Arquivos para Pop

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Estourou de vez. Preparem os ouvidos (ou os olhos) para ver como a mocinha Brooke Candy vai ser comparada (estupidamente?) com a Lady Gaga. Excentrismos à parte, Brooke é a definição perfeita para a palavra atitude. A nova queridinha do mundo da música, da moda e dos hipsters vem de Los Angeles, diretamente da cena stripper da cidade. A começar por aí, o rostinho nos é familiar. Trabalhou com Grimes no clipe de “Genesis”, trabalhou com Charli XCX e alguns outros nomes mais undergrounds. A música está em algum lugar entre o pop e o hip hop, e a boquinha suja da Brooke entoa frases de tanto impacto que os haters do mundo vão surtar.

“Pussy Make The Rules” é a vitrine ideal pra promover ao extremo o novo single da cantora. A música faz alusão DIRETA à Lady Gaga, Britney Spears e Christina Aguilera, e ainda enfatiza, além do título da música, o quanto as mulheres são poderosas. O clipe é obsceno, é genial. Uma crítica social mesclada com um nítido “foda-se” para todos os tabus que a sociedade ainda insiste em levar adiante. Brooke é lésbica, mas esse é o menor dos detalhes de toda a aura polêmica que projeta sobre si. Ainda estou receoso em colocar a artista do lado de nomes como Azealia Banks, Iggy Azalea e Angel Haze porque aqui o buraco é mais embaixo. “Quem dita as regras”?

Brooke Candy – Pussy Make The Rules (Feat. Lakewet)

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Os últimos meses foram recheados de surpresa para recente carreira do Say Lou Lou. Mesmo ainda sem nenhum material coeso, a dupla formada pelas gêmeas Miranda e Elektra Kilbey tem mostrado desde o ano passado, com “Maybe You”, que são uma das maiores revelações dos últimos meses. Tendo como forte destaque o minimalismo e os acordes melancólicos tanto nos arranjos quanto nos vocais, as músicas do duo contam também com uma firme inspiração na cena musical da década de noventa. Impulsionadas a mudarem de nome, por conta de alguns problemas judiciais, as cantoras nascidas na Suécia e radicalizadas na Austrália se desligaram da francesa Kitsuné para abrirem seu próprio selo, Deux Records, que já lançou esse ano a fantástica “Julian” e acaba de liberar mais uma amostra do EP de mesmo nome, a surpreendente “Fool of Me”.

Não sabemos muito se “Fool of Me” deve completar a lista final do álbum de estreia do Say Lou Lou, mas adiantamos que, mais uma vez, as meninas te convidam a embarcar numa verdadeira viagem sonora ao paraíso. Traduzindo a alma sublime de “Maybe You” e “Julian”, “Fool of Me” continua seguindo as produções anteriores mantendo o minimalismo como seu principal adjacente. A balada que dirige uma base eletrônica traz os vocais solenes de Chet Faker percutindo sobre a música junto a um calmo e sonhador instrumental. Corajosa e dramática, a produção dream-pop concentra loops que transitam elegantemente, tendo como auge os minutos finais quando Chet, Miranda e Kilbey nos brindam com grandiosas harmonias vocais. Diante da nova amostra, ficamos atentos para o que está por vir, pois imagine: se a canção é apenas um b-side, imagine o que esperar dos próximos lançamentos?

Say Lou Lou – Fool of Me (Ft. Chet Faker)

Say Lou Lou – Fool of Me (Ft. Chet Faker)

O EP de Julian já está disponível nas lojas digitais.

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Os suecos do Taped Rai, enquanto não lançam seu álbum de estreia, liberaram mais uma faixa para saciar nossa curiosidade. Depois da mistura entre o experimental e o eletrônico-comercial de “Shadow of The Sun”, Tom Liljegren e Alexander Ryberg realmente parecem ter deixado de lado as influências que receberam durante o trabalho com DJs e produtores de música eletrônica, apostando em um soft-pop delicioso como próximo single que se sobressai como a melhor amostra da dupla até então.

Com uma batida eletrônica crua e uma base suave, “Backyard Animals” acerta em diversos momentos e se aproxima de algumas canções mais leves produzidas por nomes conhecidos da EDM, como no início da carreira do britânico Example. Entretanto, enquanto o britânico direcionou seu som para algo mais bombástico e comercial, os suecos mantiveram aqui sua delicadeza e se muniram de um inocente refrão que quando você menos esperar já vai estar na sua cabeça, desviando de vez qualquer comparação com atos eletrônicos tradicionais e se aproximando de nomes menos óbvios como Miike Snow e Diamond Rings, apostando ainda em vocais suaves e ligeiramente lo-fi, que embrulham o pacote como um número mais natural e emotivo que o último single.

Taped Rai – Backyard Animals

Taped Rai – Backyard Animals

Em pouco tempo, e com pouquíssimo material lançado, é bem possível que Tom e Alexander saiam do anonimato e tenham um dos debuts mais comentados do segundo semestre desse ano, ou inicio de 2014. A composição de elementos leves, com raiz eletrônica e certo approach para as rádios com certeza desperta a curiosidade de ouvir um trabalho completo do Taped Rai.

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Por mais que a gente tenha tentado divulgar o Electric Guest por aqui no ano passado, infelizmente ainda bate aquela sensação de que estamos falando de uma das bandas mais desapreciadas do último ano. O fabuloso disco de estreia dos californianos, Mondo, produzido pelo Danger Mouse, certamente foi um dos nossos lançamentos favoritos de 2012, e é assim, sem muita pretensão de seguir com um sucessor, que a banda lançou no último 4 de maio um excelente EP de seis faixas, Good America, que traz b-sides como “Jenny”, “Holiday”, versões acústicas de músicas do disco e algumas pérolas inéditas, que iremos falar a seguir.

