Arquivos para Pop

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O duo americano Javelin, formado pelos primos Tom Van Buskirk e George Langford, estreou em 2010 com seu primeiro álbum, No Más. Na época, eles preferiram gravar suas músicas de forma caseira, onde samples e loops eram produzidos de uma maneira bem “faça-você-mesmo”, favorecendo o experimentalismo idealizado pelos dois. No último dia 5 de março, entretanto, a dupla nos presenteou com seu segundo álbum, Hi Beams, o primeiro gravado em um estúdio profissional. Com uma sonoridade que pode ser descrita como um electro-pop experimental, nota-se que algumas características de três anos atrás foram naturalmente modificadas, mas isso não chega a ser necessariamente ruim, como podemos notar no primeiro single do álbum, a incrível “Light Out”.

Dotada de uma batida militar e guiada por um delicioso vocal em falsete à la Passion Pit, fica difícil não lembrar logo de cara de “The Wave”, do Miike Snow, só que com a adição de um ingrediente extra: o violino. Como se não fosse o bastante, sintetizadores e samples dão um charme especial à música, que soa mais sóbria e limpa do que os outros trabalhos da banda, culminando em um dos seus singles mais acessíveis até então. Fica claro através da música que muito do experimentalismo apresentado pelo duo deu lugar a uma formatação mais estrutural e pop, no entanto, somos conduzidos a uma sonoridade impossível de se resistir, que ousa de forma surpreendente e consegue agradar pela mistura inusitada dos diversos elementos que compõem a produção.

Javelin – Light Out

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Já não é mais novidade para ninguém que a Inglaterra e sua nova cena eletrônica estão servindo como um sopro de ar fresco ao gênero junto aos seus inúmeros produtores musicais de qualidade, e o duo Snakehips chega com seu single de estreia para provar mais uma vez tal afirmativa. Depois de gerar certo buzz com alguns remixes produzidos, os dois londrinos do Snakehips finalmente resolveram disponibilizar um material de própria autoria, que chega sob a forma da sedutora “On & On”, que conta com os vocais da australiana George Maple.

Seguindo a mesma linha das produções dos já conhecidos Disclosure, Bondax e AlunaGeorge, a canção traz de cara elementos do R&B que conseguem transitar ao mesmo tempo por guitarras leves e samples de gemidos da Ciara, que se aliam a deliciosos acordes de guitarra e efeitos que parecem sair de um vide-game dos anos 90. Misturando batidas quebradas com elementos orgânicos como baixo e guitarras, a canção logo se transforma em uma fantástica produção neo-soul que soa vintage e futurística ao mesmo tempo, além é claro de extremamente sexy e relaxante, graças aos deliciosos vocais de Maple. Assim como a música, o clipe de “On & On”, remete ao cenário americano do início dos anos 90, apresentando basicamente cenas de skatistas e takes urbanos editados sobre filtros saturados e vibrantes, que contrastam com a leveza da música.

Snakehips – On & On (feat. George Maple)

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Quando o Juveniles lançou “Fantasy”, elogiamos a música por conta da mistura de elementos vintage com sintetizadores, o que garantiu uma sonoridade que homenageia o passado sem deixar a modernidade de lado. O vídeo de “Fantasy” segue a mesma linha, graças a uma fotografia retrô que combina com o clima alegre da canção. Além disso, o vídeo dirigido por Antoine De Bary tem outras boas sacadas, como criar uma antecipação diante de cenas supostamente proibidas. Assim, você pode se divertir ao ver o duo francês passando vontade dentro de uma mansão cheia de mulheres bonitas, que não demonstram o menor interesse pelos artistas, os quais são humilhados e privados de conferir cenas sensuais (exibidas no fim do vídeo apenas para o público).

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O duo ASTR, de Nova York, já tinha liberado anteriormente os singles “Goodnight” e “Razor”, mas é agora, com “Operate”, que temos até então a maior obra-prima da dupla. Saídos do Brooklyn, o duo demonstra bastante as influências do bairro em suas músicas, que, dentro de um contexto indie-pop, revelam todo o gingado que, como nenhum outro gênero, o R&B e o hip hop possuem. A brincadeira soa como um Purity Ring cantado pela Charli XCX, e traz um instrumental extremamente sutil e detalhado, como um resgate à música black-eletrônica dos anos 80 mas que flerta diretamente com as batidas modernas do chill e do trap. Apesar de sensuais, suas músicas são feitas pra dançar, para se deixar levar naquela mágica conexão som-corpo, e é basicamente assim que “Operate” te conquista.

