Arquivos para Hip Hop

Tá demorando, mas a cada dia que passa estamos mais próximos dos novos lançamentos da Azealia Banks, a rapper super-estrela instantânea que, estranhamente, ainda não teve nenhum lançamento oficial. Seu sempre adiado EP 1991 é esperado para ainda esse mês, enquanto uma mixtape, Fantastic, está programada para algum dia do verão. Dessa última, portanto, é que foi extraído a nova música que a rapper está divulgando na internet, a fantástica “Jumanji”.

Produzida pelos beatmakers Hudson Mohawke e Nick Hook, a canção é uma das mais divertidas de Azealia que pudemos ouvir até agora, e deixa de lado a produção eletrônica vista em “212″ e em “Bambi” a favor de uma selva de sons que parece misturar samples de “Cameras”, do Matt & Kim, com algumas daquelas produções maníacas do Sleigh Bells cheias de batidas fortes e guitarras estridentes. O uso de xilofones e steel drums só dá um toque ligeiramente tropical à canção que, mais uma vez, nos traz uma Azealia que sabe muito bem intercalar suas rimas malandras com algumas partes cantadas, mas sempre com aquela ironia pervertida que já é marca da rapper.

Azealia Banks – Jumanji

Fora o seu EP 1991 e sua mixtape Fantastic, Azealia está preparando um video para “Liquorice” para promover seu primeiro álbum, Broke With Expensive Taste, que deve sair mais pro final do ano.

Finalmente. Depois de duas mixtapes, um recorde quebrado em plena MTV e diversos samples usados, o duo Chiddy Bang, formado por Chiddy e um dos produtores emergentes mais criativos, Xaphoon Jones, acaba de lançar seu primeiro disco, liberado previamente para quem tivesse feito sua pré-compra via iTunes. Quem conhece ou gosta da fórmula de Chiddy melhor se praparar para o café da manhã: aqui estão as melhores músicas que Chiddy já fez, e sobre a produção, nem preciso comentar – está nas alturas.

Se não conhece Chiddy, não vá esperando aquela coisa experimental do Odd Future ou do A$AP Rocky. Aqui a coisa é decididamente pop, com a diversão sem compromisso em primeiro plano e com geralmente os versos de Chiddy dando espaço para grandes refrões que grudam instantamente, tudo isso sobre batidas electro-pop e a produção criativa e mirabolante de Xaphoon. Em “Out 2 Space” (a favorita da banda – e nossa), o refrão (que não é sampleado de nenhum lugar rs) fica por conta de Gordon Voidwell, que mais parece uma versão pop do Passion Pit e não soa nada menos que gigante na faixa, com uma produção espaçosa e futurística, cheia de percussão, batidas electro-R&B, beeps intra-estrelares e um backing vocal feminino cantando de fundo. Se você não gosta de hip-hop e quer experimentar o hip-pop de Chiddy, conheça-o em sua melhor forma logo aqui em baixo.

Chiddy Bang – Out 2 Space (Feat. Gordon Voidwell)

Outra que quase tomou o espaço de “Out 2 Space” de nossa canção favorita foi “Handclaps & Guitars”. Seu título já deduz que ela não é uma pra ficar parado, mas é em seu refrão, que não vai sair da sua cabeça tão cedo, onde se define melhor do que qualquer resenha (“oh oh oh oh, I just came to party!”). Essa aqui nos traz Chiddy em alguns de seus versos mais afiados e Xaphoon em sua forma mais agitada e festeira, com batidas que parecem ter saído de um vídeo-game perdido da década de 80 mas reformuladas pelo produtor pra 2020, culminando em uma das composições mais alegres e alto-astral do disco.

Chiddy Bang – Handclaps & Guitars

Nós simplesmente amamos o Breakfast e apesar de não gostarmos muito de hip-hop, junto com Kanye West e algumas canções do A$AP, Chiddy Bang nos trouxe um trabalho impecável que junta tudo o que mais gostamos no gênero – e misturados a uma produção mais moderna que a maioria dos discos pop de hoje e refrões que parecem prontos pra explodir, nunca estivemos tão satisfeitos com um café da manhã. Compre o Breakfast aqui, e se quiser, também postamos o primeiro single com a Icona Pop ano passado aqui.

