A California está com todo gás esse ano, e o The Neighbourhood está aí para acrescentar mais uma unidade nesse número. Seu som é certamente intrigante: uma produção bonita, comandada pelo baixo e cheia de ritmo, ganham versos rápidos, quase falados, como uma espécie de hip-hop-indie. Não é a toa que chegaram a comentar, no Neon Gold, que “eram o tipo de coisa de se esperar se o Cold War Kids fizesse um disco no universo da Lana Del Rey“. E o novo single, “Sweater Wheater”, mostra bem isso.

A instrumentação é bonita, meio Foals, e se parece de fato como uma Lana Del Rey só que versão ao vivo, sem aquele tanto de samples do disco. Para constrastar com as melodias suaves, versos que alternam do cantado ao falado lembram da estrutura dinâmica de músicas como “Diet Mountain Dew”, principalmente graças a uma mudança na casa dos 2:40, quando ela se quebra só para voltar com um coro de “ohhh”s que culmina em um último refrão. O clipe é um conto de amor noir, que usa de uma tela dividida para mostrar dois takes da história de um casal em viagem pelas praias californianas. Na medida que a road trip dos dois passa da diversão para as “idas e vindas”, as imagens começam a ficar fora de foco – tudo isso numa estética meio episódio de Skins dirigido pelo David Lynch.

The Neighbourhood – Sweater Weather

Em Fevereiro apresentamos o Elliphant, projeto misterioso descoberto pelo mesmo selo do Niki & The Dove e da Icona Pop, que chegou pra enriquecer e variar ainda mais a cena musical sueca. O primeiro single, “In The Jungle”, trazia vocais abafados e uma produção inventiva, culminando numa brilhante canção pop mas que não dizia muito sobre a banda em si. Com o aparecimento de uma nova música ontem, entretanto, agora temos mais um motivo para ficarmos animados com o grupo.

“TeKKno Scene” pode não trazer a mesma produção mirabolante do single anterior, mas ela com certeza também te fará dançar em segundos. Apesar do começo tímido, a canção logo trata de agitar as coisas com batidas dancehall que mais parecem obra do Diplo, acompanhados por vocais que finalmente ganham uma melhor chance aqui, e soam como uma espécie de The Knife tentando fazer cover da M.I.A., tudo graças aos versos rápidos e às rimas frenéticas da vocalista misteriosa.

Elliphant – TeKKno Scene (Feat. Adam Kanyama)

Ouve só a história: ela tem 21 anos, diz que sua música é bem “cinematográfica”, grandiosa, cheia de orquestra, que sempre gostou das trilhas sonoras antigas da Disney e que uma de suas maiores inspiraçãoes é o Frank Sinatra. Conseguiu adivinhar quem é? Errado. Se esse post tivesse alguns meses de atraso provavelmente a resposta seria “Lana Del Rey“, mas acredite, a sonoridade da Ren Harvieu realmente se parece com a da americana, que quem sabe pode acabar sendo a versão “aclamada” de Lana. Na verdade, ela recentemente conseguiu um lugar na lista da BBC de “Apostas de 2012”, e, enquanto se recupera de um acidente quase fatal, a britânica se prepara para o lançamento do seu primeiro disco com um novo single, “Open Up Your Arms”.

Um grande número pop-retrô que confirma as influências da cantora, “Open Up Your Arms” é um daqueles singles que chama sua atenção de imediato, graças aos belos vocais de Harvieu e principalmente a um refrão clássico, que carrega basicamente toda a essência da música, nos fazendo lembrar da versatilidade de “Video Games” (que mesmo com os inúmeros remixes não perdia sua personalidade). Diferentemente do primeiro single de Lana, entretanto, “Open Up Your Arms” não mira no “sutil” mas em muitas vezes na produção “extravagante” à-la Florence & The Machine, abraçando de vez sua sonoridade noir e adicionando pianos, trompetes, violinos e saxofones em cada espaço possível. Mas não nos leve a mal – a produção, que ficou por conta do Dave McCabe do The Zutons, é belíssima e faz juz à composição, que na verdade já seria ouro com qualquer batida de fundo. Lana, Adele – a competição acaba de ficar mais acirrada.

