Archives For Florence and the Machine

London-Grammar

O primeiro disco do London Grammar, lançado no começo do mês, foi fruto de muitas expectativas. Tudo começou com o single “Hey Now”, que nos levou a jóias como “Wasting My Young Years” e mais recentemente o single “Strong”, faixa que exala o que há de melhor na essência minimalista da banda.

O que você pode deixar passado passa, entretanto, é o b-side de “Strong”, “Feelings”, uma faixa exuberante e cheia de referências sul-americanas. De forma mais descontraída e menos denso que as canções do trio, “Feelings” utiliza samples orgânicos e abusa de batuques sincronizados, acordes e outros instrumentos artesanais. A atmosfera surreal é dada pelos vocais de Hannah Reid, que alcançam tons massivos, e proporcionam um clima acústico extremamente agradável.

London Grammar – Feelings

HAIM – The Wire

Adriano Leite —  30/07/2013 — 1 Comment

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Desde o começo do ano passado, quando apresentamos aqui o trio de irmãs californianas Haim e a sagaz “Forever”, assistir a evolução da banda e acompanhar seu desenvolvimento foi uma das coisas mais deliciosas de se ver. O sucesso das garotas é merecido, com singles como “Falling”, “Don’t Save Me” além de covers e participações especiais garantindo às meninas prêmios como o pódio do BBC Sound of 2013 e a chance de abrir os shows de bandas como Vampire Weekend, Phoenix e Florence + The Machine. E foram justamente esses shows, baseados em uma performance visceral que inclui jam sessions, improvisações e solos de guitarra que as transformaram em verdadeiras rockstars do século XXI que nos fizeram cair de amores pela banda no final das contas.

Entretanto, o problema de ter um show tão forte quanto esse é que nem sempre as versões de estúdio, finalizadas e produzidas por alguns dos maiores produtores do momento, conseguem superar as expectativas criadas pelas versões ao vivo. E como era de se esperar, é basicamente isso o que acontece no novo single das meninas, “The Wire”, que já vem sendo executado em seus shows desde os primórdios da banda, lá em 2010. Enquanto nos palcos o espírito rockstar das garotas é predominante, na versão de estúdio, produzida pelo Ariel Rechtshaid (Major Lazer, Vampire Weekend, Usher), a sensação que fica é que elas desejam uma sonoridade mais pop e moderna, ainda que mantenha boa parte da essência da original. Batidas glam-rock, harmonias vocais e versos nitidamente country servem de base para as garotas se divertirem em uma das suas canções mais cheias de atitude até então, com direito a um delicioso solo de guitarra (meio apagado nessa versão, diga-se de passagem) que aparece nos últimos segundos só pra mostrar que “hey, ainda gostamos de guitarras”. Se a Shania Twain tivesse hoje 24 anos, acesso aos produtores do momento e mais outras duas irmãs hipsters, o resultado não seria muito diferente disso aqui. E olha, não é exatamente uma coisa ruim.

HAIM – The Wire

“The Wire”, o novo single das irmãs, tem lançamento oficial no dia 23 de setembro. As garotas terminaram de gravar seu CD em Los Angeles, semana passada, e de acordo com um release que recebi, os detalhes do lançamento “são iminentes”. Como a própria “The Wire” diz, segurem os corações.

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Uma música poderosa merece um videoclipe grandioso, não é mesmo? Pois o London Grammar conseguiu tal feito em função da direção de Bison, que captou a melancolia da letra de “Wasting My Young Years” de maneira precisa. Com um som que remete à canção “Mad World” (na versão de Gary Jules) e às músicas de James Blake, MS MR e Florence And The Machine, “Wasting My Young Years” será lançada oficialmente em junho. Até lá, é possível admirar o clipe, que mostra a vocalista do London Grammar cantando perto dos outros integrantes do trio britânico. Porém, o que destaca o vídeo é o conjunto de imagens desfocadas de corpos suspensos em cenários sombrios. Parece que estamos observando uma exposição em uma galeria de arte, em que as obras expostas são os corpos congelados no ar, como se fizessem parte de sonhos ou lembranças de alguém.

