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A faixa mais diferente do último álbum da Laura MarlingOnce I Was An Eagle, lançado em maio, foi a escolhida pra se tornar sua primeira super-produçãoa. O clipe de “Devil’s Resting Place” foi divulgado na semana passada e já está bem falado. O álbum também foi bem recebido, sendo um dos indicados a álbum do ano pela Mercury Prize, junto de nomes como David Bowie, Disclosure, Foals e Arctic Monkeys. A cantora, de 23 anos, amadureceu – e sua música também.

Esqueçam a menina Laura Marling que cantava folk com um violão ou dois. Sua última produção acrescenta elementos originais de múltiplas referências culturais, revela intenso conhecimento técnico e alcança, ainda, a delicadeza de manter a identidade da cantora, cheia de jogos e ambiguidades entre as palavras ácidas e irônicas e a voz suave e conquistadora de menina, mas que é, ao mesmo tempo, poderosamente aveludada e forte. Mas, se antes o sotaque britânico era o que contava pra chamá-la de inglesa, agora Laura conseguiu mostrar a complexidade das suas raízes em um álbum inteiro. Como exemplo, a cantora fugiu do óbvio em “Devil’s Resting Place”, e sua habitual produção minimalista virou uma super-produção repleta de instrumentos tradicionais das culturas antigas de sua terra. A produção chega a ser tão intensa que, junto dos elementos étnicos, lembra da Florence + The Machine justificando o investimento para se tornar um hit. A tensão cigana proporcionada nas cordas, que persiste na música inteira, aliada a percussão típicas de um ritual tribal, sinos e violino medievais compõe seu clima único, perfeitamente refletido no clipe, que promove uma caça às bruxas com direito a exorcismo e visuais macabros, que promovem Laura Marling de menina-de-moletom a uma ameaçadora feiticeira.

Laura Marling – Devil’s Resting Place

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O Buchanan vai lançar o debut dia 10 de maio e já avisou que não veio pra brincadeira. Produzido por Catherine Marks (que trabalhou com Foals e Interpol) e masterizado no lendário Abbey Road, o primeiro registro dos australianos de Melbourne já mira alto antes mesmo de ser oficialmente lançado, e mesmo quem ainda não conhece a banda já está com o disco no radar. Formado no fim de 2009 e liderado pelo vocalista Josh Simons, o Buchanan promete trazer um registro repleto de canções indie pop eletrizantes, ou pelo menos é isso que podemos concluir dando uma primeira ouvida na faixa título do álbum, “Human Spring”.

Toda banda de indie pop que se preze tem uma música que coloca um sorriso no rosto de todo mundo e que contagia com sua melodia, e “Human Spring” pode ser a canção que vai entrar pra história da carreira do Buchanan por esse motivo. Misturando uma boa dose dos falsetes do Foster The People com uma produção digna do indie-rock dos The Killers, a canção surpreende por não trazer uma estrutura definida, apresentando o encantador refrão uma vez apenas só para cair em um poderoso coro no melhor estilo “All These Things That I’ve Done”, com acordes enérgicos fazendo força junto aos insistentes gritos de guerra do vocalista, querendo te fazer cantar de qualquer maneira. Eles apostaram em um single grandioso e contagiante para ser a faixa título do álbum e não erraram, porque assim que “Human Spring” acaba, a vontade que fica é de ouvir de novo.

Buchanan – Human Spring

O álbum será lançado mês que vem, e já conta com mais dois singles além de “Human Spring”, “Run Faster” e “When The Sun Comes Round Again”.

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O Brooklyn certamente é um dos locais de onde mais saem bandas boas atualmente. Um bom exemplo é a Bowmont, que surgiu no ano passado e no último dia 17 de fevereiro nos presenteou com seu primeiro EP, chamado Euphorian Age. A banda foi criada pelo multi-instrumentista dinamarquês Emil Bovbjerg em parceira com Jeremy Loucas (engenheiro e produtor vencedor de um Grammy Award). Juntaram-se a eles integrantes de outras três bandas: Elias Miester (guitarrista da banda Mon Khmer), Dave Cole (baterista da Rubblebucket) e Jesse Barnes (músico freelancer da banda Eli Paperboy Reed).

Destaca-se no EP a música “Ruphmiup”, que começa com uma bateria marcante que logo mistura-se ao vocal belíssimo e suave de Emil Bovbjerg, que se você não estiver atento pode até achar que é do Chris Martin, do Coldplay. A canção segue com uma estrutura pontuada por efeitos inusitados e uma produção detalhada que por muitas horas se assemelha à do Alt-J, com direito a riffs acústicos que nos fazem imaginar o Radiohead brincando de afro-pop. Entretanto, na casa dos dois minutos, as harmonias vocais se intensificam e ajudam a dar forma ao refrão, e daí em diante você já vai estar sugado pela viagem sonora que se sucede, proporcionando uma sensação de paz e êxtase que te farão viajar para outro universo.