Ren Harvieu – Open Up Your Arms

“Open Up Your Arms” é o segundo single do primeiro álbum da Ren Harvieu, o Through The Night, que sai no dia 23 de Abril e já pode ser encomendado por aqui.

Los Angeles está se mostrando uma das maiores cidades para novas bandas esse ano, e se juntando às meninas do HAIM e aos rapazes do Electric Guest, conheça o quarteto do Hands, a mais nova promessa do polo musical. Na verdade o Hands já vem liberando alguns singles desde o ano passado, mas é esse ano, em Abril, que lançarão seu primeiro EP oficial, e junto dele, o single de “Warm Night Home”.

Diferentemente de suas outras músicas, pesadas nos samples e nos eletrônicos, a banda parece ter firmado com a sonoridade mais melódica e indie-pop em “Warm Night Home”. Basicamente soam como o Foster The People gostariam de ser no segundo disco: uma bela experimentação de sintetizadores, guitarras e refrões fáceis, mas com uma estrutura menos convencional, mais cheia de surpresas. O single já começa com o pé direito, com uma cascata de sintetizadores abrindo alas para pianos e uma percussão gentil, que nos leva diretamente ao primeiro refrão, cantado todo “emocionalmente” no melhor estilo Mark Foster, com direito a deliciosos riffs de guitarra e falsetes que parecem que vão virar assovios. A segundo estrofe adiciona guitarras viajantes, mas é após o segundo refrão que a coisa muda radicalmente. Na casa dos 2:10, a canção decide “virar gente grande” e dar uma de “All These Things That I’ve Done” (The Killers), se descontruindo totalmente e mudando toda sua estrutura, com um novo refrão que, acompanhado por uma produção progressive, atinge alturas totalmente inesperadas em seu final. O vídeo é meio “My Girls” (Animal Collective), mas captura bem os altos e baixos da música, com fogos de artifício fazendo um show justamente em seu clímax, deixando todos nós salivando por mais.

Hands – Warm Night Home

Mas não se preocupe, que no dia 10 de Abril o Hands já lança seu primeiro EP, o Massive Context, pelo selo Small Plate Records. Estamos ansiosos.

Com o segundo disco programado pra Maio, Bethany Cosentino e seu Best Coast estão prontos pra invadir nossos ouvidos (e o verão dos norte-americanos) com mais uma série de canções grudentas, que pelo menos até então não se distanciaram muito do tema do primeiro disco, que poderia praticamente ser resumido em “praia, amor e drogas”. “The Only Place” é a faixa título e primeiro single do segundo disco, que como prometido pela vocalista, terá a banda experimentando com uma “nova instrumentação”, fato cumprido com o single.

Como dito, o disco é novo mas eles ainda “não trocaram a fita”. “The Only Place” é uma ode ao estado natal da banda (pra quem não deduziu pela capa, California), e no fundo ainda é aquela música que te fez cair de amores pelo Best Coast em primeiro lugar. O capricho com a produção é literalmente mais nítido, e os instrumentos mais fizeram lembrar de um country-rock do que do surf-rock original da banda, mas apesar da surpresa a mudança foi um tanto positiva. Enquanto tivermos bons refrões pra grudarem em nossa cabeça (como no caso aqui), prometemos não reclamar desse segundo disco.

Best Coast – The Only Place

O The Only Place, o disco, chega no dia 15 de Maio.

Se você for como nós, provavelmente deve ter pirado com um post no Facebook dos Morning Benders deste domingo, onde os caras falavam que este seria seu “último post” na internet. E de fato foi. Algumas horas depois, o site oficial da banda foi atualizado já pra anunciar a novidade: uma mudança de nome. De acordo com eles, o termo “bender” no inglês britânico é um termo pejorativo pra “gay”, algo como “bicha” pra gente. Com uma carta explicativa no site e o novo nome apresentado, POP ETC, a banda ainda deixou de presente uma singela mixtape de onze faixas, que deixou claro que não foi só o nome que ficou pra trás.

