Quando você der o nome à sua banda baseada num dinossauro de um desenho da Nickelodeon, os Rugrats – Os Anjinhos, e ainda chamar seu primeiro single de “Houseboat Babies”, você ganhou minha atenção. Se você ainda resolver chamar o produtor do Animal Collective para produzí-la (Ben Allen, do Merriweather Post Pavillion), é bem provável que você me faça ouvir a música pelo menos 20 vezes antes de dizer que não gostei. Mas isso não é necessário, já que não precisei ouvir essa música nem duas vezes para declará-la como uma das melhores coisas do ano até então. Se você ainda não percebeu, “Houseboat Babies” é um triunfo, e de um modo peculiar, a referência aos Anjinhos não está alí a toa. Se o  jogo de pergunta e resposta no primeiro refrão não te conquistar, com o vocalista perguntando “Can you feel it?” e uma garotada respondendo aos gritos “YES I CAN FEEL IT”, espere até o último minuto da música, onde os caras transformam essa brilhante parte de alguns segundos num verdadeiro epic-finale, com mais pelo menos dois refrões que entram na mistura.  E eu já disse que a música é dançante, tem riffs de guitarra no meio, sintetizadores bem posicionados e uma letra com pelo menos dez quotes preparados para encher sua timeline? Ouça a música logo abaixo e me diga se o hype é a toa.

Reptar – Houseboat Babies

A música faz parte do EP People Are Cool Y’all, todo produzido pelo Ben Allen.

Hoje finalmente sai o novo álbum da Britney Spears nos Estados Unidos, e se você não está nem aí pro disco, e ignorou a enxurrada de tweets sobre o álbum há duas semanas atrás, deixe eu tentar explicar o hype visto por outros olhos. A melhor maneira para isso é apresentar a vocês “How I Roll”. Posicionada no disco ao meio de canção agitadas, eletrônicas e na maioria queridas pelos fãs, está essa estranha música produzida pelo Bloodshy & Avant, que faz muito mais do que seus 3 minutos e meio podem supor.  Dito isso, fica fácil entender por quê a música foi criticada pelos fãs como uma canção “sem sentido” e “sem estrutura”. Realmente, sua estrutura não é nada convencional, mas acho que, para mim, isso a torna ainda mais atraente. Com um começo suave e uma melodia que vai se desdobrando aos poucos, a música brinca com o vocal de Britney a toda hora, que passa do angelical ao robótico em segundos, numa música que parece ser bonitinha até você parar para ouvir sua mensagem nada puritana (e até mesmo dois palavrões disfarçados que vão te pegar de surpresa). Com um segundo refrão maravilhoso que aparece do nada na segunda metade; um break inacreditável com samples dos gemidos da cantora sobre batidas que parecem garrafas de Coca-Cola explodindo; e diversas partes brilhantes e pegajosas (“bum ba da dee dum bum bum” e “shimmy ya shimmy yo shimmy yay” pra dizer algumas), a música parece aquela típica canção estranha gravada por uma cantora indie que odeia o mainstream. E é por isso que o fato de Britney ter gravado deixa tudo mais interessante.

Como disse, ao meio de tantos possíveis hits, essa pequena faixa prova ser um passo à frente para o pop, e é exatamente o que eu esparava ouvir da cantora em 2011, mesmo que esteja destinada ao esquecimento. Um pop futurístico, inovador e bizarro, que te faz lamentar que as outras popstars não tenham coragem de gravar isso ainda. Mas tem uma explicação. Com mais de dez anos de carreira e 7 discos nas costas, Britney não precisa provar mais nada a ninguém, e focada apenas em seus discos, ela grava exatamente o que quiser. Ela pode até não escrever suas faixas, dublar nos shows e não dar a mínima para o showbusiness mais, mas quem liga pra isso com canções tão brilhantes como essa em mãos? Eu não ligo, e como o Femme Fatale prova, nem ela.

