Arquivos para Rock

Ok, confessamos que nosso amor pelo Alt-J não foi devidamente expressado por aqui, fora alguns posts que já fizemos sobre eles. Vencedores do Mercury Prize deste ano, premiação dedicada aos maiores nomes emergentes da cena musical britânica, a banda e seu impecável disco de estreia, An Awesome Wave, trouxe um dos trabalhos mais competentes do ano, que nos conquistou graças ao pop mirabolante que flerta ao mesmo tempo com o folk e a música moderna, com melodias estranhas mas que com o tempo se tornam impecáveis.

Se você já ouviu o disco (se ainda não, corra aqui) e ficou sedento por mais, eis que a banda acaba de lançar mais uma faixa inédita, “Buffalo”, integrante da trilha sonora do filme Silver Lings Playbook, uma das apostas para o Oscar de 2013. Com guitarras suaves que abrem a faixa junto a uma bateria crua, a canção engana com um começo agitado mas logo se transforma em uma balada emocional tal como “MS”, com um suave toque campestre reminescente inclusive dos Fleet Foxes. Os backing vocals etéreos ajudam a guiar a música até seu desfecho, onde o refrão é finalmente apresentado de forma impactante, junto a sintetizadores e violões acústicos.

Alt-J – Buffalo

O Shields é um quinteto de Newcastle que estará lançando no dia 19 deste mês o seu primeiro EP, Kaleidoscope, que contará com cinco faixas e será distribuído gratuitamente em seu Facebook. O belo início de carreira consegue ficar ainda melhor graças ao primeiro single da banda, “Mezzanine”, um synth-rock com doses tropicais à-la Polarsets e Friendly Fires – só que com menos rebolado.

Abrindo a faixa com um belo riff de sintetizadores, a energética canção traz à tona uma boa dose de guitarras e uma percussão frenética para dar ritmo ao seu synth-rock alto-astral, complementado por vocais em coro no melhor estilo Klaxons e um refrão explosivo, destinado a virar hit. Para completar o pacote, a produção vibrante da faixa ganha vida com um inusitado clipe, onde a banda é representada por alegres fantoches de meia que cantam, dançam e tocam a música.

Shields – Mezzanine

Se gostou do que ouviu, resta esperar o lançamento do Kaleidoscope EP, previsto para o dia 19 de novembro na página oficial da banda.

Quem ficou aflito com o fim repentino da excelente Girls, que teve o nosso disco favorito de 2011, pode ficar mais tranquilo agora que, como já era de se esperar, a banda está “quase” de volta graças ao Lysandre, disco solo do Christopher Owens, que está com lançamento programado para Janeiro. De acordo com Owens, o “projeto em que mais se esforçou” conta a história de uma garota de mesmo nome, a tal Lysandre, que o rapaz conheceu durante a turnê do Girls na França. Entretanto, o álbum acaba se transformando em um relato confessional que narra o começo do sucesso da banda e as confusões que passavam em sua cabeça naquele período.

Como visto na primeira amostra do disco, nas faixas “Lysandre’s Theme” e “Here We Go” (que se mesclam sem você perceber), a composição é ligeiramente mais íntima, e a produção, que mais uma vez fica a cargo de Doug Boehm (que trabalhou no excelente Father, Son, Holy Ghost), perde o teor lo-fi que o segundo membro da banda adicionava. Com flautas e violões marcando a introdução, “Lysandre’s Theme”, o que se vê em “Here We Go” é uma sequência dos mais grandiosos números do Girls, um rock progressivo cuja produção amplifica os vocais serenos de Owens através de gaitas, flautas, guitarras e vocais de apoio, que o sustentam quando necessário.

Christopher Owens – Lysandre’s Theme / Here We Go

O novo álbum do Christopher Owens, Lysandre, sai no dia 14 de Janeiro de 2013 pelo selo Fat Possum.

Depois de um inquietante EP em 2011 que rendeu um clipe para “Ain’t It So” e colocou o PAPA como uma das minhas prioridades para 2012, a banda californiana, composta pelos amigos Daniel Presante e Darren Weiss (multi-instrumentalista e ex-baterista do Girls), só foi lançar na última semana a primeira amostra do aguardado álbum de estreia da dupla, previsto para 2013. Apesar da longa espera, o novo single, “Put Me To Work”, mostra que os rapazes não perderam o jeito e voltaram mais vigorosos do que nunca, indicando um álbum que deve seguir o estilo do excelente EP de 2011.

Apesar da curta duração de pouco mais que 2:30, “Put Me To Work” é um nocaute instantâneo, que tem Weiss anunciando aos gritos seu início à-la Arcade Fire, com bateria acelerada e órgão de igreja guiando seus vocais desesperadores. Apesar da produção calculada e repleta de elementos, a canção ainda retém um toque cru do EP, mas sem deixar de surpreender a medida que cresce e fica cada vez mais intensa, enquanto Weiss repete o refrão, que aparece apenas no final.

