Rai Knight não se contenta a um único título. Começou a vida musical aos 15 anos, apenas com um violão, onde cantava na sua escola por hobbie, até que começou a escrever suas próprias canções. Quando viu que a coisa ia pegar, juntou suas roupas e se mudou para Seattle, onde se afiliou a uma gravadora de indie-rock. Depois foi pra Los Angeles, fazer “urban glam” como ela mesmo diz, e depois, resolveu sair do país: foi pra Escócia, mexer com techno. Depois de oito anos fora e um belo portfolio musical nas costas, Rai voltou para sua cidade natal, Detroid, onde está atualmente assinada em uma gravadora de hip hop produzido seu primeiro disco.

Mas ela não faz hip hop. Assim como sua bagagem, seu primeiro EP tem de tudo. O primeiro single, “Without U”, é um cover de outra banda de sua cidade, Black Milk, que aqui toma uma dose de tequila e pinta o cabelo de vermelho, numa versão repleta de batidas fortes, melodias claras e o suave vocal de Rai, que nos mata toda vez que canta “good” e “again”. Imagine uma Oh Land mais cheia de coisas acontecento ao mesmo tempo, com vocais alterados e recortados, formando uma espécie de som estranho mas igualmente adorável, daqueles que chegam a ser perigosos de tão infectantes que são. “Without U” é exatamente assim.

Rai Knight – Without U

Agora se ficou curioso e quer ouvir uma produção original da cantora, seu EP Self Portrait está sendo distribuído de graça em seu BandCamp no estilo “pague o que quiser”. Outro destaque fica para “Persistence” e sua melodia anos 2000, soando como uma Nelly Furtado old school produzida pela Madonna dos anos 90. Refrões bem bolados e vocais recortados parecem ser marca da cantora, que abusa dos elementos nessa aqui também, fazendo dessa mais uma adorável composição que a destaca do mercado pop de hoje.

Rai Knight – Persistence

Se gostou do que ouviu, corra aqui e baixe o EP logo, e aproveite suas outras quatro faixas irresistíveis.

Active Child é o nome do projeto de Pat Grossi, e é daqueles caras que fazem de tudo. O cara compõe suas músicas, canta, produz e ainda toca alguns instrumentos, e apesar de ter ganhado uma certa notoriedade esse ano por conta de alguns EPs lançados, só em agosto o projeto terá um primeiro disco, chamado de You Are All I See.

Batidas minimalistas, uma produção R&B e melodias suaves são o forte do Active Child, mas em seu primeiro single, a belíssima “Playing House”, o cara resolveu dividir os vocais com o projeto lo-fi How To Dress Well, de Tom Krell, também não muito estranho ao tipo de música que Pat Grossi produz. Ao contrário da outra banda, entretanto, as batidas aqui passam longe do lo-fi, e caracterizam uma certa atmosfera vista recentemente nas músicas do The Weeknd. São batidas densas, que firmam a base perfeita para os vocais frágeis dos dois cantores, que embora tão distintos entre si, andam em perfeita harmonia nos versos e refrões da música. Ouça “Playing House” logo abaixo e aguarde pelo disco, que sai dia 23 de Agosto pelo selo Vagrant.

Active Child – Playing House (Feat. How To Dress Well)

Quando você achava que não aguentava mais ouvir “The Truth”, um dos melhores singles do ano, o PNAU lança uma nova música. Se você é leitor assíduo do blog, sabe que ficamos ansiosos para ouvir “Solid Ground” desde que postamos um remix matador da faixa no Friday Mixes, e a partir daquele dia, a procura pela sua versão original foi iniciada. Essa semana, por sorte, ela chegou ao fim. Se você ainda não conhece o PNAU, não tem hora melhor para começar o vício. Vindos da Austrália, o duo é composto por Peter Mayer e Nick Littlemore, cabeça do Empire of the Sun, que estão prestes a lançar seu segundo disco, Soft Universe, no mês que vem.