Britney Spears – How I Roll

Escutar música é uma das coisas que mais faço em meu tempo livre, que convenhamos, é apertado. Mas quando é pra ouvir, melhor ouvir direito, ainda mais se tratando do Justice e seu mega-aguardado single, “Civilization”. Todo mundo que já ouviu o Cross sabe o que esperar da produção do duo-francês, e sinceramente acho um pecado ouvir ou julgar a música pela qualidade de rádio que saiu ontem. Se você foi um dos que não gostou, não se preocupe, pegue seus melhores fones, aperte o play aqui em baixo e se prepare para mudar de opinião. Tudo bem que se você esperava um hit à-la “D.A.N.C.E.” pode ser difícil, mas se esperava algo no mesmo nível que as OUTRAS canções do excelente disco, fique tranquilo que a qualidade não caiu. Com um vocal masculino  inédito dando as caras, a música têm letras, refrão e tudo mais, não ficando só nas batidas. Mas mesmo que ficasse, “Civilization” ainda mereceria mérito. Mais agressivas e cheia de detalhes só percebidas numa versão em alta qualidade, a música soa como um híbrido das violentas batidas de “Stress” com a melodia suave e dançante de “DVNO”. Depois de fakes, previews e até propagandas com a música, com um primeiro gostinho bom desse jeito, finalmente posso esperar tranquilo o próximo álbum do Justice. E que saia em qualidade boa, de preferência.

Justice – Civilization

Justice – Civilization (Q.G. Official Remix)

Há exatamente duas semanas atrás, o dono do DFA Records e cabeça do LCD Soundsystem, mais conhecido como James Murphy, lançou uma sessão no próprio blog onde eles colocariam novas músicas pra tocar em vinil, e numa dessas, que aconteceu quinta feira agora, eu me apaixonei por “Dystopia (The Earth Is On Fire)”, a nova do YACHT. Pra quem não conhece o duo, basta saber que se fosse em 2009, o blog estaria cobrindo fortemente seu segundo disco, See Mystery Lights, e sua porrada de músicas indie-disco repletas de sintetizadores pegando fogo. E por falar em fogo, essa nova música não deixa nada a dever ao último trabalho. Embora os pés estejam nas pistas, sua mensagem eco-friendly está por trás de uma causa maior: a destruição do planeta. Com uma letra irônica que manda o dedo do meio para a Terra (“the Earth is on fire, let the motherfucker burn”), a música é cheia de alertas disfarçados por melodias grudentas, principalmente quando diz que “vivemos como leões pois pensamos apenas nossa vida”. Tudo bem que ela não manda “você dançar até o mundo acabar”, mas fica difícil não querer se mexer quando tudo parece tão feliz e despreocupado. Ouça o single logo abaixo.

YACHT – Dystopia (The Earth Is On Fire)

A música é o carro-chefe do terceiro disco do duo, Shangri-La, que sai pelo DFA Records ainda esse ano.

Sem dúvidas, nossos posts mais acessados e queridos são os de remixes, e com isso, resolvi criar um Friday Mixes especial com 16 dos melhores remixes que passaram por aqui. É claro que muito remix bom ficou de fora, principalmente porque escolhi apenas o melhor de cada um dos 15 posts que fizemos, mas isso não é problema, já que você pode clicar na categoria de remixes aqui do lado e conferir todos! Boa sexta e semana que vem volto com o primeiro Friday Mixes original em um mês, então se prepara pois vem coisa boa!

Clique Aqui Para Ouvir Os Remixes!!!!

Pra falar a verdade, eu não comecei o blog há um ano atrás. Revoltado com os blogs brasileiros e sua pouca atenção às músicas novas e legais que estavam surgindo (principalmente pela atenção zero que estavam dando ao “novo álbum” do Animal Collective rs), eu decidi juntar alguns textos que tinha escrito e fazer um blog, de besteira. E assim surgiu, com divulgação zero, o Oh My Rock, em Abril de 2009. Mas acabei não levando o blog a frente. Em Novembro do mesmo ano resolvi abrir de novo, e com meia dúzia de posts até Dezembro de 2010, acabei parando de novo. Mas meu gosto pela música nova, pelo sabor de descobrir aquilo que ninguém conhece e compartilhar (sem sucesso) com os meus amigos, me fizeram voltar com tudo em Março, há exatamente um ano atrás. E desde então não parei.

