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A faixa mais diferente do último álbum da Laura MarlingOnce I Was An Eagle, lançado em maio, foi a escolhida pra se tornar sua primeira super-produçãoa. O clipe de “Devil’s Resting Place” foi divulgado na semana passada e já está bem falado. O álbum também foi bem recebido, sendo um dos indicados a álbum do ano pela Mercury Prize, junto de nomes como David Bowie, Disclosure, Foals e Arctic Monkeys. A cantora, de 23 anos, amadureceu – e sua música também.

Esqueçam a menina Laura Marling que cantava folk com um violão ou dois. Sua última produção acrescenta elementos originais de múltiplas referências culturais, revela intenso conhecimento técnico e alcança, ainda, a delicadeza de manter a identidade da cantora, cheia de jogos e ambiguidades entre as palavras ácidas e irônicas e a voz suave e conquistadora de menina, mas que é, ao mesmo tempo, poderosamente aveludada e forte. Mas, se antes o sotaque britânico era o que contava pra chamá-la de inglesa, agora Laura conseguiu mostrar a complexidade das suas raízes em um álbum inteiro. Como exemplo, a cantora fugiu do óbvio em “Devil’s Resting Place”, e sua habitual produção minimalista virou uma super-produção repleta de instrumentos tradicionais das culturas antigas de sua terra. A produção chega a ser tão intensa que, junto dos elementos étnicos, lembra da Florence + The Machine justificando o investimento para se tornar um hit. A tensão cigana proporcionada nas cordas, que persiste na música inteira, aliada a percussão típicas de um ritual tribal, sinos e violino medievais compõe seu clima único, perfeitamente refletido no clipe, que promove uma caça às bruxas com direito a exorcismo e visuais macabros, que promovem Laura Marling de menina-de-moletom a uma ameaçadora feiticeira.

Laura Marling – Devil’s Resting Place

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Nascido em Londres, crescido em Edimburgo e vivido a adolescência entre Tokyo e sessões com o Nicolas Jaar em Nova York, o britânico Leon T. Pearl prova com seu primeiro single, “Take You To Market”, o quão multi-facetado o pop pode ser. Basta uma única audição no seu single para entender porque o jovem britânico é o mais novo contratado do selo Method Records, que tem uma das maiores sensações house do momento em seu catálogo, Disclosure.

As aulas de piano na infância e as saideiras pelas baladas de Tokyo provam ter sido úteis desde o primeiro minuto do inusitado single, que começa com uma delicada linha de piano até que uma poderosa batida grave entra em cena para agitar as coisas. A produção vai se desdobrando aos poucos, indo do future-pop ao drum & bass em questão de segundos, coroando a inusitada composição, que fala exatamente sobre passear numa feira, com um refrescante refrão a base de samples e recortes vocais que formam uma melodia que tem tudo pra não sair da cabeça.

Leon T. Pearl – Take You To Market

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Algumas pessoas conhecem o London Grammar por conta da colaboração dos novatos na faixa “Help Me Lose My Mind”, do álbum Settle, do Disclosure. Porém, quem acompanha o blog sabe que o London Grammar já lançou várias músicas próprias de ótima qualidade, como “Wasting My Young Years”. No dia 9 de setembro, o grupo deve lançar If You Wait, disco de estreia que apresentará músicas como “Strong”, que ganhou um clipe dirigido por Sam Brown. Além de mostrar os integrantes da banda caminhando por cenários melancólicos, o vídeo retrata um pai preparando um bizarro show de fogos de artifícios. A mistura de tristeza e encantamento em um local desolado remete ao filme “Indomável Sonhadora” (2012), que também possui um pai e sua filha pequena descobrindo formas de beleza em um cenário triste.

