Archives For Purity Ring

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Quando Cecil Frena, antes conhecido na cena musical como Gobble Gobble, relançou seu projeto experimental sob o nome de Born Gold, a mudança não refletiu apenas na nomenclatura, como também na sonoridade, que passou a reter cada vez mais elementos do pop em suas produções. Com o lançamento do terceiro álbum do projeto, I Am An Exit, previsto para o início de outubro, Cecil acaba de disponibilizar para audição o single “Hunger”, primeira amostra do novo trabalho.

Deixando de lado a atmosfera eletrônica em suas canções, Frena produziu uma faixa que traz ruídos, batidas secas, percussão alegre e vocais sintetizados que soam como um grito de liberdade e afirmação – numa espécie de Mikky Ekko menos melancólico – que acaba lembrando uma produção do Purity Ring feita sob medida para o Penguin Prison.  Em pouco mais de três minutos, “Hunger” parece levar o ouvinte a uma viagem que transita entre o experimental e o future-pop, e que, apesar de tão “moderna”, é talvez, uma das canções mais simples e acessíveis do Born Gold.  No clipe, pegadinhas no mínimo estranhas acompanham a simplicidade da música através de imagens que parecem ter saído dos antigos VHS, relembrando os famosos “prank shows” dos anos 90.

Born Gold – Hunger

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Com o clipe de “Waste Of Time”, Karen Marie Ørsted prova novamente que é uma artista que tem grande potencial para despertar o interesse de muita gente com seu projeto musical, denominado , cujas primeiras músicas foram apresentadas pelo blog no ano passado. O novo vídeo mostra a cantora dinamarquesa dançando e “batendo cabelo” como se ninguém estivesse olhando, algo que já foi visto no clipe de “Glass”. Além disso, o clipe dirigido por Anders Malmberg apresenta uma série de imagens aparentemente aleatórias, desde quadros até objetos. O single deve ser lançado oficialmente no dia 7 de julho, preparando o terreno para o álbum de estreia, que ainda não tem nome e nem previsão para ficar pronto. Apesar de comparações com Lykke Li, Grimes, Purity Ring, Lorde, PawwsHaim, o som da MØ é bastante peculiar, em função de uma rebeldia presente nas letras e da mistura de sintetizadores selvagens com guitarras e outros sons experimentais que geram canções pop com uma pegada R&B.

ASTR – Operate

Helena Bokos —  20/05/2013 — 2 Comments

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O duo ASTR, de Nova York, já tinha liberado anteriormente os singles “Goodnight” e “Razor”, mas é agora, com “Operate”, que temos até então a maior obra-prima da dupla. Saídos do Brooklyn, o duo demonstra bastante as influências do bairro em suas músicas, que, dentro de um contexto indie-pop, revelam todo o gingado que, como nenhum outro gênero, o R&B e o hip hop possuem. A brincadeira soa como um Purity Ring cantado pela Charli XCX, e traz um instrumental extremamente sutil e detalhado, como um resgate à música black-eletrônica dos anos 80 mas que flerta diretamente com as batidas modernas do chill e do trap. Apesar de sensuais, suas músicas são feitas pra dançar, para se deixar levar naquela mágica conexão som-corpo, e é basicamente assim que “Operate” te conquista.

Dotada de um refrão R&B, de melodia suave, grudenta e pronta pra satisfazer todas as exigências de um futuro hit pop, o curto refrão logo dá espaço à atmosfera altamente sedutora dos versos, o maior atrativo da música. Os vocais metalizados demonstram sua imponência sob a produção minimalista e trazem toda a dramaticidade necessária que a produção sensual pode pedir, acompanhando perfeitamente a linha de baixo com groove descarado que torna tudo ainda mais sexy e acessível. Mas enquanto a canção poderia ficar apenas no dreamy, a adição de incríveis batidas temperamentais que levam o trap ao pop deixam tudo mais dançante e fazem todo o diferencial por aqui, culminando em uma perfeita mistura de hip-hop, R&B e synth-pop em que o ritmo é tudo.

ASTR – Operate

IYES – Glow

Luis Felipe —  18/02/2013 — Leave a comment

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Em dezembro passado apresentamos por aqui o duo britânico IYES e seu fantástico single “Lighthouse”, que por si só já refletia um futuro brilhante para a dupla. Ao meio de diversas comparações com o The xx devido ao uso de guitarras melódicas e aos vocais entrelaçados de Melis Soyaslanova e Josh Christopher, para nós, o single soou como a canção perfeita para aqueles que reclamaram da falta de “novidades” apresentadas no Coexist.

Agora para quem buscava um som mais diferente e original, a dupla apresenta agora sua nova música, “Glow”. Abandonando de vez as similaridades da produção com o The xx, o único laço que “Glow” possui com a canção anterior é o jogo de vozes entre Melis e Josh, que continua tão sedutor e eficaz quanto em “Lighthouse”. Já a produção, que deixa de lado as guitarras melódicas e o baixo grudento, deixa florescer as habilidades da banda com outros instrumentos e aposta numa sonoridade mais eletrônica, com versos minimalistas repletos de xilofones contrastando com um vibrante refrão de batidas e samples picotados à-la Purity Ring. Sinceramente, há muito tempo que não vemos uma banda nova apresentar duas canções tão fortes assim em tão pouco tempo, o que nos faz ficar mais ansiosos quanto ao futuro da dupla, que parece mais iluminado do que antes.

IYES – Glow

Se ainda não conferiu o primeiro single da banda, “Lighthouse”, não perca mais tempo.

Conhece o Gobble Gobble? Se a resposta for não, clique aqui imediatamente e descubra porquê a banda me faz entrar em seu Tumblr todo dia pra ver se temos alguma novidade do seu disco. Na maioria das vezes, os posts dos caras são de mixtapes, ou coisas sem sentido, mas num dos últimos posts, eles meio que anunciaram que iriam se dedicar mais aos seus projetos paralelos, e um deles é esse aqui, Purity Ring, composto por um dos membro (Corin), e que tem como vocalista uma antiga integrante do grupo também, Megan James.

“Ungirthed”, naturalmente, é a primeia coisa a sair do projeto, e entra na moda que está conquistando metade da blogosfera esse ano, onde músicas e samples são recortados e estilhaçados, formando algo, na maioria das vezes, até superior que o material de origem. No caso aqui, batidas de hip hop e samples de vocais irreconhecíveis começam a melodia da música, tudo perfeitamente organizado, mas que ganham forma mesmo com a chegada do adorável vocal de Megan, que transforma essa canção cheia de glitches e batidas experimentais numa fantástica canção pop que até sua irmã que gosta de Ke$ha não vai se sentir intimidada. Misture a loucura da música com um vídeo epiléptico feito de recortes do filme Breakaway (1966), do Bruce Connor, que a bagunça de sentidos fica completa.

Purity Ring – Ungirthed

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O projeto me lembra bastante o ótimo e desmerecido Discovery, que me acompanha até hoje nas minhas playlists favoritas, então se curtiu, fica a dica. Por mais que eu queira mais desse projeto, ainda aguardo também novidades do Gobble Gobble, e assim que sair algo, postarei aqui.