAnCo), a banda faz um som experimental mas que certamente não afasta os leitores mais pacientes, muito pelo contrário, pelo menos de acordo com o Bitte Orca, o último disco da banda, suas canções tendem a crescer mais e mais com o tempo.
O novo single segue esse padrão, mas usando uma nova fórmula. Com uma sonoridade mais crua e completamente oposta ao single que encabeçou o Bitte Orca, a paleta de cores vibrante do grupo está um tanto mais pálida aqui, mas não menos interessante. Com incessantes harmonais vocais cantadas por Amber e Angel Deradoorian, as mulheres do grupo, a canção é comandado pelos vocais dramáticos de David Longstreth, que juntos a uma bateria leve e um baixo suave, nos conta uma história sombria e um tanto desesperadora, tal como seu título supõe.
Dirty Projectors – Gun Has No Trigger
Novidades do novo disco do grupo devem sair a qualquer momento, mas sua previsão é para o primeiro semestre de 2012, pelo selo Domino Records.
Hot Chip – Flutes

O Hot Chip está de volta com um novo álbum, In Our Heads, que vai ser lançado oficialmente em junho, mas já conta com seu primeiro vídeo, “Flutes”, disponível para visualização. A faixa serve de abertura para o novo álbum dos já bem sucedidos garotos, e prepare-se, ela é longa, mas apesar dos seus quase 8 minutos ela não deixa a desejar, e prende do início ao fim. “Flutes” chega com fortes influências do típico disco dos anos 80, e é um daqueles eletrônicos deliciosos que nos carregam para um nível sonoro quase transcendental, te fazendo mergulhar de cabeça no universo sombrio e sintético já idealizado pelos garotos. O clipe é uma espécie de compilação de imagens gravadas em estúdio, todas enquanto os britânicos gravavam, masterizavam e produziam os arranjos pra nova bolacha. Os efeitos psicodélicos do vídeo servem para colocar nossa mente em transe, e o faz com facilidade. Os círculos e a câmera girando são coisas tão intensas que te fazem mergulhar profundamente em espiral na música, que apesar de longa, passa tão rápida que você nem percebe.
Gorillaz – DoYaThing (Feat. Andre 3000 & James Murphy)

Quando saiu a notícia de que o Gorillaz estaria participando com o James Murphy e o André 3000 no projeto da Converse “Three Artists. One Song”, só conseguimos esperar um resultado insano vindo da inusitada parceria tripla, que servirá de propaganda para uma nova linha de tênis que a trupe do Damon Albarn estará lançando em parceria com a marca. Ontem foi divulgado uma versão editada da música, de 4 minutos, mas que como ressaltado por Murphy em recente entrevista à Pitchfork, não é a representação ideal do que de fato aconteceu nos três dias em que estiveram juntos, e servia mais como um “aperitivo” para a música real, de nada menos que 12 minutos, a ser lançada no site das bandas em breve. Mas felizmente, a música caiu hoje na rede.
Para quem ouviu a versão editada, o começo aqui é idêntico. Temos primeiro Damon Albarn abrindo a faixa e cantando os minutos iniciais naquele tom tipicamente Gorillaz sobre uma batida funky característica do LCD Soundsystem, mas com direito a um toque cômico, com samples e barulhinhos engraçados, possívelmente culpa de Albarn. No segundo minuto, é a vez de Andre 3000 assumir os microfones e nos fazer lembrar da época de ouro do Outkast, e enquanto a versão da rádio acaba por aí, aqui a coisa fica mais interessante. Na casa do 4:40 minutos, André começa a proclamar “I’m the shit!” enquanto guitarras entram em cena e a batida começa a tomar novas proporções, lembrando um pouco daquele crescimento de ritmo visto em “Yeah”, do LCD. André ainda sai totalmente do script e deixa as coisas espontâneas em um freestyle no final, até que a música acaba do nada na casa dos 9:45. Mas daí, logo em seguida entra uma espécie de “Outro”, onde algumas harmonias vocais fúnebres e batidas bizarras mudam o tom da música completamente, para André ainda mandar um último verso sobre ser o “the shit” enquanto. Coisa de doido.
Gorillaz – DoYaThing (Feat. Andre 3000 & James Murphy) (13 Minute Version)
Gorillaz – DoYaThing (Feat. Andre 3000 & James Murphy) (Radio Edit)
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