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Hoje finalmente sai o novo álbum da Britney Spears nos Estados Unidos, e se você não está nem aí pro disco, e ignorou a enxurrada de tweets sobre o álbum há duas semanas atrás, deixe eu tentar explicar o hype visto por outros olhos. A melhor maneira para isso é apresentar a vocês “How I Roll”. Posicionada no disco ao meio de canção agitadas, eletrônicas e na maioria queridas pelos fãs, está essa estranha música produzida pelo Bloodshy & Avant, que faz muito mais do que seus 3 minutos e meio podem supor.  Dito isso, fica fácil entender por quê a música foi criticada pelos fãs como uma canção “sem sentido” e “sem estrutura”. Realmente, sua estrutura não é nada convencional, mas acho que, para mim, isso a torna ainda mais atraente. Com um começo suave e uma melodia que vai se desdobrando aos poucos, a música brinca com o vocal de Britney a toda hora, que passa do angelical ao robótico em segundos, numa música que parece ser bonitinha até você parar para ouvir sua mensagem nada puritana (e até mesmo dois palavrões disfarçados que vão te pegar de surpresa). Com um segundo refrão maravilhoso que aparece do nada na segunda metade; um break inacreditável com samples dos gemidos da cantora sobre batidas que parecem garrafas de Coca-Cola explodindo; e diversas partes brilhantes e pegajosas (“bum ba da dee dum bum bum” e “shimmy ya shimmy yo shimmy yay” pra dizer algumas), a música parece aquela típica canção estranha gravada por uma cantora indie que odeia o mainstream. E é por isso que o fato de Britney ter gravado deixa tudo mais interessante.

Como disse, ao meio de tantos possíveis hits, essa pequena faixa prova ser um passo à frente para o pop, e é exatamente o que eu esparava ouvir da cantora em 2011, mesmo que esteja destinada ao esquecimento. Um pop futurístico, inovador e bizarro, que te faz lamentar que as outras popstars não tenham coragem de gravar isso ainda. Mas tem uma explicação. Com mais de dez anos de carreira e 7 discos nas costas, Britney não precisa provar mais nada a ninguém, e focada apenas em seus discos, ela grava exatamente o que quiser. Ela pode até não escrever suas faixas, dublar nos shows e não dar a mínima para o showbusiness mais, mas quem liga pra isso com canções tão brilhantes como essa em mãos? Eu não ligo, e como o Femme Fatale prova, nem ela.

Britney Spears – How I Roll

Vamos esclarecer algumas coisas. O Oh My Rock não é um blog de indie, pop ou rock. Não temos gêneros, e a coisa que mais odeio fazer é classificar uma música com a tag “pop” ou “rock” toda vez que faço um post. Pra entrar aqui, a música precisa ser boa. Assim como muitos, aguardei ansiosamente o lançamento da nova da Britney, “Hold It Against Me”, e me decepcionei. Não postei aqui. Mas ao ouvir os 30 segundos do novo single “Till The World Ends” hoje a tarde, minha ansiedade para a nova música começou a crescer.

Digo isso porque tinha expectativas zero para essa aqui. Escrita pela Ke$ha e produzida pelos mesmos caras que fizeram o single anterior, Dr. Luke e Max Martin, tinha em mente a mais genérica e previsível das canções pop. Nada contra Ke$ha ou os produtores, mas a mistura deles com Britney simplesmente não descia. E foi aí que eu me enganei. “Till The World Ends” pode não ser a melhor música da Britney, mas é a que ela mais precisava. O último single pode ter vendido o que for, mas vamos confessar que a maioria foi comprada pelos fãs, que não são poucos. Ela não se sustentou por não ter caído no gosto popular, e dessa vez eu vou junto da onda: a música não era boa de qualquer forma. O novo single pode não ser tão agressiva quanto “Womanizer”, e nem tão experimental quanto “Piece of Me” ou “Freakshow” (vale lembrar que foi primeiro aparecimento do dubstep em uma música pop, em 2008). Mas de uma forma sinistramente agradável, esse é um single que irá agradar fãs e não-fãs, que vai te fazer vibrar quando tocar, que vai ter quinhentos remixes fodas (como ela mesmo cita na letra!) e que irá trazer Briney ao topo novamente. Afinal de contas, covenhamos que desde “Toxic” ela não tem um hit de verdade.

