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A novíssima Fickle Friends, de Brighton, vai dar o que falar a julgar pelo seu primeiro single, “Swim”. Nesta primeira música, o quarteto se enquadra sonoramente dentro desse notório movimento de bandinhas que estão sempre “de bem com a vida”, como o Mausi e o Grouplove, contagiando os ouvintes já na primeira audição.

Logo no início da faixa, os sintetizadores retrôs nos fazem lembrar o Neon Indian, mas é a seguir, a partir do inspirador vocal de Natassja Shiner e dos riffs de uma guitarra funky simplesmente apaixonante, que a música mostra a sua verdadeira essência e nos conquista de vez, soando como uma espécie de mistura entre a felicidade do Alphabeat e as batidas marcantes do Haim. Com a dose perfeita de como fazer música pop de qualidade, os ingleses mostraram através de “Swim” que sabem exatamente a receita de como produzir um single para o verão ou para qualquer pool party que se preze. Pode mergulhar de cabeça.

Fickle Friends – Swim

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Julian Maverick é um artista de Melbourne, na Austrália, que ganhou notoriedade com seus remixes de “Ritual Union” (do Little Dragon) e de “Roxanne” (um cover do Strange Talk para a canção clássica do The Police), e promete ganhar ainda mais com seu mix 4LOVE e a música de nosso interesse, “Spaceships”. Sua sonoridade nu-disco é claramente influenciada pelos conterrâneos do Cut Copy e Van She, com potencial para deixá-los orgulhosos e nos dar mais uma prova da qualidade da música eletrônica australiana. Se lembrarmos ainda do resto do mundo, podemos dizer que ele ainda tem um ar de Goldroom, passando pelo experimentalismo do Neon Indian e quase alcançando a grandeza de produção de um M83 da terra do sol. O mundo todo, entretanto, terá que esperar para ver mais do artista, pois por enquanto só temos boatos do lançamento do seu primeiro EP.

Como boa representante do ainda escasso repertório do rapaz, “Spaceships” nos leva direto ao verão australiano com sua atmosfera descontraída de festa na praia. Ouví-la seria a descrição perfeita para um daytime-disco, com toques de tropicalidade dados pelos sinos constantes, que lembram o Poolside. Ainda durante seus cinco minutos, o produtor acrescenta diversos elementos como barulhos espaciais que parecem sair de um videogame (ou de uma batalha de Jornada nas Estrelas), latas de refrigerantes sendo abertas e diversos samples de ondas do mar, que nos transportam paro o cenário da música e adicionam vivacidade à aventura do rapaz, que hora parece tanto um típico pop dos anos 80 quanto um indietrônico atual, passando pelo sonzinho de praia à la Toro y Moi e Les Sins. E, mesmo com tantos elementos para te distrair na produção, Julian nos cativa com seus vocais trazendo uma melodia que se evidencia dentre todo esse troca-troca de camadas e, ainda que improvável, consegue ser grudenta e colar na cabeça com facilidade. Portanto, aproveite que na nossa terra sempre temos sol e se jogue no verão australiano de “Spaceships”!

Julian Maverick – Spaceships

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Trio sueco de dream pop, o Postiljonen, e sua até então curta carreira, traz sons carregados de energia através de produções grandiosas e quase espaciais em suas faixas. Sua lista de influências traz nomes como Sigur Rós e M83, mas nem precisa da banda dizer isso para percebermos ao ouvir elementos de ambos nas músicas já divulgadas pelos suecos, que antecipam o primeiro EP, a ser lançado pela gravadora Hybris durante o verão.

No mais recente single, “Supreme”, o trabalho do grupo é perfeitamente retratado através de elementos que se encontram na bateria bem pontuada e nos sintetizadores retrôs, que lembram bastante os usados pelo Neon Indian, e que passeiam por toda a música se tornando parte vital da eletrônica e ensolarada produção. Apesar do nome em sueco, os vocais são cantados inteiramente em inglês e ajudam na construção do ambiente, banhados em reverbs. Para acompanhar a faixa, o clipe explora a dúvida de uma garota questionada por dois garotos em torno de suas intenções, e também merece ser visto.

Postiljonen – Supreme

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O electro envolvente do duo australiano DEJA já ultrapassou as fronteiras de Melbourne há algum tempo. O projeto dos produtores Haxx e Rromarin nasceu em meados de 2010, e chama atenção por dar charme aos sintetizadores. Mas ao mesmo tempo, tem uma aura um pouco diferente da maioria dos atos de synth-pop que a gente vê por aí, afinal, o objetivo do DEJA não é te levar pra pista de dança, e sim te fazer embarcar na viagem futurística que é cada uma das suas faixas. “Holiday” já tinha mostrado isso com bastante clareza, fazendo uso de diversos sons para garantir suas batidas vigorosas e versos grudentos, e agora o primeiro lançamento deles em 2013 reforça a cara future-pop da dupla.

Com “Still Falling”, o DEJA chega menos pop e talvez mais chillwave do que nunca. O som está cada vez mais enraizado nos sintetizadores e inspirado no mundo digital, o que dá uma alma futurista sem igual para a faixa. Dá pra perceber que é uma tentativa de fazer um electro psicodélico e introspectivo, soar meio enigmático, trabalhando com muitos elementos que podem te remeter ao Neon Indian e ao Yeasayer, e que demonstra uma forte influência do Röyksopp em seu som. Apesar de não ser o alvo da música, não é difícil se imaginar sendo envolvido pelas batidas da faixa numa pista, já que a sonoridade da dupla não deixa de ser acessível no single, que eles declararam ser a primeira amostra de um EP a ser lançado ainda esse ano. Eclética, urbana, misturando orgânico e digital, “Still Falling” soa elegante e progressiva. E é com ela que o DEJA quer provar que existe muito mais do que sintetizadores bem orquestrados a serem explorados no gênero.

Download: DEJA – Still Falling

O EP de estreia da dupla está programado para julho, sem maiores detalhes.