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E o Justice finalmente está de volta – mas como os primeiros singles “Civilization” e principalmente a faixa-título “Audio, Video, Disco” supunham, o novo disco não é um mero remake do primeiro, mas sim uma obra completamente diferente. Ao ouvir o álbum por completo, é fácil perceber que o duo está buscando mais do nunca um aspecto de banda, misturando batidas e sintetizadores com riffs de guitarra e vocais antêmicos – que ao invés de atingir as pistas estão de olho nos grandes estádios. Fora os dois primeiros singles, segue abaixo os três maiores destaques do disco que exemplificam bem o que quero dizer.

A minha favorita, “On’n’On”, com os vocais de Morgan Phalen do Diamond Nights, traz aquele clássico french house com um twist característico desse segundo disco, como se fosse um Daft Punk fazendo cover do Led Zepellin. A música traz sintetizadores leves que aumentam de tom com os gritos de Morgan no refrão, que traz traços de Peter Gabriel em seus momentos mais pop. A música é bem encaminhada até seu break, com – pasmem – um solo de flauta, que culmina em um final ainda mais explosivo com grandes guitarras. Certamente não é uma faixa que grita Justice, mas sua produção diversificada e versos grudentos certamente fazem dela um dos maiores destaques do disco.

Justice – On’n’On

Outra faixa de destaque é “Ohio”, provavelmente a responsável pela comparação ao Air. A faixa começa com os vocais sussurrados do Vincent Vendetta, do Midnight Juggernauts, mas logo são adicionados sintetizadores leves, uma linha de baixo característica e guitarras que remetem à uma canção perdida dos Eagles – mas que no conjunto parecem mais uma homenagem ao pop psicodélico e praiano dos Beach Boys. E quando você acha que ela está repetitiva, sintetizadores possantes chegam na casa dos 2:36 que nos garantam um final inesperado que mais uma vez coloca tudo em seu devido lugar.

Justice – Ohio

Por último, a faixa que vai ser favorita de muita gente, “Newlands”. Trafegando no espaço do glam-rock dos anos 80, a música também traz vocais masculinos no que é provavelmente a canção mais grudenta do disco, tal como “Civilization”. Solos de guitarra, sintetizadores vintages e um refrão impagável fazem da canção o filho bastardo do Justice com atos de rock como Guns N’ Roses e AC/DC, mas a produção brilhante do duo garante o aspecto moderno que tanto esperávamos de um segundo disco deles.

Justice – Newlands

O álbum Audio Video Disco sai no dia 24 de Outubro.

Apesar dos burburinhos e da aura que paira sobre o Skrillex, ele não está fazendo nada de novo. Com uma espécie de eletrônico sujo somado ao dubstep, Sonny Moore conseguiu a atenção da mídia devido à sua reformulação musical. A Spin declarou que o Skrillex é  o “príncipe do dubstep”, o que particularmente me deixou confuso, já que de dubstep sua música tem muito pouco. Seu eletrônico é pesado, e contém uma infinidade de camadas e efeitos sonoros, que vão desde o chiptune (8-bit) à mais pura música eletrônica. Se formos dar nome aos bois, os rótulos para o que este artista faz são infinitos, breakcore, drumstep, industrial e etc. O que importa é que ele sabe muito bem como atiçar um caos mental, e com toda a sua produção e ruído sonoro, Skrillex já conseguiu irônicamente ser chamado de #1 DJ in the World.

“Scary Monsters & Nice Sprites” é sua marca registrada – a faixa que mais parece um computador gritante sendo massacrado pelas mãos insanas de Sonny, com vocais recortados como se estivessem implorando para serem ouvidos. Utilizando de todas as técnicas e ferramentas que possui, ele adiciona a cada momento novas sonoridades e ruma à um território distante, cheio de batidas insanas que chacoalham o tímpano até mesmo de um surdo. “Died This Way”, seu remix para “Born This Way”, da Lady Gaga, também segue seu estilo de produção agressiva, quase como um heavy metal composto apenas de batidas eletrônicas.

