Se você é fã daquele pop mais “artístico” do Reino Unido, provavelmente já deve ter se deparado com a voz de Jessie Ware. A cantora forneceu seus vocais em “Right Thing To Do”, do SBTRKT, e em “The Vision”, do Joker, além de estar recebendo inúmeras comparações com a conterrânea Katy B. Mas não vá esperando batidas maximais em suas músicas. É só ouvir seu primeiro single, “Running”, que verá que seu caminho é outro.

“Running” na verdade está mais para um pedaço de R&B com toques noir, com uma produção desacelerada e perfeita para ser tocada em qualquer madrugada, proporcionando um sofisticado caminho para Jessie caminhar com seus vocais aveludados. Lembra na hora de alguns nomes do soul britânico como Sade e Shara Nelson, mas graças a um sedutor baixo eletrônico que combina com uma bateria esparsa e um riff de guitarra devastador em seu refrão, a sonoridade aqui é infinitamente mais moderna, além de representar a completa antítese de algumas boca-sujas que surgiram no pop recentemente (estou olhando pra vocês, Azealia Banks e Ke$ha). “Running” é bela e completamente sexy – e ela sabe disso. O vídeo, que combina danças sutis com o glamour delicado dos olhares Ware provoca um magnetismo instantâneo, e é o perfeito complemento para uma canção que esbanja tanta classe.

Jessie Ware – Running

O single de “Running” sai no dia 26 de Março e já coloca a sra. Ware como um dos nomes a se ficar de olho em 2012.

O maior motivo que me levou a abrir um blog foi pra espalhar aquilo que merece e que não estava sendo devidamente divulgado, e uma dessas bandas era o Timid Tiger. Alemães, da cena agitada de Berlim, o quinteto é mestre naquele electro-pop divertido, descompromissado e pronto pra encarar múltiplos verões, mas que infelizmente acabou não vingando. Felizmente, eles estão de volta esse ano com um novo disco, o The Streets Are Black, que chega agora já no final do mês e tem “Miracle” como seu primeiro single oficial.

Assim como as outras canções do grupo, “Miracle” é complamente instantânea e um prazer de ouvir repetidas vezes. Se você ainda não os conhece, prepare-se para se assustar (no bom sentido) com os divertidos vocais em falsete de Keshav Puroshotham, estranhos, engraçados, mas brincalhões e flúidos, lembrando um pouco o do 1,2,3. Combinado com a produção pop-minimalista da faixa, a canção chega com uma introdução de um minuto e vem carregada na percussão, flertando sem medo com o R&B e lembrando algumas composições do Django Django ou uma versão mais calma (e com sintetizadores) do Friends. O refrão consegue ser grudento usando apenas seu título como letra, e o clipe bizarro, com muito sangue, bailarinas macabras e roupas excêntricas, abre um leque de interpretações à música. Não os perca de vista dessa vez, confie em nós.

Timid Tiger – Miracle

O novo disco do Timid Tiger, The Streets Are Black, chega agora no dia 30 de Março.

Encabeçado pela maravilhosa “Live Your Life”, produzida pelo Pharrell dos Neptunes, Yuna se prepara para o lançamento do seu primeiro álbum, auto-intitulado, que finalmente ganhou um lançamento oficial para o final de Abril. Para celebrar a notícia, Yuna liberou a tracklist do disco, que contará com 4 canções produzidas pelo Pharrell e algumas pelo cotado produtor Chris Braide (Lana Del Rey, Sia), incluindo a mais nova faixa a sair do álbum, “Mermaid”.

A canção foi liberada previamente pois faz parte de uma coleção lançada em comemoração ao dia da mulher, e isso já dá uma grande dica de como soa. À primeira vista pode não passar de uma balada emocional R&B de auto-descobrimento à-la Nelly Furtado em seu bombado Loose, mas graças a uma bela instrumentação composta de batidas esparsas, harpas e violões acústicos a canção vai ficando cada vez mais interessante, nos prendendo de vez logo na primeira vez que o refrão apareceu. Acima de tudo, “Mermaid” é apenas um aperitivo do que está por vir, e nos deixa mais curiosos para o resultado completo, a ser lançado no próximo mês.

Yuna – Mermaid

Yuna lança seu álbum auto-intitulado, o Yuna, no dia 24 de Abril. Se ainda não ouviu o primeiro single, “Live Your Life”, corre que vale muito a pena.

Apesar de ser lançado em um ano forte e com grandes lançamentos como Kanye West, Arcade Fire e LCD Soundsystem, o Beach House apresentou logo em Janeiro de 2010 o que viria a integrar (e encabeçar) a lista de “Melhores do Ano” de muitos blogs e publicações por aí (inclusive a nossa). É com o hype alcançado no disco anterior e um grande peso nas costas que a banda se prepara para o lançamento do seu mais novo trabalho, Bloom, que sai em Maio mas que teve seu primeiro single liberado hoje.

Se você já é familiar com a banda e principalmente com o maravilhoso Teen Dream, não se preocupe, a sonoridade sonhadora da banda permanece a mesma em “Myth”, só que com uma produção um pouco mais polida e instrumentos melhor organizados, que constroem uma estrutura que só vai aumentando seu tom a cada estrofe. A canção começa a base de pianos e daquelas conhecidas guitarras melódicas de Alex Scally, que logo ganha a ajuda de uma percussão minimalista e dos vocais de Victoria Legrand. Como toda música do Beach House, apesar do belo começo você já sabe que as coisas vão ficar ainda melhores no refrão, e apesar de também acontecer aqui, é na segunda estrofe que a canção engrena de vez, com belas harmonias vocais e xilofones que nos fizeram sentir com 12 anos, culminando em um final mágico com um último solo de guitarra acompanhado de violinos e sintetizadores etéros. Nada muito novo para eles, na verdade, mas quando o resultado é tão bom assim acho que não temos o direito de reclamar.

