Soft Care – Girls

Luis Felipe —  18/04/2012 — 1 Comment

E é mais uma vez de Los Angeles que sai a mais nova aposta para cena indie de 2012. Dessa vez estamos falando do projeto do californiano Devon Geyer, Soft Care, que, pelo o que podemos ouvir em seu primeiro single, faz uma daquelas misturas de synth-pop com chillwave e indie-rock que aparentemente deu certo. No seu caso, bastante.

A canção começa logo de cara com sintetizadores lo-fi e vocais abafados, e não adianta ajustar o som pois o audio desprovido de grave é da própria música. Ignorá-la por isso, entretanto, seria um grande erro. Os vocais elásticos de Devon lembram um pouco o de Christopher Owens no primeiro disco do Girls, mas o som aqui é outro. Divertida em cada sentido da palavra, a canção logo se desenvolve para um frenético número onde sintetizadores, riffs e até um solo matador de guitarra no final não darão trégua para descanso. O refrão, com uma melodia pra ser cantada em coro, soa como se o Oberhofer se juntasse com a aparelhagem do Neon Indian para uma declaração final (“fuck those girls!”) à todas as garotas erradas que já passaram por suas vidas.

Soft Care – Girls

”Girls” é o primeiro single do debut do Soft Care, Quiet Courage, que sai no final de Setembro.

Quarenta minutos do seu dia será o necessário para convencê-lo de que o Clock Opera só cumpriu com o que prometeu. Lançado no próximo dia 24 de Abril, o Ways To Forget, tão esperado debut do quinteto, consegue ser acessível ao mesmo tempo que artístico, e deve surpreender até mesmo quem já ouviu todos os singles e remixes lançados pela banda até então. O álbum segue a linha dos singles iniciais já lançados, trazendo os sintetizadores de “Once And For All”, a intensidade-rocker de “Lesson N.7” e a emoção de “Belongings” para criar uma obra de 10 faixas que merece ser ouvida do início ao fim.

E se acha que já ouviu o melhor da banda, conheça agora “The Last Buoys”. Com um produção orgânica mas não menos mágica, a canção deixa de lado os sintetizadores e as guitarras a favor de gentis pianos que já te ganham logo de cara, só impulsionados em seguida por um baixo pulsante e um refrão completamente sublime, tão grande capaz de criar um buraco no espaço. Os vocais de Guy Connelly atingem novos patamares nessa aqui, que contam a história fantasiosa de uma viagem sem rumo e criam um belíssimo número pop que, se ouvido pelo Chris Martin, certamente o causará um bloqueio-criativo para o novo do Coldplay.

Clock Opera – The Last Buoys

E para contrastar com a beleza na simplicidade de “The Last Buoys”, está “A Piece of String”, um frenético número dançante que acaba de ganhar uma boa repaginada para o disco. A batida mais parece com um número de R&B funky do Jai Paul ou até com uma espécie de “sambinha-eletrônico”, tudo isso graças a samples eletrônicos que aqui são processados e recortados numa frequência absurda, causando um efeito sonoro semelhante a uma sinfonia de synths que te farão se mexer imediatamente. Apesar da sua estrutura fora do normal, a canção vai ganhando momentum até a “sinfonia-eletrônica” ficar cada vez mais furiosa e culminar em um intenso refrão, que acaba abruptamente com a música.

Clock Opera – A Piece of String

Se acompanhou nossos posts, então já ouviu mais da metade do Ways To Forget, primeiro disco do projeto de Guy Connelly. Se gostou do que ouviu, as chances são alta de que irá gostar das outras três músicas restantes do disco. O Ways To Forget sai no dia 24 de Abril pelo selo Moshi Moshi Records, mas pode ser ouvido logo abaixo, cortesia do Hype Machine. Se perdeu, confira os singles “Man Made”, “Lesson N. 7”, “Belongings” e “Once & For All”, todos extraídos do disco.

Ouça o Disco…

O trabalho do bombástico duo Major Lazer, composto pelo Diplo e Switch, é um daqueles que acabou ficando maior do que esperado. Tendo em vista a grande repercussão do primeiro disco dos caras, para gravar o segundo disco, que sai em Julho, eles resolveram cair nos estúdios da Tuff Gong (fundado pelo Bob Marley, na Jamaica), cujos efeitos podem ser vistos no seu primeiro single, liberado ontem pela banda.

