Arquivos para Rock

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A gente não sabe muita coisa sobre o quarteto Splashh, mas pelo single “Sun Kissed Bliss”, que já foi postado aqui, deu pra sentir um pouco do garage distorcido e com cara de 90s rock que eles fazem. Dividindo-se entre a Austrália, a Nova Zelândia e o Reino Unido, a banda multinacional já tem single  lançado (e esgotado) pelo selo LuvLuvLuv (que tem história com Spector e Florence And The Machine) e recentemente anunciou o lançamento do primeiro disco.

Enquanto o debut não chega, a gente se delicia com “All I Wanna Do”, música que é uma amostra do Splashh um pouco mais psicodélica do que “Sun Kissed Bliss”. Soando bastante retrô no começo e te fazendo lembrar vagamente do Tame Impala nos tempos crus do Innerspeaker (2010), a melodia da faixa te faz viajar em 3 minutos, e tem cara de trilha sonora de viagem pela estrada. A batida cheia de vida que dá início ao single parece pouco lapidada quando se junta às guitarras provocantes do acid punk do Splashh, mas o efeito lo-fi é o que chama atenção. Lá pelo meio você já está pensando no rock alternativo do Pixies, lembrando um pouco do Doolittle (1989) e reconhecendo que “All I Wanna Do” pode ser a música que vai despertar o Splashh pro hype.

Splashh – All I Wanna Do

O primeiro registro da banda, Comfort, tem data de lançamento marcada para 3 de junho.

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O Brooklyn certamente é um dos locais de onde mais saem bandas boas atualmente. Um bom exemplo é a Bowmont, que surgiu no ano passado e no último dia 17 de fevereiro nos presenteou com seu primeiro EP, chamado Euphorian Age. A banda foi criada pelo multi-instrumentista dinamarquês Emil Bovbjerg em parceira com Jeremy Loucas (engenheiro e produtor vencedor de um Grammy Award). Juntaram-se a eles integrantes de outras três bandas: Elias Miester (guitarrista da banda Mon Khmer), Dave Cole (baterista da Rubblebucket) e Jesse Barnes (músico freelancer da banda Eli Paperboy Reed).

Destaca-se no EP a música “Ruphmiup”, que começa com uma bateria marcante que logo mistura-se ao vocal belíssimo e suave de Emil Bovbjerg, que se você não estiver atento pode até achar que é do Chris Martin, do Coldplay. A canção segue com uma estrutura pontuada por efeitos inusitados e uma produção detalhada que por muitas horas se assemelha à do Alt-J, com direito a riffs acústicos que nos fazem imaginar o Radiohead brincando de afro-pop. Entretanto, na casa dos dois minutos, as harmonias vocais se intensificam e ajudam a dar forma ao refrão, e daí em diante você já vai estar sugado pela viagem sonora que se sucede, proporcionando uma sensação de paz e êxtase que te farão viajar para outro universo.

Bowmont – Ruphmiup

Para ouvir o EP completo do Bowmont, basta acessar o BandCamp da banda.

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A biografia virtual dos rapazes do Shy Nature resume perfeitamente a aura do indie rock que o quinteto londrino faz, dizendo que o som deles nada mais é do que “songs about growing up in your 20′s”. Declaradamente influenciados por The Walkmen, Kate Bush e Beach Boys, a banda usa o flat do baterista Matt como lugar para escrever, ensaiar e gravar suas próprias composições.

Apesar de ser apenas a primeira amostra do que o Shy Nature tem a oferecer, “Deadly Sin” está fazendo um barulho considerável nas rádios britânicas e infectando pouco a pouco novos ouvintes com seus riffs dançantes, suas batidas cheias de vivacidade e seus vocais admiráveis. A verdade é que o single já tem potencial para ser o impulsionador da carreira da banda na cena independente britânica, música que tem um quê de futuro “hino indie” e um bom exemplo da nova cara que a guitar-music londrina ganhou nos últimos tempos. Claramente inspirada no The Walkmen, a canção começa como um novo single do Two Door Cinema Club em versão acústica, mas a impressão desaparece por completo com a chegada das guitarras e principalmente do refrão, que busca uma grandiosidade tal qual as mais trabalhadas do primeiro disco do The Vaccines. Graças às guitarras intensas, a música do Shy Nature esbanja energia e jovialidade, infectando nossos ouvidos com suas batidas afiadas e consagrando-os como mais uma boa promessa do indie rock inglês.

Shy Nature – Deadly Sin

“Deadly Sin” vai ser oficialmente lançada no dia 13 de maio.

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Para quem já se declara órfão do som que o Two Door Cinema Club mostrou no primeiro registro, Tourist History (2010), boas notícias: nem tudo está perdido. Diretamente de Oulu, os finlandeses do Satellite Stories podem não ter estourado nos charts como os colegas, mas prometem a energia e a vitalidade que o Beacon (2012) deixou a desejar. Desde 2008, os riffs inspirados e as batidas dançantes do quarteto contagiam qualquer pista de dança, e o debut de 2012, o ótimo Phrases To Break The Ice, foi a prova disso. Agora eles voltam com o novo single que, apesar de não estar no disco, foi feito especialmente para ser trilha sonora dos seus dias ensolarados.

