Depois do sucesso estrondoso do Merriweather Post Pavillion, um dos melhores da década passada, Avey Tare, uma das cabeças por trás do Animal Collective, resolve ir solo pela primeira vez. A história vocês já conhecem, e depois do primeiro single “Lucky 1”, cheguei a ficar até um pouco desanimado a ouvir o disco, o Down There. Maior erro. Embora nenhuma delas tenha aquela produção mirada pra estratosfera do álbum anterior, e nem sejam instantâneas, as músicas desse disco vão crescendo devagar, tanto em suas melodias quanto na cabeça dos ouvintes.

Falando em estratosfera, em “Oliver Twist”, Avey já começa gritanto “Rocket!”, e o que se sucede é uma canção com poucas batidas e um vocal cavernoso, enlameado, com sons de água pingando. A música começa de forma bizarra e desordenada, mas vai ganhando corpo e melodias (e um refrão maravilhoso em seu último minuto), que no final, com palmas e uma percussão a mais, parece soar como a trilha sonora perfeita para um baile de dança de fantasmas num pântano. Se ela tem uma coisa em comum com as músicas anteriores da banda, é sua originalidade e capacidade de te prender depois de algumas vezes. Assim, o que no princípio parecia ser apenas um b-side do Animal Collective, com paciência, se torna uma brilhante canção de pop experimental, que só poderia ter saído da mente do líder de um dos melhores grupos da atualidade.

♫ Avey Tare – Oliver Twist

Conheça Perfume Genius, nome artístico do cantor e compositor Mike Hadreas, de Seattle. Assim como a foto nua e crua acima, suas músicas são canções melancólicas compostas de sua voz e de seu piano apenas, mas o que pode parecer simples demais, é compensado pela complexidade de suas letras e pela imersão que essas acabam causando. Como a gravação do seu disco, o Learning, foi toda feita em sua casa, o ar lo-fi permeia todas as suas composições, e é seu primeiro single, “Mr. Peterson”, que mais brilha e leva vantagem nesse quesito.

Cantando sobre a relação com um homem mais velho, o jovem protagonista de 16 anos detalha seu amor reprimido, em uma pequena historinha que vai desde o primeiro momento em que fumou com o cara, até o seu final chocante onde o homem entrega ao protagonista uma fita cassete do Joy Division e se joga de um prédio. Tudo sob um vocal sombrio e uma produção crua como citei acima, mas que juntos criam um resultado nada menos que belo. A segunda música que queria destacar é “Look Out Look Out”. Dramática e de uma sensibilidade sem igual, a música, assim como anterior, é simples e eficaz, e com um piano e resquícios de uma orquestra, ela consegue soar como uma versão não finalizada de um clássico que poderia ter sido gravado pelo The National, e é uma canção que posso ver claramente sendo tocada nos momentos mais dramáticos de uma próxima temporada de Skins. Fiquem com as duas músicas abaixo, e ouçam o Learning por completo clicando aqui ou após o jump, se curtirem.

♫ Perfume Genius – Mr. Peterson

♫ Perfume Genius – Look Out, Look Out

Ouça Aqui o Álbum Completo!! →

Não se deixe enganar pelo vocal quase infantil quando você começar a ouvir “Go Outside”, do Cults. Na verdade, a primeira coisa que irá ouvir, se prestar bem atenção, é uma fala de Jim Jones (líder de uma organização que levou 900 pessoas ao suicídio na década de 70). O quote é bem assim:

“Para mim, morte não é algo a se temer. A vida é que é traiçoeira”

E o que se segue após essa fala pouco pesada, são sons de xilofones, um baixo apaixonante, palmas, e um vocal tão infantil que parece ser inocente até demais para sair de uma banda que se preocupou com um início tão sinistro. A canção, na verdade, fala do sentimento de querer se levantar da cama para ver o sol, mas estar com preguiça de sair dela, e sua melodia é tão ensolarada que nos passa a sensação de estarmos em pleno verão fazendo mergulho em uma praia deserta. Batidas lo-fi que parecem ter sido feitas com tambores e pirulitos usados de baqueta só adicionam um clima a mais de sobriedade, mas que no final das contas termina com uma fala quase tão intensa quanto a do começo.

