Repostagem do dia: 26 de junho de 2015

Uma semana pós Sonar nunca é uma semana fácil. O festival nos transmite uma energia tão boa e tão especial, que sair dessa inércia é doloroso. E ainda, necessitamos um tempo para recuperar o corpo e a mente, porque o evento tem dimensões destruidoras, um cansaço sofrido e ao mesmo tempo maravilhoso.

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Antes de qualquer coisa, parabenizamos o festival por ter chegado à cifra de aproximadamente 120 mil pessoas, calculando os três dias e todas as pessoas que passaram por lá. É uma quantidade considerável de gente. Todos aficionados por música eletrônica, tecnologia, inovação e novas mídias. O conceito do festival cada ano se consolida mais como um evento vanguardista nesse âmbito. Em 2015, o festival arriscou uma mudança, utilizando criatividade e inovação tecnológica como carros-chefes. Uma tentativa de sucesso ao se reinventar.

Essa foi a quarta vez que estivemos presentes como imprensa para fazer a cobertura do festival. A primeira em 2012 no Brasil, e as outras três consecutivas, 2013, 2014 e 2015 em Barcelona, o berço do evento. Como todos os anos, o festival era dividido em dia e noite, cada um em partes diferentes da cidade. Dentro do Sonar Dia haviam os palcos SonarVillage, SonarDôme, SonarHall, Hall+D e Sonar Complex. Já o Sonar Noite, tinha o SonarClub, SonaPub, SonarLab e SonarCar. A seguir faremos uma descrição detalhada de cada dia.

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Os sintetizadores da nova do Neon Indian vieram diretamente do futuro para estourar os seus ouvidos. Ou vieram dos clubes dos anos 80? A vibe de “Slumlord”, o segundo single do álbum que será o seguidor do excelente Era Extraña (2011), consegue fazer um ode à nostalgia e ao mesmo tempo evocar sons noturnos, tropicais e futurísticos.

Talvez tenha sido a mudança de ares de Alan Palomo do Texas para o Brooklyn a inspiração para o novo trabalho, chamado VEGA INTL. Night School. Os dois primeiros singles, “Slumlord” e a ótima “Annie”, mostram que o álbum tem potencial para ser o mais experimental da sua carreira. Mais do que isso, o próprio Palomo define muito bem a aura que o novo disco mostrou até agora, quando disse que: “A maioria das coisas que aprendi sobre a natureza humana nos meus vinte anos aconteceu depois do anoitecer, Eu gosto de chamar os lugares que vou de Night Schools”.

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A australiana Gordi está apenas começando sua carreira musical, mas se depender do seu primeiro single, “Can We Work It Out”, o futuro será bastante ensolarado pra garota de 22 anos. Com um timbre rouco que imediatamente chama a atenção para si, Gordi apresenta uma sonhadora e emotiva canção que flerta na medida certa com o folk e com o pop, pegando o melhor dos dois mundos mas sem levantar bandeira pra nenhum deles. Adicionando à instrumentação orgânica, uma suave camada de sintetizadores é o suficiente para garantir à canção uma vibe única, remetendo a uma mistura da fragilidade do WET com as percussões ferozes do HAIM, com uma leve pitada de despretensão no caminho. Apaixonante.

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É combinando movimento e emoção que o londrino Alxndr London te convida para um encontro em “DATE X”, desses que você não deveria negar. Utilizando camadas eletrônicas mescladas a um vocal soul, o truque pode não ser muito diferente do que o Ben Khan e o Jai Paul andam fazendo, mas graças ao gingado do rapaz e uma produção extremamente caprichada, Alxndr sai vitorioso com um primeiro single difícil de negar. Aperte o play e tente resistir a essa linha de baixo.

Caiu na rede há poucos minutos essa preciosidade, parceria do ZHU com AlunaGeorge. O trabalho faz parte do projeto Genesis Series, que inclui os pesos-pesados Skrillex, Gallant, A-Trak e outros. “Automatic” é um hit automático, conseguindo captar o melhor do ZHU com seu deep house poderoso, e o pop fresco e pegajoso do AlunaGeorge. É claro que a união de dois nomes que foram revelação há poucos anos nos traria uma música sensacional. Com várias camadas de vocais, um piano certeiro, e inclusive um saxofone para dar o toque final e classudo à canção, ZHU, que já tinha emplacado com a música “Faded” no ano passado, promete bombar e conquistar cada um dos ouvidos atentos à música eletrônica que estiverem espalhados pelo mundo. Põe no repeat!

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Johanan é a nova cria a sair do prolífero mercado pop da Escandinávia, preenchendo no caminho todos os requisitos (dentre eles, um contrato com o badalado selo Neon Gold) para se tornar a próxima sensação vinda da Suécia. Entretanto, o requisito primordial chega sob o nome de “Go On (Let It Go)”, um massivo número pop que escancara as pretensões nada humildes do cara, soando como uma tentativa do Sigur Rós em fazer música pras rádios. De início sutil, Johanan logo apresenta seus delicados vocais, que crescem em sintonia com a produção ambiciosa, que, ao final – repleto de violinos, sintetizadores e uma percussão exuberante – beira a catarse, culminando em um épico pop que você não vai conseguir largar.

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É apertar play em “Loud(y)”, estreia do nova-iorquino Lewis Del Mar, que fica difícil não lembrar do Alt-J. Soando como uma versão mais roqueira e igualmente experimental dos londrinos, Lewis te convida a embarcar na mais pura viagem sonora com uma produção criativa repleta de pausas, guitarras, mudanças de vocais e um grave ameaçador que predomina boa parte da produção. Curta e direta ao ponto, a diversidade sônica de “Loud(y)” representa a afirmação segura de um artista que só pode estar prestes a explodir.