Skrillex – Scary Monsters & Nice Sprites

Skrillex & Lady Gaga – Died This Way

Não se assuste se à primeira audição você tiver lapsos de lembrança e não conseguir se lembrar com o que o CANT parece. Trata-se do projeto paralelo de Chris Taylor, que é baixista e produtor do Grizzly Bear (aquela banda que teve um dos melhores álbuns de 2009, o Veckatimest). Taylor é um gênio sem precedentes, considerado entre um dos melhores produtores contemporâneos. Além do Grizzly Bear, já trabalhou com o Dirty Projectors, The Morning Benders, TV On The Radio e com o Twin Shadow. Vê-se a responsabilidade e notoriedade do rapaz. Aqui, entretanto, ele vai bem além de sua banda original e experimenta de várias fontes, como alguns elementos indígenas, umas pitadas de sintetizadores dubstep, uma voz abafada estilo shoegaze e uma lista interminável de ótimas referências. De sonoridade complexa, Taylor se distancia de seus projetos e participações anteriores para lançar seu primeiro álbum solo. Sem soar datado, ele consegue inovar sozinho, mesmo estando inserido no cenário  copy and paste em que vivemos.

“Too Late Too Far” abre o álbum com uma batida seca e sincronizada acompanhada de elementos que em um primeiro momento nos fazem lembrar de Fever Ray ou The Knife. A semelhança é distante, mas o clima meio apoteótico e o vocal gutural têm similaridades, mesmo que seja bem lá no fundinho. Não se deixe vencer pela complexidade da primeira audição, porque depois que a armadura é perfurada, a beleza aparece e te coloca em estado de transe.

CANT – Too Late Too Far

O disco, Dreams Come True, já foi lançado mês passado.

É claro que você conhece o Karlsson & Winnberg. Além de estarem a frente do Miike Snow, como se não fosse o bastante, o duo também é responsável pelas melhores faixas da Britney, sob o codinome de Bloodshy & Avant (ouça “How I Roll” e comprove a genialidade). Enquanto o banda deles não volta e a Britney está em turnê, os suiços tomaram um tempo para compor uma nova música e idealizar mais um projeto em sua carreira, só que dessa vez sobre o próprio nome.

É apertar o play em “The Dance” para os sintetizadores típicos que já conhecemos aparecerem, e o que se segue é uma composição elétrica lotada de bleeps que beiram o electro-punk, com efeitos meticulosamente programados para te fazar exatamente o que seu título sugere. Para apimentar ainda mais as coisas, o convidado da vez é o Spank Rock, que com rimas rápidas e um vocal agressivo combina perfeitamente com a velocidade da música. Por ser mais agitada que as composições do Miike Snow e experimental demais para ser dada à Britney, nada mais lógico, portanto, do que formar esse novo projeto. Não ouça se estiver em espaço público.

Karlsson & Winnberg – The Dance (Feat. Spank Rock)

É incrível as possibilidades que temos em mãos e tão pouco sabemos. Foi pensando nisso que o universitário de 22 anos Trevor Powers começou seu projeto Youth Lagoon. Trevor vem causando furor na internet desde que foi assinado pela Fat Possum Records (Yuck, Neon Indian, Smith Westerns), e com uma mistura da produção caseira com os muitos instrumentos que sabe tocar, está encantando cada vez mais fiéis com suas melodias e letras nostálgicas, que invocam o ouvinte para seu próprio planeta ao falar basicamente de memórias sobre juventude, bem propício quando o nome do seu projeto é Youth Lagoon.

A primeira música que você deve ouvir (e responsável por todo o buzz) é “Montana”. Com vocais lo-fi processados e distorcidos, a música tem um começo íntimo a base de pianos e sons de água pingando, com Powers cantando como se estivesse contando um segredo do outro lado de um túnel. Porém, basta alguns minutos que a honesta confissão vire um rugido de grandes proporções. O uso amplificado de reverbs com a melodia lenta evoca ares nostálgicos, e o refrão, que começa como apenas uma melodia assoviável, cresce de forma alucinatória com uma gama de instrumentos ao seu apoio, beirando quase o catártico ao seu final, elevando-se de íntimo à espaçoso, quase como se o Arcade Fire resolvesse virar lo-fi. Intrumentos como xilofones e pianos dóceis garantem um quê infantil à faixa, e nos fazem imaginar que se a música fizesse parte de “Onde Vivem os Monstros” ela faria muita gente ir às lágrimas, principalmente ao final, onde é difícil conter os arrepios. E pensar que uma das melhores músicas do ano foi feita no mesmo lugar que você está agora: dentro do seu próprio quarto. Assista ao vídeo e saia no mínimo perplexo.