The Cults

Capa de "Most Wanted"

O lado B do single, que a propósito está sendo distribuído de graça aqui, é “Most Wanted”. A música não tem o impacto nem uma melodia tão grudenta quanto a primeira, mas consegue ser relaxada e até dançante ao mesmo tempo. Quando falo dançante aqui, pense em algo mais suave, quase para dançar junto, mas mexendo lentamente apenas a parte de cima do corpo, num clima tão tranquilo que soa como se as Pipettes tivessem tirado férias para o Havaí e resolvido compor canções de verão. Se você como eu ainda não conhecia essa banda, fique de olho agora, pois com um debut previsto para 2011 e dois selos de “Best New Music” do Pitchfork, o grupo parece ter muito chão ainda pela frente.

♫ Cults – Go Outside

♫ Cults – Most Wanted

Se você gosta de Animal Collective ou Yeasayer, e suas batidas tribais misturadas com elementos criativos e inesperados, se prepare para conhecer A Lull. O nome pode não ser o melhor de todos, mas basta ouvir o primeiro single do álbum Confetti, que sai em 2011, que você já vai querer ficar de olho na banda. “Weapons For War”, se chama, e é um pop criativo, bizarro e cheio de ideias, que começa comfortável e se transforma numa selva de texturas de sua metade em diante, com uma produção nada convencional que usa flautas, suaves elementos eletrônicos e um canto tribal que parece ser feito por alienígenas, que vai te deixar assoviando logo depois de ouví-lo. Complementada por um vídeo igualmente bizarro (mas igualmente bonito de se ver), a música nos deixa ansiosos para ver o futuro da banda, que no momento se prepara para o lançamento do seu álbum. Baixem a música abaixo e aguardem por mais notícias.

♫ A Lull – Weapons For War

http://vimeo.com/14251448

Weezer – Unbreak My Heart (Toni Braxton cover)

Você pode gostar de rock, pop, hip-hop ou o que for, agora você já ouviu “Unbreak My Heart”, uma canção tocada milhões de vezes em rádios, filmes e casamentos, que por si só deve espantar muita banda de rock. Menos o Weezer.  Tirado do novo álbum de raridades dos caras, o Death To False Metal, a música ganha aqui todo aquele ar power-pop que conhecemos da banda, e embora não tenha nenhuma grande surpresa, a faixa não chega a ser tão ruim quanto aparenta ser. Adicione a sinceridade sem ironia do vocal do Rivers Cuomo (que realmente adora a original e adorou sua versão), e está aí um cover que merece ser ouvido pelo menos uma vez.

♫ Weezer – Unbreak My Heart (Toni Braxton cover)

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Cocknbullkid – Shampain (Marina & the Diamonds Cover)

Depois de apresentar a querida Cocknbullkid nesse post, nunca mais falei dela, que até lançou um single novo mas nem me agradou muito. Mas aqui está ela novamente, com um cover bonitinho de Shampain, produzido e tudo mais, com novos efeitos, uma guitarrinha, um baixo e uma percussão agitada. O ar elétrico de Marina é susbtituído por um mais calmo aqui, nesse que não é o melhor cover que você já ouviu na vida, mas pelo menos é o melhor que já ouvi da Marina & The Diamonds.

♫ Cocknbullkid – Shampain (Marina & the Diamonds Cover)

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Friendy Fires – Strangelove (Depeche Mode Cover)

Eu quero e MUITO um CD novo do Friendly Fires, e enquanto já até tivemos uma música nova esse ano com o Azari & III, nada de notícias do novo disco. Enquanto aguardamos o mesmo, ouçam aqui um cover de “Strangelove” do Depeche Mode, gravado em estúdio pelos caras para uma propaganda da Gucci. Recriar a música seria algo fácil, mas os caras aqui dão uma nova interpretação à ela, e embora não seja a coisa mais feita para as pistas que a banda já fez, deve agradar a quem curte tanto o Friendly Fires quanto a banda original.