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Não é necessário ser da mesma geração que Eliza Doolittle para se identificar com seu novo single. Se a cantora inglesa mantiver o mesmo nível de “Big When I Was Little” nas demais músicas do segundo disco, que deve ser disponibilizado ainda em 2013, a chance de deixar os fãs satisfeitos e conquistar novos apreciadores é enorme, visto que a canção não se distancia da sonoridade apresentada no álbum de estreia e ainda demonstra o controle vocal e a maturidade da artista, que participou de “You & Me”, uma das melhores faixas do álbum do Disclosure. O clipe de “Big When I Was Little” abusa de tons alegres para proporcionar uma experiência descontraída e nostálgica, por conta dos figurinos, das imagens de pessoas dançando nas ruas e de cenários como uma loja de discos e CDs. Além de ter uma presença radiante, a cantora olha para o passado de maneira contagiante e com muitas referências à cultura pop dos anos 90, refletindo o saudosismo presente na letra.

 

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Depois de “You & Me”, ótima música feita em parceria com Eliza Doolittle, chegou a hora da frenética “When A Fire Starts To Burn” ganhar um clipe à altura. Na véspera do lançamento oficial do álbum Settle (disponível para venda a partir de 3 de junho), o Disclosure divulgou o videoclipe de uma das músicas mais pegajosas do álbum voltado para animar festas e danceterias. O diretor Bo Mirosseni fez um trabalho bastante eficaz ao usar um culto religioso como forma de comparação com o poder que a música tem de cativar o público. No início do clipe, um pastor prega que mudanças são inevitáveis e é importante sair da zona de conforto. Tal mensagem cai como uma luva para quem escuta “When A Fire Starts To Burn”, canção que integra um repetitivo sample com batidas capazes de fazer as pessoas dançarem enlouquecidamente, tanto os fieis fervorosos como quem vê tudo de casa.

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Sinead Harnett está construindo lentamente o seu nome na cena dance do Reino Unido. Primeiro ela colaborou em duas músicas do Disclosure e mais recentemente em uma das faixas do Rudimental. Agora ela dá um passo enorme em sua carreira com “Got Me” e o lançamento do vídeo para faixa. A direção traz Sinead em um ambiente com pouca luz, em diversos ângulos e muito filtro que troca as cores da produção. A música traz uma energia mais sombria contrastando com a sensualidade nos vocais da cantora, o que é muito bem transferido para o vídeo. “Got Me” é um grande passo na carreira da cantora e que deve ajudá-la a atrair novos fãs com o tempo, sem precisar de mais colaborações.

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A Austrália é um lugar que  tem nos presenteado com músicos incríveis desde sempre, e não dá  pra negar que a  cena eletrônica é uma das mais interessantes do país. Nomes como Cut Copy, Empire Of The Sun e Miami Horror fazem barulho lá e aqui, e por isso a gente percebe que os australianos tem um talento especial para nos fazer dançar com seus sintetizadores eufóricos e batidas contagiantes. E no meio desse cenário inflado por bandas e duos incríveis, os dois irmãos Cosmo e Patrick Liney surgem, diretamente de Sidney, para te fazer embarcar na viagem envolvente do Cosmo’s Midnight (que talvez você já conheça pelo remix apaixonante de “Little Bit” da Lykke Li).

“Phantasm” é o primeiro single da dupla que, declaradamente influenciada pelo Purity Ring, chega com elementos experimentais tímidos, mas suficientes para garantir uma aura chillwave sem igual para a faixa. Os sintetizadores criam uma atmosfera elegante, suave e misteriosa, que poderia muito bem servir de trilha para uma músca do AlunaGeorge e é perfeita para relaxar e viajar na melodia deslumbrante das batidas do duo. Enquanto isso, os vocais devaneadores e adocicados da conterrânea Nicole Millar ajudam a criar a vibe ambient que a dupla quer mostrar, e fazem de “Phantasm” a música perfeita para representar o material original do Cosmo’s Midnight e ser o carro-chefe do EP lançado dia 8 de maio.

Cosmo’s Midnight – Phantasm