Se você sempre associou o trabalho do Major Lazer como uma versão mais elétrica e dançante do Diplo, prepare-se para ter um novo conceito do duo. As batidas pesadas ficam de fora dessa vez, e em seu lugar entra um dub calmo e viajante, quase como um daqueles electro-reggaes da Santigold. Nos vocais, entretanto, está Amber Coffman, do Dirty Projectors, que traz da sua banda suas típicas harmonias vocais e cantos tribais, que se unem a um refrão doce e melódico, onde expressa seus desejos pela liberdade. Se você não acreditar que o Major Lazer fez uma das canções mais bonitas do ano, ouça e comprove por si mesmo logo abaixo.

Major Lazer – Get Free (Ft. Amber of Dirty Projectors)

Major Lazer – Get Free (Ft. Amber of Dirty Projectors) (Bonde Do Rolê Remix)

Mês passado nós falamos sobre “Flutes”, o primeiro gostinho do novo disco do Hot Chip, que lança em Junho, mas se achou o single um pouco longo e estava esperando por um pouquinho mais, talvez tenha-se como satisfeito ao ouvir o primeiro single oficial do trabalho, “Night & Day”, que acaba de ser liberado.

Com menos de quatro minutos (ao contrário dos 8 do anterior), “Night & Day” é aquele tipo de single que já esperamos do Hot Chip: um electro-pop durão, que se paga de experimental, mas que acaba cedendo pro pop em algum momento. Na verdade, falar que o número é “durão” aqui seria errado. Com um baixo brincalhão iniciando a faixa, a música e seu ritmo funky vão ganhando sintetizadores bizarros e ameaçadores que nos conduzem ao refrão, que começa com um coro de “let’s sway” e termina repetindo seu título com os vocais processados em falsete de Alexis, que soa aqui como o próprio Prince comandando uma festa do Drácula. Prepare-se para dançar essa aqui nos finais de semana a seguir.

Hot Chip – Night & Day

O single de “Night & Day” será lançado no dia 4 de Junho e conta com remixes de 2 Bears e uma b-side inédita, enquanto o disco, In Our Heads, sai no dia 11 de Junho pelo selo Domino. Se perdeu, confira também o pré-single, “Flutes”.

Jessie Ware – 110%

Luis Felipe —  13/04/2012 — 1 Comment

Com uma das melhores e mais sedutoras canções pop do ano, Jessie Ware fez todo mundo correr atrás dela graças ao seu primeiro single, “Running”, um soul-pop de grandes proporções com uma melodia atemporal e uma produção de classe. Felizmente, a escassez de novidades (e músicas) acaba de chegar ao fim, com o lançamento inesperado de seu segundo single, “110%”, produzido por Julio Bashmore.

Enquanto no single anterior a produção era composta basicamente de instrumentos ôrganicos como guitarras, baterias, violinos e trazia uma vibe nostálgica, seu novo single, “110%”, soa como um R&B moderno extremamente pop e que parece ter sido feito a dedo para o verão. Baterias programadas, samples, sintetizadores e os vocais sempre sedutores de Jessie estão mais que presentes aqui, criando um número que soa quase como uma versão drum’n’bass do último single da Cassie, “King of Hearts”, mas com um refrão grudento que fala sobre “dançar sozinho”, onde não lembrar da Robyn será quase impossível. Calma mas dançante; eletrônica mas tropical, “110%” é o que poderíamos chamar de “pop de qualidade”. E se depender dos seus dois single, fiquem de olho pois Jessie Ware está vindo com dos melhores debuts do ano por aí.

Jessie Ware – 110%

O single “110%” sai com vários remixes no dia 4 de Junho pelo selo PMR, mas já pode ser comprado digitalmente a partir de hoje, e o debut, Devotion, deve sair logo logo.

Depois de, na minha opinião, um dos Friday Mixes mais legais que já tivemos por aqui, ficou bem difícil tentar superá-lo. Sorte nossa, entretanto, que nessa semana tivemos uma boa dose de remixes “de peso”, de gente como Avicii, The Knocks, Penguin Prison, Mylo e Soulwax. Do outro lado, os novatos Lenno, Walden e Kat Krazy fazem carreira com remixes gigantescos que deixam alguns experientes comendo poeira.

E mais uma vez, se você perdeu a edição passada, agora teremos o DJ Amplis unindo todas as músicas do Friday Mixes em uma mixagem profissional e ininterrúpta, pra ser ouvida numa única dose energética de 40 minutos, que deixará seu coração a mil. Com um começo mais “pesado” e cheio de melodias por sintetizadores, batidas progressivas e todo um toque piano-house, a mix logo evolui para algo mais calmo, charmoso e um tanto elaborado em seu final, sem deixar o ritmo cair.

