Arquivos para Pop

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Desde 2010, Laura Welsh vem tentando chamar a atenção de produtores e do público com sua música. A londrina, que já se apresentou como Laura and the Tears e Hey Laura, hoje usa seu próprio nome, que, por ironia do destino, foi o responsável para que Dev Hynes, conhecido mais recentemente por alavancar a carreira de Sky Ferrera e Solange, despertasse interesse em trabalhar com a cantora. Dona de um pop leve, com letras e vocais que lembram tanto a Adele quanto a Jessie Ware, Laura garante uma experiência musical mais soul, intimista e mesmo assim acessível.

A combinação entre a produção exuberante de Hynes com os doces vocais de Laura nos traz à “Unravel”, faixa co-escrita e produzida por Welsh em parceria com Hynes, que firma a inglesa como uma grande aposta para o cenário musical britânico. Sua voz melancólica e levemente rouca é acompanhada por uma base pop com sintetizadores abafados, um baixo que persiste durante os quase três minutos de música, e claras referências ao R&B atual, trazendo lembranças de números recentes da Jessie Ware e de canções da Solange em parceria com Hynes, como “Losing You” e “Lovers In The Parking Lot”.

O clipe, que nada mais é que uma edição do curta “New Year’s Eve”, de Eddie O’Keefe, traz cenas em preto e branco de um casal formado por um lutador e uma garota, que discutem a conturbada e intensa relação na véspera do Ano Novo.

Laura Welsh – Unravel

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A Califórnia está muito bem representada no Coachella 2013 pelo The Colourist, quarteto de Orange County que faz um indie pop meio dance, mas com a pitada certa de riffs eletrizantes. Com som bem cativante e divertido, a banda já apareceu aqui com a simpática “Little Games”, e ganhou o ouvido de muita gente quando a música dominou o Hype Machine. Com apenas um EP lançado, eles chamam atenção pelo groove irresistível das suas músicas e pelo desembaraço do guitarrista Adam Castilla, que sempre conta com a participação da baterista estilosa Maya Tuttle nos vocais.

A melodia de “Yes Yes” segue a animação californiana e solar de “Little Games”, mas traz um quê de trilha sonora da cidade grande, uma aura que junta tropical e urbano, e que acaba sendo exatamente o ingrediente especial do Colourist para a faixa. A força dos vocais é gritante, mas são as batidas epidêmicas do quarteto que vão te fazer dançar e pular, mesmo sem saber cantar as letras. A segurança e solidez do grupo é impressionante, especialmente pra uma banda que está fazendo música a pouco mais de um ano e meio, tanto que não foi à toa que eles conseguiram um espaço no Coachella. Alegre e despretensiosa, “Yes Yes” contagia dos versos ao refrão cantarolável, e vai te fazer se encantar mais uma vez com o quarteto de O.C., te deixando ansioso para um possível álbum em breve.

The Colourist – Yes Yes

BBC Sound of 2013

Quem diria que, com pouco mais de um ano, o hype em torno das irmãs californianas do Haim estaria neste nível? As garotas, além de ganhar o coração de artistas que vão de Rihanna a Florence & The Machine, faturar o concorrido prêmio britânico da BBC de novos talentos e assinar um belo contrato com a Universal para um disco de estreia produzido pelo Paul Epworth e James Ford, também participam em uma das faixas do novo disco do Kid Cudi, o Indicud, a ser lançado no próximo dia 23.

Produzida pelo hitmaker Hit-Boy, que ficou a cargo da produção do sucesso “Niggas In Paris”, Cudi explica que a ideia da canção já existia há quase dois anos, mas que a presença das garotas certamente contribuiu para grandes mudanças na música. Primeiramente, a participação do próprio Cudi na faixa é mínima, o que deixa as nossas irmãs favoritas dominarem grandes partes dos versos e, principalmente, do refrão com suas harmonias vocais exuberantes e cada vez mais acessíveis. A produção do Hit-Boy em nenhum momento te destrai da brincadeira, abusando de batuques tribais e sintetizadores para criar, certamente, a canção mais eletrônica das garotas, mas sem fugir muito da proposta das californianas – o que é um excelente negócio para fãs do Haim e um nem tão legal para os fãs de Cudi. Como ficamos com a primeira opção, já estamos com a canção em looping eterno, do jeito que você deveria ficar também.

Kid Cudi & HAIM – Red Eye

Kid Cudi & HAIM – Red Eye

O novo disco do Kid Cudi, Indicud, chega no dia 23 de abril.

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O French Horn Rebellion recentemente fez sua estréia aqui no blog com “Girls”, um single feito especialmente para as pistas e que contava ainda com a participação de JD Samson e Fat Tony. Já o Viceroy é queridinho de longa data, com seus incríveis pop tropicais, como em seu single de estréia “Chase Us Around” e seu mais recente single “Dream Of Bombay”. Agora o French Horn Rebellion contribuiu com sua mistura de disco-house e o Viceroy entrou com toda sua tropicalidade e synth pop e juntos lançam “Friday Nights”, uma produção que mescla o melhor de ambos.

“Friday Nights” começa repleta de batidas eletrônicas e sintetizadores, e mantém o ritmo agitado e dançante da produção como forma de disfarçar sua letra um tanto quanto triste, sobre um relacionamento entre amigos (ou um “bromance”) complicado. Robert Perlick-Molinari, do French Horn Rebellion, definiu a letra como “Nós nos vemos todos os dias da semana e fazemos coisas do dia-a-dia, como almoçar e outras coisas, mas toda sexta-feira você simplesmente some”. Com um refrão simples e grudento, a música não possui drops sensacionais ou algo muito marcante, mas nada que interfira em sua proposta de ser dançante e voltada para as pistas, tropical e com um ar dos anos 90.