Mas então, como soa “Till The World Ends”? Bem, a primeira impressão que fica é a de uma música pop feita para ser hino da Copa do Mundo dos Estados Unidos, com um “oh oh oh” de refrão que parece ser cantado por um estádio inteiro ao invés de uma cantora apenas. E como a própria já cantou que a três é melhor, que tal um refrão triplo pra te saciar? Britney começa de uma forma melódica e comportada, com batidas bem Ke$ha mesmo, até revelar o primeiro refrão e logo após o coro que falei. E para fechar com chave de ouro, no último minuto da música ainda temos um terceiro refrão, onde ela cita finalmente o título da música. Tudo isso em menos de três minutos, e se tenho algo a reclamar da música é o seu curto tempo para tantas boas ideias. O climax do refrão final poderia ser maior, o refrão do começo poderia aparecer mais vezes, mas enfim, é uma música claramente feita para as rádios, e 4 minutos já é demais para isso. Mesmo tropeçando no caminho e fazendo as amizades erradas, fico feliz em poder dizer, finalmente, que agora sim a piranha está de volta na cidade!

Britney Spears – Till The World Ends

O Femme Fatale sai dia 25 desse mês. Ansiosos?

A seção de covers está de volta, revitalizada e por enquanto sem data especial na semana. Curtam os covers abaixo e se preparem para os próximos que estão por vir.

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Miike Snow – In For The Kill (La Roux Cover)

Acho que toda semana arranjo um jeito de postar algo novo sobre o Miike Snow. Ou toda semana sai mesmo algo deles que vale a pena ser postado? Se você acha que eu exagero, melhor parar e prestar atenção pelo menos nesse cover, que eu sei que você está curioso pra ouvir. E sim, é tudo aquilo que você espera. A melódica música da La Roux perde aqui os ares de verão e ganha aqui ares de inverno (Snow…), com sintetizadores que dão um novo clima e uma ambientação mais sombria à alegre música, que vão crescendo até explodir no final. Tipicamente Miike Snow, inclusive na qualidade.

♫ Miike Snow – In For The Kill (La Roux Cover)

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Tricky – Piece Of Me (Britney Spears Cover)

Enquanto meio mundo ainda para pra gravar (e ouvir…) covers da Lady Gaga, que tal revisitar algumas das melhores canções pop dos anos 2000? Britney, é claro, possui uma bela porção delas, e “Piece of Me”, seu hino de libertação, ganha aqui o melhor tratamento possível nas mãos de Tricky, sim aquele astro de hip-hop/trip-hip/rock dos anos 90. Com os vocais sujos e intoxicados de Frank Riley, a versão tem sua velocidade reduzida e ganha belos arranjos de orquestra, com violinos e até mesmo gaitas, se tornando mais um belo e estranho cover em homenagem à cantora pop.

♫ Tricky – Piece Of Me (Britney Spears Cover)

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Hurts – Confide In Me (Kylie Minogue Cover)

Esse já está circulando a um tempinho na blogosfera, mas não machuca postar né? Piadas a parte, Hurts, que virou minha mais nova obsessão da noite pro dia, depois de fazer uma parceria com a Kylie Minogue na música hedonista mais gospel do ano, resolve aqui fazer um cover da bela “Confide In Me” da moça. A música já era uma das mais darks da princesa-pop-australiana, mas aqui a situação só piora (na verdade, melhora) com os vocais dramáticos de Theo, que  ganham todo o auxílio dos sintetizadores e pianos já clássicos (e pretenciosos) do duo.

♫ Hurts – Confide In Me (Kylie Minogue Cover)

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Sumida e com um novo álbum sendo preparado, vazou ontem na internet 3 demos bem antigas da sra. Spears, e dentre elas Mad Love. A mais interessante das três, a música não parece com muita coisa que Britney já gravou, exceto pela voz extremamente sexy e o ritmo sensual, à-la Gimme More. Mas ao invés de apostar no eletrônico, temos uma batida relaxante com um sample de um saxofone, que parece ter sido tirado daqueles clássicos filmes noir, tudo cantado sem nenhum autotune ou alterações na voz da cantora. O refrão é legal, e a música, se finalizada, não receberia nenhuma reclamação minha se aparecesse em seu novo álbum.

