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Finalmente, depois de muitos fakes vazados e um lançamento bem próximo, podemos sentir o primeiro gostinho do projeto solo do Avey Tare, uma daz vozes do Animal Collective. Ao contrário do Panda Bear, que nos trouxe melodias e sons mais rústicos, Avey Tare traz uma música mais jogada pro eletrônico, mas com os famosos cânticos do grupo, numa canção de 3:23 minutos que soa curta pra sua proposta. Com sintetizadores e um vocal hipnotizante, a música é bem melódica mas longe de ser acessível como o último trabalho da banda, e como de costume, pode soar estranha de começo. Não me surpreenderia se a faixa fizesse mais sentido no contexto do álbum, mas pelo menos não vamos demorar muito pra descobrir isso, visto que o Down There sai agora, dia 26 de Outubro. Ouçam e julguem a faixa abaixo.

♫ Avey Tare – Lucky 1

O Sufjan Stevens surpreendeu definitivamente o mundo com o seu The Age of Adz. Tivemos uma primeira amostra do que seria seu trabalho novo com “I Walked” e “Too Much”, mas ao ouvir o disco por completo tive a sensação de que estava ouvindo um encontro entre o Radiohead e o Animal Collective, acrescentando um Sufjan completamente pirado e 30 pessoas cantando em coro. Prova disso é uma das melhores faixas do Adz, “I Want To Be Well”, além de gigante epopéia “Impossible Soul”, com seus vinte e cinco minutos de duração. Ela por si só merece um post a parte.

Em “I Want To Be Well”, Sufjan nos leva a uma viagem muito próxima ao que o Radiohead fez na clássica “2+2 = 5. A faixa tem uma energia incrível e vai crescendo assustadoramente até repetir “Well I Want to Be” por mais de 3 minutos em coro, como se Stevens cantasse quase que em transe. Já em “Futile Devices” temos um pequeno resgate daquilo que ele era, singelo e doce, numa de suas mais bonitas composições. A faixa que abre o álbum certamente destoa de todo o resto do disco, que é  mais barulhento e eletrônico, mas sem discrepância ou gratuidade. É como se ela nos preparasse pro que havia de vir.  Certamente, Sufjan fez um dos discos do ano, mas acima de tudo um divisor em sua carreira, e será lembrado por isso por um bom tempo.

Sufjan Stevens – I Want To Be Well

Sufjan Stevens – Futile Devices

Uma das novas apostas do cenário musical independente acaba de lançar seu primeiro trabalho. Falo da Glasser, com seu Ring. Há alguns posts atrás falamos da viciante “Home”, com seus barulhos e até um próprio instrumento criado pela moça, provando sua capacidade inventiva na criação de suas canções. Agora chegou a hora de conhecer todo o seu trabalho. Não me decepcionei. O disco traz uma força estranha e uma sonoridade meio peculiar. O tom grave da voz da Glasser pode trazer comparações a cantoras como Cat Power, Bat for Lashes e até mesmo a Florence & the Machine. Um ar místico e espiritual circunda o trabalho da Cameron Mesirow e isso a gente pode comprovar claramente na bela “Plane Temp”, onde um trecho da letra é repetido a exaustão e gruda assustadoramente na cabeça por um bom tempo, tal como “Home”. De forma melódica, seus instrumentos nos levam a sons quase que indígenas, de uma forma sombria e melodiosa, quase que uma experiência espiritual.

♫ Glasser – Plane Temp

Você provavelmente já ouviu falar da Kimbra. Quer lembrar de onde? Miami Horror, “I Look To You”. Pois bem, agora que você já deve estar mais a vontade com a cantora, vamos aos fatos que você provavelmente ainda não sabe. Kimbra é bizarra. Em seu vídeo para o primeiro single “Settle Down”, a cantora ainda prova que não é daquelas que consegue ficar quieta. Reclamando da banalidade da vida de casada (ok, a garota tem 20 anos apenas), ela bota fogo em bonecas e chama até umas meninas bizarras pra dançar, numa música tão estranha à primeira vista quanto seu vídeo. O ritmo aqui passa longe do visto em “I Look To You”, sem eletrônicos e com mais sons orgânicos, créditos dos produtores Francois Tetaz (Architecture in Helsinki, Gotye) e o autraliano expert em urban M-Phazes (Amerie), que entregam uma música que começa com palminhas mas vai ganhando instrumentos com o tempo, lembrando no final um pouco do som  jazz da Regina Spektor e da Nina Simone, só que com um toque de modernidade. Escuta aí e espere pelo álbum Vows, que sai esse ano ainda.

