Archives For Miike Snow

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O australiano Hayden James, que vem direto de Sydney, acaba de começar a carreira com pé direito. Além de ser dono de um sublime primeiro single, o rapaz já está lançando a primeira amostra do seu trabalho atráves do bombado selo australiano Future Classic, responsável por lançamentos de outros artistas eletrônicos como Classixx, Flume e Jagwar Ma.

Hayden, entretanto, carrega sua própria identidade sonora e demonstra isso com muita firmeza ao longo de sua fantástica “Permission To Love”. Soando extremamente sexy do começo ao fim, a canção mistura elementos do disco (como guitarras funkies) a batidas baleáricas e relaxadas para criar um número para dançar mexendo a cabeça. O destaque, entretanto, fica para a brincadeira do produtor com os próprios vocais, que são distorcidos, alterados e picotados sem piedade, adicionando tensão e criando novas melodias com os recortes, nos fazendo lembrar dos momentos mais criativos do Daft Punk e do Miike Snow.

Hayden James – Permission To Love

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Anote bem este nome, pois Linnea Dale será uma dessas boas revelações da música pop daqui alguns meses. Dona de uma voz singular, a jovem cantora norueguesa de 22 anos iniciou seus projetos no mercado fonográfico em meados de 2007, após participar de um famoso concurso de música. Com um álbum de inéditas lançado ano passado e inúmeras colaborações no currículo, Linnea parece estar pronta para ganhar o mundo junto aos seus próximos lançamentos.

Sem muitos segredos, A Room in A City funciona como uma balada synth-pop elegante que se destaca pela belíssima e moderna produção, que traz ao longo de quatro minutos muitos sintetizadores, violinos, sinos e uma batida que horas lembram as produções do Miike Snow. Os efeitos seguram as expectativas dos versos e culminam em um glorioso refrão, com vocais tão melodramáticos que chegam a lembrar o último single da Tove Lo e os momentos mais depressivos da Lykke Li, sob uma estética synth-pop. Bem ao estilo das faixas que ganhavam as rádios no começo dos anos 2000, “A Room in A City’’ une ingredientes básicos da musica pop para resultar em uma canção de produção moderna, pronta para agradar qualquer amante do gênero.

Linnea Dale – A Room In A City

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O duo americano Javelin, formado pelos primos Tom Van Buskirk e George Langford, estreou em 2010 com seu primeiro álbum, No Más. Na época, eles preferiram gravar suas músicas de forma caseira, onde samples e loops eram produzidos de uma maneira bem “faça-você-mesmo”, favorecendo o experimentalismo idealizado pelos dois. No último dia 5 de março, entretanto, a dupla nos presenteou com seu segundo álbum, Hi Beams, o primeiro gravado em um estúdio profissional. Com uma sonoridade que pode ser descrita como um electro-pop experimental, nota-se que algumas características de três anos atrás foram naturalmente modificadas, mas isso não chega a ser necessariamente ruim, como podemos notar no primeiro single do álbum, a incrível “Light Out”.

Dotada de uma batida militar e guiada por um delicioso vocal em falsete à la Passion Pit, fica difícil não lembrar logo de cara de “The Wave”, do Miike Snow, só que com a adição de um ingrediente extra: o violino. Como se não fosse o bastante, sintetizadores e samples dão um charme especial à música, que soa mais sóbria e limpa do que os outros trabalhos da banda, culminando em um dos seus singles mais acessíveis até então. Fica claro através da música que muito do experimentalismo apresentado pelo duo deu lugar a uma formatação mais estrutural e pop, no entanto, somos conduzidos a uma sonoridade impossível de se resistir, que ousa de forma surpreendente e consegue agradar pela mistura inusitada dos diversos elementos que compõem a produção.

Javelin – Light Out

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Os suecos do Taped Rai, enquanto não lançam seu álbum de estreia, liberaram mais uma faixa para saciar nossa curiosidade. Depois da mistura entre o experimental e o eletrônico-comercial de “Shadow of The Sun”, Tom Liljegren e Alexander Ryberg realmente parecem ter deixado de lado as influências que receberam durante o trabalho com DJs e produtores de música eletrônica, apostando em um soft-pop delicioso como próximo single que se sobressai como a melhor amostra da dupla até então.

Com uma batida eletrônica crua e uma base suave, “Backyard Animals” acerta em diversos momentos e se aproxima de algumas canções mais leves produzidas por nomes conhecidos da EDM, como no início da carreira do britânico Example. Entretanto, enquanto o britânico direcionou seu som para algo mais bombástico e comercial, os suecos mantiveram aqui sua delicadeza e se muniram de um inocente refrão que quando você menos esperar já vai estar na sua cabeça, desviando de vez qualquer comparação com atos eletrônicos tradicionais e se aproximando de nomes menos óbvios como Miike Snow e Diamond Rings, apostando ainda em vocais suaves e ligeiramente lo-fi, que embrulham o pacote como um número mais natural e emotivo que o último single.

Taped Rai – Backyard Animals

Taped Rai – Backyard Animals

Em pouco tempo, e com pouquíssimo material lançado, é bem possível que Tom e Alexander saiam do anonimato e tenham um dos debuts mais comentados do segundo semestre desse ano, ou inicio de 2014. A composição de elementos leves, com raiz eletrônica e certo approach para as rádios com certeza desperta a curiosidade de ouvir um trabalho completo do Taped Rai.