Youth Lagoon – Montana

Como a música anterior,  “17” começa de forma calma, mas ao invés de falar sobre juventude sob os olhos de um jovem, fala sob os olhos de alguém que já viveu a melhor época de sua vida, e relembra quando tinha 17 anos (“quando eu tinha 17, minha mãe me disse, “não pare de imaginar, o dia que você parar é o dia que estará morto”). Como a maioria das canções da banda, a música também começa de forma calma, e apesar da atmosfera melancólica, evolui em seu minuto final a base de batidas sintéticas e palminhas para um grito de alegria – ou de alívio. É a típica canção que te comove, que te faz pensar sobre a vida e demonstra um nível de maturidade pouco visto na cultura jovem de hoje.

Youth Lagoon – 17

O Youth Lagoon não é uma aposta, já é um dos melhores lançamentos do ano. Estamos avisando de última hora, mas corra pra ouvir seu brilhante debut, o The Year of Hibernation, que sai agora dia 27 de Setembro. Espere muitos elogios para esse aqui.

Teeth – Flowers

Felipe —  16/09/2011 — Leave a comment

Vindos do borbulhante bairro de Dalston em Londres, os Teeth ainda são uma incógnita. Dalston é conhecido como reduto hipster e criador de tendências, então estejamos atentos ao que os Teeth têm para nos oferecer. As vezes nos lembra um eletrônico cru e seco, as vezes um punk sujo. O que importa é que a música é fresca e dançante. A banda conta apenas com um laptop, bateria, teclados/sintetizadores e vocal, e assim produzem tanta energia que parecem que vão explodir a qualquer momento. Comparados muitas vezes ao Crystal Castles, eles conseguem harmonizar essa loucura pesada à uns tambores à lá Friendly Fires, mas também já os vi sendo definidos como “o encontro entre o Girls Aloud e o New Young Pony Club“. A banda é tão plural, na verdade, que até para escrever seu nome temos um pouco de dúvida, se é TEETH!!!, T3ETH, T∑∑TH ou simplesmente Teeth. Mas assim são estes dentes cerrados, que parecem que vão ruir se o mundo não olhar para eles.

“Flowers” é a faixa destaque. Apesar da banda ser de 2008, agora é que ganhou os holofotes com o lançamento de seu debut Whatever, a ser lançado no dia 20 de setembro. O experimentalismo chega a base de sintetizadores dançantes e agitados que brotam a cada canto em forma de batidas secas e transformam a música em um pop diferente e furioso. A canção é dançante do começo ao fim, mas se ainda assim não ganhar as pistas, seu EP recheado de remixes deve realizar o fardo com facilidade. O melhor deles, o do CSS, deixa a música um pouco mais pop ao clarear os vocais e adicionar uma camada electro pulsante sobre sua base.

Teeth – Flowers

Teeth – Flowers (CSS Remix)

A música é um aperitivo que serve muito bem de síntese do álbum, que pode ser ouvido na íntegra aqui.

Joe Goddard, para quem não se lembra, é um dos nomes por trás do Hot Chip, ele, que na banda, é responsável por vozes, percussão e sintetizadores também está no projeto 2 Bears (juntamente com Raf Rundell), não tão conhecido assim. Mas como se não bastasse estar em uma das melhores e mais respeitadas bandas de eletrônica, além de tocar paralelamente com seu amigo, Joe resolveu criar seu próprio projeto e acabou de lançar seu primeiro EP, Gabriel.

A faixa título, que conta com a parceria de Jesse Rose na produção, chega como o primeiro single do trabalho. A base segue com uma percussão forte e marcada pelos vocais, lembrando um pouco algo tribal, mas não chegando a se tornar uma batida totalmente forte e eletrizante. A composição se destaca pela qualidade e pela suave voz de Valentina (também presente nas demais faixas do EP), e foi lançada pelo famoso selo DFA Records. O restante do EP pode ser ouvido na íntegra aqui.

Joe Goddard – Gabriel (Feat. Valentina)