As guitarras viajadas e o clima soft-rock reminescente do Grizzly Bear eram marcas da banda, do Morning Benders, digo. O POP ETC é outra coisa, e adivinhem, é mais POP. Guitarras abrem espaço pra sintetizadores e riffs abrem espaço pra samples, mas apesar de inconsistente, a mixtape traz alguns números promissores, como por exemplo “Hungry Like The Wolf”. Batidas pré-programadas abrem a faixa que começa com vocais familiares e um clima todo electro-pop, mas é o refrão que faz da música um hit instantâneo – nada menos que gigante e completamente diferente de tudo que fizeram. Se o POP ETC é realmente uma nova banda, então “Hungry Like The Wolf” é sua melhor introdução.

POP ETC – Hungry Like The Wolf

Das outras dez faixas restantes, quatro são interludes e uma é um cover da Bjork, o que faz “Halfway To Heaven” imediatamente a segunda melhor do disco. Dessa vez o ritmo é reduzido, e ao invés do climinha electro-pop, batidas eletrônicas R&B fazem da canção um número mais lento mas um tanto mais pegajoso, que graças às belas harmonias vocais nos fez lembrar que é realmente o Morning Benders por trás da brincadeira toda. A produção é caprichada, e nos lembrou vagamente do Discovery, projeto de R&B-eletrônico do Vampire Weekend com o Ra Ra Riot.

POP ETC – Halfway To Heaven

Então é isso, “adeus” Morning Benders e “olá” POP ETC. Como disse, a mixtape é só um aperitivo do que vem por aí, fiquem ligado que o próximo single deles, “YoYo”, deve chegar em breve (e é sensacional). Por enquanto, baixem a mixtape (chamada simplesmente de Mixtape) por aqui.

Dois anos de Oh My Rock, dá pra acreditar? Desde 2009 tinha uma vontade de abrir um blog para divulgar os artistas pouco falados aqui no Brasil, e apesar de um começo lento, engrenamos de vez em Março de 2010, dia 23 pra ser mais exato. E de lá pra cá não paramos. No caminho apresentamos vários artistas novos, muitos deles pela primeira vez em território nacional, sempre com um enorme cuidado com a seleção das postagens e suas resenhas, de modo com que cada post contribuisse realmente pra blogosfera – seja dentro ou fora do nosso país – e o mais importante, tudo com um espírito de “faça você mesmo” (na minha opinião, uma característica fundamental para meus blogs favoritos). Como sabem, não temos nenhum fim lucrativo e tudo o que você vê por aqui foi feito na melhor intenção de todas, para divulgar aquilo que realmente gostamos. Buscamos sempre trazer o “novo”, o “pouco divulgado”, aquela “nova descoberta”, que, apesar da empolgação excessiva e das diversas hipérboles em alguns posts, nada mais é que o reflexo do que estamos ouvindo e do que merece ser ouvido por mais pessoas.

Muito obrigado a todos que nos descobriram no decorrer desses dois anos e continuaram voltando pra mais; obrigado àqueles que sempre comentam, divulgam e compartilham nossos posts; e obrigado também a todos os parceiros e colaboradores que nos apoiaram até aqui. Vocês foram fundamentais para o nosso crescimento e somos dependentes de vocês para que o blog continue acontecendo. Por fim, fiquem com uma mixtape especial de aniversário do blog, realizada com muito carinho pelo nosso amigo Guilherme “Guigs”, futuro médico, companheiro de shows e DJ do Golarrolê, lá de Recife. Um verdadeiro tour-de-force de quase uma hora que une tanto algumas das mixagens mais populares que já passaram por aqui quanto algumas pérolas que certamente passaram batidas por muitos, a mix certamente celebra o que fazemos de melhor, a união do popular com o alternativo – que com certeza  te deixará dançando no caminho!

Mixtape: Happy Birthday, Oh My Rock!