Archives For foster the people

url

O Cathedrals mostrou ao mundo no ano passado o tamanho da sua grandiosidade ao lançar a ótima “Unbound” como primeira amostra do seu trabalho, fazendo com que fôssemos um pouco a fundo na história deste misterioso duo. Uma surpresa foi descobrir que para Brodie Jenks e Johnny Huin dominar instrumentos não foi nenhum desafio, já que ambos vinham trabalhando com música antes mesmo de se conhecerem, colaborando de diversas formas em pequenas turnês de bandas que passavam por São Francisco, a cidade natal da dupla. Depois de nos apresentar uma essência delicada – fazendo jus ao pseudo nome – o duo retorna mostrando um lado um tanto contraditório de sua estreia. Trocando o instrumental mais orgânico acompanhado de vocais calmos de “Unbound” por batidas marcantes e vocais intimidadores, eis que surge a segunda amostra do EP da banda, “Harlem”.

O trabalho em “Harlem” pode ser descrito como “sigular”, graças à mistura inusitada de elementos do dreampop com o futurepop, chegando a soar como uma tentativa de encontro do Tennis com o AlunaGeroge. Os vocais e sussurros em segundo plano criam uma cacofonia maravilhosa de “oohs” e “aahs” acompanhados por instrumentos dedilhados que, por sua vez, tem um pé no dreampop apesar da agitação. A guitarra, entretanto, é o grande destaque da produção, progredindo durante a faixa à medida que o seu batimento cardíaco se acelera, entregando – finalmente – um break libertador, com direito a um solo que te leva às estrelas.

Cathedrals – Harlem

.

A cativante “Kisser”, do Step Rockets, agrada facilmente, principalmente pela sintonia de elementos que também estão presentes em canções do M83, Smith Westerns e Foster The People. Sob a direção certeira de Alex Bowes, o clipe de “Kisser” exibe o grupo tocando em um reservatório aquático localizado em Minnesota. Logo, vemos os integrantes da banda em ambientes com a presença de animais marinhos como “figurantes” e até como destaques do vídeo em transições de imagens que mostram apenas os belos animais flutuando nos aquários, o que combina com o frescor da música.

url

Se você pesquisar, step rockets (ou foguetes de apoio) são aqueles foguetes que ajudam espaçonaves maiores a decolar, e quando o combustível acaba – ao cumprir seu papel – são automaticamente descartados. E bem, Step Rockets é também o nome de uma das nossas novas bandas favoritas, encaixando-se como uma luva na descrição por utilizar diversos gêneros auxiliares, da música eletrônica ao reggae, para dar vida ao seu indie-pop bem resolvido. Se você ainda não tinha ouvido falar da banda, não se preocupe, pois o quarteto de Minnesota está apenas no seu segundo lançamento, “Kisser”, que chega com a promessa de impulsionar os americanos para os ouvidos de quem procura um indie-pop que foge do convencional.

Soando como um encontro dos vocais do Hockey com o synth-pop carismático do Foster The People, a canção começa de forma calma, com uma bateria esparsa, até culminar em um antêmico refrão que poderia muito bem fazer parte do primeiro disco do MGMT. A partir daí a canção te conquista aos poucos, com a adição de uma percussão com referências da world-music e deliciosas linhas de guitarra, culminando em um desfecho espetacular que te fará acreditar estar diante do próximo hit indie prestes a explodir.

Step Rockets – Kisser

934679_352415771555016_1094567809_n

A reunião de 17 músicos brasileiros para gravar um tributo ao Cazuza é a ideia central de Agenor, coletânea lançada hoje pelo selo Jóia Moderna que está sendo distribuída gratuitamente por aqui. Das novas versões, que transitam entre o afro-pop do Do Amor e o experimentalismo lo-fi do Kassin, é a produção cristalina e repleta de elementos modernos do SILVA que destaca das demais, ao mesmo passo que revela uma nova faceta do artista que, eventualmente, deverá ser melhor explorada em seu novo disco, programado para o fim do ano.