Beach House – Myth

“Myth” é o primeiro single do próximo disco do Beach House, Bloom, que sai dia 15 de maio pela Sub Pop.

Foram seis anos de espera, mas Cassie finalmente voltou. Dona de uma das melhores canções pop da década passada (minha favorita “Me & U”), Cassie lançou em 2006 seu debut que trazia, além do hit consagrado, uma série de canções que flertavam com o mais fino do R&B e do pop, resultando em álbum aclamado por muitos mas apreciado por poucos. De lá pra cá não lançou nada além de fotos promocionais e alguns teasers do seu novo single, que finalmente foi lançado na rede na última semana.

“King Of Hearts” marca o retorno de Cassie, e se o primeiro disco contava com uma produção R&B minimalista, aqui quem dá as caras são refinadas batidas electro, mas não vá esperando sua típica produção dance-pop radiofônica. Cassie traz de volta seus vocais entediados demais para te seduzir e legais o bastante para se importar, que combinam perfeitamente com a produção gélida e espacial da música. A abertura é calma, a base de palminhas e bleeps eletrônicos, mas graças à sua construção hipnótica logo logo uma pulsante batida electro entro em jogo, que demanda fones de ouvido para uma melhor apreciação e nos trazem um dos seus melhores refrões até então. Mas não tenha dúvidas – essa é a mesma Cassie de 2006 reformulada para a nova década, e mal podemos esperar para ver onde irá da próxima vez.

Cassie – King Of Hearts

“King Of Hearts” é o primeiro single do segundo álbum de Cassie, ainda não intitulado, mas que sairá até a metade desse ano pelo famoso selo do Diddy, Bad Boy Records.

Beth Jeans Houghton não é nenhuma novidade na blogosfera. A cantora vem assinando alguns EPs e alguns singles desde 2009, mas sumiu durante um tempo e voltou agora, em 2012, para lançar seu primeiro disco solo. O projeto é uma parceria com a banda The Hooves Of Destiny, que comanda os instrumentos e cria melodias indie-pop que passam do delicado ao agressivo em instantes.

O primeiro single do trabalho já exemplifica a sonoridade lúdica que Beth Jeans incorpora em sua música, tanto em seu nome quanto em sua produção etérea. O título, “Dodecahedron”, veio de um sonho em que a cantora teve em que saia pelas ruas perguntando sobre o objeto, mas sem sucesso. Quando acordou, ficou com o nome na cabeça até que pesquisou e descobriu que dodecahedron é um “símbolo grego que representa o universo e uma forma idealizada do pensamento divino”, e com isso você entenda o que quiser. O mais importante é que a música é um maravilhoso indie-pop multi-facetado e cheio de surpresas, com uma introdução graciosa e uma produção mágica que conta com banjos, violinos e os vocais doces de Houghton, que no contexto nos fizeram lembrar de uma St. Vicent fazendo música pra Onde Vivem Os Monstros. O refrão é sem dúvida um dos momentos mais surpreendentes aqui, e vai apenas por uma harmonia vocal inusitada mas ainda assim graciosa, e serviria perfeitamente como um dos cantos de uma princesa da Disney para um remake sombrio à-la Labirinto do Fauno. Vocais masculinos entram em ação no último ato para dar ainda mais intensidade à música, que termina calma, do mesmo jeito que começou, deixando apenas uma vontade imensa de conhecer o restante de seu trabalho.

Beth Jeans Houghton – Dodecahedron

E pra isso, não precisa esperar. O disco, Yours Truly, Cellophane Nose, saiu no dia 26 de Fevereiro pelo selo Mute, e recomendamos fortemente que você o ouça.

Estamos acompanhando todos os passos que os britânicos do Theme Park estão dando, desde suas demos iniciais até a versão reformulada de “Milk”, em que soavam como um Friendly Fires tropical com fetiche por cowbells. A banda lançou também a balada indie “Wax” no ano passado, e é seguindo os passos desta que volta agora com o primeiro single do seu primeiro álbum, ainda não intitulado.

Apesar de não tão agitada quanto “Milk”, “Two Hours” não  chega a ser uma balada como “Wax”, mas no final é um bom complemento à elas e sem dúvidas chega como a melhor escolha que eles poderiam ter feito para um primeiro single oficial. A canção troca o gingado do último single a favor de belas melodias e tem foco nos sintetizadores e nas guitarras, com os vocais de Miles Haughton só adicionando ao ar esperançoso que a música passa, que nos fez lembrar imediatamente das canções mais intensas do LCD Soundsystem como “All I Want” – e isso é um grande elogio. Refrões pop e melodias grudentas a parte, é em “Two Hours” que vemos pela primeira vez o lado mais “pensativo” do grupo, com Miles relembrando sua infância e os momentos cruciais que o fizeram estar onde está, culminando em um final mágico que certamente mantém a banda como uma das mais promissoras de 2012.

Theme Park – “Two Hours”

O single de 7″ vem com uma faixa bônus e será lançado pelo selo Transgressive Records no dia 2 de Abril, podendo ser reservado por aqui.

Página 130 de 257« Primeira...1020...129130131...140150...Última »