Friday Mixes 38 #REMIXED

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Madonna – Girl Gone Wild (Avicii Remix)

Minhas esperanças para o novo disco da Madonna, o MDNA, se esgotaram logo após a primeira audição do disco, dolorosa, diga-se de passagem. Bem diferente desse remix do Avicii para “Girl Gone Wild”, entretanto. Agora eu te pergunto: cadê esse tipo de som no disco? Veja bem, com Madonna os recursos são ilimitados. Benassi, Solveig e Orbit são grandes nomes, mas só de olhar já tiramos três conclusões: são todos experientes (até demais), comerciais e principalmente já consagrados, então porque não dar um passo a frente? Madonna sempre soube se manter relevante e nessa época o que fazia era abraçar o som que estava logo abaixo do mainstream e fazê-lo popular. Aqui o que ela fez foi seguir, e principalmente pegar onda na ascensão dos remixes e da música eletrônica para fazer uma rave extravagante com a cara dessa “era”, mas novamente, porque escolher o caminho mais seguro? Se você sonhava com um disco mais aventuroso mas ainda assim mais clássico e atemporal como o Confessions, então talvez esse remix te dará um gostinho de como o disco teria soado se Madonna se arriscasse um pouquinho mais – com produtores de 20 anos ao invés de 50, de preferência.

Madonna – Girl Gone Wild (Avicii Remix)

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Martin Solveig – The Night Out (Lenno Remix)

Lenno continua moldando do som, e esse remix de “The Night Out”, último single do Martin Solveig, só comprova que o prodígio de 17 anos está em plena evolução. A versão do jovem produtor começa de forma calma, mas a partir do primeiro refrão, repleto de samples e sintetizadores, já dá pra notar seu brilho único. Lenno continua flertando com a disco music mas injeta sua própria dose de french house moderno, culminando em uma explosiva canção pronta para deixar todo mundo na pista com as mãos pro alto!

Martin Solveig – The Night Out (Lenno Remix)

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Dragonette – Let it Go (The Knocks Remix)

E os The Knocks mais uma vez acertam em cheio. Apesar de andarem meio sumidos recentemente por estarem trabalhando no primeiro disco, o duo tira um tempinho pra remixar o novo single da Dragonette, “Let It Go”, que já é um pop antêmico em sua forma original mas aqui atinge um estatus ainda mais dançante na mão dos produtores. Assim como as outras produções do duo, o remix injeta muitos sintetizadores e batidas modernas mas que remetem aos anos 80, culminando em uma explosão que consegue ser bonita e ao mesmo tempo energética.

Dragonette – Let it Go (The Knocks Remix)

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M83 – Reunion (Mylo Remix)

O M83 lançou um dos melhores discos do ano passado, e se você só conhece “Midnight City”, não sabe o que está perdendo. Felizmente, a banda está disposta a divulgar “Reunion”, uma das melhores do álbum, e para isso irá trazer seis produtores de peso para remixarem a faixa. A primeira a sair, do escocês Mylo, tinha sido lançada em uma versão radio-rip de três minutos, mas aparece agora em sua versão completa, com o dobro de duração. Com uma produção que busca referências na cena eletrônica francesa, o remix mantém a estrutura da original intacta mas adiciona sintetizadores mais dançantes e uma produção mais viva e pop, com direito a vocais picotados, uma batida meio disco e até um incrível solo de synth em seu final. Hipnotizante.

M83 – Reunion (Mylo Remix)

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Miike Snow – Paddling Out (Penguin Prison Remix)

Remixes do Miike Snow são como remixes da Adele, Lana Del Rey e Foster The People: eles saem aos montes toda semana, e mesmo assim continuam te surpreendendo a cada lançamento. Mas dessa vez, não se trata de um mero remix. A cargo dessa versão está nosso favorito Penguin Prison, que aqui resolve diminuir o ritmo da original a favor de um número quente e de atmosfera mais leve, ao contrário da produção saturada de samples da original. O resultado não é dos melhores do produtor, mas a bateria mais pesada, o ritmo funky e os sintetizadores alegres fazem do remix um take interessante que poderia muito bem ser trilha das rádio dos anos 80.

