Mês passado nós falamos sobre “Flutes”, o primeiro gostinho do novo disco do Hot Chip, que lança em Junho, mas se achou o single um pouco longo e estava esperando por um pouquinho mais, talvez tenha-se como satisfeito ao ouvir o primeiro single oficial do trabalho, “Night & Day”, que acaba de ser liberado.

Com menos de quatro minutos (ao contrário dos 8 do anterior), “Night & Day” é aquele tipo de single que já esperamos do Hot Chip: um electro-pop durão, que se paga de experimental, mas que acaba cedendo pro pop em algum momento. Na verdade, falar que o número é “durão” aqui seria errado. Com um baixo brincalhão iniciando a faixa, a música e seu ritmo funky vão ganhando sintetizadores bizarros e ameaçadores que nos conduzem ao refrão, que começa com um coro de “let’s sway” e termina repetindo seu título com os vocais processados em falsete de Alexis, que soa aqui como o próprio Prince comandando uma festa do Drácula. Prepare-se para dançar essa aqui nos finais de semana a seguir.

Hot Chip – Night & Day

O single de “Night & Day” será lançado no dia 4 de Junho e conta com remixes de 2 Bears e uma b-side inédita, enquanto o disco, In Our Heads, sai no dia 11 de Junho pelo selo Domino. Se perdeu, confira também o pré-single, “Flutes”.

Jessie Ware – 110%

Luis Felipe —  13/04/2012 — 1 Comment

Com uma das melhores e mais sedutoras canções pop do ano, Jessie Ware fez todo mundo correr atrás dela graças ao seu primeiro single, “Running”, um soul-pop de grandes proporções com uma melodia atemporal e uma produção de classe. Felizmente, a escassez de novidades (e músicas) acaba de chegar ao fim, com o lançamento inesperado de seu segundo single, “110%”, produzido por Julio Bashmore.

Enquanto no single anterior a produção era composta basicamente de instrumentos ôrganicos como guitarras, baterias, violinos e trazia uma vibe nostálgica, seu novo single, “110%”, soa como um R&B moderno extremamente pop e que parece ter sido feito a dedo para o verão. Baterias programadas, samples, sintetizadores e os vocais sempre sedutores de Jessie estão mais que presentes aqui, criando um número que soa quase como uma versão drum’n’bass do último single da Cassie, “King of Hearts”, mas com um refrão grudento que fala sobre “dançar sozinho”, onde não lembrar da Robyn será quase impossível. Calma mas dançante; eletrônica mas tropical, “110%” é o que poderíamos chamar de “pop de qualidade”. E se depender dos seus dois single, fiquem de olho pois Jessie Ware está vindo com dos melhores debuts do ano por aí.

Jessie Ware – 110%

O single “110%” sai com vários remixes no dia 4 de Junho pelo selo PMR, mas já pode ser comprado digitalmente a partir de hoje, e o debut, Devotion, deve sair logo logo.

Depois de, na minha opinião, um dos Friday Mixes mais legais que já tivemos por aqui, ficou bem difícil tentar superá-lo. Sorte nossa, entretanto, que nessa semana tivemos uma boa dose de remixes “de peso”, de gente como Avicii, The Knocks, Penguin Prison, Mylo e Soulwax. Do outro lado, os novatos Lenno, Walden e Kat Krazy fazem carreira com remixes gigantescos que deixam alguns experientes comendo poeira.

E mais uma vez, se você perdeu a edição passada, agora teremos o DJ Amplis unindo todas as músicas do Friday Mixes em uma mixagem profissional e ininterrúpta, pra ser ouvida numa única dose energética de 40 minutos, que deixará seu coração a mil. Com um começo mais “pesado” e cheio de melodias por sintetizadores, batidas progressivas e todo um toque piano-house, a mix logo evolui para algo mais calmo, charmoso e um tanto elaborado em seu final, sem deixar o ritmo cair.