E “Solid Ground” é maravilhosa. Com “woah-ohs” de fundo, guitarras, e é claro, sintetizadores pra dar e vender, a música é um número agitado repleto de energia positiva, que deixa o ar melancólico do single anterior pra trás desde os primeiros acordes. Assim como os singles mais antigos, “Solid Ground” é uma poderosa canção de dance-pop que pede para ser cantada em coro, com um refrão grudento e bem chiclete, daqueles que prometem te acompanhar pelo resto do ano. Infelizmente, a canção só saiu em uma versão editada, com menos de quatro minutos, e parece meio apressada no geral. Ouça logo a seguir, em conjunto com mais um remix que também acabou de sair, a não menos brilhante versão de Adrian Lux, que o usa o curto break como refrão, e o refrão como break.

PNAU – Solid Ground

PNAU – Solid Ground (Adrian Lux Remix)

Aguarde pelo Soft Universe, que sai dia 22 de Julho.

Kyla La Grange é uma daquelas artistas que deveria ter postado aqui faz tempo, mas não tem hora melhor do que agora para apresentá-la ao blog. A cantora acaba de lançar seu segundo single, “Been Better”, e está no momento em turnê com outro artista favorito do blog, o Wolf Gang. Dona de uma voz inigualável, Kyla chegou aos nossos ouvidos com algumas demos acústicas que soavam como canções de folk de um bar de quintal norte-americano, e embora elas não sejam necessariamente ruins, também não chamou muita atenção. Mas foi só seu primeiro single, “Walk Through Walls”, ser lançado, que de repente todos estvavam a seus pés. Uma balada romântica, a música é uma canção pop que começa suave ma de repente nos apresente com uma sensibilidade digna de outras cantoras queridas do indie-rock, com Kyle gritando “get up, get up” em refrão sem medo de aor pretencioso, quase como um The Killers versão feminina. Nem preciso dizer que fomos conquistados de primeira, e se ainda não conhece a música, provavelmente também será.

Kyla La Grange – Walk Through Walls

Como disse, até aí nenhuma novidade, visto que “Walk Through Walls” foi lançada há quase um ano. Mas foi semana passada que Kyla resolveu lançar seu novo single, a incrível “Been Better”. Se no single anterior ela já soava poderosa, nesse aqui ela soa ameaçadora. Com uma voz de quem anda fumando muito cigarro, a faixa lembra um pouco a Lykke Li sombria do segundo disco (aquela de “Jerome”), só que misturada com o folk-rock dos Mumford & Sons. As guitarras dão os toques dramáticos, o refrão é grande e poderoso, e pelo visto, teremos esse música no replay na mesma proporção que tivemos o single anterior ano passado. Ouça logo abaixo e se prepare para um debut, que deve sair esse ano ainda.

Kyla La Grange – Been Better

O Friday Mixes de hoje está bem variado, começando com um remix matador do Kaskade para o furacão mais underrated da Beyoncé, passando pela nova do CSS em versão remixada e alguns remixes dubstep maravilhosos que vão fazer até quem não gosta do gênero pensar de novo. Ouçam a seguir e bom final de semana a todos!

Friday Remixed 22 by luissal

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Beyoncé – Run The World (Girls) (Kaskade Club Mix)

As novas músicas de Beyoncé são incríveis: elas não tem refrão, não grudam e consequentemente, não estão fazendo sucesso. Mas tome o primeiro single, “Run The World (Girls)” como exemplo, que a princípio soou como uma completa bagunça e agora está ganhando seu terceiro  remix aqui no blog. Dessa vez, entretanto, o remix é oficial, e fica a cargo do Kaskade, que inclusive esteve na edição passada do Friday Mixes. O cara traz novas batidas house progressivas, que abrem caminho para o ápice no 2:38 minutos, onde a coisa fica ainda mais insana na sua segunda metade. Com tantas versões fodonas, já estamos achando refrão aonde não tem, o que basicamente faz do single uma das coisas mais legais e inesperadas do ano.