Britney Spears – Mad Love

DJ BAHLER – Cali Gurls Tell ‘Em (Sleigh Bells vs. Katy Perry Feat. Snoop Dogg)

DJ BAHLER, responsável pelo disco de mashups do Manners do Passion Pit, tem mais uma série de remixes bacanas que estou descobrindo agora. Aqui, California Gurls, ao invés de pegar o instrumental de TiK ToK da Ke$ha (admita, as música são muito parecidas!), pega as guitarras e batidas dilaceradoras dos Sleigh Bells. É claro que para isso todo o clima de verão da música teve que ser tirado, mas quem liga quando temos de resultado uma música mais divertida (e até mesmo mais original) que a própria original?

DJ BAHLER – Cali Gurls Tell ‘Em (Sleigh Bells vs. Katy Perry Feat. Snoop Dogg)

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FAROFF – No Womanizer Knows (Britney Spears vs. Queens of the Stone Age)

Misturar Britney Spears com Queens of the Stone Age parece ser bem fácil, mas o resultado possivelmente acabaria num mashup engraçadinho, que ouviríamos apenas uma vez pra matar a curiosidade. Entretanto, FAROFF, ex-Móveis-Coloniais-de-Acajú, cria uma versão bem divertida e inusitada do hit, dando um ar roqueiro e sério com o instrumental do Queens of the Stone Age. Olha só o solo de guitarra do Queens no break de Womanizer e diz se não combinou!

FAROFF – No Womanizer Knows (Britney Spears vs. Queens of the Stone Age)

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The Hood Internet – Rude Baptism (Rihanna vs. Crystal Castles)

A mistura inusitada da vez é Rihanna com… Crystal Castles? Sim, toda a barulheira da dupla que chegou com CD novo esse ano é transportada para a caliente Rude Boy, que aqui ganha uma pegada mais eletrônica, graças ao instrumental instantâneamente reconhecível da ótima Baptism, do Crystal Castles II.  Mais uma vez, o The Hood Internet prova porquê é um dos principais nomes quando o assunto é mashup.

The Hood Internet – Rude Baptism (Rihanna vs. Crystal Castles)

Yael Naim – Toxic (16 Bit Dubstep Remix) (Britney Spears Cover)

Uma das canções pops mais marcantes dos anos 2000 ganha aqui uma roupagem acústica que parece ter saída daquelas caixinhas de bailarina de brinquedo. Enquanto o cover já estava rodando por aí há algum tempo, o remix pelo 16 Bit saiu esse ano, e adiciona um tom ainda mais sombrio ainda à música. O ar de graça pode ter sido tirado um pouco, porém, foi substituído  aqui por uma seleção de barulhos perfeitos para assustar sua irmã caçula na calada da noite.

♫ Yael Naim – Toxic (16 Bit Dubstep Remix) (Britney Spears Cover)

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Pattern Is The Movement – Crazy In Love (Beyoncé Cover)

Se tivesse que escolher uma segunda música pop que mais marcou os anos 2000 com certeza seria Crazy In Love. Prestigiada pela crítica em geral ano passado, onde a música viu o topo de muitas listas de melhores da década, temos aqui também uma versão dark para a música. Os caras do Pattern Is The Movement criam aqui uma melodia densa, cheia de camadas e incluindo até um xilofone, que por incrível que pareça, não tira o tom sombrio do cover. Asissta também ao belíssimo cover do Antony & The Johnson para a música (clique aqui para assistir).

♫ Pattern Is The Movement – Crazy In Love (Beyoncé Cover)

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Sam Billen – To Kingdom Come (Passion Pit Cover)

Sam Billen chegou até a mim através desse belíssimo cover do Passion Pit, que na verdade vem fazendo cover de muita gente por aí. Embora os sintetizadores e barulhos eletrônicos da música tenham ido embora, todos os barulinhos da original foram recriados aqui com instrumentos orgânicos. Pense em um versão da música tocada por aquelas bandas de rua, onde cada um tem um instrumento diferente e tenta cantar ao mesmo tempo que você vai entender do que estou falando. No fim, o que ficou na verdade, foi o ar de felicidade da música, e um resquício do vocal original, e por isso o cover não deve soar estranho a muitos.

♫ Sam Billen – To Kingdom Come (Passion Pit Cover)

Poucas as vezes um remix consegue ser melhor que o original. Na verdade, temos uma desculpa para esse caso. O remix de Radar (re-remixado pelos próprios criadores da versão original, os tais Bloodshy & Avant) é na verdade a versão idealizada para a música, obviamente barrada pelo “Team Britney” (seu grupo de executivos que tomam todas as decisões para ela).

Um som mais gritante, urgente, menos infantil e muito mais “in your face”, o “remix” supera de longe o original.

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