Arquivos para Experimental

Joe Goddard, para quem não se lembra, é um dos nomes por trás do Hot Chip, ele, que na banda, é responsável por vozes, percussão e sintetizadores também está no projeto 2 Bears (juntamente com Raf Rundell), não tão conhecido assim. Mas como se não bastasse estar em uma das melhores e mais respeitadas bandas de eletrônica, além de tocar paralelamente com seu amigo, Joe resolveu criar seu próprio projeto e acabou de lançar seu primeiro EP, Gabriel.

A faixa título, que conta com a parceria de Jesse Rose na produção, chega como o primeiro single do trabalho. A base segue com uma percussão forte e marcada pelos vocais, lembrando um pouco algo tribal, mas não chegando a se tornar uma batida totalmente forte e eletrizante. A composição se destaca pela qualidade e pela suave voz de Valentina (também presente nas demais faixas do EP), e foi lançada pelo famoso selo DFA Records. O restante do EP pode ser ouvido na íntegra aqui.

Joe Goddard – Gabriel (Feat. Valentina)

Nicolas Jaar é um artista precoce. Com seus (poucos) 20 anos, ele lança seu primeiro álbum de maneira arrebatadora, que apesar de não ser um lançamento recente não pode passar desapercebido em nossas páginas. Com faixas minuciosamente detalhistas, Nicolas surge de uma geração de jovens talentosos para nos mostrar que para ser um bom músico, não é necessário ter uma bagagem de centenas de álbuns. O minimalismo está gritando para o mundo e clamando por atenção. Num momento de ápice, acaba soando como apelo por um break, por um mundo mais detalhista e menos caótico. A inspiração de Jaar vem do jazz, do deep house, do techno e com uma pitada de dubstep completa toda a beleza da obra.

“Space Is Only Noise If You Can See” é o primeiro extremo do álbum, e foi descrita perfeitamente em um comentário no YouTube como a “canção perfeita para um lapdance”. Uma faixa que reúne sussurros, ruídos, um baixo marcante, e vozes que ecoam em nossas mentes como se estivessem penetrando em nosso âmago, elas se contrapõem também com um ritmo delicado que nos faz balançar a cabeça sincrônicamente. Assim é a dança, não se assuste se você achar que está no futuro.

Nicolas Jaar – Space Is Only Noise If You Can See

“Too Many Kids Finding Rain In The Dust” é o outro extremo, e consegue com maestria fazer um mash up do mais puro jazz com eletrônico. A faixa é coberta de texturas, percussões e ruídos. As guitarras aparecem de maneira tímida, porém marcante, e são absolutamente complementadas por vocais que são produzidos como se fossem instrumentos. A faixa é linda, e mostra a que veio.

Nicolas Jaar – Too Many Kids Finding Rain In The Dust

O álbum, chamado de  Space Is Only Noise If You Can See, é todo assim. Sem soar arrogante, também é um dos que merecem no mínimo ser ouvido com muita atenção, porque está cotado àquelas belas listas de final de ano.

“Do the D.A.N.C.E.”! Não há como falar do Justice sem relembrar da transcendental “D.A.N.C.E.”. Após Cross, lançado em 2007, pouquíssimo sobre os franceses foi divulgado na grande mídia. Agora, depois de muita espera, o duo apresenta o novo álbum. E o que esperar da banda que lançou um dos melhores discos da década passada? É difícil dizer, mas algumas pistas já foram dadas. A primeira música lançada foi “Civilization”, em Março desse ano, que nasceu da mistura de eletrônico com um metal anos 80, porém, nesta semana, eis que o segundo single finalmente atinge nossos ouvidos.

A nova música é “Audio, Video, Disco”, e difere bastante da anterior. É mais leve e dance, mas não é aquele disco house que havíamos nos acostumado: o contrabaixo está mais limpo, as distorções mais comportadas e os vocais mais comuns. Alguns críticos de arte chamam este retrocesso típico de segundo álbum como amadurecimento da banda. Não sei o que é, porém é fato que a sonoridade é outra. “Audio, Video, Disco” não é revolucionária, mas contempla muito bem a espera de anos por novo material do Justice. O tema do single é a própria composição de novas músicas e trabalhos, é o Justice falando de si mesmo. O vídeo para a música é bem produzido, como todos os outros da banda.

Justice – Audio, Disco, Video

O single será lançado dia 19 deste mês e vem com remixes de Para One. O álbum completo de mesmo nome será lançado dia 25 de outubro.

Unicorn Kid é Oli Sabi. Ele tem um fetiche por chapéus de animais e começou sua carreira com apenas 15 anos de idade. Entretanto, ele faz aquele tipo de som que faria qualquer fã de Justin Bieber cortar os pulsos, aquele tipo de música que faria sua mãe te questionar se “aquilo é realmente música”, aquele tipo de som que, pra falar a verdade, ofenderia até mesmo nossos leitores regulares que buscam aquele pop underground ou o indie cheio de guitarras. Agora, com 19 anos de idade e um belo contrato assinado, Unicorn Kid se prepara para o lançamento do seu primeiro EP oficial, onde irá disponibilizar cada uma das suas três faixas por mês, mas não esperem, já conseguimos botar a mão em todas e viemos compartilhar aqui no blog. Se quiser provar e descobrir se “é pra você”, siga para o segundo parágrafo e mantenha os ouvidos abertos.

