Arquivos para Robyn

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Se você gosta do seu pop um pouco mais agressivo do que o normal e está enjoado daquelas cantoras com voz fofa e zero de atitude, prepare-se para conhecer uma das maiores surpresas de 2013: Cardiknox. Formado pela dupla Lonnie Angle, com boas habilidades de piano, e Thomas Dutton, que tem um pé no punk devido às suas inúmeras bandas anteriores, o duo combina suas contraditórias influências pra dar vida a um electro-pop energético e urgente, que nasce sob a forma do primeiro single, “Hold Me Down”.

Se o Icona Pop saísse do mundo dos sonhos (e das festas) e voltasse com a atitude explosiva e debochada de “I Love It”, provavelmente o que teríamos seria algo próximo de “Hold Me Down”, com sintetizadores e uma produção eletrônica que passeiam por influências como Kate Boy e CHVRCHES, trazendo também aquela mesma atitude badass de uma Robyn ou de um Crystal Castles da vida. As batidas pulsantes não abrem espaço para descanso, servindo de base para Angle proclamar aos berros um grito de guerra sobre reivindicar o que é de seu direito e nunca se sentir reprimido, com direito a um refrão feroz que faz jus à composição e culmina em um synth-pop que aprende tanto do punk quanto de produções moderninhas.

Cardiknox – Hold Me Down

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Frida Sundemo nos conquistou com o seu brilhante EP de estréia, Indigo, um trabalho synthpop de cinco faixas recheado por uma produção moderna, mas cheio de melancolia. Trilhando um caminho peculiar para a divulgação de seu primeiro álbum que, agora, mais do que nunca, deve ser lançado em breve, a cantora de origem sueca já tem uma historia na indústria da musica e é titular de um álbum folk e algumas faixas avulsas que podem ser facilmente localizadas em uma navegação pela internet. Comparada aqui no blog como uma versão mais triste da Robyn, Frida se alimenta da mesma fonte da conceituada cantora sueca, se destacando pela fragilidade de um vocal angelical e pelas suas produções bem pontuadas.

O buzz promocional da vez é “A Milion Years”, que foi disponibilizada recentemente em seu Soundcloud com direito a download gratuito. A faixa traz uma percussão maravilhosa de sintetizadores leves e uma produção militante que já de cara é uma marca registrada da cantora. Sob batidas borbulhantes, a canção começa calma, até ganhar um novo rumo de forma crescente e gloriosa, envolta por um lírico simples mas cheio de apelo. O diferencial fica por conta do refrão primoroso, que logo nas primeiras execuções te embalará em uma sonoridade deliciosa e libertadora, e que, assim como diversas outras canções da sueca, não tem nem um pouco de medo de soar grande.

Frida Sundemo – A Milion Years

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Você deve estar lembrado que ano passado apresentamos o CHVRCHES, excelente trio de Glasgow, através dos singles “Lies” e “The Mother We Share”, certo? De lá pra cá eles têm ganhado cada vez mais espaço com a sua sonoridade moderna e ao mesmo tempo oitentista, o que culminou no primeiro EP, Recover, lançado em março deste ano. Mas o trio não quer parar por aí e acabou de lançar seu novo single, “Gun”, o primeiro do álbum que sairá ainda este ano, provavelmente em setembro. A verdade é que, desde que surgiu, o CHVRCHES tem chamado muita atenção, seja por ganhar prêmio no SXSW, por fazer uma versão cover da música tema de Game Of Thrones, por se apresentar em uma série de festivais como o Reading e o Leeds ou simplesmente por vender um pop que conquista tanto as massas quanto aos de ouvidos mais exigentes, mas que não conseguem recusar um pop bem feito.

Em “Gun”, que já beira o um milhão de plays no Soundcloud, somos recebidos com uma chuva de sintetizadores frenéticos, amaciados pelo vocal quase angelical e contagiante de Lauren Mayberry, que já conhecemos bem, mas que desta vez diferencia-se por estar bem mais pop e sem efeitos. Mais acessível, dançante, oitentista e menos experimental, a canção apresenta aqueles típicos versos de quem está com raiva do ex-namorado, mas você provavelmente mal vai perceber a letra diante de sua estrutura synth-pop praticamente perfeita, com versos que parecem refrão e um refrão que chega ainda mais alto que os fantásticos singles anteriores da banda. Se a produção sombria de “Lies” já foi um sucesso nas pistas de dança, “Gun” é a perfeita promessa (ou convenhamos, realidade) de que o CHVRCHES é a banda de synth-pop mais querida de 2013.

