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Difícil definir o som do ato sul-africano John Wizards, mas ao dar play no single “Welcome To Cape Town, Cape Town Welcomes You”, a primeira palavra que vem na cabeça é: verão. Aquelas tardes na praia, quando o sol está mais fraco, apreciando o “vai e vem” das ondas parecem perfeitas para ser pano de fundo da faixa. O projeto é ideia de um homem só, John Withers, que gravou cada som do debut no seu estúdio, mas reuniu músicos para poder fazer apresentações locais. E é te dando boas vindas que o novo single de Withers já chega colocando a banda diretamente na categoria dos sons à lá Vampire Weekend, experimentando com instrumentos de todas as partes do mundo e trazendo sintetizadores tímidos, resultando num afro-pop apaixonante. Uma mistura que nos remete diretamente ao Contra (2010), como se “Welcome To Cape Town, Cape Town Welcomes You” pudesse facilmente passar como b-side da ótima “Diplomat’s Son”.

Fazendo pop com pitadas de world music, o John Wizards chega agradando os ouvidos, com baixo forte e melodia divertida, e deixa todo mundo ansioso para ouvir o álbum de estreia de Withers, que promete criatividade e inovação. Enquanto isso, o que podemos fazer é se deliciar com a vibe praiana e descontraída do cara, que com suas múltiplas influências fez o som mais eclético das últimas semanas.

John Wizards – Welcome To Cape Town, Cape Town Welcomes You

O debut John Wizards será lançado em setembro, via Planet Mu.

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Se você ainda não conhece o Dan Croll, não sabe o que está perdendo. Falamos dele no começo do ano com as deliciosas “From Nowhere” e “Compliment Your Soul”, e desde então não tivemos mais dúvidas quanto ao seu potencial. Britânico, Dan é nativo de Livepool, e vem se aventurando na musica desde o começo do ano com o lançamento do EP independente From Nowhere. A pequena amostra de cinco faixas exala referências quase nativas da terra da rainha, junto a toque de experimentalismo assinado pelo produtor Joe Wills, que propõe uma junção de elementos do rock alternativo priorizando uma atmosfera mais orgânica.

Agora pronto para materializar seu álbum de estreia, Dan nos presenteia com mais duas previas do trabalho. “In/Out” vem à frente do material e traz um redemoinho do melhor apresentado em seu EP, uma faixa mais polida e simpática que carrega uma produção ensolarada. Em uma espécie de percussão caribenha, a faixa nos leva a um caleidoscópio rítmico extremamente contagiante, que acompanha um dedilhado de guitarras a-lá Grizzly Bear com aquela energia do Vampire Weekend, com direito a sintetizadores analógicos e os vocais multifacetados do cantor, nos levando a uma verdadeira viagem.

Dan Croll – In/Out

Enquanto isso, “Can You Hear Me” caminha em sentindo oposto a todas as produções de Dan Croll, mostrando a versatilidade assídua de sua parceria com o produtor Joe Wills. A faixa busca visíveis influências na urban music e ainda sim consegue permear uma instrumentação orgânica e gloriosa. De longe nossa favorita – e eleita pelo próprio Dan como sua composição preferida no registro – “Can You Hear Me” é uma mistura surpreendente. A canção começa de forma sorrateira, mas com o decorrer da faixa somos guiados a uma produção despojada, com direito aos então conhecidos vocais fantasmagóricos do cantor em segundo plano.

Dan Croll – Can You Hear Me

Dan Croll – Can You Hear Me

Dan se encontra em estúdio finalizando os últimos detalhes do seu álbum de estreia, previsto para este ano.

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Dar o próximo passo na carreira não significa fazer um trabalho exclusivamente sério. O Vampire Weekend amadureceu sem perder o espírito juvenil com o elogiado Modern Vampires Of The City, lançado em maio. A banda criou músicas que abordam temas profundos, como a espiritualidade, presente na bela “Ya Hey”. A faixa “Diane Young” ganhou um clipe com contornos que remetem à religião, pois os membros da banda estão posicionados como os integrantes da Santa Ceia. Assim como no clipe de “Giving Up The Gun”, do álbum Contra (2010), o Vampire Weekend interage com outros artistas no clipe da música mais radiofônica do novo disco. O vídeo dirigido por Primo Kahn tem a presença de Sky Ferreira, Santigold, Dave Longstreth (do Dirty Projectors), entre outros participantes da ceia, que vira uma divertida confusão quando começam discussões ao redor da mesa.

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Goste ou não do Vampire Weekend, tire cinco minutos do seu dia e dedique-se ao novo single da banda, “Ya Hey”, e seu fantástico lyric-video, que chega como o complemento ideal para decifrar a enigmática mensagem da música. Sucessora de “Diane Young”, que também chegou acompanhada do b-side “Step”, a canção segue com a divulgação do terceiro disco da banda, Modern Vampires of the City, mas ao contrário dos lançamentos anteriores, a canção mira em assuntos mais pesados ao mesmo passo em que revela uma das composições mais grudentas e originais do seu repertório.