Definir o seu som é difícil, mas basicamente pense naqueles barulhos de videogame vistos por último no seu GameBoy Advance misturados a batidas techno, electro, dubstep e vocais gritados. É como se o Crystal Castles resolvessem cruzar com o Pac Man e ainda chamassem o Jonathan da Nova Geração (sim!) pra comandar os samples. O melhor exemplo disso é a brilhante “True Love Fantasy”, descrita por Oli como “Beat Of My Drum” (da Nicola Roberts) em ecstasy. Além de ter entrado direto na sonhada “A-List” da BBC, a música ganhou selo de “melhor da semana” na rádio britânica e se me permitem dizer, está coletando mais elogios que a música de Nicola. Os vocais gritados, cortesia do Talk 2 Animals, nos traz uma letra simples mas feita para ser cantada em coro nos clubes por adolescentes que só querem pular mais alto que o Super Mario. A batida, completamente insana, traz um ritmozinho que soa estúpido, ridículo e igualmente horrendo, mas de uma forma bizarra, não conseguiu sair da minha cabeça por uma semana. Só ouvindo pra saber se o efeito também bate em você.

Unicorn Kid – True Love Fantasy

Enquanto o plano era lançar cada faixa de uma vez, as faixas acabaram vazando hoje. “Boys of Paradise” (minha favorita) soa como um passeio ensolarado por uma pista alucinada de Mario Kart, e “Chrome Lion”, a única totalmente instrumental, continua a loucura com seus bleeps e sintetizadores analógicos. As músicas nos levam novamente para o planeta rave-pop criado por Oli, onde videogames convivem com aliens e dançam com enormes sorrisos nos rostos, enquanto o DJ, em cima de uma espaçonave, atira lasers coloridos de Space Invaders em todos os presentes. Atire na gente por favor – nós queremos um poucos disso.

Unicorn Kid – Boys Of Paradise

Unicorn Kid – Chrome Lion

Fiquem ligados pois estaremos postando cada novidade do Unicorn Kid, que lança seu disco no ano que vem.

Conheça mais uma aposta do pop suéco: o Air France. Após uma pequena pesquisa que se emperrou de diversos sites da companhia aérea, descobri que se trata de uma dupla de electro pop experimental formada por Joel Karlsson and Henrik Marksted, que chamam seu som de “pop tropical”. Já lançaram dois EPs (destaque para o No Way Down), mas estão ainda um pouco longe de lançarem seu primeiro LP.

Apesar disso, acabaram de lançar um novo single pela famosa gravadora Sincerely Yours (JJ, Mystery Tapes), e a faixa em questão é “Its Feels Good To Be Around You”, que aliás conta com a produção do excelente Star Slinger. É uma belissima obra que mescla elementos do electro, house e, é claro, do synth-pop, tudo em uma sonoridade mais lo-fi porém completamente radiofônica. Se inicia com uma pequena locução de rádio e vai se levando em meios a reverbs e à mistura de vocais que ajudam a criar a batida, que não demoram muito para infecctar nossos ouvidos em conjunto com o gracioso refrão. A música ganha também um belo clipe, com uma pegada meio verão oitentista.

Air France – It Feels Good To Be Around You

Apesar de todo seu talento, John Maus ainda vem engatinhando sorrateiramente para ganhar alguma notoriedade. Nascido em Austin, Maus estudou música na California Institute Of Arts onde teve contato com a obra de John Cage, o qual despertou seu interesse pela música experimental. Sua obra é extensa, mas pouco reconhecida. John Maus tem um belo currículo, já foi tecladista do Animal Collective, do Panda Bear e já produziu álbuns com Ariel Pink (dos Haunted Graffiti). We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves é seu terceiro trabalho solo, e vem recheado das mais diversas referências.

“Quantum Leap” sintetiza suas principais inspirações numa faixa esplendorosa, e soa como como se o New Order se encontrassem com o Bauhaus e convidassem o Cut Copy pra se divertir num estúdio. Uma mistura linda que vai dos clássicos lo-fi, shoegaze e new wave, só que com uma roupagem moderninha, cheio de bleeps 8 bit e sintetizadores vampirescos que soam como a música mais dançante para a festa de Drácula.

John Maus – Quantum Leap

We Must Become The Pitiless Censors Of Ourselves foi lançado dia 28 de Junho pelo Upset Rhythm.

Uma das primeiras bandas que começei a seguir fielmente desde que começei o blog foi o GOBBLE GOBBLE. Pra quem não conhece, os caras faziam músicas com melodias puxadas pro pop, mas eram tantas as camadas de sintetizadores e sons diferentes, que acabavam caindo no campo do “experimental”. Chegaram a lançar diversos singles, sendo o último deles “Alabaster Bodyworlds”, até que se separaram e formaram inclusive o Purity Ring.

Mas bem assim, de repente, o grupo voltou. Sob o nome de Born Gold, o GOBBLE GOBBLE decidiu dar uma repaginada no seu som e deixar de lado as gravações lo-fi para se jogarem de vez no pop. O single de lançamento continua sendo “Alabaster Bodyworlds”, mas dessa vez com vocais nítidos e uma produção mágica que hora lembra um The Sound of Arrows tropical. Mas não se engane, a essência da banda ainda é evidente, e a mesma excêntricidade caótica ainda pode ser sentida. E o mais importante, é claro, é que a música continua tão viciante como era.

Born Gold – Alabaster Bodyworlds

O single faz parte do disco de estréia do Born Gold, chamado de Bodysongs, que conta com seis velhas conhecidas nossas e quatro inéditas. Mal podemos esperar para ouvirmos as versões.

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