O refrão viciante de “Scandinavian Girls” nos faz pensar imediatamente no Two Door, mas os vocais harmônicos que ouvimos logo no início também dão um quê de A Guide To Love, Loss And Desperation à faixa, e soam nostálgicos para quem curtia os bons tempos do Wombats. Não é difícil imaginar uma platéia cantando a plenos pulmões os versos epidêmicos de “Scandinavian Girls”, e é esse o poder do carisma do Satellite Stories, que faz das suas melodias solares verdadeiros dancefloor-anthems. Energia de sobra e refrão carismático são os elementos que dão o tom desse novo single do quarteto finlandês, e deixa todo mundo empolgado, querendo que o sucessor do debut venha o mais rápido possível. É a Finlândia mostrando que sabe animar qualquer festa.

Satellite Stories – Scandinavian Girls

Big-Deal

O americano Kacey Underwood conheceu a britânica Alice Costelloe em Londres, ensinando-a a tocar Sonic Youth e Dinosaur Jr. E eis que surgiu o duo Big Deal. Há vários boatos sobre eles serem mais um casal que resolveu formar uma dupla pop, mas pouco nos importa se são só mais um casal, pois com certeza não são só mais uma dupla pop. No primeiro álbum, Lights Out, as músicas são bastante intimistas, compostas muitas vezes apenas por cordas e vocais, com faixas que variam de um acústico estilo Laura Marling à guitarras que ecoam como numa volta ao punk dos anos 80 (apesar da doçura dos vocais). De volta para o segundo disco, com o primeiro single “In Your Car”, o que dá pra dizer é que fica até difícil reconhecê-los. Dessa vez mais encorpados e tomados de uma energia inexistente no antigo som melancólico, o duo parece chutar o lado minimalista de lado para abrir total espaço para as guitarras – e para uma promissora mudança.

A música é uma mistura inusitada de três temas que são fórmulas de sucesso, mas que dificilmente são vistos juntos em um único single (ainda mais de forma tão bem conectada quanto eles conseguem aqui). A combinação alterna entre o rock suave do Hole (com direito a um começo à-la “Celebrity Skin”), acordes entorpecentes e um refrão descaradamente pop que consegue ser tão grudento e romântico quanto os melosos do New Found Glory e The Cardigans. De melodia e vocais suaves, a letra é dessas que você se identifica, e que apesar de um tanto boba não vai sair da sua cabeça. E mesmo com a soma de tantos elementos consagradados e bastante explorados, o produto final ainda consegue sair do óbvio (até mesmo pela mistura inusitada), e comprova que nem sempre é a primeira impressão que fica.

Big Deal – In Your Car

O lançamento do segundo álbum, June Gloom, está previsto para o dia 3 de junho.

Wavves-mutant

Wavves, projeto do californiano Nathan Williams, começa o ano de 2013 com o primeiro lançamento desde King of The Beach (2010). Prometendo dar continuidade ao seu som autoral, o disco Afraid of Heights traz suas influências do surf rock californiano numa combinação de pop lo-fi que conquista os ouvintes em 14 faixas inéditas. O disco ainda conta com produção de John Hill, mais conhecido por nomes bem populares como M.I.A. e Rihanna.

O primeiro single, faixa-título do álbum, traz um pouco de calor ao início da Primavera na terras do norte, com suas guitarras sujas e refrão contagiante. A faixa ainda conta com a contribuição de Jenny Lewis, quase imperceptível nos fundo da música. Mais uma vez, se percebe um pouco da influência de trabalhos antigos do Weezer, o que pode acrescentar uma certa nostalgia ao se ouvir a música. De acompanhamento, o vídeo narra a história de um casal de drag queens e suas peripécias, incluindo o sequestro de dois caras, com direito a um final tão bizarro quanto sombrio.

Wavves – Afraid of Heights

O Afraid Of Heights, novo álbum do Wavves, foi lançado no dia 26 de março.

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O Queens Of The Stone Age dispensa apresentações, mas não custa nada te lembrar que o quinteto californiano liderado pelo cool hard rocker Josh Homme e recente show mais elogiado do Lollapalooza Brasil, já foi nomeado ao Grammy 4 vezes, sem contar que tocou em todos os festivais grandes do mundo, sendo inclusive headliner do Benicassim. Depois de um hiato onde cada membro se dedicou aos projetos paralelos à banda, eles voltam anunciando o sucessor do excelente Era Vulgaris de 2007 e sexto trabalho de estúdio da carreira: …Like Clockwork. Homme logo avisou que o disco traria participações de peso, até que o parceiro de Them Crooked Vultures, Dave Grohl, Trent Reznor e outros nomes bem respeitáveis foram revelados como colaboradores.

O primeiro single do novo registro é “My God Is The Sun”, porrada poderosa que enche qualquer admirador do Queens Of The Stone Age de expectativas para o disco que tem data de lançamento marcada para junho. Logo no início, a faixa já nos dá uma prévia do que podemos esperar no novo trabalho, chutando a porta do hard rock com o pé direito, irrompendo com batidas assombrosas e um riff de derreter os ouvidos. Os quase 4 minutos de música nos fazem ficar fascinados pela grandiosidade que a banda ganhou ao passar dos anos, um mix impecável de épico e good old rock and roll. Homme continua com seus vocais soberanos se encaixando perfeitamente às guitarras nervosas da banda, e “My God Is The Sun” encerra com uma aura forte de blues, o que é admirável. Mais badass que essa volta poderosa do Queens Of The Stones Age, impossível.

Queens Of The Stone Age – My God Is The Sun

Queens Of The Stone Age – My God Is The Sun

O disco, …Like Clockwork, chega no dia 4 de junho pelo selo Matador.

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