Friday Mixes 38 #REMIXED

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Madonna – Girl Gone Wild (Avicii Remix)

Minhas esperanças para o novo disco da Madonna, o MDNA, se esgotaram logo após a primeira audição do disco, dolorosa, diga-se de passagem. Bem diferente desse remix do Avicii para “Girl Gone Wild”, entretanto. Agora eu te pergunto: cadê esse tipo de som no disco? Veja bem, com Madonna os recursos são ilimitados. Benassi, Solveig e Orbit são grandes nomes, mas só de olhar já tiramos três conclusões: são todos experientes (até demais), comerciais e principalmente já consagrados, então porque não dar um passo a frente? Madonna sempre soube se manter relevante e nessa época o que fazia era abraçar o som que estava logo abaixo do mainstream e fazê-lo popular. Aqui o que ela fez foi seguir, e principalmente pegar onda na ascensão dos remixes e da música eletrônica para fazer uma rave extravagante com a cara dessa “era”, mas novamente, porque escolher o caminho mais seguro? Se você sonhava com um disco mais aventuroso mas ainda assim mais clássico e atemporal como o Confessions, então talvez esse remix te dará um gostinho de como o disco teria soado se Madonna se arriscasse um pouquinho mais – com produtores de 20 anos ao invés de 50, de preferência.

Madonna – Girl Gone Wild (Avicii Remix)

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Martin Solveig – The Night Out (Lenno Remix)

Lenno continua moldando do som, e esse remix de “The Night Out”, último single do Martin Solveig, só comprova que o prodígio de 17 anos está em plena evolução. A versão do jovem produtor começa de forma calma, mas a partir do primeiro refrão, repleto de samples e sintetizadores, já dá pra notar seu brilho único. Lenno continua flertando com a disco music mas injeta sua própria dose de french house moderno, culminando em uma explosiva canção pronta para deixar todo mundo na pista com as mãos pro alto!

Martin Solveig – The Night Out (Lenno Remix)

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Dragonette – Let it Go (The Knocks Remix)

E os The Knocks mais uma vez acertam em cheio. Apesar de andarem meio sumidos recentemente por estarem trabalhando no primeiro disco, o duo tira um tempinho pra remixar o novo single da Dragonette, “Let It Go”, que já é um pop antêmico em sua forma original mas aqui atinge um estatus ainda mais dançante na mão dos produtores. Assim como as outras produções do duo, o remix injeta muitos sintetizadores e batidas modernas mas que remetem aos anos 80, culminando em uma explosão que consegue ser bonita e ao mesmo tempo energética.

Dragonette – Let it Go (The Knocks Remix)

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M83 – Reunion (Mylo Remix)

O M83 lançou um dos melhores discos do ano passado, e se você só conhece “Midnight City”, não sabe o que está perdendo. Felizmente, a banda está disposta a divulgar “Reunion”, uma das melhores do álbum, e para isso irá trazer seis produtores de peso para remixarem a faixa. A primeira a sair, do escocês Mylo, tinha sido lançada em uma versão radio-rip de três minutos, mas aparece agora em sua versão completa, com o dobro de duração. Com uma produção que busca referências na cena eletrônica francesa, o remix mantém a estrutura da original intacta mas adiciona sintetizadores mais dançantes e uma produção mais viva e pop, com direito a vocais picotados, uma batida meio disco e até um incrível solo de synth em seu final. Hipnotizante.

M83 – Reunion (Mylo Remix)

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Miike Snow – Paddling Out (Penguin Prison Remix)

Remixes do Miike Snow são como remixes da Adele, Lana Del Rey e Foster The People: eles saem aos montes toda semana, e mesmo assim continuam te surpreendendo a cada lançamento. Mas dessa vez, não se trata de um mero remix. A cargo dessa versão está nosso favorito Penguin Prison, que aqui resolve diminuir o ritmo da original a favor de um número quente e de atmosfera mais leve, ao contrário da produção saturada de samples da original. O resultado não é dos melhores do produtor, mas a bateria mais pesada, o ritmo funky e os sintetizadores alegres fazem do remix um take interessante que poderia muito bem ser trilha das rádio dos anos 80.

Miike Snow – Paddling Out (Penguin Prison Remix)

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Rye Rye – Boom Boom (Kat Krazy Remix)

Kat Krazy é um produtor britânico emergente que merece sua atenção. Na verdade, muito provável que você já o conheça, visto que ele é dono do explosivo remix de “Don’t Stop”, do Foster The People, que postamos semana passada, e de um remix da Rye Rye que nos deixou boquiabertos ano passado. Aqui, ele volta para adicionar mais uma vez o tempero que ficou faltando na original, aproveitando o refrão divertido de “Boom Boom”, novo single da rapper, e adicionando uma produção incrível que passa das batidas electro dançantes a samples de videogames e até a um breakdown de dubstep.