E aí que mora o coração do Oh My Rock. Graças a alguns blogs que me inspiraram, em meados de 2004 eu passei de um adolescente que tinha meia dúzias de discos para um assíduo em blogs e música nova, que só abriram minha cabeça. De certa forma, fizeram parte do meu crescimento e da formação do meu gosto musical, e se tem alguém que eu devo agradecer primeiro é a eles. Como disse, no ano retrasado (2009), eu olhei pro Brasil e não achei nada sequer parecido com os sites que me prendiam lá de fora, que cobriam música nova, tinham poucos posts por dia, sem notícia, e acima de tudo, com opinião. São blogs para gente  como eu e a maioria: aqueles que não tem tempo para blogs, mas não escondem a paixão por música.

Mesmo não ganhando dinheiro nenhum com o projeto (muito pelo contrário, gastando até rs), eu posso confirmar hoje que não tenho intenção nenhuma em parar de blogar. Revezando meu pouco tempo livre com trabalho (em tempo integral) e estudos (à noite), sempre que posso eu dou uma passada por aqui pra compartilhar com vocês minha nova descoberta, meus novos achados e as novidades de bandas que já conhecem. E é assim que eu espero que seja. Enquanto for possível, espero poder sempre dar uma passada por aqui, e assim como os blogs que me inspiraram a 5 anos atrás, eu desejo fazer o mesmo. Pode ser difícil, posso não ter público pra isso aqui no Brasil, e pode até ser pretenção demais, mas quero transformar aquele menino que é fã de Britney no mais novo viciado em The Vaccines; aquela banda desconhecida que nunca pensou em vir para o Brasil vir tocar nos nossos festivais; e convencer muita gente aí afora que compartilha do mesmo sentimento que eu a abrir um blog e dividir sua opinião com o mundo.

Como forma de agradecimento, mesmo que ele não entenda porra nenhum desse texto, gostaria de agradecer primeiro ao blog que mais me inspirou (o Pretty Much Amazing); em segundo lugar aos meus leitores, dos mais fiéis que sempre comentam, fazem meu dia dando RTs e curtindo nossos posts, à aqueles que vêm aqui me chingar; aos colaboradores que já passaram por aqui e amigos que sempre ajudam  (Michel, Eduardo e Linus, do BLCKDMNDS); e por fim, visto que aqui no Brasil tem muito blog invejoso que faz vista grossa pros menores, gostaria de agradecer a todos os  ótimos blogs que me ajudaram e ainda me ajudam (In New Music We Trust, BLCKDMNDS, Que Delícia Né Gente, Decently Dope, Music Kills e Qual A Grande Ideia). São blogs que assim como o meu, compartilham o gosto pelo novo, e mal posso esperar para ver todos crescerem juntos! Um brinde aos blogs brasileiros, e muitos anos de vida ao Oh My Rock!

Daft Punk – One More Time (HLM Remix Feat. Romanthony)

E é com muita alegria que comemoro um ano do Oh My Rock! Pra falar verdade, o aniversário é amanhã, quando vou entrar com um post de agradecimentos, mas hoje venho com um tópico igualmente especial. Por se tratar de música indie, em sua grande maioria, nada mais do que normal termos alguns posts extremamente injustiçados, seja pela críticia especializada, pelo público em geral ou até mesmo pelos leitores do blog. Foi pensando nisso que resolvi desenterrar 10 dos meus posts favoritos que sinto que foram mais injustiçados, daqueles que só nós falamos quando sai uma música nova,  que você não viu em lugar nenhum mais, que deixou passar batido e que até mesmo seu vizinho indie-xiita não sabe quem é – mas que vai te fazer se perguntar como conseguiu ficar sem ouví-los até hoje. Concorda ou discorda da lista? Acha que “injustiçei” alguém? Deixe um comentário aqui em baixo, e não se esqueça de entrar amanhã e na sexta para duas surpresas bem legais que estou preparando também. E é claro, parabéns ao blog!

Cliquei aqui para conhecer a lista!

 

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