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A gente não sabe muita coisa sobre o quarteto Splashh, mas pelo single “Sun Kissed Bliss”, que já foi postado aqui, deu pra sentir um pouco do garage distorcido e com cara de 90s rock que eles fazem. Dividindo-se entre a Austrália, a Nova Zelândia e o Reino Unido, a banda multinacional já tem single  lançado (e esgotado) pelo selo LuvLuvLuv (que tem história com Spector e Florence And The Machine) e recentemente anunciou o lançamento do primeiro disco.

Enquanto o debut não chega, a gente se delicia com “All I Wanna Do”, música que é uma amostra do Splashh um pouco mais psicodélica do que “Sun Kissed Bliss”. Soando bastante retrô no começo e te fazendo lembrar vagamente do Tame Impala nos tempos crus do Innerspeaker (2010), a melodia da faixa te faz viajar em 3 minutos, e tem cara de trilha sonora de viagem pela estrada. A batida cheia de vida que dá início ao single parece pouco lapidada quando se junta às guitarras provocantes do acid punk do Splashh, mas o efeito lo-fi é o que chama atenção. Lá pelo meio você já está pensando no rock alternativo do Pixies, lembrando um pouco do Doolittle (1989) e reconhecendo que “All I Wanna Do” pode ser a música que vai despertar o Splashh pro hype.

Splashh – All I Wanna Do

O primeiro registro da banda, Comfort, tem data de lançamento marcada para 3 de junho.

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A gente não precisa ser um expert em gramática para entender que os britânicos do London Grammar passariam em qualquer teste musical que atirássemos a eles, visto que merecem a nota máxima em cada lançamento divulgado até então, oficialmente os singles “Hey Now” e “Metal & Dust”. O trio, formado pelos amigos Hannah Reid, Dot Major e Dan Rothman, são responsáveis por produções eletrônicas minimalistas à-la James Blake e The xx, aliadas a vocais poderosos, seja de Hannah ou dos rapazes do grupo, e que garantem um tom nitidamente mais pop e acessível do que as outras bandas citadas.

E para continuar a série de singles imbatíveis, o trio revelou hoje na rádio britânica BBC sua terceira música de trabalho, “Wasting My Young Years”, possivelmente sua melhor e mais poderosa até então. Liderada pelos vocais de Hannah junto a violinos e um suave começo de pianos, a canção é uma grande balada emotiva que soa um tanto tímida no começo, mas logo ganha uma bateria quase dance que parece encomenda do Jamie xx e que acrescenta dinamismo sem perder a elegância. Mas é a chegada do refrão, entretanto, que coroa a canção como um dos lançamentos mais tocantes do ano. Como quem não quer nada, os vocais quase líricos de Hannah, tal como uma Florence Welch, subitamente ultrapassam a barreira do explosivo e acrescentam toda a emoção que é pedida pelo avassalador refrão, que te deixará sem chão e te fará apertar o replay quase que imediatamente.

London Grammar – Wasting My Young Years

O single “Wasting My Young Years” será lançado no dia 16 de junho.

Uma das novas apostas do cenário musical independente acaba de lançar seu primeiro trabalho. Falo da Glasser, com seu Ring. Há alguns posts atrás falamos da viciante “Home”, com seus barulhos e até um próprio instrumento criado pela moça, provando sua capacidade inventiva na criação de suas canções. Agora chegou a hora de conhecer todo o seu trabalho. Não me decepcionei. O disco traz uma força estranha e uma sonoridade meio peculiar. O tom grave da voz da Glasser pode trazer comparações a cantoras como Cat Power, Bat for Lashes e até mesmo a Florence & the Machine. Um ar místico e espiritual circunda o trabalho da Cameron Mesirow e isso a gente pode comprovar claramente na bela “Plane Temp”, onde um trecho da letra é repetido a exaustão e gruda assustadoramente na cabeça por um bom tempo, tal como “Home”. De forma melódica, seus instrumentos nos levam a sons quase que indígenas, de uma forma sombria e melodiosa, quase que uma experiência espiritual.

♫ Glasser – Plane Temp