A canção escolhida pelo capixaba é a romântica “Mais Feliz”, composição de Cazuza que ficou conhecida na voz de Adriana Calcanhotto em meados dos anos 90, que aqui tem sua estrutura original mantida intacta e a produção completamente recriada com o auxílio dos novos vocais. Deixando de lado o dream-pop de Claridão e as influências oitentistas da recente “Amor Pra Depois”, o músico mergulha em influências modernas para dar nova sonoridade à canção, transformando-a em um sedutor número future-pop que começa de forma calma, com pianos que parecem sair do último projeto do Cashmere Cat, até explodir em um refrão repleto de sintetizadores e batidas eletrônicas que soam como obra do AlunaGeorge ou como uma tentativa do Foster The People de transformar o trap em pop. Adicione ainda saxofones incrivelmente sexy que completam de forma orgânica a produção eletrônica que você terá mais um belo exemplo da versatilidade de SILVA, que comprova sua posição de vanguarda no cenário musical brasileiro e deixa incógnitas a respeito do seu próximo trabalho, mas com plena certeza de que seu futuro nunca foi tão promissor.

Silva – Mais Feliz

Andy Bull

Andy Bull acaba de ganhar nossa atenção por completo. O jovem músico australiano, que já chegou a lançar um disco em 2010, se reinventou completamente com a fantástica “Keep On Running”, divulgada em março desse ano, que chegou a garantir um contrato com a Republic Records nos EUA. Após a surpreendente faixa, as expectativas estavam lá em cima para o seu próximo passo, mas ao ouvir a recém divulgada “Baby I’m Nobody Now”, segunda amostra do seu próximo disco de estúdio, Andy prova que tem muito espaço pra superação.

Basicamente esqueça todas as outras produções pop que você já ouviu esse ano, pois o estilo de Andy, que você já conheceu no single anterior, volta aqui elevado à décima potência. Em “Baby I’m Nobody Now”, as batidas (que mudam de ritmo a todo instante), podem até ser mais desaceleradas, mas a produção refrescante e surpreendente, com solos de sintetizadores, glitches, harmonias e recortes vocais, mostra um nível de cuidado pouco visto em canções pop de quatro minutos. Apesar do experimentalismo da produção, que soa como um Foster The People arriscando um future-pop, sua composição convencional mantém as coisas extremamente acessíveis, com Andy lamentando o fim de um relacionamento ao mesmo tempo em que se reafirma como um homem não merecedor daquilo que está vivendo.

Andy Bull – Baby I’m Nobody Now

pananma

Se você lê algum outro blog de música além do nosso, provavelmente deve ter se deparado com a leva de posts apresentando o Panama Wedding e seu single de estreia, “All Of The People”, que aclamam a canção como “o próximo hit indie” e “a música que o Foster The People mataria para ter”. Posso até queimar a língua ao achar tais afirmações exageradas (inclusive inicialmente não tinha o intuito de postar essa aqui), mas aos poucos ela começou a fazer mais sentido para mim até que consegui enxergar seu verdadeiro brilho.

Na real, até agora não se sabe muito sobre o Panama Wedding, além de que são de Nova Iorque e que possuem todo o suporte da blogosfera para futuros lançamentos. O que temos até então, “All Of The People”, é um synth-pop repleto de carisma como uma música do Penguin Prison, de uma produção alegre e jovial, que parece obra do Viceroy ao conseguir soar tropical usando apenas sintetizadores. Produzida na verdade por Andrew Maury, do aclamado time de produtores RAC, a canção vê nos grudentos riffs de sintetizadores seu maior destaque, que, aliados a um refrão simples mas que cresce sorrateiramente, resulta em um glorioso primeiro single, que cumpre com sucesso seu papel: gerar hype.

Panama Wedding – All Of The People

artworks-000040718767-1ex5g6-t500x500

O trio californiano Sir Sly lançou nesta semana seu primeiro EP, Ghost, cujas três faixas (“Ghost”, “Gold” e “Where I’m Going”) já foram resenhadas por aqui. Donos de um pop sombrio, atmosférico e igualmente grudento, a banda chegou a ser comparada como um Foster The People sinistro dado as similaridades entre os vocalistas, mas a cada música divulgada as comparações ficam mais distantes.

A maior surpresa, entretanto, é que a banda acaba de divulgar uma nova faixa, que não integra o EP ao mesmo tempo em que não se afasta da sua sonoridade. “Easy Now”, apesar de não ser confirmada como o próximo single da banda, tem tudo para ocupar o papel, dado que se trata de uma das melhores canções dos rapazes, perdendo só para a fantástica “Ghost”. A produção pop-noir intercala uma instrumentação sedutora, no melhor estilo Lana Del Rey, com guitarras melódicas, pianos fúnebres e um refrão simples mas eficiente, que trata de arrependimentos.

Sir Sly – Easy Now