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Você se lembra daquela simplicidade das primeiras canções da Lana Del Rey e da Lorde? Se aquele tipo de som for sua praia, “Girls Your Age” vai se tornar uma das suas novas músicas prediletas. Feita pelo quarteto Transviolet, originário de Los Angeles, a canção é basicamente composta de uma batida minimalista e vocais sintetizados – ferozes, entretanto – lembrando bastante a sofisticação do The xx só que com a atitude de uma Charli XCX. Diante de tanta música por aí que já começa de maneira explosiva, o que não é nenhum demérito, o primeiro single do Transviolet surge com frescor pros ouvidos, justamente por levar o tempo necessário para ir crescendo, com calma, até explodir ao final. Com uma letra que detalha a solidão e a ingenuidade da juventude, “Girls Your Age” fica marcada na mente com facilidade, e mostra que às vezes tudo o que basta é uma boa melodia pra impressionar.

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Alguém ainda lembra da época em que o Kygo era só uma criança que fazia remixes tropicais? Conhecido desde os primórdios aqui do blog, o norueguês vem se tornando uma força a ser reconhecida, extrapolando a blogosfera e indo direto pro palco principal dos festivais eletrônicos, mostrando pra criançada que há uma vida melhor que o “EDM”. E é se mantendo fiel às suas origens tropicais que o produtor lança sua melhor canção original até então, “Nothing Left”, um house desacelerado, repleto de pianos, que culmina no refrão mais deliciosamente-vergonhoso do ano, graças aos falsetes de Will Heard. Chamar de “vício” não faz jus a essa aqui, que é mais uma prova de que o prodígio realmente vai longe.

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A artista Jess Mills adora passear por novos gêneros e se arriscar por áreas poucos exploradas, dessa maneira se renova e consequentemente inova. SLO é uma dessas aventuras, onde Mills semeia sua delicadeza e redescobre dentro de sí a capacidade de ser multifacetada. Enquanto seu projeto solo sobrevoava os campos do dubstep e do drum’n’bass, SLO viaja para outra dimensão, para um pop etéreo, delicado e cativante. Toca no fundo dos nossos sentimentos. É como se Jessie Ware convidasse Shura, FKA Twigs e London Grammar para um café, e alí decidissem escrever uma canção, “Shut Out Of Paradise”. A voz susurrada é uma ode à sensualidade, o piano é quase uma extensão de sua voz, e ambos combinados soam quase à perfeição. SLO já tem um EP homônimo, que apesar de ter muito potencial, ainda foi pouco divulgado. SLO ainda tem o mundo ao seus pés, só precisa aprender a pisar mais pesado.

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Se você ainda não conhece talento londrino do Rationale, prepare-se para embarcar numa das maiores viagens sonoras do ano, comandada pelo vocal que é, provavelmente, um dos mais legais e distintos dos últimos anos. Andrógino, sabendo passear com facilidade entre o agudo e o grave, o vocal do rapaz se alia à produção revigorante de “Fuel To The Fire” para definir o que poderia ser o som das igrejas daqui a 100 anos, como um encontro entre a melancolia do London Grammar e as batidas urbanas do Timbaland. Um épico pop de grandes proporções, a canção é um grito de guerra de um grupo que se recusa a submeter-se a injustiça, embalada por um começo acústico mas que logo se transforma em algo cada vez mais grandioso, pronto pra te consumir por completo.

A canção faz parte de um EP de quatro faixas, com lançamento para 18 de setembro.

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De Goiânia, com apenas 20 anos, o Rafael Stefanini e seu projeto, que vai simplesmente por Stefanini, é uma das apostas mais refrescantes saídas do Brasil há um bom tempo. Mesclando sua composição melancólica e por muitas vezes nostálgica com a produção moderna, de última ponta, do jovem paulistano Pedrowl, a dupla vence justamente por esse contraste peculiar, exemplificado no primeiro single do EP Onde, “Eu Sei”. De começo espacial e contemplativo, a canção, que flerta suavemente com o trap melódico do Cashmere Cat e Lido, logo cai num refrão viajante “cantado” por sintetizadores distorcidos, soando, ao fim, como uma espécie de dueto entre os vocais soturnos de Stefanini e o eletrônico minimalista afiado de Pedrowl.

O EP, todo assinado pela dupla, tem previsão de lançamento para setembro.

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Se você ainda não prestou atenção no MUTEMATH, de Nova Orleans, essa é uma boa hora pra entrar na conta. Após uma pausa de quatro anos sem material inédito, os americanos anunciaram um novo álbum, Vitals, previsto para o último trimestre do ano, e o primeiro single dele, “Monument”, foi o responsável por nos deixar curiosos pela banda. Soando como se o Foster The People pegasse as guitarras do segundo disco e as misturasse com o synth-pop facilmente digestível do Toches, o MUTEMATH abusa de falsetes, refrões grudentos e uma produção energética que vai te fazer querer colocar o volume no talo, completando ainda com aquelas típicas harmonias vocais que também são marca registrada dos californianos. Porém, apesar das semelhanças, a bagagem do MUTEMATH tá aí pra provar a longevidade dos caras, e que, se depender de “Monument”, tem tudo pra ser multiplicada por 10.

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Não se engane com os vocais à-la MGMT do Lum, produtor canadense que brilha com todas as suas técnicas de falsete em “Kissing”, seu primeiro single. E, apesar dos vocais remeteram bastante aos nova-iorquinos de Oracular Spectacular, a canção, que começa de certa forma tão lo-fi e psicodélica quanto a primeira obra dos meninos, logo se desenvolve para algo mais dançante e feliz, como se o Hot Chip tivesse acrescentado os últimos toques à versão final da música. Doida, extasiante e extremamente grudenta, assim como um bom beijo, “Kissing” é aquela canção que você certamente retornará pra mais.