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Compilado pelo jornalista Ed Félix, responsável pelo blog Embrulhador, sua recém liberada lista “Os 100 Melhores Álbuns da Música Brasileira Em 2013” vai muito mais além do que as demais compilações vistas na internet. Após uma extensa curadoria onde mais de 662 álbuns nacionais foram ouvidos (provavelmente mais discos do que já escutei na minha vida toda), o rapaz organizou o que considera os 100 melhores do ano e criou uma espécie de acervo digital, com infográficos, resenhas do álbum e das músicas individuais, streamings e links para download, que te instiga a conhecer melhor cada um dos trabalhos citados.

Para quem, assim como nós, sente uma carência de informação quanto a trabalhos nacionais, vale a pena se perder na publicação para descobrir (e se surpreender) com os diversos registros que muitas vezes nos passam despercebidos. Acesse o projeto através deste link.

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Com jeito de que pode fazer sucesso e conquistar uma legião de fãs a qualquer momento, “Younger” é o tipo de música cuja profundidade surpreende a cada nova audição. À princípio, o clima soturno deixa a impressão de que estamos diante de uma canção convencional e até pouco radiofônica, mas basta a sueca Seinabo Sey soltar o vozeirão para que o poder da música seja escancarado e a complexidade dos detalhes ressalte os elementos contemporâneos da canção. No clipe dirigido por Gustav Johansson, a melancolia inicial de “Younger” é marcada por imagens reflexivas da cantora relembrando momentos compartilhados com amigos, mas à medida que o refrão pegajoso se aproxima e a letra fica mais otimista, o grupo de jovens retratados no vídeo passa a se divertir de diversas formas.

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Depois de uma fabulosa estreia que catapultou Mark Foster e seu até então desconhecido Foster The People para rádios e festivais mundo afora, a banda está de volta com o primeiro single do sucessor de Torches, programado para o dia 14 de março e sob o nome de Supermodel.

O primeiro single do álbum, “Coming Of Age”, vem calcado nas afirmações de que o trio estaria fazendo um som mais orgânico e menos eletrônico (aproximando-os do seu som ao vivo) e cumpre exatamente a proposta. Com um tema escancarado logo no título, a canção demonstra o amadurecimento dos membros da banda tanto na composição quanto na sonoridade, que, apesar de deixar em evidência as guitarras e baterias, não esquece dos refrões grudentos que fizeram a banda chegar onde está, apresentando uma melodia grudenta que se desdobra em uma encantador desfecho, guiado por Foster e cantado em coro pelos demais membros do grupo. Se estava com medo do Foster The People cair na maldição do segundo disco, “Coming Of Age” demonstra que eles estão mais do que prontos pra não deixar isso acontecer.

Foster The People – Coming Of Age

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Conhecidos aqui no blog desde 2011 com o single “Empty Streets”, o duo californiano Ghost Beach acaba de anunciar a data de lançamento do seu primeiro disco, Blonde. Programado pra sair no dia 4 de março pelo selo Nettwerk Records, pelo o que indica o primeiro single do trabalho, “On My Side”, o álbum deve seguir com o amor escrachado da dupla por sintetizadores nostálgicos e melodias grudentas, só que com algumas surpresas.

Convidando-nos a visitar uma praia de neon, “On My Side” é um caloroso synth-pop que demonstra os melhores atributos da banda, e demanda ser ouvido diversas vezes para que os detalhes da produção sejam completamente absorvidos. Sintetizadores que encontram um espaço entre a nostalgia do M83 e a fanfarra do Viceroy logo encontram um baixo grudento e uma guitarra funky que não ficaria perdida no disco do HAIM, entretanto, são os detalhes como um coral sombrio de fundo e recortes vocais bem pontuados que fazem a diferença na produção, complementando perfeitamente os vocais gritados de Josh Ocean.

Ghost Beach – On My Side

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O ano mal começou e já temos um forte candidato a um dos melhores clipes de 2014. O responsável por essa proeza é o capixaba SILVA, que finaliza a divulgação do debut Claridão com um vídeo para a suave “Imergir”. Depois do gracioso videoclipe de “Moletom”, o artista se supera com o auxílio da direção segura do cineasta Julio Secchin. O clipe foi filmado em Arraial do Cabo, que possui paisagens imersivas como a letra da canção exige. Mais do que uma fotografia excelente, o clipe proporciona sensações diversas ao exibir objetos flutuando e árvores como símbolo de um ritual de passagem. Assim, SILVA despede-se da aclamada estreia e faz o público aguardar ansiosamente por Vista Pro Mar, álbum que deve ser lançado nos próximos meses.

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Aquele clichê de que algumas das melhores coisas da vida são de graça exemplifica perfeitamente o primeiro EP do londrino Ofei, uma das maiores promessas desse ano, que apareceu aqui no blog com a hipnotizante “Fate” (uma das melhores músicas de 2013) e vem conquistando cada vez mais ouvintes com sua sonoridade singular. Cada uma das quatro música do seu EP de estreia, London, não soam como nada que você ouviu em um bom tempo, e ajudam a construir a identidade de Ofei como um dos artistas mais originais dessa nova safra de produtores caseiros.

A faixa de abertura, que também leva o nome do EP – “London” – começa de forma crua, embalada por pianos e pelos vocais emotivos de Ofei, criando uma espécie de música gospel do futuro. Entretanto, a canção cresce sorrateiramente graças a inclusão de elementos eletrônicos e se transforma em um R&B intenso e elétrico, com direito a corais de auto-tune encontrando violinos e baterias esparsas. A união do timbre singular de Ofei com os efeitos futurísticos pode te fazer imaginar o que o Bob Marley faria com a produção do My Beautiful Dark Twisted Fantasy, do Kanye West, mas ao final das quatro faixas do EP, a certeza que sobressai é que Ofei está em seu próprio plano.

Ofei – London

Além de poder baixar o EP gratuitamente em seu Bandcamp, a pré-venda da versão física do trabalho também garante uma faixa bônus, “Risk”, e tem lançamento para o dia 10 de fevereiro.

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Made In Heights é o duo colaborativo entre o produtor Sabzi e a vocalista Kelsey Bulkin, que atualmente residem em Los Angeles. Como apontam os singles lançados anteriormente (como a excelente “Wildflowers”), o duo faz um pop inusitado com elementos de chillwave e trap que não deixa de soar grudento e acessível. Apesar da dupla permanecer sumida por boa parte do ano passado, ela ressurge agora com uma série de novos singles que os apontam como alvos certos para 2014.

A melhor das novas canções, “Murakami”, foi definida por eles como um “trap artesanal” que se divide em duas músicas totalmente diferentes unidas em uma só. Após a introdução bizarra, a primeira metade da música aposta em um clima soturno e sensual, com uma produção minimalista e ligeiramente tropical servindo de base para vocais alterados que te fazem pensar como seria uma produção do t.A.T.u. nos dias de hoje. A surpresa, entretanto, fica por conta da segunda metade da faixa, quando a produção explode ao som de trompetes e batidas aceleradas em um número dançante e até meio agressivo, não se distanciando do trabalho da ou até da M.I.A..

Made In Heights – Murakami