Dotada de um refrão R&B, de melodia suave, grudenta e pronta pra satisfazer todas as exigências de um futuro hit pop, o curto refrão logo dá espaço à atmosfera altamente sedutora dos versos, o maior atrativo da música. Os vocais metalizados demonstram sua imponência sob a produção minimalista e trazem toda a dramaticidade necessária que a produção sensual pode pedir, acompanhando perfeitamente a linha de baixo com groove descarado que torna tudo ainda mais sexy e acessível. Mas enquanto a canção poderia ficar apenas no dreamy, a adição de incríveis batidas temperamentais que levam o trap ao pop deixam tudo mais dançante e fazem todo o diferencial por aqui, culminando em uma perfeita mistura de hip-hop, R&B e synth-pop em que o ritmo é tudo.

ASTR – Operate

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“Oh Sailor” é uma música que tem a capacidade de deixar as pessoas totalmente inspiradas, não só por apresentar uma letra bastante otimista, mas também por conta de sua produção sofisticada (que traz as harmonias angelicais dos integrantes do Silverlake Conservatory of Music Youth Chorale) e com os vocais doces e cristalinos da Mr Little Jeans, já apresentada por nós aqui. A norueguesa já lançou outras músicas, como a dançante “Runaway” (que também possui um videoclipe), mas retornou da cinzas e se livrou do estigma dos “covers” de uma vez por todas com este novo single, que precede seu primeiro álbum.

O diretor Tim Nackashi acertou em cheio ao usar recursos simples para criar uma obra de grande impacto e de visual deslumbrante. Mr Little Jeans aparece se movimentando por diversos cenários, desde uma folhagem que parece fazer parte de um mundo de fantasia até uma tela que reflete estrelas e uma paisagem montanhosa. Com inúmeros detalhes que ganham vida graças aos ótimos efeitos de iluminação e edição, o clipe é daqueles que devem ser vistos na maior definição possível, para que seja possível aproveitar todo o espetáculo visual que complementa perfeitamente a canção, capaz de fazer refletir nos momentos de alegria e confortar nos de tristeza.

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Resgatando referências da onda trip-hop que invadia as pistas há mais ou menos uma década, a Banks nos surpreendeu no começo do ano com “Before I Ever Met You”, canção de batidas eletrônicas orgânicas e um ligeiro toque de experimentalismo. Pouco depois, seguindo o mesmo caminho sombrio e apostando em uma proposta diferente de sua estreia, a cantora nos presenteou com a incrível e ainda assim versátil “Fall Over”, lado B do então EP de mesmo nome, que traz o single de estreia junto à canção “Work”, em parceria com Lil Silva. Banks, como tem se mostrado, é uma verdadeira surpresa. Nascida em Los Angels e com uma carreira ainda misteriosa, a cantora é tímida e declaradamente fora da era digital, fazendo questão de deixar um telefone celular exposto em sua fan page para contato.

Seu novo single, pós-EP, é “Warm Water”, que ajuda a consolidar suas qualidades e demonstrar mais uma vez sua  versatilidade. A canção traz os vocais de Banks em tons massivos sobre a produção calma e locomotiva do produtor Orlando Higginbottom (também conhecido como Totally Enormous Extinct Dinosaurs). As batidas envolventes são praticamente mínimas e deixam transparecer uma atmosfera suave que colocam todo o foco nos vocais extremamente sedutores da artista, que delimitam seu apelo R&B como os encontrados nas conhecidas baladas dos anos 80. A sonoridade em geral aprofunda ainda mais a desenvoltura da cantora que, a cada novo lançamento, desperta ainda mais nossa curiosidade.

Banks – Warm Water

“Warm Water” será lançado digitalmente sob o selo Good Years no dia 27 de maio.

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Saudades de músicas com menos elementos sintéticos e uma produção mais natural? Fique de olho, portanto, no Soldier’s Heart, um quinteto belga que timidamente tem chamado a atenção com seus exuberantes lançamentos independentes. De formação clássica, a banda conta com três rapazes e uma vocalista, que fazem questão de usar poucos elementos eletrônicos resultando em belas produções naturais. Exemplo disso é a atual cartada da banda, a tropicália e sonhadora “African Heart”, primeiro single oficial do grupo.

Começando com uma introdução dream-pop nostálgica e com elementos lo-fi, a canção logo nos mostra no primeiro minuto os vocais de Sylvie Kreusch, que remetem a uma espécie de Lana Del Rey da Bélgica. Carregando um instrumental cru, que conta com um baixo oscilante, sinos e discretas doses de synth-pop, a belíssima produção delineia muito bem a sensibilidade da letra sugerindo um clima mais intimista e harmônico, como uma verdadeira viagem às praias da Califórnia no final dos anos oitenta. O vídeo, que usa filtros vintages para dar ainda mais ênfase à proposta da música, conta com uma dança esquizofrênica e sobreposições de lugares exóticos da África. Sylvie aparece em vários momentos soltando olhares intimidadores entre os diversos recortes, que vão desde tradicionais rituais africanos a um veado andando de bicicleta ergométrica.

African Fire – Soldier’s Heart

Estamos curiosos para os próximos passos da banda, que atualmente se encontra em uma pequena turnê na Europa Ocidental e prepara o lançamento de um EP de inéditas que deve dar as caras em breve.

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