♫ Kimbra – Settle Down

http://www.youtube.com/watch?v=yHV04eSGzAA&feature=player_embedded

Uma das bandas suécas mais queridas dos últimos tempos, depois de um leve tempo sem lançar nada, nos traz o Clinging to a Scheme, em Maio deste ano, terceiro disco, mostrando todo o noisy/lo-fi-pop do grupo. Dia 14 eles disponibilizaram para download gratuito em sua página oficial o single The New Improved Hypocrisy, deixando os fãs ainda mais felizes. Não bastando isso, hoje, eles jogaram um das músicas de um EP a ser lançado no dia 10 de Novembro, o Never Follow Suit (faixa do cd Clinging to a Scheme). Este EP contém 4 faixas e terá apenas 1000 cópias em vinil. São dois estilos distintos do Radio nessas faixas. Mas esse ar de som caseiro, gravado na cozinha de casa em momentos livres, deixa o trabalho do grupo cada vez mais inspirador. Que o diga Sofia Coppola, que em seu penúltimo filme, Maria Antonieta, colocou TRÊS músicas na trilha sonora. É definitivamente, uma das minhas Top 10 bands of all the time. Você pode ouvir as duas na íntegra logo abaixo.
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Foi de um jeito estranho que eu conheci o Crystal Antlers. Eles apareceram no meu iPod (isso mesmo!!). Provavelmente alguma força oculta os levou até lá, mas o certo é que apenas uma música foi preciso para que eu viciasse neles. Seguindo as origens dela descobri o Crystal Antlers, uma banda de Long Beach, California.

Suas guitarras nervosas e seu vocal meio rouco, fazem dessa banda uma das minhas favoritas. Ao mesmo tempo que você se sente confuso pelo tanto de informação presente na música (algo que eles não tem medo de admitir), você se sente intrigado. Depois de escutar mais algumas vezes você entende o porquê de tanta coisa misturada. O resultado são músicas extremamente bem feitas, e mesmo com excesso cumpre seu papel de rock-punk-garage-trip.

Depois de lançarem um EP auto-intitulado, lançados por eles próprios e produzido por Isaiah Owens (que já produziu vários trabalhos do The Mars Volta) eles estrearam com um debut digno, o Tentacles. Andrew faz parte desse albúm que para mim ficou entre os melhores de 2009. Essa faixa representa o lado californiano da banda, mas sem deixar de ser alta, bruta e extremamente interessante. Agora aproveita se você conhece ou acabou de conhecer os caras e curtiu, para ver o clipe de Andrew e deixar uma pergunta para eles nos comentários desse post. O Oh My Rock vai entrevistar a banda e quer que você participe. Não se esqueça de deixar seu nome e e-mail.

♫ Crystal Antlers – Andrew

Você deve tá se perguntando: quem raios é Soft Powers que eu nunca ouvi falar? Então, assim como o Deerhunter, o duo norte-americano é de Atlanta, Georgia - e tem um disco e dois EPs recém lançados. Recém lançados de verdade, pois os caras sempre disponibilizam algo pra quem curte o som deles, pra vocês terem ideia, esse material todo foi lançado entre Agosto e Setembro.  A produção é bem lo-fi e com uma sonoridade calcada no dreampop/dreamwave, meio noisy, que remete logo de cara ao trabalho do Ariel Pink’s Haunted Graffiti. A impressão que temos é de um trabalho bruto, que falta alguma coisa. Algumas faixas são cortadas, incompletas mesmo. Parece que estamos ouvindo uma fita cassete bem antiga.O Soft Powers disponibilizou em sua página o download pra todos os seus trabalhos. Mas se você ficou com uma ponta de curiosidade e quer ouvir algo antes, recomendo a Strawberry Soup. Faixa do disco Bad Pop, é como se a 1901 do Phoenix fosse feita em 1982.

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