Viceroy & French Horn Rebellion – Friday Nights

O single “Friday Nights” pode ser baixado gratuitamente em troca de um tweet por tempo limitado. O EP oficial ainda não possui data para lançamento.

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Estamos apostando nossas fichas na Florrie há quase 3 anos, quando ela ainda era uma semi-desconhecida. Por trás dessa fofurinha de cabelos loiros está a vocalista, multi-instrumentista, modelo e (quase) dançarina Florence Arnold, que já teve algumas de suas músicas comentadas por nós, como “Give Me Your Love“, “Call Of The Wild“, “Begging Me” e “Experimenting With Rugs“. Mas mesmo com os burburinhos em 2010 e 2011, Florrie andava meio esquecida. Há poucos dias, entretanto, a cantora voltou à tona com uma nova música, que é trilha sonora para uns fones de ouvido da Sony. Apesar disso aqui não ser merchandising, não há como negar que o combo se trata de uma perfeita jogada de marketing, visto que nada melhor que um bom fone de ouvido para nos imergir e nos fazer ouvir em looping cada um dos detalhes de suas músicas.

A nova canção, “Live a Little”, é sem dúvida uma das melhores de sua carreira e chega ainda mais recheada de detalhes. Contando com um trompete genial que parece ter saído de “Crazy In Love”, da Beyoncé (e que faz da música uma verdadeira fanfarra), a ação promocional ainda traz um clipe de ideia geniosa, onde Florrie e seus clones tocam cada um dos instrumentos que compõe a produção, alternando entre trompete, bateria, baixo, guitarra, tambourine e sem esquecer das graciosas palminhas. Com arranjos sensacionais e uma percussão muito bem elaborada, a faixa ainda conta com um delicioso refrão que te põe pra cantar e dançar logo de primeira, consolidando o pop classudo de Florrie como uma versão mais alternativa e moderninha da Kylie Minogue. Com a nova faixa, a impressão que fica é que Florrie se atirou de cabeça para o sucesso, nos deixando ainda mais ansiosos por um álbum completo.

Florrie – Live A Little

OWLLE

Owlle é uma artista francesa que não pede apresentação, até mesmo pela escassez de informação encontrada  na internet. Com um EP lançado no final do ano passado, Owlle produz um dreampop eletrônico que parece buscar influências em produções entre Grimes e Robyn, e apesar de ser francesa, a artista pode facilmente ser confundida com algumas cantoras do pop britânico atual.

“Ticky Ticky” é o primeiro single da cantora e mostra que a artista tem potencial para estourar na mídia ainda esse ano. Com um começo sombrio, a música logo evolui para um pop eletrônico que se encaixa perfeitamente com a voz um tanto quanto séria e por vezes sombria de Owlle, que nos lembra de Lizzy Plapinger do MS MR, porém em uma versão mais dançante, que também contribui para o refrão grudento, que pode demorar algumas horas ou dias para sair da sua cabeça. O vídeo também é um bom complemento para a faixa, acompanhando a cantora caminhando por lugares variados e passando por cowboys dançarinos e bailarinas.

Owlle – Ticky Ticky

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Março foi um mês agitado, mas surpreendentemente, nas últimas semanas e de uma maneira inesperada, descobri o Retro Stefson e o disco que mais me encantou em um mês repleto de grandes lançamentos. Direto da Islândia, a banda é o fruto de um projeto entre os irmãos Unnsteinn e Logi Stefánsson, que recrutaram nada menos que mais cinco integrantes para dar corpo à banda, que já conquistaram o topo das paradas musicais do seu país com dois hits e fizeram um aclamado álbum de estreia, lançado hoje no Reino Unido.

Como disse, meu caso com auto-intitulado Retro Stefson já é algo sério, e das dez canções do disco estou apaixonado pelas dez, sem exceção. As canções passeiam por tantos estilos diferentes e as produções são tão criativas que o disco te instiga a ouví-lo inúmeras vezes e, analisando-o como um todo, a impressão que temos é que estamos diante um Alt-J com mais sintetizadores. Entretanto, para começar a entender minha obsessão, “Glow” é perfeita introdução à essa banda multifacetada, que, assim como o disco, não pode ser reduzida a um único gênero.

Misturando elementos acústicos e eletrônicos, “Glow” se inicia com percussões ritmadas e vocais que te fazem imaginar um híbrido entre o Electric Guest e o Miike Snow tentando ser funky. Sintetizadores rápidos balanceiam o lado eletrônico da produção dinâmica, que caminha em uniformidade junto à belas harmonias vocais que aproveita as vozes dos sete integrantes. Sem muita pretensão, a canção vai se revelando aos poucos até se transformar em um tour-de-force na casa dos dois minutos, quando vocais femininos entram em cena e a produção fica ainda mais intensa, culminando em um aventureiro e bombástico primeiro single que você não vai cansar de ouvir.

Retro Stefson – Glow

Não queremos lotar vocês de informações, então a partir de hoje, postaremos as nossas quatro favoritas do disco a cada semana, para recuperar o atraso. E se gostou do que ouviu, já dá pra ouvir o disco completo por aqui e de quebra, neste link, você confere um show completo da banda.

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