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É apertar play em “Loud(y)”, estreia do nova-iorquino Lewis Del Mar, que fica difícil não lembrar do Alt-J. Soando como uma versão mais roqueira e igualmente experimental dos londrinos, Lewis te convida a embarcar na mais pura viagem sonora com uma produção criativa repleta de pausas, guitarras, mudanças de vocais e um grave ameaçador que predomina boa parte da produção. Curta e direta ao ponto, a diversidade sônica de “Loud(y)” representa a afirmação segura de um artista que só pode estar prestes a explodir.

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A vibe do Fenster é a que você está procurando. Isso é porque o som dos alemães baseados em Berlim foge do convencional na melhor forma possível. A banda lançou o debut em 2012, e agora em 2015 vem o terceiro disco, sucessor de The Pink Caves (2014), Emocean, do qual “Memories” é o primeiro single.

O dreampop psicodélico da banda é marcante, os riffs de guitarra difusos prendem o ouvinte a cada detalhe da faixa, enquanto os vocais flutuantes fecham o enredo. O mais legal é que “Memories” também é o cartão de visita para o filme que o Fenster fez, do qual Emocean é a envolvente trilha sonora. Emocean, o filme, vai debutar no festival Pop-Kultur de Berlim dia 26 de agosto. Emocean, o álbum, será lançado dia 4 de setembro. Enquanto isso, você fica viciado na vibe intrigante e psicodélica do Fenster.

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Após o lançamento do revigorante EP 1000, o londrino de 22 anos Ben Khan continua sua onda de lançamentos infalíveis com a densa “Blade (Tidal Wave Of Love)”, amostra de que o produtor, ao contrário de algumas de suas maiores inspirações (hmm, Jai Paul), não pensa em parar tão cedo. Aplicando seu estilo característico sobre uma produção eletrônica mas de base orgânica, a mistura de sintetizadores com guitarras funkies o aproximam de um R&B com sensibilidade pop, que, acrescentados ainda a um maremoto de samples e barulhos bem pontuados, culminam em mais um exemplo da genialidade de vanguarda do jovem produtor.

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Produção eletrônica minimalista, harmonias vocais com inspiração dos Bee Gees e uma estrutura tão experimental quanto pop poderia ser a perfeita descrição para uma nova música do Jungle, Broken Bells ou até mesmo do Air. Entretanto, estamos falando dos londrinos do TENDER, dupla que inicia os trabalhos com o pé direito na graciosa “Armour”. Economizando no uso de sintetizadores e guitarras, que aparecem de forma pontual, a mistura dos elementos citados aos delicados vocais da dupla consegue dar vida a uma produção cheia de gingado e envolta de mistério, que nem o próprio duo de fato.

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Grace Mitchell não é exatamente nova na cena, com alguns singles e um EP lançado ano passado, porém, se for pra definir aquele momento de reviravolta na carreira de alguns artistas – a passagem do desconhecido para o mainstream – para Mitchell, o momento é agora. Apesar de ter ganhado inicialmente comparações que passeavam entre a Lorde e a BANKS, a londrina desafia similaridades com o lançamento de “Jitter”, primeiro single do recém lançado EP Raceday.

Como comentado pelo próprio Zane Lowe, por conter “mais ideias numa canção do que a maioria das cantoras tem em uma carreira”, “Jitter” pode soar confusa e bagunçada a princípio, com glitches e uma batida com toques de grime pavimentando caminho, entretanto, para um refrão ao mesmo tempo açucarado e arrogante, intercalando ainda entre os versos vocais em inglês e francês, cantados e falados. Como dito, a peculiaridade da canção dificulta comparações, mas se a Charli XCX resolvesse se juntar com a galera do PC Music pra fazer seu novo single, talvez não ficasse muito longe disso aqui. De qualquer forma, a estranheza pop e definitivamente calculada do single fascina, e faz de Mitchell mais uma daquelas promessas certamente deliciosas de se acompanhar.

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O norueguês Kornelius Coucheron-Gautier Teigen, ou, pra facilitar nossa vida, Coucheron, já deu as caras aqui no blog com seus remixes criativos, dançantes e extremamente originais. Sem perder tempo, o produtor conseguiu reunir uma gama de artistas pra dar vida ao seu primeiro EP, Playground, encabeçado pelas brincalhonas “Ruby” e “Chocolate Milk”.

A primeira, “Ruby”, que conta com os vocais da sueca Noonie Bao, é um synth-pop de batidas pulsantes que soa como se a Robyn tivesse regravado o ARTPOP da Lady Gaga. Refrão grudento, produção divertida e até um solo de guitarra compõe sua produção, que demonstra as habilidade do multi-instrumentista. Já “Chocolate Milk”, cantada pela Rye Rye, faz jus ao nome do EP ao trazer uma produção mais brincalhona, futurista e cheia de surpresas, como se tivesse saído do jardim de infância do mundo dos Jetsons. Energético, refrescante e criativo, a gente recomenda fortemente que você também ouça o restante do EP, Playground, lançado no começo do mês.

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Você se lembra daquela simplicidade das primeiras canções da Lana Del Rey e da Lorde? Se aquele tipo de som for sua praia, “Girls Your Age” vai se tornar uma das suas novas músicas prediletas. Feita pelo quarteto Transviolet, originário de Los Angeles, a canção é basicamente composta de uma batida minimalista e vocais sintetizados – ferozes, entretanto – lembrando bastante a sofisticação do The xx só que com a atitude de uma Charli XCX. Diante de tanta música por aí que já começa de maneira explosiva, o que não é nenhum demérito, o primeiro single do Transviolet surge com frescor pros ouvidos, justamente por levar o tempo necessário para ir crescendo, com calma, até explodir ao final. Com uma letra que detalha a solidão e a ingenuidade da juventude, “Girls Your Age” fica marcada na mente com facilidade, e mostra que às vezes tudo o que basta é uma boa melodia pra impressionar.