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Os meus remixes e covers favoritos são geralmente aqueles que se arriscam mais, que tentam de alguma forma mudar a perspectiva que temos sobre a original, e mesmo não conseguindo superá-las, consegue agregar um novo valor à mesma. São exatamente por esses motivos que estão aqui abaixo 3 covers que vão entrar como alguns dos meus favoritos do ano, e digo logo que o que têm de curtos (o maior tem 2:40), têm de criativos.

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Rockapella – A-Punk (Vampire Weekend Cover)

“A-Punk”, uma das minhas músicas favoritas de uma das melhores bandas a sair nos últimos anos, ganha aqui uma nova roupagem. Se a original já tinha um quê de batidas africanas, este cover é praticamente um passeio à selva do Rei Leão. Se você reparar, pode ouvir até uns pedaços da trilha sonora do filme cantados ao fundo da música, que não tem a velocidade e o agito da original, mas mantém o ritmo sem deixar tudo lento demais. É um cover divertidíssimo, com um baixo delicioso, que vai fazer você lembrar o quanto ama essa faixa.

♫ Rockapella – A-Punk (Vampire Weekend Cover)

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Telephoned – O.N.E. (Yeasayer Cover)

O Telephoned é esse duo que você acima,que na verdade estavam ano passado abrindo simplesmente para o Chromeo. Aqui, eles pegaram um dos hinos indies do ano, “O.N.E”, com toda a sua aura de balada anos 80, que ganha aqui os vocais do grupo e batidas menos dançantes, mas não menos atrativas. Em uma versão mais relaxada e mais soul, a música que só fica no refrão só peca por ser curta demais, mas prometo que cada segundo valerá a pena. Nada comparável com a original, é claro, mas é uma boa música para sua playlist de verão enquanto toma um drink refrescante.

♫ Telephoned – O.N.E. (Yeasayer Cover)

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Jump Clubb – Futile Devices (Sufjan Stevens Cover)

Mas… já? Sim, postamos alguns dias atrás essa faixa do “Age of Adz” um dos grandes lançamentos do ano e já temos um cover pra ela. Se na verdade tinhamos a música como a única que lembrava o passada de Sufjan e sem toda a produção louca que está por todo o disco, nesse cover a história muda. Com sintetizadores, batidas fortes e palminhas, a música ganha um novo ar, com o vocal lo-fi do Jump Clubb, que acompanha a estrutura da música igual a original, até ao soltar o belo refrão só no finalzinho. Esse é daqueles covers que conseguem competir de peito a peito com a original.

♫ Jump Clubb – Futile Devices (Sufjan Stevens Cover)

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O Sufjan Stevens surpreendeu definitivamente o mundo com o seu The Age of Adz. Tivemos uma primeira amostra do que seria seu trabalho novo com “I Walked” e “Too Much”, mas ao ouvir o disco por completo tive a sensação de que estava ouvindo um encontro entre o Radiohead e o Animal Collective, acrescentando um Sufjan completamente pirado e 30 pessoas cantando em coro. Prova disso é uma das melhores faixas do Adz, “I Want To Be Well”, além de gigante epopéia “Impossible Soul”, com seus vinte e cinco minutos de duração. Ela por si só merece um post a parte.

Em “I Want To Be Well”, Sufjan nos leva a uma viagem muito próxima ao que o Radiohead fez na clássica “2+2 = 5. A faixa tem uma energia incrível e vai crescendo assustadoramente até repetir “Well I Want to Be” por mais de 3 minutos em coro, como se Stevens cantasse quase que em transe. Já em “Futile Devices” temos um pequeno resgate daquilo que ele era, singelo e doce, numa de suas mais bonitas composições. A faixa que abre o álbum certamente destoa de todo o resto do disco, que é  mais barulhento e eletrônico, mas sem discrepância ou gratuidade. É como se ela nos preparasse pro que havia de vir.  Certamente, Sufjan fez um dos discos do ano, mas acima de tudo um divisor em sua carreira, e será lembrado por isso por um bom tempo.

Sufjan Stevens – I Want To Be Well

Sufjan Stevens – Futile Devices