Bowmont – Ruphmiup

Para ouvir o EP completo do Bowmont, basta acessar o BandCamp da banda.

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Para ajudar na promoção de Overgrown, seu segundo álbum, o cantor britânico James Blake lançou o clipe de mais uma música. Trata-se de “Overgrown”, faixa que representa bem o talento e a sensibilidade de James. O material foi dirigido por Nabil Elderkin, conhecido pela direção de videoclipes de outros artistas que já foram divulgados aqui no blog, como Frank Ocean e Foals. Um clima de mistério domina o início do de “Overgrown”, com a câmera se movendo entre galhos em uma floresta sombria. Quando os primeiros acordes começam, é possível perceber ao longe a cabana em que o cantor se encontra. O principal acerto do vídeo fica por conta da fotografia, que não apenas permite a contemplação de belas imagens em tons azulados, mas também recorre a um belo jogo de sombras, responsável por mostrar a passagem de tempo presente na letra. Ao sair da cabana, o cantor é perseguido por figuras sombrias que se movimentam graciosamente, misturando a sensação de ameaça com encantamento.

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Originalmente formado em Ontario, o Born Ruffians vem ganhando cada vez mais destaque na cena alternativa do Canadá desde a sua formação em 2004, ano em que também lançaram o primeiro registro, de forma independente. Com o vocal poderoso de Luke Lalonde, o quarteto fez barulho com algumas performances locais em Toronto, ganhou popularidade online e, finalmente, debutou em turnês junto a nomes como Franz Ferdinand, Hot Chip e os conterrâneos canadenses do Tokyo Police Club. O primeiro disco numa gravadora grande, Red, Yellow & Blue (2008), tem o viciante hit “Hummingbird” e foi nomeado para o prêmio de melhor álbum do ano no Independent Music Awards. O sucessor, Say It (2010), veio mais focado e polido, e por isso as expectativas para o Birthmarks (2013) estavam lá em cima.

E aí que “Needle” é a primeira amostra de que o Born Ruffians voltou mais lapidado do que nunca, reforçando a alma garage-pop que conquistou a gente. Especialistas em riffs epidêmicos e em batidas dançantes, a banda volta melódica sem ser dramática, e contagia com um single despretensioso. “Needle” logo encanta com seu início suave à-la Fleet Foxes, mas que rapidamente dá lugar a uma melodia de aura solar e a batidas marcantes que lembram das californianas do Haim. Verdade que profundidade nunca foi o forte do quarteto canadense, mas quem liga pra isso quando se tem uma batida tão amigável e um refrão sing-along tão delicioso quanto esse?

Born Ruffians – Needle

Se antes o Born Ruffians fazia a gente lembrar de um Foals em tempos de Antidotes (2008), com “Needle” a banda já prova que tem identidade musical própria, mas ainda incompleta, num processo de solidificação. A atmosfera leve e charmosa do primeiro single do Birthmarks levanta as expectativas para o álbum e já dá sinal de que a banda talvez tenha achado a sua zona de conforto. O disco sai no dia 9 de abril pelo selo Paper Bag Records.

Foals – My Number

Luis Felipe —  12/12/2012 — 2 Comments

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O Foals, definitivamente, está de volta. A banda, que já é presença certa do terceiro dia do Lollapalooza brasileiro, divulgou recentemente “Inhaler”, a primeira amostra do seu terceiro álbum, que se distanciou um bom tanto da sonoridade mais leve do Total Life Forever, culminando em um som mais pesado, sujo e de guitarras violentas. Apesar da sonoridade mais adulta, a canção não conseguiu agradar a todos os fãs, e é para esses que o Foals lança agora o segundo single do Holy Fire, “My Number”.

A canção, que já tinha sido tocada anteriormente em alguns shows do grupo, se aproxima mais da sonoridade do disco anterior do que “Inhaler”, e traz um rock de guitarras funkies que se aproxima da fantástica “Total Life Forever”, canção título do último trabalho. Apesar de não se tratar de nenhuma evolução como “Inhaler”, pra quem procura aquele típico Foals com climinha dançante e um refrão que dá pra sair cantando de primeira, pode ouver “My Number” sem medo que a chance de decepção é praticamente nula.

Foals – My Number

O terceiro disco dos Foals, Holy Fire, chega no dia 11 de fevereiro pelo selo Transgressive Records.