Beyoncé – Run The World (Girls) (Kaskade Club Mix)

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CSS – Hits Me Like A Rock (Dillon Francis Remix)

Com um novo álbum previsto para Agosto, o La Liberación, se um indie brasileiro disser que não está ansioso para o novo trabalho do CSS, ele provavelmente vai estar mentindo. Ansiedade essa, que mesmo sabendo que vão me mandar tirar esse link em breve, mal posso conter a alegria em compartilhar essa faixa aqui no blog. “Hits Me Like A Rock” é o nome do novo single, e se prepare, ele é maravilhoso. Chuto que a produção da original está a cargo do João Brasil, já que o ritmo aqui é bem ensolarado e brasileiro, como “L.O.V.E. Banana”, só que com um refrão grudento e tão bobo quanto o primeiro disco do grupo, o que é uma ótima coisa. Os elementos eletrônicos do DJ Dillon Francis não atrapalham a experiência, que além de deixar a música bem dançante, ainda nos dá uma boa noção do que está por vir. Link cedido via MusicKills.

CSS – Hits Me Like A Rock (Dillon Francis Remix)

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Katy B – Easy Please Me (Caspa Remix)

Caspa é um DJ de dubstep, mas em seu remix para “Easy Please Me”, o novo single e uma das mais legais da Katy B, o cara fez um remix de algum outro gênero. É bem difícil de descrevê-lo, e não, ele não é house. Mas imagine  talvez um dubstep mais pop,  com alguns elementos do gênero, como um baixo incessante e até funky, que é o suficiente pra impedir a música de ficar dançante e o bastante para deixá-la interessante por todos os seus quatro minutos. Independente do que for, ouça agora pois vale muito a pena.

Katy B – Easy Please Me (Caspa Remix)

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Lady Gaga – Judas (Röyksopp Remix)

“Judas”, o segundo single da Lady Gaga, ganhou um dos melhores tratamentos que vimos esse ano graças ao Hurts, que fez da música um funeral pop. Agora é a vez do Röyksopp, a segunda banda (ou duo?) a mexer com a  música, dessa vez cortando algumas partes que não gostaram (como o “Judah-Judah-ah-ah”) e colocando em seu lugar sintetizadores incríveis. Efeitos na voz de Gaga e um refrão um pouco diferente do comum são outros pontos fortes desse remix, que ainda é ótimo pra dançar. Se gostou do remix que o The Sound of Arrows fez pra Nicole Scherzinger no Friday Mixes passado, vai adorar este aqui.

Lady Gaga – Judas (Röyksopp Remix)

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Britney Spears – The Big Fat Bass (Funk D Bootleg)

Falem o que quiser, mas ainda acho os Black Eyed Peas bem divertidos, e o single que o Will.I.Am fez pro novo disco da Britney, “The Big Fat Bass”, ainda conseguiu ser uma das melhores do álbum. Sua estrutura recortada e sem sentido pedia por um remix, e o Funk D acertou em cheio aqui, com um crescimento que explode no lugar onde deveria estar o refrão, que é jogado como sample aqui e alí. Mas o recheio do remix são as batidas, então mesmo que não goste da cantora vai gostar desse aqui, desde é claro que curta um bom remix.

Britney Spears – The Big Fat Bass (Funk D Bootleg)

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Oh Land – Sun Of A Gun (Jacob Plant Remix)

Jacob Plant ensina aqui como se faz um remix de dubstep sem soar chato, e a escolhida da vez é “Sun Of A Gun”, o primeiro single de Oh Land que nos deu esperança de um bom debut, que bem, decepcionou. Mas o remix nos faz lembrar o quão legal suas primeiras músicas são, com batidas agressivas constrastando com o climinha infantil da faixa, boa parte devido aos vocais da cantora. Mas não se preocupe, a estrutura da faixa está quase intacta aqui, e se você tem medo de dubstep, pode ficar tranquilo que até pedaços da versão original você vai encontrar.

Oh Land – Sun Of A Gun (Jacob Plant Remix)

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MNDR – I Go Away (The Oos & Ahhs Remix)

Não pense que a sua dose de dusbtep do dia acabou! MNDR e sua deliciosa “I Go Away” ganham um tratamento de primeira pelos novatos DJs The Oos & Ahhs, que fazem jus ao nome. Da versão original, só restaram os vocais de MNDR, mesmo que mais finos e completamente recortados, com vários ohhs e ahhs em seu refrão. A produção fica ainda mais refinada que a original, com sintetizadores brilhantes e uma seção de piano de babar. E o dubstep, que também aparece por aqui, é aplicado  de forma bem sutil, de um jeito que até os mais puristas irão amar. É brilhante, e minha única reclamação é que ele poderia durar mais do que quatro minutos.