CHVRCHES – Gun

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A londrina Pawws (pseudônimo de Lucy Taylor) tem virado o mundo da música pop de cabeça pra baixo. Mas o mais impressionante é que se você olhar o SoundCloud da cantora, encontrará uma demo, “Outside”, e uma única música finalizada, “Slow Love”, o suficiente para que diversas publicações manifestassem suas apostas e gerassem um tremendo buzz em torno da garota, que acabou parando inclusive no Radio 1, da BBC. Do pouco que sabemos sobre Lucy podemos destacar que ela ganhou bastante notoriedade ao trabalhar com o Kele Okereke, do Bloc Party, na música “What Did I Do”, primeiro single do EP solo do rapaz, e que logo em seguida começou a trabalhar neste atual projeto, que está dando o que falar.

Em seu primeiro single oficial, “Slow Love”, somos testemunhas de um synth-pop clássico e fino, excelente para ser cantarolado em casa mas que também nos deixa otimistas para dançar a música nas melhores pistas do mundo. Com sintetizadores sedutores, uma batida contagiante e diversos samples retrôs espalhados na produção, a faixa traz bastante similaridades a projetos modernos e soa como um encontro entre o AlunaGeorge e a Cyndi Lauper, além dos vocais doces e primorosos de Lucy lembrarem bastante o do Chvrches. Com uma letra que fala sobre o amor de forma otimista e equilibrada, passando a mensagem de que o verdadeiro amor pode durar por toda a eternidade e que, por isso, não há necessidade de pressa, é utilizando de versos grudentos e de um refrão infalível que a jovem promessa de Londres manda o recado e dá uma aula de como fazer um pop moderno, nos introduzindo a um single viciante, daqueles que deixam água na boca. E como por enquanto só temos uma música (que não seja demo) para saborear, fica aqui nosso desejo por muito mais.

Pawws – Slow Love

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Já publicamos músicas e clipes da Frida Sundemo, que lançou o vídeo da música “Home” para continuar a divulgação do EP Indigo, lançado no mês passado. O mesmo tom intimista do clipe de “Snow” é encontrado no novo vídeo da cantora, que vai surpreender muita gente devido ao corte de cabelo diferente. Frida pode ter trocado os longos fios por um visual curtinho (similar ao usado pela Robyn), mas o mesmo estilo minimalista do clipe anterior continua presente no novo material. Branco é o que não falta, tanto que é possível visualizar praticamente apenas uma imagem branca durante a introdução solene da música. Depois que a delicada voz de Frida surge, vemos cenas dela caminhando por árvores, correndo pela neve e cantando para a câmera com um olhar triste em frente a um fundo branco. Os cenários desertos remetem à Suécia (lar da cantora), mas o visual gélido é contrastado pela animação da música, principalmente no refrão, que conta com um caloroso coro de vozes masculinas.

OWLLE

Owlle é uma artista francesa que não pede apresentação, até mesmo pela escassez de informação encontrada  na internet. Com um EP lançado no final do ano passado, Owlle produz um dreampop eletrônico que parece buscar influências em produções entre Grimes e Robyn, e apesar de ser francesa, a artista pode facilmente ser confundida com algumas cantoras do pop britânico atual.

“Ticky Ticky” é o primeiro single da cantora e mostra que a artista tem potencial para estourar na mídia ainda esse ano. Com um começo sombrio, a música logo evolui para um pop eletrônico que se encaixa perfeitamente com a voz um tanto quanto séria e por vezes sombria de Owlle, que nos lembra de Lizzy Plapinger do MS MR, porém em uma versão mais dançante, que também contribui para o refrão grudento, que pode demorar algumas horas ou dias para sair da sua cabeça. O vídeo também é um bom complemento para a faixa, acompanhando a cantora caminhando por lugares variados e passando por cowboys dançarinos e bailarinas.

Owlle – Ticky Ticky

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A sueca Beatrice Eli foi apresentada aqui no blog em 2012 com seu single “The Conqueror”, mas só retornou este ano, em fevereiro, com maiores notícias de um novo lançamento. Seu primeiro EP, It’s Over, foi lançado no último dia 24 e segue os passos já demonstrados nos single lançados, sendo a próxima música promocional, “Violent Silence”, mais uma boa amostra do registro.

Nem tão descontraída quanto “It’s Over” e menos grandiosa que “The Conqueror”, “Violent Silence” se estabelece como um pop sombrio de produção calculada e refrões eficazes, que prendem sua atenção pela honestidade dos vocais de Eli. A falta do carisma e da inventividade que permeiam os lançamentos de suas conterrâneas trazem mais semelhanças a uma Jessie J do que a uma Robyn, mas apesar do lançamento um tanto ordinário, se você gosta de sua típica canção pop de composição grudenta e vocais femininos, terá pouco do que reclamar da nova música da cantora.

Beatrice Eli – Violent Silence

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