♫ Friendy Fires – Strangelove (Depeche Mode Cover)

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Eu não sou muito chegado a hip hop. É claro que temos as excessões. Além dos conhecidos artistas que agora em 2010 pegam samples de bandas indies (Chiddy Bang, Theophilus London, Hoddie Allen), também gosto dos grandes nomes (Kanye West, Big Boi), mas quando me é apresentado um artista que ainda não conheço, já fico com um pé atrás. Por isso já começo indicando: ouçam Luck-One.

O cara que vem de Portland e traz consigo um hip hop fora dos clichês atuais, daquela história de “pimp” ou alto-estima “alta demais”. Com um rap furioso, o cara fala aqui em “More”, seu primeiro single, sobre um sentimento misto de raiva, compaixão e amor pela vida, sob batidas não muito feitas para os clubes, mas que apostam num som mais orgânico, que incluem trompetes e palmas, traçando um ritmo mais funky, cheio de gingado, bem estilo N.E.R.D. de ser. O cara aparenta chegar faminto no mercado, e para não te deixar na vontade de mais, já até soltou um EP das demos cortadas do seu álbum, o True Theory, que você pode baixar aqui. E como ele fala no final de “More”, “se esses são as demos cortadas, imagine as que entraram pro disco!”. Mas não vamos nos antecipar, e então, melhor esperar o álbum, que sai em 2011. Fiquem abaixo com o single.

Luck-One – More

E o cara fez de novo. Depois do brilhante porém curto clipe de “Power”, Kanye West nos traz um video-clipe de nada mais, nada menos que 35 minutos. É bem provável que você já tenha visto links e mais links para ver o vídeo, mas eu sei que a duração do vídeo assusta, e sei também que tem muita gente que ainda não teve paciência de ver ainda. Então cabe a mim te recomendar mais uma vez: pare o que estiver fazendo e assista agora a esse vídeo. Todos nós já ouvimos “Runaway”, o novo single do cara, e sabemos também que o My Dark Twisted Fantasy chega agora em Novembro, mas o que o cara fez aqui vai te deixar surpreso. Cheio de efeitos especiais (alguns fantásticos, outros nem tanto), uma fotografia belíssima e uma direção de arte de dar inveja, o vídeo por si só é um espetáculo a parte, mas o que me comprou aqui foi, mais uma vez, a música.

Selita Banks em Runaway

Selita Ebanks em Runaway

Basicamente, Kanye fez um “minimix” do seu novo álbum aqui, com bons minutos de cada canção (e 7 belos minutos dedicados à “Runaway” especificamente), que juntos além de dar o tom ao curta, contam a história de um “amor impossível”. O lance é que nenhuma das nove faixas mostradas aqui são chatas, pelo contrário, algumas são uma das melhores que já ouvi esse ano, e até mesmo algumas músicas do G.O.O.D. Fridays como “Devil In A New Dress” soam melhores aqui, seja pelo contexto ou pela produção melhorada. Espere só até você ouvir “All of the Lights”, com a Rihanna, acompanhado por uma sequência de fogos de artifício sob uma parada carnavalesca, ou até mesmo o emocionante finale com “Lost In The World”, com o Bon Iver, que você vai entender o que estou falando.

A coisa aqui é grandiosa, e só te deixa na vontade de ouvir o álbum completo. Uma bela jogada de marketing ou um extravase do ego de Kanye, que é o próprio diretor aqui, seja o que for, o cara elevou o jogo mais uma vez, e na história moderna dos video-clipes, eu pelo menos nunca vi um projeto tão ambicioso e milimetricamente produzido. Assistam sem pausar o vídeo acima, e fiquem com a emocionante “Lost In The World”, uma nova versão de “Woods”, do Bon Iver.

♫ Lost In The World (Feat. Bon Iver)