PAPA – Put Me To Work

“Put Me To Work” é o primeiro single do álbum de estreia do PAPA, ainda sem nome e previsto para 2013.

Conheça agora o quinteto de indie-rock de Los Angeles Busy Living, que há alguns meses se apresentou ao mundo um com um encantador EP de três faixas, “It’s A War Out There”, cuja canção título basicamente não sai da minha cabeça faz alguns dias.

Um indie-rock energético, acelerado, mas ainda assim cantado de forma melódica pelo vocalista Mike Moonves, a canção tem uma produção dinâmica e extremente interessante por se construir e desconstruir a todo instante, passando por partes mais calmas e mais dramáticas, com direito a guitarras e tambores, e partes mais frenéticas, com riffs, palminhas e uma bateria pulsante, que também se faz presente em seu impactante final, onde o título é repetido à exasutão.

Busy Living – It’s A War Out There

De um outro lado, a banda divulgou há alguns dias um remix que o JPatt, metade dos The Knocks, fizeram para seu próximo single, “Sometimes”. Recheado de sintetizadores retrôs, batidas dançantes e de outras surpresas que só um remix do duo pode proporcionar, apesar de ainda não conhecermos a versão original da música, o remix certamente deixa as expectativas nas alturas.

Busy Living – Sometimes (The Knocks Remix)

A banda ainda é muito nova mas as parcerias, o single e o divertido EP nos dizem que bons frutos ainda devem sair daqui em 2013. Se quiser conferir as três faixas do It’s A War Out There, basta seguir este link.

Seja com seus covers ou com suas canções originais, o Trails And Ways certamente foi uma das bandas mais legais de se acompanhar em 2012, e que certamente nos surpreenderá ainda mais em 2013, data prevista para sair seu primeiro disco, Trilingual. Com membros de várias partes do globo e que já moraram em vários países (inclusive alguns anos aqui no Brasil), suas músicas geralmente trazem alguma mensagem significante, seja em relação à natureza (como em “Mtn Tune”) ou aos seres humanos (como em “Nunca”).

Em seu maravilhoso novo single, “Border Crosser”, o tema tratado é a imigração ilegal ou simplesmente aquele desafio de sair de casa rumo ao desconhecido. Escrita a partir das viagens ilegais dos avós de alguns membros da banda pela Europa e pelos Estados Unidos, a canção é mais um tiro certeiro do grupo ao soar como uma espécie de dreampop-faroeste, cantado em diferentes línguas e com direito a assovios que parecem sair de um filme do Butch Cassidy. As guitarras ensolaradas, que são marcas registradas da banda, também se aliam a palminhas e sintetizadores para contrastar com seus elementos nostálgicos e formar uma produção que a traz certamente para os dias de hoje.

Trails And Ways – Border Crosser

Se gostou do que ouviu, não se esqueça de dar uma passada no Facebook do grupo para baixar a música de forma oficial. Em 2013 poderemos ouvir seu disco de estreia, Trilingual, certamente já um dos mais aguardados por nós.

Foxygen é o nome do duo formado pelos amigos Sam France e Jonathan Rado, ambos de 22 anos, que apesar de morarem em costas opostas nos Estados Unidos resolveram se juntar para fazer o tipo de música que você talvez não esperaria ouvir em 2012. Amantes do rock psicodélico e da década de 60, o Foxygen lançou no começo do ano o EP Take The Kids Off Broadway, pelo famoso selo Jagjaguwar, detentor de nomes como Bon Iver, Unknown Mortal Orchestra e GAYNGS, e agora chega com o primeiro single do seu disco de estreia, previsto para 2013.

“Shuggie”, o novo lançamento do duo, mostra que eles aprenderam bem a lidar com o dinamismo do rock clássico ao mesmo tempo em que mantém uma produção cristalina e aventureira que passeia por diversos ritmos, décadas e melodias durante seus pouco mais de três minutos. Os vocais em reverb lembram na hora de um MGMT mais adulto, com a letra viajante, que fala de “brincos de rinocerontes” e “portos abandonados”, só ajudando as comparações. Enquanto as batidas aceleram e desaceleram abruptamente, uma produção vintage à-la Electric Guest ajuda a manter a fluidez da faixa, contribuindo com flautas, riffs de guitarra, baixos dançantes e até um final inusitado, cantarolado de forma nostálgica pelos amigos.

Foxygen – Shuggie

Prepare-se para o primeiro disco do Foxygen, We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic, que sai no dia 22 de janeiro de 2013 pelo selo Jagjaguwar.

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