MNDR – I Go Away (The Oos & Ahhs Remix)

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Madonna – Get Together (Monsieur Adi Remix)

O Confessions On A Dancefloor, penúltimo álbum da Madonna, me traz boas lembraças do pop da década passada, e “Get Together” me traz ainda as melhores lembranças do disco. Dessa vez, ficam de fora as batidas européias, e em seu lugar, o Monsieur Adi adiciona suaves sintetizadores, violinos e até um orgão de igreja, que dá um tom de Arcade Fire por alguns segundos inclusive. Mas não se engane, o remix é sexy e melódico, e um muito bom por sinal.

Madonna – Get Together (Monsieur Adi Remix)

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[PACOTE COMPLETO] ♫ Friday Mixes XX

*Hoje não tem o player do SoundCloud no final porque simplesmente o site bloqueeou metade das nossas faixas, então ouçam  a versão remixed do começo do post e os links individuais em cada post.

Conheça os Masters in France, que não são nem da França e nem da Inglaterra, mas sim do País de Gales. A banda se formou em 2009, mas só agora está  ganhando uma certa atenção na Europa, onde os caras estão experimentando com alguns singles no momento. O mais novo deles e responsável pelo barulho todo é esse aqui, “A.I.”, ou “Artificial Inches” se preferir, que tem uma introdução com um baixo que já pede pra ser ouvido. Logo em seguida entra o choque de guitarras e riffs, sobre um refrão tão pop e irrestível que quase deixa de ser rock. É uma pequena e muito bem construída canção, que provavelmente será sucedida por mais singles e eventualmente um álbum. Aguardem por novidades dos caras.

Masters In France – A.I. (Artificial Inches)

Se Best Coast e Wavves, e seus respectivos impérios de gatos e ervas, são a perfeita definição de verão pra você, conheça agora sua nova banda favorita, ou melhor, seu novo artista favorito. Art Imperial é o nome artístico de Arthur Imperial, que ao contrário dos amigos americanos, não veio da California. Direto do frio de Toronto, pra falar verdade, Art nunca nem pisou numa prancha de surf, mas criou uma das mais belas coleções de surf-pop que pude ouvir recentemene. Fruto da sua imaginação, que sonhava com areia, ondas e um clima mais quente, como ele mesmo diz, seu primeiro e recém lançado EP é puro sonho – daqueles que tentam capturar com sons toda a sedução de uma praia. E por falar em som, tudo o que ouvir aqui foi feito e tocado pelo cara – no porão da casa de sua mãe. “My Crystal”, o primeiro single, tem guitarras frenéticas, todos os reverbs e distorções que um rock de garagem precisa, e pra completar, uma melodia adorável e um refrão que não vai sair da sua cabeça tão cedo. Ouça logo abaixo.

Art Imperial – My Crystal

Como disse, o seu primeiro EP Surf Suburban (sacou o título?), é maravilhoso, e cada faixa mereceria um post aqui.  Se quer mais uma prova do seu talento, ouça “When I’m With You (I Feel Dumb)”. É basicamente aquela faixa perfeita pra se ouvir numa viagem, na praia, ou em qualquer ocasião em que o sol apareça. A letra segue o estilo Best Coast de ser, com o cara caindo de amores por uma menina. Confira logo abaixo.

Art Imperial – When I’m With You (I Feel Dumb)

Se ficou interessado em ouvir o EP completo, basta correr em seu BandCamp para baixá-lo na faixa, no esquema “nomeie seu preço”. São seis canções adoráveis, até mesmo mais bem elaboradas que as do Wavves/Beast Coast, tanto em produção como em melodias, que me fizerem perguntar porquê o cara tem apenas 220 scrobbles em sua página do Last.Fm até agora. Por fim, não poderia deixar de citar o recado que ele manda quando baixamos o disco:

“Se a música é livre, assim são os músicos. Como amantes de música, devemos fazer, portanto, nosso melhor para libertar a música livre das grandes corporações. Emancipe seus fones de ouvidos!”

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