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Dale Earnhardt Jr. Jr. é o nome brincalhão do duo indie-pop de Detroit, formado por Daniel Zott e Joshua Epstein. Os meninos já lançaram um álbum, It’s a Corporate World, em 2011 e, depois de um tempo parados na produção, eis o single “If You Didn’t See Me (Then You Weren’t On The Dancefloor)”, primeiro do EP Patterns, lançado na semana passada. A banda tem uma sonoridade muito parecida com o Gold Fields, tanto na suavidade harmoniosa dos vocais, quanto na sábia inserção dos mesmos em um infinito de elementos eletrônicos e orgânicos, gerando uma produção complexa que, no entanto, resulta bem simples às nossas sensações (o que significa dizer que nos faz dançar facinho). Os meninos têm uma técnica realmente valorizável, mas são as emoções, claramente percebidas nesse novo single, que realmente nos tocam.

Imagine que essa música é um presente, daqueles que você vai abrindo aos poucos e se satisfazendo com cada frestinha rasgada da embalagem, só para no final você se surpreender ainda mais com o produto completo. Trazendo essa analogia para a produção e construção da música, “If You Didn’t See Me…” começa de forma atmosférica, com sintetizadores tranquilos, sem vocais, que ficam brincando por quase um minuto até cair nas diversas melodias que os rapazes escondem por trás dos vocais contagiantes e da produção que parece uma cria dos sintetizadores analógicos e distorcidos do Neon Indian com a acessibilidade do Passion Pit. Quando os versos aparecem, a produção se acalma por alguns instantes para trazer os vocais quase sussurrados, à-la Miike Snow, de Daniel Zott, que não demoram para explodir em um dos refrões mais bem construídos e gratificantes do ano. Se existe uma canção de synth-pop perfeita, com riqueza na melodia e habilidade na produção, não imaginamos algo muito distante dessa aqui. Aproveitem.

Dale Earnhardt Jr. Jr. – If You Didn’t See Me (Then You Weren’t On The Dancefloor)

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Março foi um mês agitado, mas surpreendentemente, nas últimas semanas e de uma maneira inesperada, descobri o Retro Stefson e o disco que mais me encantou em um mês repleto de grandes lançamentos. Direto da Islândia, a banda é o fruto de um projeto entre os irmãos Unnsteinn e Logi Stefánsson, que recrutaram nada menos que mais cinco integrantes para dar corpo à banda, que já conquistaram o topo das paradas musicais do seu país com dois hits e fizeram um aclamado álbum de estreia, lançado hoje no Reino Unido.

Como disse, meu caso com auto-intitulado Retro Stefson já é algo sério, e das dez canções do disco estou apaixonado pelas dez, sem exceção. As canções passeiam por tantos estilos diferentes e as produções são tão criativas que o disco te instiga a ouví-lo inúmeras vezes e, analisando-o como um todo, a impressão que temos é que estamos diante um Alt-J com mais sintetizadores. Entretanto, para começar a entender minha obsessão, “Glow” é perfeita introdução à essa banda multifacetada, que, assim como o disco, não pode ser reduzida a um único gênero.

Misturando elementos acústicos e eletrônicos, “Glow” se inicia com percussões ritmadas e vocais que te fazem imaginar um híbrido entre o Electric Guest e o Miike Snow tentando ser funky. Sintetizadores rápidos balanceiam o lado eletrônico da produção dinâmica, que caminha em uniformidade junto à belas harmonias vocais que aproveita as vozes dos sete integrantes. Sem muita pretensão, a canção vai se revelando aos poucos até se transformar em um tour-de-force na casa dos dois minutos, quando vocais femininos entram em cena e a produção fica ainda mais intensa, culminando em um aventureiro e bombástico primeiro single que você não vai cansar de ouvir.

Retro Stefson – Glow

Não queremos lotar vocês de informações, então a partir de hoje, postaremos as nossas quatro favoritas do disco a cada semana, para recuperar o atraso. E se gostou do que ouviu, já dá pra ouvir o disco completo por aqui e de quebra, neste link, você confere um show completo da banda.

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Tal como seu nome sugere, maiores detalhes sobre o Belgian Fog, projeto do californiano Robert Dale, de apenas 23 anos, ainda são bastante nebulosos. A primeira música do rapaz, “Wait For Help”, foi lançada há menos de um mês, mas desde que chegou aos nossos ouvidos não conseguimos tirá-la da cabeça. Ao contrário do que você pode esperar da maioria dos artistas que passam por nossas páginas, “Wait For Help” é claramente a obra de um homem só, fato que pode ser percebido principalmente na produção, que ainda não tem o polimento de outras canções do gênero. A boa notícia, entretanto, é que isso não a impede de ser excelente.

Definimos constantemente músicas como “grudentas” por aqui, mas “Wait For Help” é uma verdadeira merecedora do termo. Dos riffs desengonçados de sintetizadores analógicos, que parece uma demo perdida do Miike Snow antes do sucesso, ao vocal cheio de falsetes e sussurros de Dale, que por muitas vezes lembram o Gotye, “Wait For Help” não tem falta de pontos altos. Entretanto, não há de negar que o maior trunfo da música é seu maravilhoso refrão, que nos revela uma alma confusa, cheia de problemas, e que consegue disfarçar qualquer defeito da produção e elevá-la para algo promissor.

Belgian Fog – Wait For Help