E a velha história do hype continua. Quando postamos sobre a Azealia Banks pela primeira vez e sua incrível (e talvez maior party-starter do ano) “212″, mais da metade dos sites especializados se mantiveram calados sobre o que viria a ser não muito tempo depois o maior novo-fenômeno musical do ano depois da graciosa Lana Del Rey. Com rimas sujas, um batidão que mistura moombathon com techno e uma personalidade única, Azealia entretanto logo caiu nas graças do “povo” ao anunciar que estava trabalhando com nomes como Diplo e Paul Epworth, ao ser eleita pela NME como a pessoa “mais legal de 2011″, e é claro, ao receber uma indicação ao prêmio da BBC que prestigia os novos talentos da música.

Esse final de semana, entratanto, Azealia liberou mais uma prévia do que anda fazendo nos estúdios sob o nome de “Liquorice”, que apesar de não bater a indestrutível “212″, se revela mais uma agitada produção com a maioria dos ingredientes da canção anterior. Batidas leves com raps furiosos dão início à música, que logo chega em seu refrão com uma batida house crescente e tem Azealia deixando as rimas de lado a favor de um vocal R&B no melhor estilo Mariah Carey. Basicamente, se tem alguém que consegue mudar os vocais do demoníaco para o angelical – tirando a Nicki Minaj – essa pessoa é Azealia Banks, e se você ainda não conhece suas produções malucas e (principalmente) sua boca suja, melhor não perder mais tempo.

Azealia Banks – Liquorice

Azealia Banks tem 20 anos e já é um sucesso. Já apareceu na NME, na Spin, na Rolling Stone e eu me pergunto porque ainda não apareceu em nenhum site brasileiro ainda. Ainda. A rapper de 20 anos, de Nova Iorque, é uma musicista profissional e chegou a inclusive estudar em uma escola pública voltada para a música no Harlem, e veio fazendo sucesso graças aos vários covers e vídeos postados no YouTube, onde fazia rimas sobre batidas da Ladytron e do Peter, Bjorn & John, além de demonstrar suas habilidades como cantora num belíssimo cover do Interpol, tamanha sua ecleticidade. Sua rimas, entretanto, estão mais para uma mistura da M.I.A. com um Major Lazer, só que ainda mais maníaco, e é exatamente assim que soa seu atual single, “212″.

Batizada graças ao código de telefone da onde mora, “212″ é uma explosiva canção que me trouxe os mesmos arrepios que não sentia desde “Bucky Done Gun” da M.I.A. – basicamente, é aquela música inesperada, com tanta direção quanto um trem desgovernado, soando como três músicas distintas condensadas em três minutos e meio de puro apocalipse dançante. E não deixe os casacos de Mickey te enganarem – essa aqui é a menina de 20 anos mais desbocada que já vi. A primeira parte, com uma batida electro, traz Azealia rimando tão rápido como se fosse engolir a própria lingua, até mudar completamente as batidas aos :46 segundos, onde buzinas e um ritmo à-la moombahton tomam conta no seu momento mais Missy Elliot, dando face ao primeiro dos dois refrões da música. O BPM continua nas alturas até cair num drop tipicamente eletrônico na casa dos 1:48, onde a cantora demonstra suas habilidades vocais num tom soul mais devagar, que cria expectativa pro drop final onde o refrão é finalmente revelado, com sirenes e sintetizadores elétricos e alterados fazendo o fundo para Azaelia dilacerar qualquer pista de dança como se fosse um tornado personificado. A canção não é nada menos que massiva, e mesmo que esteja cansado desse misto de rap e música eletrônica que estão fazendo, pelo menos em seu gênero, Azaelia nos traz uma das músicas mais criativas – e divertidas – do ano.

