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Ser um segundo single da Lady Gaga não é uma tarefa fácil, e tenha certeza que você será julgado pelo público por isso. Com um legado que traz “Poker Face” e “Telephone” nas costas, “Judas”, o aguardado novo lançamento da cantora, chega com a promessa de agradar àqueles que não gostaram do lançamento anterior, que não teve muito das suas marcas registradas, como repetições e os já conhecidos “gagaísmos”, que elevou a cantora a outros patamares em “Bad Romance”. Se você estava procurando por isso, vai ficar feliz em saber que sim, eles estão presentes em “Judas”. Mas não exatamente da mesma maneira.

Com uma batida tribal-industrial que vai soar como simples barulho para alguns, a música chega a soar nos versos como “Steppin Up”, a louca canção da M.I.A, só que com Gaga cantando com um sotaque mezzo-árabe e soltando até uns gritos que parecem ter saído de algum culto religioso do oriente-médio. Como disse, não é parecido com nada que Gaga já fez, e enquanto muitos devem estranhar os versos agressivos da música, ele basicamente dá um passo à frente de todas as músicas mainstreams do momento, e estreita ainda mais a fronteira entre elas e as canções pop mais experimentais, vide a da própria M.I.A. O refrão, entretanto, é outra história. É como se “Judas” pegasse o de “Bad Romance” e tentasse encaixar sua harmonia com a doidera de suas batidas, e o processo não poderia ter sido feito com mais êxito. Aqui, todo mundo que já ouviu os maiores hits de Gaga se sentirão em casa, e até mesmo seguro, graças a sensação de familiaridade que ele traz, sem tirar seu brilho. “Judas” é uma canção que deve dividir opiniões, talvez ainda mais do que “Born This Way”, e talvez por conta disso ela não seja o mesmo hit que “Bad Romance” foi. Mas para aqueles que estão acostumados com o diferente, que têm a cabeça aberta, e é claro, que gostam de música pop, “Judas” não será mais uma música apedrejada, e sim aplaudida. Chegou a hora de você julgar “Judas”, e para isso, basta apertar o botão de play aqui de baixo.

Lady Gaga – Judas

Quase um ano de espera para a música mais aguardada de 2011, e aqui está ela. Prometida como um “hino de uma geração”, essa é a tão falada “Born This Way”, a polêmica nova música da Lady Gaga, que como diz a letra, fala sobre a celebração de si próprio, e principalmente, da libertação sexual. Vamos admitir, a expectativa para a música já era um monstro, e o gostinho de decepção já quase podia ser saboreado mesmo antes de escutá-la. Eu principalmente, já me via virando o olho ao escutar uma música com uma letra tão piegas, que parecia ter sido criada pra enfiar sua mensagem goela a baixo na sociedade.

Mas felizmente, Gaga mais uma vez provou que está um passo na frente de quase todas do ramo atualmente. Escrita por ela mesmo, a primeira coisa que tenho a dizer é que “Born This Way” cumpre todos os requisitos que propõe, e somente uma cantora do porte de Gaga, uma das únicas cantoras pop da nossa geração que tem realmente uma VOZ ATIVA, conseguiria executar e lançar uma música que fala abertamente de drag-queens e ainda conseguir bater recordes. A música é antêmica, e diferente das outras produções da Gaga (com exceção da terrível “Eh Eh”), soa extremamente alegre. Com uma introdução tirada de “Dance In The Dark”, versos que cheiram “When Love Takes Over” e uma produção disco que lembra “Express Yourself”, o resultando final é nada menos que uma canção celebratória e avassaladora, que deve virar hit nas pistas de todas as boates esse ano. E sobre as comparações com a Madonna, digo: “e daí?”. Não é uma coisa ruim, e não é como se Lady Gaga tivesse inovado a música pop alguma vez na vida. “Poker Face” e “Telephone” também não são exatamente criativas. Mas no seu jogo de roubagem descarada, da massificação do desconhecido e do exagero das expectativas – ela é uma vencedora, do mesmo jeito que “Born This Way”. Ela sabe que está roubando, mas pelo menos sabe O QUE roubar. De certa forma, não foi isso que fez Madonna ser quem ela é hoje?

Lady Gaga – Born This Way