Indo além de sua função e carregando um tom inesperadamente épico, “Ya Hey” (uma brincadeira com Yahweh, ou em português Javé, o nome de Deus dado pelas primeiras bíblias judaicas) vai te fazer pensar e refletir sobre questões não muito comuns em canções pop de cinco minutos. À primeira vista, ela segue os passos das baladas contemporâneas da banda com um quê de world-music como “M79”, “I Stand Corrected” e “Giving Up The Gun”, com versos calmos e uma produção bem orquestrada onde até efeitos inusitados (como os vocais em chipmunk no refrão) passam a fazer sentido. Entretanto, é a interessante composição, que questiona ninguém menos que Deus sobre como ele pode nos amar com tantas coisas ruins que acontecem por aqui, que eleva seus refrões grudentos a uma peça reflexiva e ambiciosa, que conquista de imediato tanto aqueles que investem 5 ou 50 minutos do seu dia interpretando sua letra. Se a banda vai conseguir se superar depois dessa, somente no dia 13 de maio iremos saber, mas por enquanto, o Vampire Weekend tem em “Ya Hey” os melhores 5 minutos de sua carreira.

Vampire Weekend – Ya Hey

O terceiro álbum da banda, Modern Vampires of the City, chega dia 13 de maio pela XL Recordings.

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Foram seis anos desde que o Vampire Weekend resolveu sair da sua toca em Nova Iorque para mostrar ao mundo seu indie-rock influenciado por sons e batidas africanas, culminando em um delicioso disco de estreia que nos encantou pela sua despretensão e sensibilidade pop. No segundo disco, Contra, principalmente graças ao amadurecimento do Rostam Batmanglij (tecladista e produtor dos discos), vimos uma banda mais polida, ligeiramente eletrônica e largando suas raízes afro-pop, características que continuam agora, com a maior naturalidade possível, nos primeiros singles do terceiro disco do quarteto, Modern Vampires of the City.

Curta, frenética e dançante, apesar das características semelhantes às inúmeras canções da banda, a novidade fica por conta do esquecimento por completo do afro-pop dos discos anteriores a favor de uma produção que traz lembranças à clássicos do pop americano da década de 50, como o falsete quase caipira de Ezra Koenig e as guitarras que remetem a Elvis Costello. Com uma produção dinâmica, que intercala versos hiperativos com um refrão deliciosamente tranquilizante (e cheio de efeitos nos vocais de Ezra), além do aparecimento de elementos mais clássicos em seu final, como os sintetizadores e trompetes já conhecidos da banda, “Diane Young” é aquele pop explosivo que você só pode esperar do Vampire Weekend, e que já nasce destinado a ocupar o lugar de “Cousins” como uma das músicas mais dançantes que os rapazes já fizeram.

Vampire Weekend – Diane Young

Mas as novidades não páram por aí. Junto ao single principal, a banda também divulgou a graciosa “Step”, que figura por agora como lado B do single e ocupa com orgulho a escalação oficial de músicas do novo álbum. Funcionando como uma espécie de continuação de “M79”, do primeiro disco da banda, “Step” desacelera o ritmo em relação ao primeiro single para nos apresentar um pop orquestrado de produção ligeiramente mais eletrônica, com direito a sintetizadores celestiais e vocais emotivos de Ezra, que desviam de clichês do gênero para nos apresentar uma composição inteligente que brilha por sua pureza e pelas inúmeras referências.

Vampire Weekend – Step

Modern Vampires of the City é o terceiro disco do Vampire Weekend e está agendado para o dia 6 de maio, pelo selo XL Recordings.

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O britânico Dan Croll foi apresentado aqui no blog no começo do ano com seu pequeno ‘hit indie’ “From Nowhere”, um indie-pop grudento que esteve em extensa rotação na programação da rádio britânica BBC. O rapaz, nativo da cidade de Liverpool, está trabalhando com o produtor Joe Wills em seu primeiro disco, cujo o próximo single, “Compliment Your Soul”, apesar do lançamento para o dia 1º de abril, já está circulando na internet há quase um mês, com seu video-clipe divulgado esta semana.

Enquanto o single anterior e suas diversas influências apontavam para o afro-pop dançante de Croll, “Compliment Your Soul” apresenta o artista em um momento mais relaxado e igualmente carismático. Apesar de não ser tão imediato quanto o single anterior, a canção ainda aposta em percussões ligeiramente africanas que contracenam com guitarras e teclados para compor sua produção encantadora, cujo refrão melódico, apesar de simples, consegue impressionar graças a inclusão de trompetes e belas harmonias vocais. O video, com direito a dançarinas e animais empalhados, ajuda a ditar o visual da música.

Dan Croll – Compliment Your Soul

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Falta pouco para o lançamento de Beta Love, o terceiro disco dos americanos Ra Ra Riot. Após ter divulgado a canção título, “Beta Love”, e a melódica “When I Dream”, a banda volta com “Dance With Me”, último aperitivo do álbum antes do seu lançamento, que ocorre no próximo dia 22. A canção, como já demonstrado nos outros singles, tem a banda se afastando dos violinos e dos elementos orgânicos a favor de sintetizadores e batidas dançantes, que culminam em algo mais parecido com o POP ETC e lembra do fantástico projeto Discovery, do Wes Miles com o Rostam Batmanglij, do Vampire Weekend.

Ra Ra Riot – Dance With Me

O novo disco do Ra Ra Riot chega no dia 22 de janeiro pelo selo Barsuk Records.