A maior novidade do EP, para aqueles que acompanham nosso blog, certamente é a inclusão da inédita “The Jerk”, que segue com a produção vintage do disco de estreia, abusando de pianos, um baixo grudento e os vocais brincalhões de Asa Taconne, culminando em uma produção que parece uma irmã mais nova da frenética “The Bait”, só que sem o refrão poderoso. Se você já é fã da banda, eis mais uma música para sua coleção, entretanto, se ainda não for, não será “The Jerk” que irá te fazer mudar de ideia.

Electric Guest – The Jerk

Electric Guest – The Jerk

Deixando a sede por músicas novas de lado, certamente a coisa mais legal do EP é um cover de “Ritual Union”, do Little Dragon, todo baseado na produção já consagrada dos caras. Se você está acostumado com covers preguiçosos, ao vivo e pouco cativantes, tire quatro minutos e mude de ideia com a versão dos rapazes para a já deliciosa música, coroada aqui com uma produção caprichada repleta de vocais em falsete que atingem com facilidade o timbre da original. E se ainda não a conhece, a versão do Electric Guest é um belo cartão de visitas para a excelente faixa.

Electric Guest – Ritual Union

Electric Guest – Ritual Union

O EP Good America foi lançado no dia 4 de maio pelo selo Downtown.

Jenny+-+Single

O Studio Killers é, sem dúvidas, um dos projetos musicais mais divertidos atualmente. Apesar de já citado por aqui, não custa nada lembrar que estamos falando de um misterioso projeto-cartoon, tipo o Gorillaz, formado pelos membros Cherry, uma party-girl andrógina; Goldie Foxx, uma raposa que toca keytar; e Dyna Mink, o DJ castor e produtor oficial do grupo. O coletivo ainda conta com músicos, produtores e animadores (ainda anônimos), que dão vida às composições extremamente honestas (e bem humoradas) das canções. Quando apareceram por aqui pela primeira vez, com “Ode To The Bouncer”, trouxerem a crônica de uma pessoa para passar por cima do segurança da boate, e, nesse ano, “All Men Are Pigs” comprovou o tom feminista do seu repertório.

Apesar do material escasso, a banda está prestes a lançar um disco de estreia agora em junho e, para isso, convocou um novo single para dar início à sua divulgação. Em “Jenny”, temos uma garota que não aceita ser somente a melhor amiga da personagem em questão, querendo ir um pouco mais além e conquistar a garota de vez. Soando como um house comercial, que poderia ser facilmente digerido pelas rádios – só que mais sofisticado do que o costumeiro -, a música, que é menos melódica e mais pop do que “Eros & Apollo”, conta com batidas tropicais prontas para as pistas, uma sanfona eletrônica deliciosa e sintetizadores que fazem toda diferença, servindo de fundo para o vocal ímpar e andrógino de Cherry. Eles podem até ter perdido um pouco daquela excentricidade inicial, mas não há como negar que continuam sendo bem irreverentes, divertidos e dançantes, característcas que nos deixaram apaixonados pelo Studio Killers desde o começo.

Studio Killers – Jenny

FMLYBND-Electricity

Os californianos de Isla Vista que formam o FMLYBND querem mostrar o tempo todo que são bem unidos, começando pelo nome – um acrônimo para “family band”. Os seis amigos se conhecem desde sempre, e a sintonia entre eles é clara quando a gente dá o play no primeiro single da banda, a surpreendentemente sólida “Electricity”.

O eletrônico sofisticado e intenso do sexteto de Isla Vista ganha identidade própria ao mostrar uma música que parece trilha ideal das metrópoles que nunca dormem. Com sintetizadores envolventes à la M83, a faixa é o perfeito cartão de visitas para nos apresentar o som do FMLYBND e que, graças os vocais quase sussurrados e abafados de Mac e Braelyn Montgomery, vai te fazer lembrar vagamente daquela época do Oracular Spectacular, quando o MGMT não era tão psicodélico e fazia um pop mais acessível. O groove meio 80s merece destaque, e faz com que “Electricity” contagie no início e termine de forma épica, contando com um solo de guitarra de derreter os ouvidos e fazer qualquer um se apaixonar sem esforço. No fim, a impressão que fica é que os sintetizadores exuberantes e as batidas impecáveis da banda tem a energia urbana perfeita para embalar seu início de noite, e cumprem o que o FMLYBND promete: fazer “Electricity” soar atemporal e nostálgica.

FMLYBND – Electricity

Kate-Boy-The-Way-We-Are

Apenas duas músicas lançadas e uma das grandes promessas de 2013, o quarteto Kate Boy mostrou que tem potencial para se situar entre os grandes nomes do pop atual. Seja com o single “Northern Lights” ou com a b-side “In Your Eyes”, o grupo, que já escreveu músicas para outros artistas e mescla a perfeição das produções suecas com a incrível voz da australiana Kate Akhurst, nos dá agora mais um aperitivo do que esperar do seu aguardado álbum de estréia, que deve ser lançado ainda esse ano.

“The Way We Are” não dá nenhum preparo psicológico e já te conquista em menos de 10 segundos de música, com batidas fortes e sintetizadores viscerais que, a princípio, sofrem pouca ou nenhuma variação no decorrer da música, mas que são suficientemente bons para integrar o ranking de produções modernas do quarteto. Além do fantástico middle-8, onde os sintetizadores finalmente atingem novos timbres e demonstram a excelência da produção, o maior ponto alto da música mais uma vez fica no explosivo refrão, cantado aos berros no melhor estilo Icona Pop e certamente adequado para encher nossos ouvidos (e porque não as pistas) sem muita dificuldade.

Kate Boy – The Way We Are

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