Azealia Banks – 212

Azaelia está em processo de gravação do seu primeiro disco, previsto para 2012, e mal podemos esperar pelo seu próximo passo.

Spank Rock é um daqueles nomes fáceis de ser ver em discos de “featuring”. Lá estava ele no disco do N.A.S.A, do Major Lazer, do Mark Ronson e até mandando um rap em “Shove It”, da Santigold, que aliás também não passa muito longe do rapper em números de colaborações. Nada mais justo, portanto, do que uma nova colaboração dos dois intrusos mais queridos no segundo álbum do cara, intitulado humildemente de Everything Is Boring and Everyone Is a Fucking Liar.

E realmente, dizer que a música é chata seria uma grande mentira. Com produção do duo alemão de eletrônico Boys Noize, o primeiro single do trabalho é a divertida “Car Song”, que coincidentemente (ou não) soa bem parecida com uma outra colaboração do duo, “Gifted”, do N.A.S.A. Combinando as rimas rápidas de Spank, o refrão adorável-como-sempre de Santigold e até um “quê” do indie-trônico do Boys Noize, a música certamente não vai mudar sua vida, mas durante seus quatro minutos, a última coisa que irá pensar é em mudá-la.

Spank Rock – Car Song (Feat. Santigold)

Everything Is Boring and Everyone Is a Fucking Liar será lançado no dia 27 de Setembro de forma independente.

Conheça Nikkiya, uma futura popstar vindo de Atlanta, que estava no burburinho até pouco tempo atrás, mas graças ao lançamento de sua primeira mixtape, SpeakHer, ela está ganhando devida atenção nos blogs afora. Depois de passar sete meses no estúdio com o Yelawolf (protegé do Eminem), a coletânea no traz produções detalhadas e extremamente bem-feitas, misturadas com um pouco de R&B e rap. As comparações com o furacão Nicki Minaj entretanto, serão inevitáveis. Do estilo extravagante às letras femininstas, Nikkiaya, por outro lado, nos traz composições mais poéticas, e arrisco dizer, até mesmo mais acessíveis e voltadas para o pop que a conterrânea.

E é na minha favorita, “Titanic”, a faixa que abre a mixtape, que Nikkiya prova que não é mais uma. Com batidas dubstep açucaradas, uma linha electro pulsante e sintetizadores entorpecentes, como a própria cantora diz, a faixa nos traz uma produção “tão gigante quanto o navio que dá seu título”, alternando na velocidade da luz entre vocais rap e R&B. O resultado, embora não pareça pela descrição, é uma canção relaxada e tranquila até certo ponto, característica que contrasta com a maioria das outras da mixtape.

Nikkiya – Titanic

Agora “Cheater”, o primeiro single, sem dúvidas foi a melhor escolha. Em sua forma mais feminista, a música representa a liberação de toda a raiva da protagonista ao sujeito de sua aflição, e apesar da produção de natureza mais crua, conta com baterias militares, trompetes e Nikkiya aos gritos no refrão, ordenando para que coloquem “o mentiroso no lixo”. Lembra o outro hino feminista “Hollaback Girl”, da Gwen Stefani, como se ela fosse lançada em 2011 e tivesse um pé a mais no hip hop.

Nikkiya – Cheater

Se gostou do que ouviu, a mixtape SpeakHer, com onze faixas, pode ser baixada gratuitamente por aqui.

Missy Elliott pode até estar sumida até o lançamento do seu próximo álbum, Block Party, mas parece que resolveu ceder um pouquinho do seu tempo para participar do single da novata Spice. Jamaicana, a rapper se prepara para o lançamento do seu primeiro disco, e a música que vai carregar o hype até lá é “Fun”, um hip hop que já se entrega pelo título. A loucura da faixa é mostrada no primeiro segundo, com samples de cavalos, que rapidamente nos levam para um refrão rápido e descompromissado cantado na voz de Missy Elliot. Sua vida não será mudada depois disso, mas quem resiste a uma divertida (e descerebrada) canção de verão?

Spice & Missy Elliott – Fun (D/L: Botão direito, Salvar como…)

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