Miike Snow – Paddling Out (Penguin Prison Remix)

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Rye Rye – Boom Boom (Kat Krazy Remix)

Kat Krazy é um produtor britânico emergente que merece sua atenção. Na verdade, muito provável que você já o conheça, visto que ele é dono do explosivo remix de “Don’t Stop”, do Foster The People, que postamos semana passada, e de um remix da Rye Rye que nos deixou boquiabertos ano passado. Aqui, ele volta para adicionar mais uma vez o tempero que ficou faltando na original, aproveitando o refrão divertido de “Boom Boom”, novo single da rapper, e adicionando uma produção incrível que passa das batidas electro dançantes a samples de videogames e até a um breakdown de dubstep.

Rye Rye – Boom Boom (Kat Krazy Remix)

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Marina & The Diamonds – Primadonna (Walden Remix)

O novato produtor australiano Walden está atacando com tudo recentemente. Aqui, ele resolve dar um nova cara ao grudento single da Marina & The Diamonds, “Primadonna”, e segue os passos do Avicii para transforma a canção pop em uma bomba atômica de house progressivo, com a ajuda de riffs de sintetizadores, batidas explosivas e drops por tudo quanto é canto. Elétrico e pronto para as pistas.

Marina & The Diamonds – Primadonna (Walden Remix)

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Arcade Fire – Sprawl II (Soulwax Remix)

Quando o Arcade Fire recebe um remix decente (visto que as originais são intocáveis), o produtor merece aplausos. É claro que quando se fala do Soulwax você percebe que nem precisa: é claro que sairia algo de primeira na mão da banda. Depois de inúmeras prévias e radio rips, acaba de cair na rede a versão completa de seis minutos da faixa, e já digo que é um remix digno da original. Cheio de energia disco, o Soulwax adiciona uma linha de sintetizadores pulsantes presentes em toda a faixa e uma percussão agitada, composta de palminhas, batuques e chocalhos, além de mostrar pela primeira vez nitidamente os vocais de Win Butler a frente dos da Régine no refrão. A partir de sua metade o remix ganha toques mais sombrios e um breakdown surpreendente, que só comprova a excelência de ambos os grupos.

Arcade Fire – Sprawl II (Soulwax Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes #38 (D/L: Botão direito, Salvar como…)

O DJ Amplis é residente das festas Rifferama (rock dançante) e Discothèque (dance music), ambas no dDuck Club em Belo Horizonte, e já tocou ao lado de grandes nomes da música eletrônica nacional como The Twelves, Database e Digitária, além de discotecar como atração de abertura no show do The Kills (Rio, 2011). Prestigie o cara em suas festas, comente o post e siga-o no Soundcloud!
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Nameless – Angelina

Felipe —  12/04/2012 — 6 Comments

Nameless é uma daquelas bandas que há algumas semanas atrás, nem meia dúzia de pessoas tinham conhecimento na face da terra. Aí veio a bomba, saíram em uma coletânea da renomadíssima Kitsuné. Agora, ou eles aproveitam a onda, ou serão esquecidos novamente. Mas se depender da música, então estão mais que aprovados! Rock eletrônico classudo, com cara da cena francesa mas com pé no rock britânico. A voz remete um pouco os Klaxons e o estilo ao Franz Ferdinand, e as batidas secas acompanhadas de um baixo ganham tanto ritmo que poderiam levar facilmente uma pista à loucura. Só tem um problema: o nome da banda é meio, digamos… comum. Graças ao nome, “Nameless”, a tag do Last.Fm deles reúne milhões de músicas que não tem nome dos artistas (“nameless”), por isso há uma confusão de títulos e gêneros que vão desde ‘kenyan hip hop’, ‘afro-beat ‘, ‘ukranian’ a até mesmo ‘thrash metal’.

Mas “Angelina” não é nada disso. Começa com o refrão de forma acústica até mergulhar imediatamente em uma batida dançante completada por uma guitarra veloz. A produção limpa, as guitarras, o refrão repetitivo (mas muito divertido) e a atitude sem vergonha parece pegar um número de anotações dos discos do Franz Ferdinand, mas assim como vimos recentemente no caso do The Concept com o Phoenix, quem liga pra isso com um resultado desses? O vídeo, filmado em slow-motion, tem um monte de jovens bem vestidos se degladiando em uma floresta, e é super divertido de assistir.

Nameless – Angelina

Então, por enquanto precisaremos nos contentar com a pouca informação e conteúdo que temos. Se quiser, podem ouvir, dançar e cantar o primeiro EP da banda, auto-intitulado, até que se tenha mais notícia sobre eles.