Rye Rye – Boom Boom (Kat Krazy Remix)

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Marina & The Diamonds – Primadonna (Walden Remix)

O novato produtor australiano Walden está atacando com tudo recentemente. Aqui, ele resolve dar um nova cara ao grudento single da Marina & The Diamonds, “Primadonna”, e segue os passos do Avicii para transforma a canção pop em uma bomba atômica de house progressivo, com a ajuda de riffs de sintetizadores, batidas explosivas e drops por tudo quanto é canto. Elétrico e pronto para as pistas.

Marina & The Diamonds – Primadonna (Walden Remix)

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Arcade Fire – Sprawl II (Soulwax Remix)

Quando o Arcade Fire recebe um remix decente (visto que as originais são intocáveis), o produtor merece aplausos. É claro que quando se fala do Soulwax você percebe que nem precisa: é claro que sairia algo de primeira na mão da banda. Depois de inúmeras prévias e radio rips, acaba de cair na rede a versão completa de seis minutos da faixa, e já digo que é um remix digno da original. Cheio de energia disco, o Soulwax adiciona uma linha de sintetizadores pulsantes presentes em toda a faixa e uma percussão agitada, composta de palminhas, batuques e chocalhos, além de mostrar pela primeira vez nitidamente os vocais de Win Butler a frente dos da Régine no refrão. A partir de sua metade o remix ganha toques mais sombrios e um breakdown surpreendente, que só comprova a excelência de ambos os grupos.

Arcade Fire – Sprawl II (Soulwax Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes #38 (D/L: Botão direito, Salvar como…)

O DJ Amplis é residente das festas Rifferama (rock dançante) e Discothèque (dance music), ambas no dDuck Club em Belo Horizonte, e já tocou ao lado de grandes nomes da música eletrônica nacional como The Twelves, Database e Digitária, além de discotecar como atração de abertura no show do The Kills (Rio, 2011). Prestigie o cara em suas festas, comente o post e siga-o no Soundcloud!
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Nameless – Angelina

Felipe —  12/04/2012 — 6 Comments

Nameless é uma daquelas bandas que há algumas semanas atrás, nem meia dúzia de pessoas tinham conhecimento na face da terra. Aí veio a bomba, saíram em uma coletânea da renomadíssima Kitsuné. Agora, ou eles aproveitam a onda, ou serão esquecidos novamente. Mas se depender da música, então estão mais que aprovados! Rock eletrônico classudo, com cara da cena francesa mas com pé no rock britânico. A voz remete um pouco os Klaxons e o estilo ao Franz Ferdinand, e as batidas secas acompanhadas de um baixo ganham tanto ritmo que poderiam levar facilmente uma pista à loucura. Só tem um problema: o nome da banda é meio, digamos… comum. Graças ao nome, “Nameless”, a tag do Last.Fm deles reúne milhões de músicas que não tem nome dos artistas (“nameless”), por isso há uma confusão de títulos e gêneros que vão desde ‘kenyan hip hop’, ‘afro-beat ‘, ‘ukranian’ a até mesmo ‘thrash metal’.

Mas “Angelina” não é nada disso. Começa com o refrão de forma acústica até mergulhar imediatamente em uma batida dançante completada por uma guitarra veloz. A produção limpa, as guitarras, o refrão repetitivo (mas muito divertido) e a atitude sem vergonha parece pegar um número de anotações dos discos do Franz Ferdinand, mas assim como vimos recentemente no caso do The Concept com o Phoenix, quem liga pra isso com um resultado desses? O vídeo, filmado em slow-motion, tem um monte de jovens bem vestidos se degladiando em uma floresta, e é super divertido de assistir.

Nameless – Angelina

Então, por enquanto precisaremos nos contentar com a pouca informação e conteúdo que temos. Se quiser, podem ouvir, dançar e cantar o primeiro EP da banda, auto-intitulado, até que se tenha mais notícia sobre eles.

