Arquivos para James Blake

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Quando apresentamos o SOHN aqui, o cantor austríaco chamou atenção com “The Wheel”, que tem um som bem mais experimental do que seus novos trabalhos. Porém, isso não significa que o artista perdeu sua qualidade peculiar. Aproximando-se de um pop que remete a BANKS e James Blake, o novo single do SOHN prova que o debut Tremors, previsto para 7 de abril, ajudará o cantor a conquistar novos admiradores. Depois do acelerado clipe de “Lessons” e do reflexivo “Bloodflowers”, o lançamento mais recente do artista é a música “Artifice”, que tem um vídeo dirigido por Thom Glunt. O destaque do clipe está na forma como a câmera lenta e a iluminação realçam a beleza dos movimentos das pessoas e dos pingos de chuva.

London-Grammar

O primeiro disco do London Grammar, lançado no começo do mês, foi fruto de muitas expectativas. Tudo começou com o single “Hey Now”, que nos levou a jóias como “Wasting My Young Years” e mais recentemente o single “Strong”, faixa que exala o que há de melhor na essência minimalista da banda.

O que você pode deixar passado passa, entretanto, é o b-side de “Strong”, “Feelings”, uma faixa exuberante e cheia de referências sul-americanas. De forma mais descontraída e menos denso que as canções do trio, “Feelings” utiliza samples orgânicos e abusa de batuques sincronizados, acordes e outros instrumentos artesanais. A atmosfera surreal é dada pelos vocais de Hannah Reid, que alcançam tons massivos, e proporcionam um clima acústico extremamente agradável.

London Grammar – Feelings

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O resultado de seis amigos que se conheceram em uma respeitada escola de música britânica, o sexteto The Hics, assim como sua música, está chegando vagarosamente aos nossos ouvidos, começando com algumas demos lançadas no final do ano passado e culminando na estreia de um primeiro EP, que chega logo mais, no dia 19 de Agosto.

Donos de um pop de extrema elegância, a palavra que melhor define o som do sexteto neo-soul é “sofisticação”. Entrelaçando os vocais de Sam Evans com os de Roxana Davette, “Tangle” é a melhor amostra do potencial da garotada até então, que fazem um som bem mais adulto que sua idade (entre 19 e 22 anos) pode aparentar. Exalando calor de suas batidas sintéticas graças ao auxílio de delicadas guitarras em reverb, sintetizadores sutis e palminhas em slow-motion, a produção soa como um encontro sensual entre a riqueza da Jessie Ware e o experimentalismo do James Blake, culminando em uma faixa que te abraça como a força de um redemoinho e te pede para fechar os olhos e mergulhar por suas camadas de som, te deixando inerte ao longo dos seus quatro minutos.

The Hics – Tangle

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Se antes o britânico Cass Lowe dedicava-se apenas à composição e à produção de músicas para outros artistas, como Say Lou Lou, agora ele começa a trilhar seu caminho como cantor, soando como uma mistura da melancolia e do experimentalismo do James Blake com os vocais agudos e imponentes do Truls, Bastille e Tom Odell. “Birthmark” é o single de estreia do Cass Lowe e aborda a história real de uma adolescente que sofria de distúrbios alimentares, além da pressão que a sociedade colocava sobre a jovem. De acordo com o cantor, a delicada balada representa o medo de destruir tudo que há de bom na vida, como saúde, família, amor e o próprio corpo. A épica canção possui um clipe dirigido por Daryl Atkins, que contrapõe a suavidade da música com a intensidade dos eventos vividos por uma jovem dançarina, que precisa lidar com o desconforto de ter uma família destrutiva, assim como o receio de não conseguir superar seus medos. Cass Lowe aparece sussurrando nos ouvidos dos personagens, como se estivesse questionando as ações daquelas pessoas.

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Apesar de ter uma letra que aborda as dificuldades de lidar com os sentimentos, “Hustler” não é nem um pouco difícil de ouvir, devido ao som minimalista que ganha proporções épicas e à voz suave de Josef Salvat, que parece uma versão masculina da Lana Del Rey e lembra o tom de James Blake, Gotye e Phoria. O responsável pelo vídeo é Oliver Kember, que conseguiu evitar que imagens díspares como dominós caindo e corpos se tocando virasse uma bagunça. Os efeitos caleidoscópicos e o jogo de sombras propiciam uma harmonia às imagens, que ainda refletem o intimismo da música ao exibirem o cantor sob um chuveiro.

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No último dia 13 de maio, o Phoria lançou o EP Bloodworks, que contém músicas embaladas por sons de piano que flertam com batidas eletrônicas. A suavidade dos vocais proporciona uma experiência bastante sedutora, parecendo uma mistura entre as vozes de Chris Garneau e James Blake. A música “Red”, que serve como uma ótima apresentação da banda formada por cinco londrinos, ganhou um clipe bastante apropriado, dirigido por Jeb Hardwick, Thom Novi e Trewin Howard. Além de ondas que quebram vagarosamente, podemos ver no vídeo o vocalista do Phoria sendo molhado pela chuva perto do mar, enquanto uma mulher aparece deitada em um lugar fechado e cheio de umidade. A sensualidade do videoclipe cresce a partir do momento em que o cantor começa a se despir do tecido vermelho que cobre o seu corpo, ao mesmo tempo em que a mulher coloca pedaços semelhantes de tecido sobre o corpo. De modo sutil e elegante, o vídeo nos hipnotiza até o instante em que o vapor domina a tela e as imagens mudam de forma mais rápida, acompanhando as batidas crescentes da música.

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Uma música poderosa merece um videoclipe grandioso, não é mesmo? Pois o London Grammar conseguiu tal feito em função da direção de Bison, que captou a melancolia da letra de “Wasting My Young Years” de maneira precisa. Com um som que remete à canção “Mad World” (na versão de Gary Jules) e às músicas de James Blake, MS MR e Florence And The Machine, “Wasting My Young Years” será lançada oficialmente em junho. Até lá, é possível admirar o clipe, que mostra a vocalista do London Grammar cantando perto dos outros integrantes do trio britânico. Porém, o que destaca o vídeo é o conjunto de imagens desfocadas de corpos suspensos em cenários sombrios. Parece que estamos observando uma exposição em uma galeria de arte, em que as obras expostas são os corpos congelados no ar, como se fizessem parte de sonhos ou lembranças de alguém.

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