No começo no mês apresentamos aqui o Hands, um quarteto de Los Angeles que estava prestes a lançar seu primeiro EP, o Massive Context, que saiu ontem, dia 11. O disco traz seis composições que servem de introdução para a paleta sonora da banda, e vem recheado de palmas, vocais em reverb, batidas rítmicas e melodias que te puxam da zona de conforto, caracterizando um grupo que usa de cada vertente do pop pra criar seu próprio som. Amostra disso são os singles “Warm Night Home”, já apresentado no blog, e “Magic Fingers”, lançado originalmente em 2011 mas que acaba de receber um upgrade para o disco.

Na verdade, “Magic Fingers” foi uma das primeiras músicas que chamou minha atenção para a banda, e não é por menos que é responsável por abrir o mini-disco. Com novos vocais, uma produção mais limpa e mais cheia de detalhes, a nova versão de “Magic Fingers” reafima o flerte da banda com o pop-psicodélico, cujas batidas tribais e  samples exóticos soam como obra do Animal Collective em uma viagem pelo deserto de Agrabah. Os sintetizadores aparecem menos dessa vez, mas em seu lugar entra uma linha de baixo melódica, e os vocais emotivos, que à princípio soam repetitivos, mais uma vez nos enganam e nos levam a uma reviravolta ao final da música. Assim como em “Warm Night Home”, a mudança de tom, ritmo e gênero da faixa pode causar estranhamento a princípio, mas no final ela sempre volta pra fazer sentido de novo.

Hands – Magic Fingers

O EP, Massive Context, é o primeiro do Hands e foi lançado no dia 10 de Abril pelo selo Small Plates Records.

No final do ano passado apresentei aqui no blog o quinteto de synth-pop Xylos, do Brooklyn, e seu brilhante single “X-Ray”, carro-chefe do primeiro disco, auto-intitulado, da banda. Apesar do single de grandes proporções, o álbum, entretanto, rejeitou algumas das primeiras demos do grupo a favor de canções novas e inconsistentes, resultando em uma pouca divulgação e prejudicando inclusive o andamento de “X-Ray”. Felizmente, a banda ainda guarda alguns planos pra 2012, e sua execução acaba de começar.

Mais cedo na semana a banda disse que estava trabalhando em um novo disco, programado para ainda esse ano (mas não me perguntem se o debut será “apagado”), e a prova acaba de chegar. O primeiro single do novo trabalho, “Summerlong”, está junto com “X-Ray” como mais uma peça brilhante de synth-pop a par com algumas das melhores canções do gênero. Com uma produção mais cristalina que as anteriores, a canção possui sintetizadores ainda maiores, batidas dançantes e um sonoridade luxuosa e fresca, como seu título, tudo comandado pelos vocais etéreos de Monika Heidemann, que ajudam a manter o clima sexy e vintage, mas ainda assim pop e extremamente melódico.

Xylos – Summerlong

Mais novidades do (primeiro?) disco da banda, em breve aqui no blog.

Não é de ontem que estamos falando do Electric Guest e te avisando que está vindo por aí um dos melhores debuts do ano, mas se precisar de mais alguma prova pra te convencer disso, prepare-se para sentir mais um gostinho do que está por vir no próximo dia 24, data de lançamento do aguardado Mondo. Os singles “American Daydream” e “This Head I Hold” fizeram um bom sucesso nos blogs, e apesar de me simpatizar muito com a última, basta ouvir o álbum uma única vez para perceber que o disco tem melhores candidatas a single, como a romântica “Amber”, a über-feliz “Waves” e a clássica “Under The Gun”, que os apresento agora.

Como todo o disco, “Under The Gun” foi produzida pelo Danger Mouse e segue a produção psych-soul-pop já estabelecida pelo grupo. Contando duas histórias paralelas de dois jovens que partem para a cidade grande atrás de fama e independência, sua letra nos leva para uma viagem através de suas trajetórias, nos guiando através de belos pianos, um baixo melódico, efeitos psicodélicos e um final brilhante, com os vocais de Asa Taccone se fundindo a harmonias vocais femininas e culminando em um exótico solo de sintetizadores. Pra ouvir no repeat eternamente.

Electric Guest – Under The Gun

Como se já não tivesse avisado o bastante, o Electric Guest chega no dia 24 de Abril com seu debut Mondo, pelo selo Downtown.  Como disse, o disco é maravilhoso, e se quiser ouvir um pouquinho mais, recomendo que ouça a sessão da banda para o Daytrotter, onde podem ouvir as inéditas “Amber”, “Holes” e “The Bait”.